Chá, Conversa e MONTENERO n. 4

Nº 4 | 24 de Janeiro de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

Principado de Mônaco

 

Editorial

Na segunda etapa da entrevista com Claudio de Castro, as grandes expressões que, se bem lidas – sem paixões e com o espírito aberto – deixam uma marca histórica no micro-nacionalismo. Diríamos que é uma cartilha para o micro-nacionalista de hoje.

Oolong na chávena e muita e muita coisa na cabeça, “Chá, Conversa e Montenero” traz “De Soslaio” as novidades do micro-mundo.

Ainda num ponto filosófico, “BLINK” traz uma consideração interessante motivada, que se fique claro, pela vontade de tornar clara a ratio do micro-nacionalismo. E em  “Correspondências” o impacto do número anterior da revista mais lida do micro-nacionalismo lusófono

Sem nenhuma cerimônia, podemos nos sentar para um Chá, conversa e Montenero!

Chá

O chá servido agora é o oolong, cujas folhas são secas diretamente à luz solar e são semi fermentadas. Depois de sacudidas em cestos de bambu o que faz as suas beiras levemente machucadas, são estendidas para secar até adquirirem ligeira coloração amarela. Nunca se quebram as folhas pelo processamento de rolo. Oolong possui um sabor mais próximo ao chá verde do que ao chá preto: ele não possui o aroma róseo adocicado do chá preto mas por outro lado ele também não possui as notas vegetais marcantes típicas do chá verde. Ele é em geral preparado forte, com o amargo deixando um resquício de sabor adocicado.

Um chá como nossa entrevista: alguns acharam amarga, mas o final é sempre adocicada!

De Soslaio

*    Do Mesmo modo que foi, voltou! Flávio Miranda está em Reunião novamente: “Mistééééééério!”

*    Já estão em funcionamento as primeiras linhas telefônicas. A Companhia Internacional de Telecomunicações (CIT) liberou os primeiro números colocando o Sacro Império novamente nos Píncaros.

*    O COMETA voltou com toda exuberância que se poderia constar num periódico de tamanha classe e perfeita edição.

*    Reino Unido de Portugal e Algarves reage às críticas de Claudio de Castro. (Veja no Blog a integra dos textos).

*    Comitiva Diplomática do Reino da Itália visita o Sacro Império de Reunião para estreitar laços. O chancele e o primeiro ministro foram recebidos por Sua Sacra Majestade Imperial. Em nota a Micro Nunciatura em Reunião deu boas vindas aos excelentíssimos italianos.

*    O presidente da Academia Francesa de Letras (AFL), Dom Jean de Lyon e Valois, informou que estão abertas as candidaturas para as vagas: 04, 05, 06, 07, 08. Os candidatos, entre outras exigências devem ser franceses e tenha publico através de Imprensa Micronacional qualquer trabalho de Gênero Literário.

*    Em Pasárgada, o MESP informa em caráter de urgência que em virtude da irregularidade da rede, através do emulador SNES, o torneio da “Noite Esportiva” de domingo foi adiado sem, contudo, alterar a Noite que seguirá com jogos amistosos. Que coisa não?

*    O SOCIOCULTURALISTA movimento a lista pasárgada. Mais uma colaboração para a micro patriologia?

*    Foi fundada a Sociedade Hebraica de Reunião pelo notável Rabino Rafael Ithzaak.

BLINK

O Fantasma

(Ou Enganos do Socioculturalista)

Queda-se pertinente abordar o casamento – ora meritório, ora esdrúxulo – entre dois conceitos tão vividos e debatidos no micro-nacionalismo e que já se tornaram comuns na cabeça de grandes teóricos do “mundico”. Contudo, como tudo no mundo que se torna vulgar – isto é, pertencente ao vulgo – perde a coloração exata, cabe-nos retirar as grossas camadas de tinta com que repintaram a bela arte de ser micro-nacionalista.

Cabe-nos, então, empreender um lento e minucioso trabalho de retirada da grossa camada que desfigura os conceitos nos quais se estribam diferentes atitudes ante o micro-nacionalismo: o virtualismo e o realismo.

Não há o que se condenar quando se contrapõe ao realismo a fantasia. Se olharmos de perto o termo “realidade” não nos surpreenderemos em ouvir dizer que propriamente o termo indica o modo de ser da coisa enquanto existe fora da mente humana e independentemente dela.

A realidade do ente se dá não por sua ausência de síndeto com a mente humana, mas com sua autonomia diante dela. A coisa é per se e independe de alguém que diga algo dela para que continue sendo o que é de fato. Assim, de modo realista, uma cadeira é uma cadeira ainda que me sirva como mesa! O que difere não é o ser da cadeira, mas o uso que o individuo faz dela.

Mutatis Mutandi, o realismo do micro-nacionalismo é legitimado pelo que há de si mesmo em uma micro-nação, isto é, pelo que ela é autônoma e independente enquanto objeto cognoscitivo. Seu realismo se expressaria bem como: o que é em qualquer dos significados existências de ser. Em outras palavras seu realismo se dá diante de seu ser ente.

Postulado nestes termos (isto é, migrando no micro-nacionalismo “a realidade” de o modo de ver para o modo de ser, enquanto ente que se pode conhecer) o abismo entre a realidade e fantasia ganha sua cor e tessitura originais, uma vez que fantasia é imaginação!

Aqui cabe uma distinção a guisa de informação, pois o óbvio é sempre facilmente esquecido: Fantasia ganha seu significado na imaginação! A partir do século XVIII o uso concomitante dos dois termos, fantasia e imaginação, acabou por gerar uma distinção de significado. Fantasia passou a designar uma imaginação desregrada, desenfreada. Nesta esteira, a lógica de Port-Royal (à bem da verdade, seguindo o conceito cartesiano na Regula XII) diz que a imaginação “é a maneira de conceber as coisas mediante a aplicação de nosso espírito às imagens que estão pintadas no nosso cérebro”, distinguindo assim a idéia da coisa das imagens pintadas na fantasia. Kant, de modo análogo diz que a fantasia é “a imaginação enquanto produz imagens sem o querer” (Antr., I § 28)

Assim, dizemos facilmente que a fantasia é algo inexistente que toma corpo como se existisse: um fantasma (do grego fa,ntasma), ou seja, algo que é vestígio imaterial das coisas, produto da imaginação.

Mas não nos afastamos de nosso tema principal, por que aqui cabe uma correção, as micro-nações modelistas não são fantasmagóricas. Ao rigor do conceito diz-se que: As micro-nações modelistas são aquelas que misturam a ficção com a realidade…

Então seria um erro não considerar as devidas distinções entre “fantasia” e “ficção”. E colocando lado a lado os termos, descobriremos que seriam reais os gráficos que esquematizam o chamado Locus Micronacionalis se não fosse essa escorregadela.

Se fantasia é algo fantasmagórico, ficção, por sua vez é o “como se”. Obviamente ficção não é uma hipotese porque não exige ser verificada, mas uma realidade factivel e como tal não é uma situação patológica, mas normal e que a unica alternativa que ela formula é aquela de um uso sabedor e astuto da ficção como sinal.

De modo simples a fantasia é algo que não existe e toma corpo como se existisse e a ficção é o factível!

Quem sabe as novelas e filmes tenham misturado em muitas cabeças pensante os conceitos de ficção e fantasia de modo que passam com broxas, por cima destas nuances tão delicadas e feitas à pincéis zero com a delicada sutileza das palavras e seus significados.

Alguém poderia ainda perguntar-se para que serviria s ficção no micro-nacionalismo. Responderíamos sem titubear que elas alimentam a imaginação moral que bebe nas fontes da ficção para poder gerar e expandir um ethos, o modus essendi do “homem que age” numa simbiose com as normas sociais (sejam advindas do âmbito religioso ou do âmbito contratual).

Tendo posto esses detalhes que passaram despercebidos em alguns pensamentos mais abrutalhados, cabe-nos decretar, por fim e de uma vez por todas, que não há fantasia no micro-nacionalismo modelista, mas o que se quer dizer quando se diz popularmente com o termo “virtualismo” é que aqui há espaço para o “como se”, a ficção.

É necessário observar o cuidado semântico para não passar com broxas no que foi pintado à pincéis número zero.

Um último aviso aos pensadores: cinema e novela de mais fazem confundir ficção e fantasia num hibridismo monstruoso, se transposto para o micro-nacionalismo sem suas ressalvas.

Entrevista

[Continuação]

 

Na continuação, mais declarações – polemicas e afáveis – que nos mostram um pouco mais da pessoa de Claudio Castro, uma chave para a leitura do fenômeno micro-nacionalismo e para o sucesso de Reunião.

 

Montenero

E qual foi o momento que você gostou tanto que teve vontade de “beijar” o indivíduo!

Cláudio de Castro

Tive vontade de beijar todos os que me surpreenderam em Reunião. E foram muitos. Tive vontade de beijar Quintino quando ele ativou o Judiciário, Aguiar quando me sugeriu tantas e tantas coisas legais, Otto von Draeger quando ativou o gabinete do premier pela primeira vez, Fioravanti quando me mostrou que era possível ter um chanceler profissional. Rocha agora por mostrar que uma Regência pode não ser desastrosa, Filipe Oliveira mil vezes, Laura Dayspring por me mostrar que dava pra existir um órgão que recepcionasse direito os novatos… Paulo Jacob quando criou seu surpreendente jornal… Bruno Cava quando começou a teorizar sobre o micro-nacionalismo reunião… Olympio Neto quando criou o primeiro mecanismo de busca em nosso site… Cresci quando conseguiu trazer a Igreja de forma não-ridícula para Reunião, Zeni, Chapchap e Saifal, por me ajudarem quando do golpe dos hipócritas apesar de mal me conhecerem…

Cláudio de Castro

Fui à lua de alegria quando criaram na anglofonia a ANTI-REUNION LEAGUE (Ladonia, Landreth, e outros).

Rafael Ithzaak

Ainda existe isso?

Cláudio de Castro

Não mais! Porque não somos mais bilíngües, então não anexamos mais anglófonas, mas anexamos varias… Uma vez tomamos uma região de Cyberia, a toda poderosa maior micro-nação americana da história.

Montenero

Fale-nos um pouco sobre as relações com os micro-nacionalistas de língua inglesa

Cláudio de Castro

Ah fabianno, pula essa, detesto redigir em aberto assim!

Montenero

Ultimas polêmicas: Sobre o caso de Filipe Sales em RE e o caso Lagrenge, que são parecidos, salvas proporções. Como Vossa Cláudio os analisa.

Cláudio de Castro

Filipe Sales gosta de ser o dono da bola. Ele é Eficiente, inteligente, hábil, ativo. Gosto muito dele. O micro-nacionalista dos sonhos, EM TESE. Continuaria sendo, mas ficou chato, cansativo, ranzinza. Maldita esparrela esta de pensar que o micro-nacionalismo é algo de suma importância para o mundo. O micro-nacionalismo é muito legal, é um hobby inteligente, que contribui para a formação da pessoa. É formador de carácter. Mas se a gente espanta os novatos, espanta os jovenzinhos, porque eles inicialmente são primários… Se a gente escreve o tempo todo para os “tops” não formamos caráter, Passamos sim a gerenciar o que já existe.  O caso dele em Reunião não foi nada demais. Entrou, saiu, entrou, saiu. E a vida continua. E se quiser entrar de novo, por mim tá bem. O caso do Lagrenge é algo normal também. Falou o que muitos não gostaram, os que não gostaram tentaram tomar atitude. Bom sujeito. Tudo pra mim é normal, acho que sou mesmo meio maluco.

Acho o Sales formidável. O Golds então! Adoro o Golds. Ele é um cara íntegro, adorável mesmo. E tudo isso além do que o Sales é. Ele pode ser melhor micro-nacionalista que o Sales, porque o jeito de ser do Sales afasta um pouco os novos, enquanto que o carácter admirável do golds os une.  O Mariano é outro que tem esta qualidade, e sem estar tão contaminado com o elitismo que o Sales adotou.

Montenero

Se pudesse trazer de volta um reunião quem seria?

Cláudio de Castro

Se eu tivesse este poder traria todos. Nunca um só! Ninguém sozinho faz diferença. Mas todos juntos fazem muita.

Rafael Ithzaak

Já pensou em renunciar a coroa?

Cláudio de Castro

Nunca. Mas em sumir, sim. E sumi! Já pensei em bloquear reformas. Depois descobri que é melhor deixar que as façam e dêem com os burros n’água, pra depois saírem de Reunião. Quando saem, arrumo quem destroque tudo. Sempre voltam mesmo, e quando voltam, são menos rebeldes. 80% dos micro-nacionalistas saem de Reunião pra retornar depois. Quando retornam estão perfeitos, prontos!!!!

Sabem por quê? Por que já viram que 1) não é fácil para uma micro ser como Reunião 2) as outras micros simplesmente não funcionam por mais que 6 meses 3) Reunião é mais divertida 3 ) em Reunião o caos tem sempre fim, pois há quem zele pela ordem 4) Reunião é transparente:  as outras aparentam democracia mas estão na mão da mesma panelinha, sempre.

Bruno Queiroz

Seria a separação entre a Igreja e o Estado um bom exemplo disso que Vossa Cláudio mencionou?

Cláudio de Castro

Bruno, várias outras coisas são exemplo disso. As únicas reformas que não me permito permitir são as que destroem aspectos de reunião que não influem em nada no dia-a-dia, e servem apenas para que micro-nacionalistas inexperientes satisfaçam seus desejos efêmeros. Por exemplo, nossa geografia.

Reformas geográficas 1) dão trabalho; 2) precisam de horas e horas de trabalho pra serem implantadas em nossos sites; 3) simbolizam a troca de seis por meia dúzia.

Cláudio de Castro

Outra coisa que me dá alegria em Reunião é ver os reuniãos integrados, amigos. Por isso tenho horror de amigos que formam micro-nações. Prefiro micro-nações que formam amigos. Pessoas que jamais se conheceriam, jamais interagiriam. Isso me apaixona!!

Cláudio de Castro

Amigos que formam micro-nações normalmente formam algo medíocre ou no mínimo homogêneo demais. Por que nenhuma secessão JAMAIS serviu pra nada? Porque se todo mundo pensa igual, a micro-nação é medíocre.

Montenero

O lado cômico: Surgem cada vez mais “jornais comédias” e micro nacionalistas piadas… O que mais lhe diverte ler em CHANDON?

Cláudio de Castro

Acho Jornais Comédias OK. Mas rio muito mais com uma boa briga político-partidária, dessas que têm muito mais a ver com o tipo de humor que me satisfaz. A argúcia, a acidez, me fazem rir muito mais que o pastelão. Mas gosto dos jornais humorísticos, apenas prefiro o embate político.  Gosto de política.

Montenero

O Movimento feminino na história de Reunião é uma quimera ou um fato? A que se deveria a ausência (ou escassez) feminina em RE?

Cláudio de Castro

Já tivemos três premieres mulheres. Uma desembargadora e várias juízas. Inúmeras cidadãs ótimas. Mas creio que o fenômeno da interação minimamente inteligente na internet não seja do agrado da maioria das mulheres. Como jogos de RPG, creio, é assim também. Prefiro não especular sobre as razões.

Rafael Ithzaak

Não acompanhei o fato, porém o Rocha assumiu a regência a micro estava tão parada assim mesmo?

Cláudio de Castro

Estava bem parada, sim. Não 100%, mas ela parou mesmo depois que o Edu saiu, mas o Rocha deu a volta por cima… Seguiu as premissas necessárias, copiou as coisas certas, soube analisar o meu proceder de quando estou presente.

Montenero

Reunião é uma caixinha de surpresas. Há algo que lhe surpreendeu? Algo pelo que não esperava?

Cláudio de Castro

O forte de Reunião são os reuniãos. É só provocá-los direitinho. Parece simples, e é! Por isso as micro-nações que não dão certo nos odeiam. Porque não fazemos nada de especial. Apenas mantemos as pessoas animadas. E estimulamos a heterogeneidade.

Bruno Queiroz

Neste exato momento da entrevista eu acabei de ler uma mensagem do atual primeiro-ministro Pasárgado, anunciando um site que, aliado ao de Porto Claro, denotarão a superioridade dos países republicanos em relação aos monarquistas. O que diria sobre isso?

Cláudio de Castro

Eu diria que o site de Reunião está em plataforma plenamente atualizável, Joomla, que é o site mais completo e profissional de todo o mundo micro-nacional, que tem roupagem que agrada aos pré-micro-nacionalistas sobremaneira… E também que todo mundo tem que aparecer de alguma maneira. Há quem ateie fogo ao próprio corpo! Que dirá os que dizem asneiras. E digo mais uma coisa, esta sim perturbadora. Eles estão aprendendo, após mais de uma década, que uma boa forma de acordar países caóticos e adormecidos é eleger um inimigo externo que centre a atenção de todos, fazendo com que os cidadãos busquem fazer algo cada vez melhor para servir de comparação e possivelmente ultrapassar em qualidade as realizações do “inimigo”.  Em suma, eles estão chegando com o pozinho, mas o nosso café está pronto há uma dúzia de anos.

Rafael Ithzaak

O fato é que a “demonização” do outro é fundamental para alguns propósitos!

Cláudio de Castro

Mas só de saber que aprenderam o óbvio já me faz ter mais esperança na humanidade. Até o cachorro quando leva choque antes de comer o docinho aprende… Não come mais o docinho! Porque os micronacionalistas de fora seriam piores que os cães?

Estão certos, agora é ver se estão preparados.

Logicamente que os portoclarenses historicamente não passam de peripatetas, andando de um lado a outro sem nada realizar, e assistindo à maior taxa de novatos micro-nacionais desperdiçados de todo o micro-mundo. Sua história agrada, seu estilo agrada, seu micro-nacionalismo agrada. Mas não segura. Porto Claro é como uma mulher bonita que sofre de vaginismo.

Quando o cara vê que não tem jeito, ele é desperdiçado…. Ele raras vezes vai pra Reunião, ou outra, pois desde pequeninho aprende que eu como criancinhas com batatas. Sabe o que ocorre? Ele se inativa e deixa o mundo micro-nacional. Porto Claro não é monárquico, realmente, mas é “multiárquico”. Isso também influi.

Quanto a Pasárgada, ela realmente contém alguns dos melhores micro-nacionalistas, se aprenderem a seguir aquelas premissas básicas que fazem uma micro-nação crescer e se manter ativa, se deixarem de ser micro-nacionalismo-de-terceira-idade, se deixarem o modelismo prevalecer, podem fazer história como Fez e Faz Reunião, salvo melhor juízo.

Cláudio de Castro

Se forem pra este realismo, vão virar yahoogroup de discussão filosófica. Tenho muito respeito à filosofia e à doutrina, mas será à toa que nas faculdades de filosofia são 25 vagas por candidato?

Micro-nação tem que dar ibope. Porto Claro e Reunião fazem isso, mas Porto Claro desperdiça o que consegue.

Se Pasárgada não aprender a dar IBOPE, vai continuar sobrevivendo das migalhas das outras, ou seja, de micro-nacionalistas que saiam de seus países pra ir pra lá. Quantos dos que mandam em Pasárgada e são originalmente pasárgados, sem passagem por outra micronação? 10? 8?

Ao contrário, quantos dos que mandam em Reunião e são originalmente reuniãos? e em Porto Claro?

Montenero

Senhores, gostei muito da participação de todos neste chá, espero amanhã mesmo editar e colocar numa edição especial programada para segunda feira, Agradeço a SSMI D. Claudio Primieiro pela oportunidade de ter nossas perguntas respondidas

Montenero
Cláudio, um grande problema do micro-nacionalismo é a recepção dos novatos. Por muito tempo em RE se sentiu este problema, mas hoje temos novatos tomando cargos de destaque. Reunião amadureceu?

Cláudio de Castro

Com certeza Reunião amadureceu. E os períodos em que ela mais amadurece são aqueles em que o Estado proporciona uma recepção correta dos novos cidadãos. São os períodos em que o país aceita as colaborações e idéias dos novos, e ao mesmo tempo, compreende que eles demorarão um pouquinho pra se adaptar. Quando o Estado está controlado por gente elitista, que se crê superior aos demais, perde-se imensa quantidade de novatos. Uma micro-nação como Reunião, que recebe de 10 a 20 formulários por semana, deve estar ciente de que embora a grande maioria seja conseqüência de mera curiosidade, vários são pessoas que chegam bem CRUAS e que se não lhes dermos a mão e os convidarmos a participar não da maneira que queremos, mas daquela que eles querem, não ficarão por muito tempo. Precisamos entender que as pessoas crescem, e se tornam micro-nacionalistas de mão cheia. Querer que já cheguem assim é sonho de uma noite de verão, e acaba incitando intolerância e sentimentos de superioridade que só fazem sufocar a atividade do país. Reunião está hoje nas mãos de seu povo, que é uma mistura gloriosa de novatos maravilhosos e veteranos patriotas, grande parte dos últimos já tendo saído e retornado muito mais maduros, e finalmente cientes de como funciona o verdadeiro micro-nacionalismo. O verdadeiro micro-nacionalismo muitos aprendem de fora; mas sempre olhando pra Reunião.

Montenero

Isso torna reunião um destaque nas atividades, contudo, perceberam-se grandes períodos de inatividade. Os últimos registros deste fenômeno foram acompanhados com mensagens da regência ocultando esse estado letárgico. Deste fato poderia se dizer que: 1). Reunião não é tão Pujante assim e 2). Não é tem um compromisso de transparência com o micro mundo?

Cláudio de Castro

Reunião tem compromisso para consigo mesma.  É a micro-nação que mais contribuiu para a formação dos paradigmas que são utilizados na lusofonia até hoje.  Parados 50 anos, já realizamos mais do que qualquer outra. A questão é que Reunião teve dois períodos de inatividade gerados por fatores externos que independem do controle de todos nós. Na verdade, todas as micro-nações vivem suas vidas inteiras, praticamente, lutando contra a inatividade, enquanto em Reunião isso só ocorreu duas vezes. Nas duas vezes eu estava ausente, e talvez por isso tenha ocorrido a inatividade, pois o Cláudio de Castro é a chave da organização política do país, e também seu maior animador de auditório. Ele faz com que as pessoas se conheçam, se unam, colaborem entre si. Ele é o maior elo entre os cidadãos.

Montenero

O Senhor declarou que um período de inatividade que chegou quase à 100% foi no período entre a regência de Eduardo Lagrenge de Pacífica e Rodrigo Rocha, duas regências com características distintas. A que se deveu esse período de inatividade?

Cláudio de Castro

Eu não estava presente. Creio que esta inatividade durante a Regência do Edu foi devido à falta de tempo dele, à ausência dele. Na Regência Rocha, ele foi extremamente presente, e soube unir esforços, e valorizar os novos.  Na Regência Lagrenge, o Edu estava com o tempo muito reduzido, não acredito que tenha havido incompetência e sim falta de atuação direta, diária.

Montenero
Um tema polêmico: A propósito do tema Lagrenge Vs. Rocha, criou-se uma animosidade muito clara em Chandon. Eduardo criticou abertamente a Regência, que foi o motivo de seu afastamento de Reunião para reativar o império de Pacífica. Da volta de Lagrenge, a QUAEX denunciou-o por traição. Vossa Cláudio estava semi-ativo à época, houve alguma influência do Regente nas atividades da QUAEX?

Cláudio de Castro

Não sei, eu não acompanhei esta faceta da Regência.

Montenero

Poderia fazer uma avaliação, mesmo que “de fora” sobre o fato?

Cláudio de Castro

Não possuo elementos sobre isso.

Montenero

Sobre o Império de ontem e o Império de hoje, quais as grande diferenças?

Cláudio de Castro

As pessoas estão mais unidas a cada dia que passa. A criação das salas de chat de Reunião, a exemplo do que existia em 1998, serviu para unirmos todos um pouco mais.  Os novatos estão sendo mais bem-aceitos pelos veteranos, o que há anos não ocorria, com a crescente animosidade contra virtualismos e outras iniciativas comuns a novos reuniãos, que era advogada pelos supostos auto-denominados “cruzados contra a mediocridade”.  Reunião hoje é mais tolerante, e, ao passo em que não se tornou uma Sofia, com a “idiotização” da sua micro-sociedade, também sabe que é necessário um espaço de tempo para o amadurecimento do micro-nacionalista jovem. E é ele a maioria esperança do nosso hobby.  Reunião evoluiu imensamente na parte tecnológica; nosso novo site, em JOOMLA, possibilita a atualização em tempo real do site por pessoas que não têm noção alguma de HTML; possibilita a realizações de eleições sem a necessidade de nenhuma programação específica, através da urna eleitoral do site; disponibiliza as mensagens de CHANDON no site para consulta de todos… Reunião é micro-nação com tecnologia de ponta, além de contar com o site mais convidativo e simpático de toda a lusofonia, concebido especialmente para atrair a atenção do novo cidadão.

Montenero

O avanço da cyber tecnologia ajudou, por um lado o micro-nacionalismo. Contudo há quem diga que alguns coisas farão o micro nacionalismo desaparecer, o Second Life por exemplo, o que acha?

Cláudio de Castro

Duvido. Coisas como o Second Life podem no máximo incrementar a simulação, embora nem mesmo isso eu acho que ocorrerá. O micro-nacionalismo prescinde da internet; ela é meio, e não fim. O que nos importa é simular uma sociedade, simular um Estado, simular um Governo.  Qualquer novo meio de comunicação que venha a existir não irá modificar isso.

Montenero

Não é um movimento de êxodo a causa de várias micro-nações terem se inativado?

Cláudio de Castro

Não. Elas se inativam por incompetência falta de comprometimento, cultura e sociedade frágeis, e desconhecimento das poucas regras não-escritas que norteiam a administração de qualquer micro-nação. Isso além de intolerância, preconceitos bobos, e falta de desafios aos velhos micro-nacionalistas.

Montenero

O corpo de leis de Reunião é muito complexo, segundo uma sua mensagem em lista, como se forjou, quem foram os principais nomes?

Cláudio de Castro

Isso foi algo gradual, que teve o envolvimento de micro-nacionalistas diversos no decorrer de nossos 12 anos de história.  Reunião nasceu no direito consuetudinário e foi aos poucos se virando ao Direito Romano, até que o costume passou a ter mero valor suplementar. Reunião forjou seu arcabouço legal complexo com a atuação de seus hiperativos parlamentos, e com o trabalho de micro-nacionalistas de ponta, de Filipe Oliveira a Pedro Aguiar, de Bruno Cava a Luiz Azambuja, de Quintino Gomes a Otto von Draeger.

Montenero

O judiciário, com a presença dos MM. Júlio, Sogdu e Zonaro, se não me engano, tem ganhado muito destaque na atividade reuniã, mas a complexidade das leis não atravancam o serviço jurídico em Re?

Cláudio de Castro

Não. A complexidade das leis torna o exercício dos operadores do direito em Reunião mais desafiante, mais interessante, e mais agradável. É um resquício do common law; em Reunião a pesquisa é tão importante quanto a interpretação das leis; aqui, um caso demanda tanto estudo quando nos EUA ou Inglaterra, quando o advogado tem que pesquisar leis antigas, casos pretéritos, precedentes.  Reunião tem uma rica atividade jurídica, cheia de desafios e dificuldades que, ao fim, coroam de glórias nossa atuação judiciária.  Aqui Juiz não é robô; e advogado não é artista. Aqui é preciso estudo, pesquisa, e noções de nossa história para exercer de forma satisfatória a advocacia. Pessoalmente sou o maior opositor da codificação de nossas leis, por acreditar que a forma atual faz de Reunião a mais interessante micro-nação do ponto de vista jurídico.

Montenero

Últimos acontecimentos: Flavio Von Rainer sempre foi tido como o mais entusiasmado de RE, e sem nota em CHANDON ou qualquer outra explicação pediu postulância em Pasárgada, como Cláudio recebeu essa notícia?

Cláudio de Castro

Sem surpresa alguma. Flávio é um grande amigo meu, muito querido, mas sempre foi muito volúvel, e sempre se irritou quando contrariado. Neste caso não sei o que deflagrou sua saída de Reunião, mas sei que, apesar de todo o seu jeitão desbocado, todos em Reunião o adoram. Espero que volte um dia.

 

 

Agradecemos ao micro-nacionalismo Claudio Castro, que já esteve estampado em grandes periódicos macro (no Brasil e no mundo) por ter nos dado a alegria deste chá. Não podemos e não queremos deixar de dizer que estávamos muito a vontade com este grande vulto.

Cabe-nos, como considerações finais dizer que esta entrevista não expressou se não as opiniões do micro-nacionalista Claudio de Castro.

Agradecemos muito com alegria aos colaboradores – Rafael, Queiroz e Rocha – por colaborar conosco nesta edição.

 

Correspondências

D. Fabianno,

Como sempre, fantástica a entrevista com SSMI. O único problema é que essa entrevista vai dar muito trabalho a Quaex e as forças de defesa do Sacro Império.

 Porém, como sempre, seu jornal nos leva a refletir. Vale a pena prestar atenção na entrevista de SSMI pois lá existe muito mais do que história micronacional. Existe uma verdadeira reflexão sobre “o que é Reunião” e para onde devemos levar esta fantástica atividade micronacional.

Att.

Duque Luiz Saboya de Ludônia – Diretor Geral da Quaex (Em CHANDON)

 

D. Fabianno,

agradeço em meu nome e pelo Cerimonial Imperial pela menção elogiosa ao nosso trabalho no Baile de Gala. 

Seu chá está cada vez mais saboroso. Por favor, mantenha-o assim. 

In Domino,

Pe. Ruy Hallack de Tavares Lira – Chefe do Cerimonial Imperial – Micro-Presbítero da Arquidiocese de St. Denis (Em CHANDON)

 

Nossa!

A entrevista do Cláudio está ótima. Gostei muito dessa edição!

Dom Jean de Lyon e Valois (Em Royaume la France)

 

Caro D. Fabianno,

o que pode ser visto, nesta edição, é uma verdadeira aula sobre micro-nacionalismo. Lí do começo ao fim e me sinto com vontade de ler novamente. Com certeza, guardarei esta edição em meu computador, para ler em outras ocasiões.

Parabéns! Estou ansioso para ler a próxima edição.

Visconde D. Bruno Bragança de Tremblet (Em CHANDON)

 

Fabianno,

Mesmo com o fato de minhas incontroláveis gargalhadas durante essa maravilhosa conversa com o Claudio terem sido excluídas do periódico… Parabéns meu caro! Mais uma vez, muito bom.

 Posso afirmar que o Chá, Conversa e MONTENERO é um dos melhores periódicos que circulam atualmente. 

Atenciosamente,

D. Lucas De Simone, visconde de Belo Horizonte – Conselheiro Imperial #2 – PIGD/CO (Em Imprensalivre)

 

D. Fabianno

 Parabéns por mais um numero, e mais uma vez estou a dispsição para entrevista, falando em Bélgica, sempre dá Ibope. 

D. Fábio (Em correio_belga)

 

 

 

Fabianno,

Voce cumpriu o que prometeu em todas propagandas!  Estremecer o chão do micro-mundo!
Entrevista Épica!

PARABÉNS grande qualidade!

Abs Gabriel Garcia – Alcaide de Le Port (Em Imprensalivre)

 

Mais uma vez os leitores anunciam o sucesso de nossa revista que é feito pensando em você. Desejamos construir um micro-nacionalismo maduro, inteligente e lúdico. Escreva-nos!

O COMETA ON-LINE – Número 0115

O COMETA
Notícias de Amanhã. HOJE.

Saint-Denis (DR),   22 de Janeiro de 2009   –    Edição Número 0115     –     Fundado em Dezembro de 1997     –    Micromundo Empresa Josnalística Reuniã S/A


EDITORIAL
Cláudio de Castro, Editor-Chefe
(DA REDAÇÃO) – Passaram-se vários meses desde a última edição deste que alguns dizem, ser o mais tradicional jornal da lusofonia, e, conseqüentemente, do Sacro Império de Reunião.  Nosso país teve um ano de 2008 muito interessante e repleto de mudanças, além daquelas divertidas loucuras tipicas desta ilhota localizada a Leste de Madagascar, e terminou o quarto trimestre com um boom de actividade só visto no início de 2004 e nos velhos tempos.   Mais de 40 súditos-veteranos históricos retornaram ao país; um grupo de “novatos”  de altíssimo nível chegou, como Júlio Schmidt, Thiago Delli, Carlos Clubin, Rafael Itzhaak e mais meia dúzia de outros, isso sem falar na geração 2007/08, repleta de notáveis do calibre de Ruy Hallack e Fabianno Montenero.

Um novo renascimento? Não diria tanto, pois Reunião, desta vez, não parou. As  Regência de Eduardo de Lagrenge conseguiu manter actividade mínima, e a de Rodrigo Rocha, superando todas as previsões mais otimistas, alavancou a actividade até que, em novembro, já com acompanhamento imperial, as coisas começaram a estourar, culminando com o retorno do Imperador ao Palácio Imperial, em meio ao maior boom de actividade dos últimos 8 anos, cercado de festividades.

A actividade legislativa jamais – isto em 12 anos – esteve tão rica.  São mais de 15 projectos, todos eles de relev[ancia, estão sendo analisados pelas duas casas. Egrégio, com discussões ricas acerca dos temas propostos (nada de mensagens “ Estou aquí “ e “concordo”, como ficamos habituados em 2004-6 a assistir), e a APQ em surto de actividade raramente visto, sob a batuta do Brilhante Giuseppe Gatto, discutindo ao mesmo tempo projectos de sua própria lavra, da lavra do Executivo e da Lavra do Moderador.  Pela primeira vez em 8 anos, um procedimento bicameral está agendado a ocorrer.

O Poder Judiciário está plenamente activo, discutindo inclusive sentenças normativas, sentenciando com rapidez, e tudo isso com a colaboração de uma Advocacia Geral do Império pela PRIMEIRA VEZ actuante, uma PGI brilhante, e um Desembargador Imperial activo e preparado.  O boom nas profissões jurídicas é impressionante; nos últimos dias, a CIA licenciou quase dez novos advogados, aprovados em PROVA ESCRITA complexa. Os juízes Diego Caldo e Giancarlo Zeni se encontram ávidos por julgar, e julgando rápido.

O Executivo, do Premier Ricardo Cochrane, se dedicou à actividade de trazer velhos cidadãos de volta e atrair novos. Com um ministério da Imigração a pleno vapor, com quase uma dezena de formulários por semana, Bruno Bragança – o todo-poderoso ministro – vem activamente estudando os formulários, com uma comissão de imigração por tras. O interior funciona bem; nossas listas nunca estiveram bem-controladas como hoje; a cada saída de súdito (aliás, evento raro), são excluídos e-mails das listas imperiais, e toda a rotina de manutenção vem sendo praticada sem erro.  O MiNFRA fez belo trabalho de cadastramento de empresas, e foi na gestão actual que nasceu o mais innovador projecto do micronacionalismo nos últimos tempos: a Companhia Telefônica de Reunião (CIT), que já instala linhas telefônicas  para os súditos que se inscrevem, providenciando ligação directa entre os reuniãos, em software personalizado, que possibilita, de forma muito mais interessante do que usando Skype, o bate-papo entre os Reuniãos.

E falando em bate-papo entre os Reuniãos, nasceu o CHAT do MSN, que já tem SETENTA E OITO Reuniãos inscritos e participando  (à exceção de três estrangeiros que estão autorizados a participar), conversando o dia inteiro, e a madrugada toda, sobre a micronação mais relevante do mundo.  Os assuntos, sempre micronacionais, vêm aproximando mais os cidadãos, de tal forma que nosso próximo encontro de súditos, em São Paulo, pode chegar a 20 presentes!  E para dar vazão à necessidade dos Reuniãos em ter papos mais e mais informais, nasceu o bate-papo SENZALA RECTANGULAR, com 48 inscritos. Os Reuniãos estão se unindo como não se via desde 1999 !

Mas Reunião quer ir além!  Uma vez terminada a actualização do nosso site, que é o mais convidativo de todo o mundo micronacional (seu visual juvenil atrai a atenção, e seus textos sérios “prendem” apenas quem realmente se interessa por simulações de política e governo), agora é hora de mais uma inovação. Não, não se trata do sistema Joomla, que permite a actualização por qualquer um que tenha senha e via web, pois isto já está implantado.  Trata-se da Loja Virtual de Reunião.  Com a criação pelo Regente Rodrigo Rocha, da Sociedade Imperial de Filatelia, nasceu a idéia de imprimir profissionalmente selos de Reunião para serem vendidos para os vários brasileiros e estrangeiros que nos procuram via e-mail  buscando souvernires e ítens de Reunião em geral.  Além disso, as bandeirinhas…. E, agora Reunião desponta com profissionalismo sem par:  estamos prestes a cunhar nossas primeiras moedas. Em breve haverá concurso público para o design das mesmas, que serão cunhadas pela CAIXA IMPERIAL DE DEPÓSITOS – CID , que deixa de existir virtualmente para ser encarregada da numismática Reuniã.  E os projectos não páram: canecas, canetas, camisetas e adesivos.

E que aplicação dar-se a este dinheirinho? Simples.  Bancaremos os encontros de Reunião em bons restaurantes para os micronacionalistas reuniãos, pagaremos as despesas de manutenção de sites, cartões de visita e natal, etc.  Se os Reuniãos já são adultos, por que não o país evoluir junto?  Nosso povo é historicamente e ninguém sabe por que coincidência do destino, o mais bem-sucedido macronacionalmente, tendo pessoal habilitado a gerenciar todos estes fundos que serão gerados pela loja virtual. Não devve ser muito; um estudo de mercado realizado com base nos e-mails que recebemos de todo o mundo perguntando sobre ítens personalizados estima lucros não superiores a 500 reais por mês, devido ao alto custo dos ítens.  Todavia, a Coroa adiantará os valores macronacionalmente necessários, e posteriormente, após recuperar o investimento inicial, aplicará em conta corrente os lucros mensais, a serem utilizados quando da realização de encontros semestrais e também para fazer pedidos de novos ítens, conforme forem acabando.   Dando certo, os planos vão além: a constituição de uma sociedade, macronacionalmente, em que os Reuniãos que completarem um período a ser definido em legislação a ser passada pela APQ como cidadãos, terão direito a adentrar a pessoa jurídica, como sócios.  Nasce agora o embrião da Imperial e Benemérita Sociedade dos Amigos do Sacro Império de Reunião (IBSASIR).

E o micronacionalismo, como fica? Arrebenta!  A volta da Publicidade no Google, planos de publicidade em jornais macronacionais…. Isto tudo aliado à presença, em Reunião de alguns dos melhores micronacionalistas da história do hobby!  As actividades de simulação política incrementam-se a cada dia, e todos estes planos acima expostos ensejarão debates não só realistas mas também altamente acirrados, pois NADA será feito sem a aprovação das duas Casas Legislativas.   O embate político em torno destas decisões possibilitará que os partidos políticos se engalfinhem por algo que pode realmente mudar nossas vidas micronacionais, e contagiará a todo o micromundo.

Reunião atrai a micronacionalistas de todo o tipo, pois é surpreendentemente grande. Reunião não tem ex-súditos. Só futuros-súditos.  O micromundo lusófono só teve 3 micronações realmente paradigmáticas. E os fundadores das três estiveram aquí. Que legado é maior que este?

A mediocridade de que tanto se vem falando alhures nada mais é do que sinônimo de força, de altivez. Aquí, ninguém chega e faz o que quer. Temos cultura arraigada. Temos súditos atentos.  Não somos um país onde se sugere mudanças sem pé nem cabeça e todos dizem amèm. Reunião é mais forte que cada um de nós. Quem não consegue ser o dono da bola alega sempre mediocridade dos jogadores.  A ex-mulher de alguém é sempre feia ou maluca!  Pois o desafio segue:  Reunião, Absolutista em Potencial, NÃO TEM DONO DA BOLA, tem líder. Já alhures, os mandos e desmandos, os grupos dominantes, as oligarquias, o eterno mando de um ou dois partidos, na acepção mais geral da palavra….Um dia isso cansa até quem se diz incansável.

Em que pese as cobras  venham se tornando mais numerosas, e  seu veneno esteja sendo espalhado por aí em indirectas afirmativas, o que se pode ter certeza é de que nada além do que já aconteceu virá a ocorrer de novo.  A fragilidade de alhures, o iminente caos ou a iminente inactividade que  espera o resto do micromundo e que já lhe espreita, jogá-los-á seja fora do hobby ou dentro do único recanto sólido que verdadeiramente existe no mundo micronacional. No primeiro momento em que houver um enfrentamento, e as instituições de alhures balançarem, no horizonte ver-se-á o estandarte rubro com o “R” coroado. Até lá, vamos ser apenas Reunião.  E eles, o que serão?

Reunião é a história do micronacionalismo viva. Reunião, a primeira e única nação bilíngüe que já existiu no micronacionalismo.  Reunião, amiga de Madison… Aquele que eles adoram….  Amiga de Rasmussen, que eles também adoram…. Reunião, a mais famosa micronação lusófona do mundo, e a mais querida micronação em geral.  Reunião, que interagiu e  interage com todos… A estrela da Bible des Micronations e queridinha de O´Driscoll…. Fizemos e faremos a história. A história que eles escrevem.  Quem são senão escribas, relatores do que fizemos e vivemos?  No mundo há quem ldera e quem segue; há Homero e há Ulysses.

É claro… Reunião não é perfeita. Existem sete ou oito  micronacionalistas relevantes – brilhantes mesmo – que não se encontram em Reunião. Nem eles sabem disso. Mas sua chegada a St. Denis é um imperativo, e  mesmo uma profecia.  Nosso país pode oferecer a eles mais do que eles próprios podem imaginar: lugar para viver, lugar para se divertir , para doutrinar…. Um projecto sólido de micronacionalismo modelista, activo, plural, inteligente, divertido. FANTÁSTICO!  Reunião, meus amigos, é é gato de sete vidas. E nem usamos a primeira ainda. Quem viveu, viu. E quem viver mais, verá de novo.

Cláudio de Castro é a Geni que deu certo.


O COMETA COMENTA

DEMOCRÁTICOS AFOGADOS EM PROJECTOS DE LEI

BEATRIZ (DE) – O Director da Assembléia Popular de Qualícatos, D. Giuseppe Gatto, iniciou período de discussões e/ou votação de vários projectos interessantes.  De autoria do Ministro da Imigração, D. Bruno Bragança, uma revisão na lei de imigração que prevê a diminuição do número de decisões colegiadas acerca da entrada de novos súditos no país. A polêmica é grande, e o projecto vem sendo alvo de duras críticas e de apaixonadas adesões.  As discussões acerca dos seis projectos de lei que a APQ está discurindo vem gerando enorme repercussão, com mais de 140 mensagens em Dezembro e até o momento 107 mensagens em Janeiro.  Todos os qualícatos se encontram em actividade plena, segundo o relatório do Presidente.    Além do projecto de imigração, um projecto do qualícato Valadir Aerwyld regulamentando o chat oficial de Reunião no MSN vem gerando polêmicas.  Também estão sendo discutidos um projecto obrigando o Governador de Beatriz a provocar actividade no districto, outro criando regras a serem seguidas pela autoridade de imigração com relação a formulários de cidadania mal-preenchidos e o polêmico projecto do Moderador, já defendido amplamente pelo líder do Moderador D. Giancarlo Zeni, obrigando os súditos de Reunião a ter login de MSN, e vários outros.

COMPANHIA TELEFÔNICA EM TESTES

Handard (MT) –  O Arquiduque de Pacífica. Eduardo de Lagrenge, que no início do ano solicitou o registro do muito doido projecto de Companhia Telefônica, já impressiona a todos com o seu interessante sistema de comunicação via voz.  Cada Reunião registrado na lista telefônica terá um número de telefone, e as conversas se dão de forma mais rápida, íntegra e simpática do que usando o SKYPE.  Um programinha personalizado serve de telefone, e neste momento estão sendo efetuado testes para que o programa possa ligar os Reuniãos não só via computador, como também pelo telefone de verdade.  Outro experimento é o ¨conference call¨, que ainda não conseguiu-se configurar. Eduardo é um cidadão de Portugal macronacionalmente, e talvez por isto tenha sentido mais a necessidade de uma comunicação com os demais reuniãos, que são, em sua maioria brasileiros, embora vários residam fora, como é o caso de Júlio Schmidt.   No momento os Reuniãos ainda estão se inscrevendo, e se espera para o mês que vem que tudo esteja plenamente em funcionamento.

DISTRICTO REAL DE ST. DENIS ACTIVA SEU SENADO

Saint-Denis (DR) –  O Lorde Mayor Renato Moraes conseguiu colocar em funcionamento o Districto Real.  Historicamente uma das regiões onde a inactividade é mais endêmica, com o apoio do Prefeito Imperial D. Renan Saifal e de uma gama de assessores de primeira linha, Sat. Denis começa a trilhar o caminho que já vem sendo seguido pela Fournaise de Diesley Meira, a Stráussia de Ricardo Cochrane e a Conservatória de Rodrigo Goulart. Nova Carta Districtal será em breve analisada pelo Senado Denisense, com a participação de Ruy Hallack e Flávio Miranda. Mauritius começa a engatinhar de novo, ainda sentindo falta do querido Rodrigo Mariano.

 


Palacianas
Directamente do velho St. Denis

  • É, o Judiciário mais antigo do micronacionalismo nunca esteve tão bem.  O Desembargador Bruno Sogdu, egresso do velho DON (vulgo porrada-em-quem-fala-besteira-em-CHANDON), conseguiu reunir uma equipe fantástica.  O Procurador Geral do Império, Júlio Schmidt, o Advogado Geral do Império Tales Zonaro e os juízes  Diego Caldo (a.k.a só-aparece-quando-dá-bode) e Giancarlo Zeni integram esta equipe memorável.   Tales e Sogdu, aliás, estão dentre os mais regulares freqüentadores do MSN-Rectangular, o novo hit reunião.
  • Zeni assumiu o cargo de juiz prometendo paulada em quem descumprir o CCC.  Aliás, engraçado que digam por aí que CHANDON seja caótico quando é a única lista micronacional que tem algum controle…. Onde necrof, digo, cinefilia e xadrez são bem-vindos até que alguém – qualquer um – mande parar.  
  • Falando em controle do CHANDON, o policiamento também está ofensivo. A Guarda Imperial, com seu novo Capitão-Mor Gustavo Otto, promete uma reestructuração geral na hierarquia da guarda, que está sendo elaborada pelo Tenente-General e Qualícato Heitor Baltazar, o mesmo que não fez mais que sua obrigação ao censurar o chanceler Wallace Rangel por uma mensagem curta demais. Deu o que falar….
  • E o Wallace Rangel está trabalhando a oito mãos com o Fidelíssimo Confidente Bruno Queiroz, o embaixador plenipotenciário Ruy Hallack e o Conselheiro dos Negócios Estrangeiros Giuseppe von Habsburgo para, a qualquer momento, nomear os novos ocupantes das embaixadas de Reunião no exterior. Balduíno está cotado para assumir nossa ambaixada em Heráldia (…).
  • Aliás, como desenha bem o Baldú!  Baldú recebeu sua primeira ordem de nobreza e está esfuziante;  se vê um papel quadriculado já sai desenhando a deografia de Reunião.
  • A Geografia de Reunião, que, agora, está aos cuidados de ninguém menos que nosso maior filósofo, D. Fabianno Montenero, iminente concorrente de O COMETA com seu inenarrável CHÁ COM MONTENERO, maior sucesso das bancas de Reunião desde a última edição de O COMETA.  Fabianno está preparando o manifesto, doutrina e regulamento interno da SIG, que finalmente porá no papel as razÑoes que nos fazem evitar BULIR com a geografia política de Reunião sem sólidos motivos para tal.  A chegada de Fabianno foi festejada por Francisco Seixas, nosso reformado ex-capitão da Guarda, que é dos mais fiéis e ininterruptos integrantes da equipe da Sociedade de Geografia.
  • Gustavo Ramos  de Mantenabar foi reeleito Presidente do Egrégio, sob infundadas acusações de inactividade, pois esteve afastado por curto período de 10 ou 15 dias.    Na verdade, o Egrégio, seguindo estas acusações, se activou imensamente, na esteira dos projectos apresentados pela liderança do Poder Moderador.
  • Competiu com Renan Saifal, um dos mais celebrados premieres da história do país, e que agora, a pesar de não ter sido reeleito, está bastante animado com a activação de St. Denis ao lado de D. Renato Moraes e com a condução da recém criada Sociedade Imperial de Filatelia, onde seus conhecidos dotes de designer estão sendo completamente aproveitados. Aguarda-se para logo a nova série comemorativa de selos imperiais.
  • Dom Laucimar da Cunha, o eterno guardião de Reunião, voltou a publicar os informes de segurança do Ministério da Defesa e da Força Aérea Reuniã, explicando sobre os vírus mais recentes e ensinando o reunião médio a resistir contra todos os tipos de ameaça que grassam na rede internacional de computadores. O orgulhoso papai da qualícata Morgana Petterle foi também homenageado em CHANDON pela equipe do EMFAI, pelos mais de dez anos de contribuição a Reunião.
  • Outro grande homenageado em CHANDON ultimamente foi o Conselheiro Imperial Rodrigo Rocha, em cuja regência Reunião começou a alçar um dos seus mais impressionantes vôos (err. Dane-se a reforma ortográfica). Rocha, que pautou sua actuação por seguir à risca o manual do soberano de Reunião, conjunto de regras não-escritas capazes de levantar da tumba a micronação mais desgraçada, que dirá o maior Império do Micronacionalismo.  Rocha vem apoiando no egrégio todas as propostas da Coroa, e dizem, pode assumir uma grande responsabilidade em breve.
  • E da Regência Rocha, emergiu um outro reunião com grandes possibilidades de crescimento!  Trata-se de Diesley Moreira, que serviu como Lorde Protetor na Regência, e agora comanda uma das gestões mais profícuas do Colégio Reunião de Armas, entregando semanalmente novos brasões aos nobres de Reunião. Diesley, cuja ascensão ao Anexo Oeste chateou a muitos de reunião por ter vindo de fora, agora serve também como Líder do Poder Moderador no Egrégio.
  • O cargo de LP sempre foi dos mais importantes de Reunião. E neste momento em que se confrontavam dois regentes e reuniãos muito queridos, Eduardo de Lagrenge e Rodrigo Rocha, nenhuma escolha poderia ter sido mais imparcial do que Wernik.  Reunião histórico, fournaiseano de carteirinha, coube a ele nomear os membros do Tribunal Marcial que julgará Lagrenge pelas palavras proferidas pelo mesmo em algumas dalas de bate-papo, que alguns setores de Reunião acreditaram ter sido excessivamente contrárias à Monarquia.  Por outro lado, outro setor afirma que não passaram de palavras duras proferidas numa época em que o Imperador estava ausente, e Lagrenge teve problemas pessoais que o afastaram e tornaram a Regência menos atuante.  A verdade é que Wernik nomeou integrantes isentos para o Tribunal, e já está movimentando o seu Gabinete para, após o julgamento, o resultado dele ser o menos traumático possível.  
  • Wernik fez questão de manter no cargo o Chanceler Imperial Wallace Rangel, o que vem se mostrando acertadíssima decisão, da mesma forma em que reorganizou a ICW3, que começou e JÁ TERMINOU de actualizar o site de Reunião, sob as ordens de Bernardo Alcalde e do próprio LP, além de Diesley Moreira.
  • O Premier Ricardo Cochrane  sancionou a lei aprovada pela APQ que regula o funcionamento de empresas Reuniãs em outras nações do micromundo, sob o pretexto de que a actuação destas empresas poderia, se mal engendrada, causar arranhões à imagem do país, ou mesmo dar crédito a grupos amicronacionais diversos que acreditam fazer parte do micromundo.
  • Dom Duarte Neto assumiu a superintendência da ARN e já actualiza semanalmente o site de Reunião, relatando os acontecimentos mais importantes do país e analisando outros mais amiúde. No novo site, o menu principal tem espaço para informações num quadradinho “ARN”, que é muito legal pois sua redação é feita com a mera inserção de uma senha, quando se abre o campo para actualizar as notícias. Imagina-se que Duarte, que é neto do célebre reunião Alexandre Carvalho, nomeará outros repórteres para que o site da ARN tenha mais notícias em tempo real. Com relação à lista de distribuição de mensagens da ARN, AREUNIANA,  Bruno Queiroz recebeu a batuta, e já está gerenciando tudo, tendo decidido não mais levar o regulamento tão à risca. O regulamento de AREUNIANA sempre foi conhecido como muito restrictivo, embora permita a postagem de mensagens oficiais, vetando respostas e encaminhamentos.
  • Quintino Gomes, cuja entrada em Reunião foi finalmente liberada pela Imperatriz Roberta, transformou-se numa espécie de oráculo monossilábico do Egrégio. Suas opiniões, sempre curtíssimas e concisas, têm se provado úteis para as discussões levadas a termo naquele fórum.
  • Parece que Alberto Fioravanti e o Imperador teriam chegado finalmente a um consenso no que tange à igreja micronacional.  Dizem por aí que o Imperador e D. Fioravanti, o todo-poderoso proprietário da Fortaleza de Vera Cruz, em Fournaise, teriam acertado seus ponteiros em private, e que uma mensagem do último estaria sendo aguardada para selar as pazes de dois velhos amigos.
  • Reclamaram tanto que o governador de Beatriz estava ausente que nem perceberam que ele avisara que sairia de férias.  Nosso esquerdista de carteirinha, Ézio Nunes, retornou à activa, e tenta cooptar o turista Raphael Garcia (o mais reunião dos não-reuniãos) para com ele remontar a esquerda xiïta!  Além disso, Ézio é o imaginativo Secretário da Propaganda, e tem várias a soltar nos próximos dias.
  • E Conservatória? Desde os tempos de Castro Vaz não vemos a velha Fortaleza tão interessante. Seguindo os eventos que levaram à recriação do Instituto Histórico Reunião, o Capitão Rodrigo Goulart conseguiu formar um governo unido, com novos burgomestres e alguns medalhões como Bruno Queiroz e Igor, além de bons novos, como Bertochi.  O site do Instituto Histórico Reunião, uma iniciativa conservatoriana embora em esfera imperial, está recebendo novas informações semanalmente, como por exemplo nomes de capitães de todas as capitanias durante nossa existência.
  • Falando em Co, São Cláudio recebeu de volta dois medalhões: Bruno Massera e Erika Yamagishi, que já se preparam para assumir suas funções na ALC.
  • André Chormiak foi a surpresa dentre os nomeados para compor o Tribunal Marcial. Como será que votará? Ninguém sabe!
  • Dom Brunno Barbosa é dos mais animados com o projecto de Reforma Orthoggraphica apresentado no Egrégio. O projecto prevê a aceitação como correcta da escrita do chamado “portuguez reunião”, que nada mais é do que o português anterior às reformas de 33 e 41, com algumas modificações.  Barbosa, que é conhecido por sua peculiar escrita, imagina que assim, com tantas formas de escrever permitidas, ele acertará mais em suas missivas!   Brunno também foi nomeado para um novo cargo, o de Guardião das Chaves Imperiais, que no duro significa uma pessoa que tem todas as senhas do Império, para uma eventualidade de sumiço do Imperador e também para controlar quem assume cargos e principalmente, quem os deixa, devendo ter a moderação retirada. É cargo de muita confiança.
  • Felipe Santarelli está com inveja do mega-encontro de Reuniãos em São Paulo e quer organizar um no Rio de Janeiro. Interessados, vide lista de Stráussia.
  • Cadê o Luciano Trindade? Estão todos com saudade do velho almirante e capitão de CO, que é dos únicos Reuniãos de peso que se encontram sumidos!
  • Gérson França (hihihi) quase não aparece em Chandon, mas o que o rapazinho palpita na lp_cupula não é brincadeira!  Retorna de seu descanso merecido aos poucos, e já articula seus seguidores para a próxima eleição de Premier. O candidato que apoiará a redação não conseguiu descobrir.
  • Valadir Aerwyld propõe projectos na APQ, manda em Le Port, é porta-voz (afônico, mas é) do Moderador, prende gente na Quaex e ainda reclama que não tem cargos !!!!!  Dá-lhe cabide !!
  • E como todos torcíamos, nosso Frá (Flávio Miranda) voltou. O talentoso designer, truculento agente da Quaex e nem sempre polido amigo do Império está de volta, e promete adesivos de Reunião de graça para quem pedir !!!!   Flávio foi para Pasárgada, mas foi barrado por alguns ex-reuniãos, que fizeram de tudo para que não fosse admitido.  Sorte nossa. Ele disse umas grosseirinhaszinhas lá  (daquelas que quando ele diz aquí é suspenso, mas por lá todo mundo reclama mas deixa) e rapidinho voltou pros braços da pátria-mãe.  O dia chegará em que  se descobrirá que para uma micronacional sociedade prestar, não basta ter poetas, políticos, filósofos e escritores, mas também designers, web-masters, amigos.
  • José da Costa Carvalho, o eterno VIDIGAL, já solicitou todos os textos novos recém adicionados ao site de Reunião para orçamento (CAMARADA!!!!!) para tradução para o inglês. Além disso, eterno defensor de uma política conservadora, já se estranha com elementos mais à esquerda, em CHANDON. Inclusive turistas, o que lhe rende o apelido de CRUZADO DOS BONS COSTUMES !
  • Outro Conservatoriano Ilustre que retorna à activa é Dom Diego, ex-padre ortodoxo, que agora, dizem, é um namorador de mão cheia! As pessoas mudam!
  • E falando em namoradores, Fabíola Melsi se tornou a estrela do chat Rectangular. Poetisa de mão cheia, suas letras lilás deixam muitos reuniãos embevecidos. Paralelamente a isto, é das mais presentes em CHANDON, e não se furta de opinar em nenhum assunto.
  • Outra ilustre Reuniã é Belise Arnold, fiel escudeira de Rodrigo Rocha, e activa nos bastidores de nossa política. Belise está dentre os que defendem Forças Armadas com funções mais bem-especificadas, movimento que culminou recentemente com o retorno dos informes de segurança da Força Aérea.
  • Luiz Saboya assumiu a Quaex e deixa claro que não vai aceitar BADERNA.  Disse quer vai pôr ordem na casa e construir um database à semelhança do que tinhamos no tempo do velho SSI, que acabou por ser integrado à Quaex.  Saboya deverá readmitir Flávio Miranda, e dar uma mexida na estructrura do órgão que tornou famoso o Grão-Duque de Vital Brazil, Carlos Fraga, outro que, animado a opinar e debater, retornou a Reunião. Infelizmente Fraga afirma não ter tempo para exercer cargos; mas para criticar e deplorar virtualismos ele sempre arruma um tempinho (agora, das torturas virtuais ele gosta). Esses realistas…..
  • Jorge Adamatti se ofereceu para defender Eduardo de Lagrenge perante o Tribunal Marcial.  Adamatti estava sumido há meses, quando numa segunda-feira apareceu postando de uma vez quase 30 mensagens, respondendo a quase um mês de mensagens que lhe interessaram. Jorginho, te adoramos, felizes por ter você de volta!  E a folha da dinastia, que você promete há 19 anos, sai?
  • Dom Tarquino, considerado por muitos hoje o Reunião mais chegado ao Imperador, é visto freqüentemente no centro do Rio saindo para almoçar com Sua Majestade. Tarquino, outro dos conselheiros que defende ideais conservadores e tradicionalistas no floor do Egrégio, é também o Patriarcha de Izabella, e o responsável pela chegada, na semana passada, de Tiago Melloni e Georgius Ferraz no Império.  Parece que a micro-igreja cresce de novo, a olhos vistos, e desta fez de forma mais ordenada e seletiva!
  • Tiago Galvão, vulgo Cabeção, é outro dos que mais aparece no chat de Reunião. O homem dos avatares, como é conhecido, estabeleceu residência em Mauritius.
  • E falando em CHAT, Gabriel Garcia retornou a actividade em Reunião, e é declaradamente COMPRADOR de bandeirinha de Reunião. Gabriel está em Le Port, tentando mudar a cabeça de Dom Valadir, o Capitão mais pessimista do Império. Valadão, ouve o Gabriel, essa jossa tem jeito !!!
  • Rafaekl Itzhaak, ex RDS, é dos reuniãos mais activos do momento. Tanto que, praticamente recém-chegado, recebeu cadeira no Egrégio, onde está despontando como dos mais activos parlamentares da história. Sem contar que pretende inaugurar em Reunião nossa primeira sinagoga. Rafael veio a convite do Flávio Miranda, e vem se tornando um nome de ponta com rapidez.
  • E não é só gente de dentro que indica direito não. Bruno Crasnek indicou Reunião a seu amigo Thiago Delli, que desponta como jurista micronacional, e está estudando todo nosso sistema jurídico. Analistas crêem que se tornará o novo Azambuja, conhecendo até as leis mais perdidas e menos conhecidas. Delli se tornou outra figurinha fácil em CHANDON.
  • E vem aí a REVISTA CHRONUS de Reunião. É a promessa do recém nomeado reitor da Universidade de Reunião, o ex-portoclarense Augusto Junior, que já monta a grade das palestras a serem proferidas na UR. Augusto também se interessa em política, e é outro dos que vêm dominando CHANDON ultimamente.
  • E ninguém entendeu porque o Marcelo Brunella, o homem da ferrovia, abandonou o belíssimo trabalho que estava fazendo no Ministério da Infraestrutura. Patrocinador daquele Baile Imperial que deu mais o que falar alhures do que em Reunião, onde foi encarado como festividades de retorno do Imperador ao trono (pelo menos temos o que festejar, e sabemos fazê-lo, pois nosso cerimonial arrasou nos pratos, vinhos, e no chat), Brunella garantiu outro dia que pretende praticar um micronacionalismo de ponta, e está se esgueirando pela política, além da iniciativa privada. É um dos mais queridos reuniãos do momento, uma espécie de mascote: todo mundo gosta dele e acha fofo!  Exceto quando defende o HAMAS.
  • Aliás, Reunião condenou o HAMAS na Liga dos Estados Secessionistas (LoSS), onde o Imperador é vice-secretário-geral há 8 anos. No meio de uma discussão que envolveu Patria, o New Worcester Kingdom, Tebeakessee e Torhavn, Reunião pronunciou-se, gerando consenso final em não emitir opinião oficial da Liga neste assunto que é macronacional.  
  • Lucas de Simone, hoje um dos mais influentes pigdianos, está conseguindo segurar muito bem o eterno problema de todo mundo mexendo em CHANDON.  Ministro do Interior e um de nossos mais conservadores políticos, conseguiu pôr ordem na baderna, exceto no que tange ao nosso notável Ministro da Imigração, Bruno Bragabnça. Bragança é incansável!  A qualquer hora do dia ou da noite ele adiciona novos cidadãos em CHANDON, e fica nervoso quando alguém o faz antes dele!  Por isso foi firmado um pacto inclusive com o Imperador: Não se adiciona nada na lista sem pelo menos uma comunicação em CHANDON.
  • E vocês, bobões, parem de figir que são o Bruno Bragança no chat!
  • Ruy Hallack deu significado, após anos de pura inutilidade, ao Cerimonial Imperial, com a organização do baile que festejou o retorno do Imperador ao governo.  Não jogamos Xadrez Estatal nem corremos de Fórmula Um Oficial, mas somos estúpidos ! E gostamos disso! Eu mesmo sou conhecido internacionalmente como o mais incompetente, estúpido e irrelevante micronacionalista que já houve na lusofonia!
  • Porque o pessoal implica com o Gabriel Bertochi? Desculpem, mas cheguei agora e ainda não entendi!
  • Este jornal condena publicamente essa história de vetar a volta do Lucas Baqueiro a Reunião. Ele é amigo do Aguiar, mas toma banho !!! Pô Belise!  Pô Frá!  Sejamos democráticos !!!
  • Cadê o Sabbas? Apareceu e sumiu!  SAAAAAAAABBAS !!!! APARECE !
  • Gente, o nome da Kizzy Tupã é esse mesmo!!! Kizzy, aparece mais no chat !
  • Reunião recebeu de volta Saifal já há algum tempo, e festeja isso diariamente. Mas com a chegada de Carlos Clubin temos nossa própria reedição de Siena. Carlos está trabalhando activamente em Fournaise e é dos que mais opina sobre questões complicadas em CHANDON. Bem vindo!
  • Samuel Rios Carvalho pede pela volta da Imperatriz Roberta…. O quanto eu já pedi isso !!! !!!
  • Eu acho que o Cesare Maldine NÃO é paple.  Ele tem opinado constantemente de forma que parece legítima, não tenta criar caso, e por vezes diz coisas que dão a entender que o micronacionalismo é mesmo novo para ele. Foi nomeado para um cargo de responsabilidade agora, vamos ver como se sai, e se por fim caem de vez estas suspeitas bobas….
  • Nosso eterno Michel, Ulrich Hulmann, tenta de novo montar o Banco Magalhães Couto. Ficou chateado porque ninguém quis participar, mas parece que acabou entendendo que ele começou directo com o negócio sem explicar direito primeiro.  Dizem que Ulrich está cotado para a Caixa Imperial de Depósitos, que cunhará nossas primeiras moedas. É um bom designer, além de ser o maior exemplo reunião de que a esquerda é o passado da direita 😀  
  • Rafael Cresci quase foi morto quando inadvertidamente tirou do ar o site de Reunião, mas reapareceu dos mortos em CHANDON para dizer que TINHA AVISADO AO IMPÁ.  Ê monarca desmiolado….
  • Form de Cidadania funcionando perfeitamente há 15 (quinze) dias.
  • Jean Carlos Zimmermann Murta-Ribeiro retornou a Reunião. Bem-Vindo!
  • O que é RUPA?
  • Parabéns ao novo Rei da França, que seu reino seja longo, e próspero !
  • Alguém já conhece o Reino de Israel?


MENÇÃO HONROSA:

RODRIGO ROCHA
Pela magnífica regência e por provar que Reunião é viável mesmo na ausência do Imperador.

 


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Chá, Conversa e MONTENERO n 3 – EDIÇÃO ESPECIAL

 

Nº 3 | 20 de Janeiro de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

Principado de Mônaco

 

Editorial

Incrível como Chá, Conversa e Montenero, uma revista tão nova, tem trazido tanto ao micro-nacionalismo. São muitos os que já lêem e acompanham este periódico. Hoje trazemos uma edição especial que certamente vai estremecer o micro-nacionalismo lusófono.

O escopo desta edição especial é mostrar à lusofonia a personalidade firme, o espírito inovador e o ânimo irreverente do maior nome do micro-nacionalismo. Cláudio de Castro, que há mais de uma década conseguiu manter o pujante Sacro Império de Reunião em atividade.

Micro-nacionalista de renome que já foi matérias de várias revistas e jornais no macro-mundo agora se senta à mesa para um chá e conversa. Conosco estavam os ilustríssimos Rafael Ithzaak, recém chegado à Reunião, mas que já se destaca em participação e crítica, Bruno Queiroz, que carrega a alcunha de maior Premier reunião, e Rodrigo Rocha, que até bem pouco tempo ocupou o segundo lugar em Reunião desempenhando o papel de regente.

“De Soslaio” alguns mistérios pelo mundico a fora deixam muitos com os olhos arregalados e com aquela velha pulga atrás da orelha.

O “Blink” desta edição fica por conta de Claudio Castro que passa em revista as micro-nações lusófonas de que se tem notícia.

Uma boa conversa com Montenero, Claudio Castro e você não poderia deixar de ser acompanhado por um excelente chá!

Então Bom chá e excelente conversa com Montenero!

Chá

Uma edição imperial merece um chá imperial! Para servir ao micro-nacionalista Claudio de Castro, trouxemos à mesa um chá de alta qualidade, servido na corte imperial. Especialmente processado similarmente ao chá verde, mas com uma fase mais curta para secar, o Chá Amarelo é servido em ocasiões especiais onde se quer receber bem e agradar. O sabor é um mais proeminente do original entre as 3000 variedades de chá verdadeiro. É um sabor limpo elevado, cintilante que seja garantido para o extasiar. Um chá digno de grandes personalidades!

De Soslaio

*    Incrivelmente e não menos misteriosamente Flávio Miranda Von Rainer pediu postulância em Pasárgada. Não se sabem bem os motivos, mas como diria a famosa personagem de novela global, Dona Milú: “Mistééééééério!”

*    Reunião promove um grande Baile pela volta de SSMI ao trono, D. Ruy Hallack de Taveres Lira e Dom Giuseppe di Veneto Meira von Habsburgo foram os responsáveis pelo completo, belíssimo e interessantíssimo cerimonial que recebeu nomes importantes de Reunião.

*    Para sermos justos, Pasárgada começa a gerar alguma atividade diferente de informes aos enxadristas. A anexação da Diarquia de Esparta foi uma alavanca para a tímida Pasárgada levantar seus números estatísticos.

*    Foi afixada a data do Conselho Federativo em Pasárgada,n o período entre 19 de janeiro e 27 de janeiro, que terá como convidado especial D. Flávio Miranda Von Rainerm, como observador e relator de Imprensa

Entrevista

De modo especial, nosso chá inova em seu terceiro número – uma edição especial – e traz para o leitor um círculo de chá. Aqui conosco estão os grandes amigos Rafael Ithzaak, Bruno Queiroz e Rodrigo Rocha. O chá aconteceu no Salão Rectangular – onde normalmente são realizados encontros de todos os reuniãos no MSN – com o maior micro-nacionalista de toda a lusofonia e um grande estadista que inova pelo seu modo de agir e suas idéias, mas, por esses mesmos motivos, é controverso. Trata-se do micro-nacionalista Claudio Castro, do Sacro Império de Reunião.

Nesta entrevista temos o micro nacionalista no seu estado mais puro, despojado de qualquer papel de estadista que exerça no micro-nacionalismo, expressando sua simples opinião de micro-nacionalista.

 

Montenero

Claudio Castro e todos os participantes de nosso chá sejam todos bem vindos!

Cláudio, por que a Ilha de Reunião?

Cláudio de Castro

Rodei o globo que tinha na minha mesa do escritório e pus o dedo. A primeira vez caiu na Alemanha, achei ridículo! Rodei de novo… Deu reunião!

Sempre fui contra essa bosta de micro-nação com nome de país soberano de verdade, mas isso é modernidade, hoje é algo muito mais bem-aceito, embora não por mim. Não existia isso!

Achava genial montar uma história fictícia, esboçar uma cultura nova, muito mais legal do que dizer que sou neto de Napoleão.

Rafael Ithzaak

Interessante como formulavam as ideologias…

Cláudio de Castro

Uma das razões que briguei com o califado foi porque eles usavam o Brasil. O califado era tétrico, se diziam brasileiros, eu os chamava de malês. Pegou o malês!

Cláudio de Castro

Quando criei reunião, a idéia era q todos fossem elite e os “reuniãos povo” fossem fantasiosos, como em Talossa: todos são do parlamento e ele está sempre 100% cheio; eram 300 cadeiras. Se tiver 16 talossanos, eles dividem as cadeiras por 16, se tiver 2 dividem por 2, não há “povo”, todo mundo é importante. Isso que me fascinou no mundo micro-nacional, o “seja tudo que você quer ser”.

Rafael Ithzaak

Há toda uma população especial com poder de decisão

Cláudio de Castro

Eu nunca me inspirei nos lusófonos, Talossa era meu modelo. O rei, pena, era um louco, culpa do Aguiar também, que espantou o cara: encheu tanto ele que ele passou a odiar lusófonos.

Rafael Ithzaak

A população era muito numerosa?

Cláudio de Castro

Não, eles nunca passaram de 60.

Montenero

Adoro quando o Cláudio de Castro dá aula de historia de Reunião!

Bruno Queiroz

Cláudio, já chegou a perder o sono por causa de Reunião?

Cláudio de Castro

Diversas vezes…

 Rodrigo Rocha

Até eu, Queiroz, até eu, quanto mais o Cláudio de Castro!

Cláudio de Castro

Perdi o sono com o Golpe dos hipócritas, a “intentona duardista” e o problema que culminou com a criação de Pasárgada, principalmente. Sem contar às vezes que perdi o sono não por problemas, mas por virar a noite no chat do ICQ. E também perdi noites escrevendo os textos que foram parar nos primeiros sites de reunião. Também perdi o sono quando tive de acabar com meus paples, pois Reunião começava a crescer, era outubro de 1998. E nunca ninguém os havia descoberto, mas o problema era a dificuldade de controlar tanta gente fictícia. O fato é que tudo caminhava para minha paple Fernanda Sarmento ser eleita Premier do Império.

Rafael Ithzaak

Como apareceram? Como foram descobertos?

Cláudio de Castro

Ninguém nunca descobriu, eu que não conseguia mais ficar trocando de contas de e-mail, pra responder mensagens, era tudo muito complexo! Eu tinha paple comunista que escrevia errado… Tinha paple pigdiano que escrevia certo e era brigão… Tinha paple pigdiano que escrevia certo, mas era contra brigas, etc. Era muito complexo!

Bruno Queiroz

E o Príncipe Maurice de Bourbon?

Cláudio de Castro

O príncipe Maurice de Bourbon era brigão. O Gilbert Mollusk, que se chamava Gilberto Fonseca de Albuquerque, era meu paple pigdiano calmo. A fernanda sarmento minha paple pacsista que escrevia tudo errado e brigava com todos. O Arthur Moir era semi-activo, mas tb era pigdiano.E a Atir Zirtaeb só servia de Regente para quando eu não quisesse tomar uma decisão diretamente.

Bruno Queiroz

Cláudio, uma época chegava a ligar para os postulantes à cidadania reuniã, é verdade? Por que não fez mais isso?

Cláudio de Castro

Ligava sim para todos os forms! Liguei para mais de 300. Nunca mais fiz isso porque nunca mais tive tempo, e Reunião também passou a funcionar muito bem, e passei a ter uma penca de pessoas pra avaliar os cidadãos para mim, o Primeiro foi o Fábio Trigo. Aliás, eu adorava agir na imigração, porque como “cago e ando” para paples, aceitei sempre todos, e reunião sempre ganhou com isso. Hoje em dia, infelizmente, ninguém mais tem tempo para paples.

Montenero

Há quem pareça ter ódio de você pelo mundico a fora, em Portugal e Algarves dizem que você inventou o terrorismo no micro-nacionalismo. A que se deve essa imagem?

Cláudio de Castro

As pessoas me odeiam porque Reunião é um sucesso único.

Porque ninguém nunca saiu de Reunião me odiando. Gosto de todos e sou amigo de todos.

Porque todos os que saíram voltaram.

Porque alguns de meus maiores inimigos vieram pra Reunião.

Porque sou politicamente incorreto.

Porque aceito todos sempre, não importa o que tenham feito.

Porque não tenho nada contra paples e não canso de dizer que, se uma pessoa trabalha por cinco nada mais justo que votar por cinco.

Porque temos comunistas de carteirinha em Reunião, e os adoro e me adoravam.

Porque já tive loucos fascistas que me adoravam e eu os adorava,sei lá,  por tantas razões! Também me odeiam porque me xingam e eu não os respondo.

E porque eu zombo do micro-nacionalismo capenga e burro de todas as micro-nações metidas a inimigas de Reunião, de como fazem coisas que afastam novatos, de como são pretensiosos e mesmo assim não chegam a lugar nenhum.

Eu não criei o terrorismo micro-nacional, simplesmente acho que o micro-nacionalismo é simulação e que tudo que trouxermos do mundo real para a simulação enriquece a simulação. Detesto a idéia de um mundinho perfeito e cor-de-rosa.

Eu já tive o site de reunião estourado duas vezes. Nas duas adorei escrever discursos inflamados enquanto comia pipoca doce, rindo sem parar, ouvindo Queen.

Montenero

E quanto o episódio da Honra Imperial, todo mundico diz que o Estado apoiou uma organização tipo FARC, como foi o episódio?

Cláudio de Castro

O episódio foi simples. Cidadãos reuniãos criaram essa tal Honra Imperial. Eu achei engraçadinho, “off-the-record”. E não tomei conhecimento oficialmente, jamais. Até que atacaram alguém. E fiz o que um estadista faria, critiquei o ato. Mas, pessoalmente, achei o episódio divertidíssimo. Mas não dei incentivo, apenas ri. Não me meto com o que meus súditos fazem privadamente. Se descobertos, que respondam por isso.

Montenero

E quanto à acusação de ter criado o Terrorismo micro nacional?

Cláudio de Castro

Sou uma pessoa bem humorada, isso também irrita as pessoas. Na minha vida profissional perco negócios de 26 milhões e continuo rindo e comendo minha feijoada às sextas feiras regadas à piadas de israelita e português (meus dois principais assessores são um israelita e um português e adoramos piadas étnicas).

Cláudio de Castro

Quer saber outra razão que me odeiam? O fato de eu ser nitidamente um micro-nacionalista de ponta e adorar virtualismos. E brincar com novatos de 10 anos ou 11. Claro, eu já tive 10 anos e não tenho cérebro liso. Não sou esquizofrênico, nem nasci de terno.

Esses preconceituosos são toupeiras. O micro-nacionalismo sem virtualismo não capta novatos de tenra idade. Eles dão um tiro no pé e matam sua própria capacidade de crescimento.

Montenero

A ironia sempre foi uma característica pessoal, e isso agrada e irrita, qual foi o episódio em que você mais foi irônico no micro-nacionalismo e se divertiu com isso?

Cláudio de Castro

Eu sou sempre irônico. Não sei dizer quando fui mais irônico. Minha forma de ser politicamente incorreto ajuda na ironia.  Não vou negar que já participei de estratagemas malucos, e alguns mal intencionados. Mas sempre pelo bem de Reunião, e da atividade.
Micro-nação sem atividade não existe. E não existe atividade se cultivarmos o marasmo ou uma opinião única estatal.

Se eu fosse repórter, costumo dizer, e não tivesse notícias pra dar, dirigiria a van da minha equipe pela cidade até atropelar alguém. Notitia est!

Rafael Ithzaak

Isso é fato! Precisa ter os chamados fatos e factóides, e os outros ficam putos com isso. Acho que esse é o principal papel, se realmente houver uma elite! É “criar” para q haja atividade e Reunião faz muito disso, os novatos interagem.

Cláudio de Castro

Sem dúvida.  Na micro-nação o objetivo é primeiro a polêmica, depois a criação de uma cultura local, e logo após a criação de link de amizade entre os cidadãos. Nunca a amizade como causa, e sim como conseqüência.

Montenero

Poderia nos dar a sua visão sobre o micro-nacionalismo hoje. Uma espécie de visão panorâmica das micro-nações que existem: RUPA, SOFIA, ALEMANHA, PASARGADA, BELGICA, FRANÇA E ORTENCE (as que mais têm aparecido no cenário micro-nacional)?

Cláudio de Castro

Fabianno, esta pergunta é feita ao Cláudio de Castro de Reunião ou ao micro-nacionalista Cláudio de Castro?

Montenero

Ao micro-nacionalista Claudio de Castro!

Cláudio de Castro

RUPA é uma bosta! Inútil, mero veículo do ego de alguém que não quer fazer parte das micro-nações de verdade.  Ah, bonitinha a idéia de reeditar a monarquia portuguesa, OK, mas uma micro-nação não é um mapinha, é dinâmica. E se pára, vira pesquisa de escolinha, e não micro-nação. RUPA não é micro-nação. RUPA é refúgio de quem não quer oposição e quer mandar sozinho, é claro, com uma bela historinha.

Cláudio de Castro

Sofia é a exacerbação do virtualismo. Micro-nação limitada em essência, mas ativa, com vários requisitos que lhe dão importância na história da lusofonia.  É micro-nação-treino; sofista é micro-nacionalista “trainee”.  É uma excelente escolinha. Diz tatá, mas não chega à língua, como dizia minha avó antes da lobotomia.

Sofia tem minha admiração. E meu repúdio também, dependendo do ponto de vista: admiração,pois são um celeiro de micro-nacionalistas jovens, uma escolinha fabulosa, e repúdio porque não há perspectiva de evolução para estes micro-nacionalistas, que vivem numa micro-nação como se estivessem, eternamente, num burgo Reunião.

Cláudio de Castro

A Alemanha é um exercício interessante, mas infelizmente caiu na pachorra de usar nomenclatura de Estado Real, algo a que me oponho diretamente. Acho uma micro-nação interessante. Pelo que ouço, é praticamente inativa, mas é uma forma bonita para um bolo. Só que falta massa. O Rei é muito inteligente, e tem minha admiração. Talvez com mais material humano…

Cláudio de Castro

Pasárgada é o contrário de Sofia. Asilo de micro-nacionalistas cansados da maldita tarefa que consideram ser ensinar os novatos a praticar o micro-nacionalismo verdadeiro. Essa tarefa é árdua mesmo, mas pode ser divertidíssima !!!  Sinto que se tornaram  o refúgio de quem não entende que a mediocridade de grande parte  dos novatos é fruto do desconhecimento que têm do Hobby.  É uma pós-micro-nação, fadada a receber micro-nacionalistas de alhures, e pouquíssimos novatos de verdade. É pobre porque vive de rebarbas, vive de receber os “cansados”; porque não assiste ao amadurecimento do micro-nacionalista, que é a coisa mais bonita que vemos em Reunião. Procura transformar o micro-nacionalismo em enciclopédia; mais do que simular um estado, escrevem sobre o que é simular um estado.

Pasárgada tem alguns dos melhores micro-nacionalistas que o micro-mundo já TEVE. Mas acaba por ser um símbolo da intolerância, querendo selecionar todos os micro-nacionalistas de um mesmo tipo, em vez de ter a riqueza de ter em seu baú diamantes, esmeraldas, quartzos e rubis. Querem só brilhantes. Mas brilhante tem caixinha, tem armação de ouro com design, tem paninho… Sozinho não tem graça.

Rafael Ithzaak

Realmente! São a continuação. É o micro-nacionalismo aposentado e pensionista

Cláudio de Castro

Só que os brilhantes já lapidados não têm mais o mistério dos brutos… Reunião é a maratona; Pasárgada é a linha de chegada, e dos corredores que se aposentam. É a micronação do “não agüento mais”.  Meu recado é: manda para mim que eu agüento!

Rodrigo Rocha

O RETIRO DOS ARTISTAS!

Bruno Queiroz

Houve momento em que você pensou em fechar e terminar com Reunião?

Cláudio de Castro

Mas eu, eu não pretendo me aposentar, nunca. Não se dirá de mim: Cláudio de Castro não agüenta mais dizer olá aos novatos ou Cláudio de Castro está metido, chato, arrogante, maltrata as pessoas mais “simples”, ignora as perguntas bobas, manda procurar o guichê ao lado.

Cláudio de Castro tem o maior prazer em ver um micro-nacionalista chegar e crescer, do que em vê-lo fazer simplesmente o que se espera dele. Fazer o que se espera não é mérito. É obrigação. Micro-nacionalismo por obrigação? Dispenso.   Assisti mais de 30 reuniãos se formarem em profissões que quando novinhos nem pensavam exercer, mas seu exercício em Reunião gerou interesse. Formamos gente!

Cláudio de Castro

O que se espera do Cava? Agir brilhantemente. Só que tudo que brilha o tempo todo, é MAIS-DO-MESMO. Não quero brilhar o tempo todo. Quero surpreender!
Quero ser bobo, ser inteligente, ser inovador, ser maluco. Quero ver os reuniãos me esperando tomar uma decisão sem saber qual ela será.

Cláudio de Castro

Vamos ao próximo…

Cláudio de Castro

Não conheço Bélgica. Não sei o que é, mas suponho que deva ser algo mais… Simples.

Cláudio de Castro

O Reino da França é interessante, está com bastante gente, pra uma micro-nação pequena. Acho que eles usam vários ensinamentos de Reunião, e podem ter futuro.   Pessoalmente, acho que lhes falta originalidade.

Cláudio de Castro

Ortence é uma micro-nação novata, formada no princípio da originalidade. É incipiente! Creio que seja uma micro-nação transitória, daquelas que são formadas por pessoas que vêem sites de micro-nações e querem criar a sua própria, antes mesmo de testar as outras.

Cláudio de Castro

Porto Claro é uma Reunião esculhambada, embora tenha nascido primeiro. Tem raízes sólidas como Reunião. Cultura própria e sólida. É muito interessante. Dosa o micro-nacionalismo modelista e virtualista de forma inteligente, EM TESE. Falta-lhe continuidade, e lógica. Se micro-nações fossem pessoas, Reunião seria uma pessoa sã, ordinária, e Porto Claro seria alguém com um parafuso solto e perneta; mas uma pessoa, porém.  RUPA, por exemplo, seria um platelminto.

Bruno Queiroz

E Pasárgada, o que seria?

Cláudio de Castro

Um Niemeyer da vida. Alguém que já foi, e se considera o centro do mundo.

Rafael Ithzaak

As pessoas sentem essa necessidade de abandonar suas micros, ao invés de tentar transformar onde estão acho que essa é a magia a transitoriedade

Cláudio de Castro

Nomeei isso como: princípio da espontaneidade da cidadania.

Cláudio de Castro

Rafael, é óbvio cara! Numa micro-nação você pode demitir seu chefe! Você vai aguentar algo que você não concorda por quê? É preciso razões sólidas.

Montenero

Qual foi o momento que você teve raiva a ponto de querer socar alguém? (Um momento em especial do qual não se esqueça!)

Cláudio de Castro

Hmmmm… Nenhuma vez. Nunca me alterei, exceto com a Imperatriz Roberta, pois ela exigia que eu tomasse atitudes incompatíveis com minha função para atacar seus detratores, quando era desembargadora imperial. Aliás, detratores estes que não tinham razão nenhuma, mas que tinham o direito de dizer o que diziam, pois o faziam com bom uso do vernáculo e sem ofensas.  Aliás, ela sempre escreveu tudo que postou, e eu jamais dei palpite algum.

Cláudio de Castro

Ah! Calma! Lembrei do “soco”. Quando anexamos Orange, após o silêncio e/ou concordância de todos lá, tive vontade de socar quem apareceu logo depois pra criar um caso danado, depois de tudo feito e sacramentado. Não sei como o Fifo me convenceu a voltar atrás, e dar independência a eles novamente. Agora que seguiram o seu esperado destino (o fim), penso em anexá-los de volta 🙂

Rafael Ithzaak

A sua política de anexações é realmente bastante atacada…

Cláudio de Castro

Milhares de vezes isso ocorreu. Minha política de anexações tem justamente este objetivo; irritar os outros e criar polêmica.Várias vezes poderia ter recebido em Reunião estes pequenos e grandes estados. Mas preferi anexações, porque sei que fariam meus “inimigos” babar colorido. Adoro jogar amendoim pra eles. São, em geral, incrivelmente estúpidos no argumentar, e sempre me surpreenderam.

 

[CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO]

Correspondências

Muito bom trabalho!!! 

 SMR (Em Royaume la France)

 

Meus cumprimentos por essa edição.

Deleitou-me a vista e a mente.

 Abraço,

Nelson Barbosa (Em Royaume la France)

 

D. Fabianno,

Posso dizer que faz muito, mas muito tempo mesmo que eu não vejo uma boa publicação como esta na imprensa micro-nacional lusófona. 

Meus parabéns pela iniciativa e, principalmente, pela publicação. Promove muito mais que a informação, mas também nos leva a refletir em assuntos relevantes para nossa atividade micro-nacional.

Att.

Duque Luiz Saboya (Em Chandon)

 

Prezado D. Fabianno, 

Parabéns por seu excepcional veículo de comunicações. D. Fabianno possui uma mescla de “O Globo” e “Veja” micro-nacional.

D. Marcelo Brunella de Marques Lisboa (Em Chandon)

 

Como sempre maravilhosa a leitura! 

Rafael Ithzaak (Em Chandon)

 

Pai,
Gostaria de parabenizá-lo pela revista… Orgulho-me muito por ter o melhor e mais coruja pai de RE!!! Beijos,

Kizzy Tupã Montenero de Monte-Real e Pacífica.

Burgomestrina de Esther. (Em Chandon)

 

Aos nossos assíduos leitores agradecemos a gentileza e a largueza de alma pelos comentários. “Chá, Conversa e Montenero” é uma revista para que você se sinta bem com o micro-nacionalismo.

Escreva-nos e mande sua opinião sobre todos os  assuntos!

Erramos

Em nosso último número na seção “Soslaio” por um erro de revisão, a notícia foi publicada de modo incompleto. Dever-se-ia ter dito: “A coroação do Rei da França foi uma das maiores solenidades lusófonas, não se via tantos micro-nacionalistas ilustres reunidos desde que D. Fabianno tomou posse da Arquidiocese de Lisboa no Reino Unido de Portugal e Algarves. SAI&R. D. Eduardo Lagrenge de Pacífica quem presidiu os atos”.

Chá, Conversa e MONTENERO n 2

Nº 2 | 17 de Janeiro de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

 

Editorial

Pur Er na xícara e muito mais no blog. Tudo para acompanhar o micro-nacionalismo lusófono de um ponto de vista extremamente próprio. Trazemos para nossos leitores micro-nacionais uma piscadinha sobre a Diarquia Democrática de Esparta em um momento muito sui generis e interessante, um momento de grande avanço em vários âmbitos para o micro-nacionalismo.

“De Soslaio” passamos em revista alguns fatos noticiados e selecionados unindo rapidez e informação.

E para a entrevista de hoje uma das maiores figuras no mundo editorial reunião que inovou ao criar um periódico humorístico muito apreciado naquela micro-nação.

Conhecer o micro-mundo, entender opiniões e viver uma lusofonia mais culta e não menos divertida é sempre um desafio e um prazer ao mesmo tempo. A você que busca tudo isso e muito mais, nosso blog traz um conteúdo extra e muito apurado.

Bom chá, conversa e Montenero!

Chá

O chá que temos hoje na chávena é um de uma colheita muito fina, um especial, de aroma forte que lembra a terra úmida. Segundo uma lenda chinesa, as pessoas que colhiam o chá guardavam para si as melhores folhas as escondendo discretamente nos bolsos. O Pur Er é conhecido na China pelas suas qualidades medicinais, entre elas a de baixar a taxa de colesterol, dissolver gordura, ajudar na digestão, na circulação e dissipação dos efeitos do álcool.

Certamente um ótimo chá para ser apreciado depois de uma noite de festas!

De Soslaio

*    Foi determinada, em Pasárgada, a cassação da postulância de Fábio Figer, o qual foi identificado como paple de Alexandre Carvalho, Cidadão do Sacro Império de Reunião. Tendo sido procurado por nossa equipe, Alexandre Carvalho declarou: “Minha conta do antigo paple, Armando de Kergaz, fora invadida e utilizada pra meu prejuízo”. Será mais um sintoma da neurose pasárgada?

*    A QUAEX anunciou mais uma tentativa de golpe. As teorias da conspiração da QUAEX levaram a mais uma perseguição em Reunião. O alvo: D. Eduardo de Lagrenge, o processo tramita no Sacro Império de Reunião.

*    Enquanto isso em Pasárgada: Mais um novo torneio de xadrez!

*    A coroação do Rei da França foi uma das maiores solenidades lusófonas, não se via tantos micro-nacionalistas ilustres reunidos desde que D. Fabianno tomou posse da Arquidiocese de Lisboa no Reino Unido de Portugal e Algarves. SAI&R. D. Eduardo Lagrenge de Pacífica;

*    O Chanceler Comunitário de Pasárgada, o Excelentíssimo Igor Ravasco, concedeu agrément à Sua Sereníssima Alteza Imperial Fernando VI, Arquiduque da Áustria como chefe da Missão Diplomática Permanente do Império Alemão junto à Comunidade Livre de Pasárgada.

*    A CIT (Companhia Internacional de Comunicações) fez testes para a instalação de rede de telefonia em Reunião. O Presidente, Eduardo de Lagrenge publicou o resultado dos testes e já começa a programar a segunda fase do projeto da primeira micro-nação com telefonia da história da lusofonia.

BLINK

Vamos falar um pouco da nova micro-nação que veio como promessa de inovação para o micro-nacionalismo, mas que nos últimos tempos se deu à extinção. Falamos da Diarquia Democrática de Esparta. Nossa visita a Esparta foi uma das mais controvertidas e difíceis de nosso trabalho diplomático à frente da Segunda Micro Secção da Micro Igreja Católica.

Os fatos circunstantes: Um micro religioso, saído do Sacro Império de Reunião à época foi convidado para assumir um cargo em Esparta. A Comissão Moderadora São Pio X – responsável pela doutrina da fé na Micro Igreja, ao se deparar com a assinatura do micro religioso subscrevendo um documento que invocava deuses pagãos enviou devida reprimenda ao religioso, que imediatamente renunciou aos cargos antes assumidos.

O caso teve má repercussão em Esparta e o Pai Fundador da Polis pediu satisfações à Segunda Micro Secção que emitiu nota dizendo não se tratar de uma reprimenda à Esparta, mas à conduta do integrante da Micro Igreja Católica. Os ânimos se alteravam em Esparta quando o secretário da Segunda Micro Secção decidiu empreender visita diplomática mesmo sabendo que poderia ser recebido por parte de populares com descortesia.

O importante era esclarecer que, muito embora a noção de arquétipos expressas pelas lideranças espartanas no momento tivesse sido mitigada, a Micro Igreja Católica entendeu que um membro que subscreve uma mensagem evocando deuses pagãos incorre em apostasia.

O resultado da visita, muito conturbada, foram xingamentos em praça pública ao representante diplomático da Micro Igreja – como já era de se esperar –, mas também foi assinado por D. Rodrigo Mariano por Esparta e D. Fabianno Montenero pela Micro Igreja Católica, onde se propuseram à ajuda mútua no bem político-social do micro-nacionalismo, o que constituiu um avanço não só na política e na sociedade, mas, no âmbito religioso, foi um grande passo no diálogo inter religioso. 

Segundo as palavras do Próprio Rodrigo Mariano numa conversa no MSN: “A questão que acho que deve ser observada é que a cultura espartana, fundamentada na cultura helena, é anterior aos conceitos cristãos. Temos como base uma cultura que já estava lá há 800 anos antes do nascimento de cristo, e bem antes disso, (…) e é importante ressaltar… Diferente de outros Estados micro-nacionais, quando falo do Estado, falo em nome do povo. Em Esparta, não foi Deus que me escolheu rei, como é o caso do Cláudio em RE ou o meu sangue, como é o caso de Sofia.”

Mas como na teoria a prática é outra, o povo espartano não conhece bem sua própria cultura fundamental ou de base, e acabou se tornando um neo-modernismo longe de ser um renascimento da cultura helenica. É claro que a Diarquia de Esparta não tem obrigação de ser a Esparta de 800 antes de Cristo, mas se as bases culturais propostas são essas é coerente conhecê-las bem. Decerto isso não denigre a grandeza do projeto da Diarquia e nem sua inovação no mundico. 

Aqui vão duas mensagens oficiais que integraram a coletânea de mensagens dessa visita (mais mensagens poderão ser encontradas em http://chamontenero.blogspot.com/.

MENSAGEM FINAL

http://br.groups.yahoo.com/group/agora-espartana/message/593

Qui, 16 de Out de 2008 5:07 pm

 

(ATENÇÃO: esta mensagem é parte integrante da coletânea de mensagens e tem seu sentido mais plenamente claro se articulada com as outras mensagens disponíveis no blog)

 

Sobre o Amor

 

Nossa última mensagem versa sobre o que é inevitável tratar, depois de termos colocado a tema da Virtude e da Verdade. É um discurso articulado e que                 quer contemplar o telos de toda atividade micro-nacional, por isso deve ser considerado à luz dos outros dois discursos que proferimos na Ágora espartana. Não se trata somente de “aulas de filosofia grega”, mas de um caminho prático e efetivo para a construção de qualquer micro-nação.

Hesíodo e Parmênides foram os primeiros a sugerir que o amor é a força que move as coisas e as conduz e mantêm juntas. Empédocles reconheceu no amor a união e a separação uniformizando todo o cosmo. Mas do que falamos, ao comentar o amor?

A filosofia grega distinguiu três tipos de amor, o que seria impossível fazer em português com tamanha distinção e realismo, haja vista que utilizamos a palavra amor de modo equívoco. Os gregos tratavam do amor em três níveis: Eros, Filia e Ágape.  Cada um dos três são distintos entre si, mas um requer e se ordena ao outro.

O Eros

É característica do amor enquanto Eros é uma relação que implica a pura reciprocidade de modo emotivo em geral, que não é escolhido, mas é naturalmente imposto. Mas longe de ser execrável, como muito tempo se pensou o amor enquanto Eros é necessário e igualmente belo, pois se orienta como ponto de partida, para a plenitude do amor. Exatamente por que não é a anulação da razão e sua falsa divinização, mas degrau para uma ascensão ao mais auto grau de amor.

Amizade

A amizade implica eleição de duas partes. Uma comunidade de eleição recíproca que transcende ao dado material e busca alcançar a solicitude e ternura, valores transcendentes. Nele está implicado uma gama de relações: o amor de pai para com seu filho, de um amigo para com seu amigo e o amor entre cidadãos. Aqui também poderíamos falar de amor a valores como justiça, verdade, glória e etc.

Ágape

Os gregos pouco tomaram diante de si o significado desta palavra, mas delinearam de modo magnânimo sua silhueta e o apresentaram como a força ascendente do Amor. Este termo não indica um tipo de relação de interdependência, ou  de mútua eleição, mas realça a liberdade de amar mesmo sem ser amado, de desejar o bem, mesmo sem recebê-lo. O ágape não é um contraponto ao amor Eros, mas a dinâmica do amor aplicada numa direção ascendente.

Os romanos, seguindo a esteira do raciocínio filosófico grego, declaram quase que em uníssono que: Omnia vincit amor et nos cedamus amor – o amor tudo vence e rendamo-nos também nós ao amor (Virgílio nas Bucólicas). Passa-se assim do amor eletivo para o amor como imperativo.

Se trouxermos a reflexão para termos atuais, diríamos que o amor é aquilo que se difunde, exatamente por que é o bem em movimento, e o bem se difunde por si mesmo e nisso produz a beleza. O bem, o amor e o belo estão harmonizados organicamente de modo que o agir bem é amor em movimento que produz a integridade daquele ato denotando assim sua beleza. Desta simbiose brota e sempre brotará a vida.

Qual o problema no micro-nacionalismo?

Se olharmos o volume de mensagem que colocamos no ar, dia-a-dia, perceberemos que poucas delas se estribam nessa tríade dinâmica de vida. O belo, corrompido pelo neo-modernismo numa forma subjetiva não deixa mais entrever o bem em si de cada coisa e, por conseguinte, não permite o revelar do Amor em sua forma mais pura.

A noção do belo se desloca de si mesmo para o sujeito individual, isto é, deixa a dialética do “em-si e em-mim” (movimento dinâmico) e se estagna no “para-mim” (estático). Esse nefando deslocamento arrasta consigo a noção de bem e de amor para um subjetivismo imaturo. O bem, o belo e, por extensão, o amor já não estão mais por si mesmo, mas pelo que me agrada.

Rebusquemos uma figura de nossa infância. A mãe, ao constatar a gripe do filho não titubeia ao tomar logo a garrafa daquele xarope odioso em sabor. Se aquela criança fosse capaz de exprimir em palavras seus sentimentos diria: “por que minha mãe não gosta de mim? Por que me castiga com esse líquido horrível?” Contudo, o amor materno alcançando o píncaro da bondade e pelo amor comete o mais belo ato de toda a sua vida, sofrer com o amor que sente pelo filho e impor-lhe o amargo remédio.

A mãe se move por dois combustíveis, a verdade (de que aquele remédio de fato é bom para curar) e pela virtude (por que precisa ser forte o suficiente para não pensar no bem relativo, mas divisar determinada o bem universal, que é a cura). Não é capaz, a mãe, de perder sua noite de sono por amor do filho?

O micro-nacionalismo precisa aprender que é necessário ter limites de atuação, e que romper estes limites significa assumir as conseqüências dessa ruptura. Todas as vezes que não transparece o amor Ágape no trato relacional com quem eu nem conheço pessoalmente, rompemos a barreira do micro.

Parece que ganhamos o poder do anonimato de dizer tudo que nos vem à mente, por que nos escondemos, falsamente, atrás de nossos IP´s  ocultos e pela distância fria que impomos aos nossos interlocutores.

Um micro-nacionalismo maduro não é o que consente com todos os xingamentos, e tampouco o que diz o que quer em qualquer lugar, mas é um micro-nacionalismo pautado no respeito e no amor. A defesa da integridade da pessoa é um direito inalienável e que deve ser garantido, por forças macro, se necessário! Não sofrer sequer os arranhões das insinuações é um bem que todos devem ter assegurados. Nisso se expressa o Amor: no bem fazer! Ganha dimensões éticas e proporções exuberantes.

E a Pólis Espartana?

Nada nos faz perder de vista a preciosidade da iniciativa dos valores gregos, que visam construir, nas bases da filosofia, um modo de vida micro-nacional. Esparta deve-se manter fiel aos ideais gregos que deseja encarnar no Micro-Nacionalismo, se não estará fadada ao caos e ao fim. Tal destino, vemos muito longe da realidade. Esparta existe para crescer sempre e deve contar – no que tange o âmbito civil e político – com a Micro Igreja Católica, embora devam ser guardadas as devidas proporções religiosas.

O amor é oblação

Na esteira da virtude, da verdade e do amor, surge no horizonte micro-nacional o verdadeiro sentido do amor: oblação de si.

Se, como vimos o bem é difusivo de si, e o amor é o bem em dinamicidade, podemos logicamente concluir sem erro lógico que o amor é um sair de si para o outro, independente de que o outro seja e do alcance que tenho deles. O amor é um constante sair de si em vista de um bem para o outro.

Tal fez o Pai ao nos dar seu filho único na cruz, como diz a carta de João: “Vejam como o Pai nos amou. Deu-nos seu filho único para nossa redenção”. Um amor sôfrego que permitiu a morte aquele no qual colocava todo o seu amor. Um amor sôfrego que aceitou a morte segundo a vontade (sofrida vontade) daquele em que se colocou completamente a ponto de dizer: “minha vontade é fazer a vontade do Pai”.

Caros espartanos. Não viemos aqui amealhar poder, este poderio humano não nos interessa. Não buscamos instalar a Micro Igreja em Esparta, pois desde o primeiro momento deixamos a Sua Majestade Esparciata ciente de que não era nosso escopo, devido as distâncias religiosas que se impõem neste tempo.

Também não resultava em motivo suficiente somente vir a Esparta para dizer que não intervimos na vida pessoal de ninguém, poderíamos tê-lo feito de qualquer outro lugar. Mas nos sujeitamos aos xingamentos, às acusações infundadas e até as incompreensões para dizer em alto e bom som, como que a plenos pulmões: É NECESSÁRIO AMAR NA VERDADE E NA VIRTUDE.  Ser pessoas de uma única peça, onde o sim seja sempre sim e onde as conversas de MSN não sejam corrompidas em falatórios infundados que plantam ódio nos corações.

Creio que podemos, agora, nos despedir de Esparta, e voltar a nosso trabalho quieto e tranqüilo em nosso oficio, silencioso de costurar um micro-mundo lusófono que se perpetue no amor e no respeito mútuo.

A todos, desejamos prosperidade e paz.

In Domino Iesu,

D. Fabianno Montenero C. de Monte-Real e Pacífica

Secretário Para a Segunda Micro Secção – Relação com os Micro-Estados

Arcebispo Metropolitano de Lisboa

Conde de Pietrelcina

 

De Esparta: Posicionamento oficial do Estado e encerramento da visita de D. Fabianno Montenero

http://br.groups.yahoo.com/group/agora-espartana/message/596
16 de Out 6:59 pm

DIARQUIA DEMOCRÁTICA DE ESPARTA

ÁGORA ESPARTANA

 

Cidade-Estado de Esparta, 10º dia de Pyanepsion do ano espartano de 2808

 

Dom Fabianno MonteneroSecretário para a Relação com os Micro-Estados

 

De vossa visita à Esparta, sua última mensagem foi a que me falou de forma mais clara sobre os propósitos da visita. O amor aplicado é algo que busco colocar em prática diariamente, algo que não aprendi, mas que veio comigo desde sempre, faz parte de mim. Não é novidade que no âmbito pessoal, ambos concordamos e divergimos em inúmeros pontos, mas nos afinizamos em algo maior que muitos chamam de Deus, mas que eu prefiro ver como um sentimento que nos une em um único corpo, mesmo quando os objetivos são diferentes e os pontos de vista não são os mesmos.

Por tratar-se de um contato diplomático e não de uma visita de cunho religioso – vossa eminência veio como secretário de relações internacionais da micro-igreja –, cabe à Acrópole tomar – ou não tomar – um posicionamento oficial sobre o contato estabelecido. Com base na observação de tudo que aconteceu na praça pública de Esparta, encontro entre os embates alguns esclarecimentos que pesam em nossa decisão.

Herdeiros do movimento socioculturalista, nós esparciatas prezamos pela seriedade nos traços políticos que são a base para o nosso fazer micro-nacional. Não podemos, em nome do Estado, buscar o amor, uma vez que o mesmo não faz parte da coisa pública, mas do foro íntimo. Podemos, no entanto, buscar seus pares na atuação política: a paz e a concórdia. Nesse sentido, vejo que Esparta se alinha com o movimento católico no micro-nacionalismo em aspectos onde podemos e devemos nos apoiar.

No âmbito civil e político, contem com o povo de Esparta na defesa à livre escolha e na luta contra a tirania, na luta pelos direitos individuais, tais como a liberdade, o acesso à defesa e a um julgamento justo, a liberdade de expressão, de credo e à manifestação do mesmo em público. Juntos estamos também no combate a micro-nações que pensem diferente disso. Nos princípios que nos regem – enumerados resumidamente na página de diplomacia do nosso site -, estamos juntos.

Na questão religiosa em cultural, não estamos juntos. Como colocado por vossa eminência, a cultura base de Esparta possui diversos pontos que são frontalmente contrários aos dogmas católicos e não vejo uma mudança brusca disso nem por parte da igreja, nem por parte do povo e do Estado Espartano. Concordamos com esse fator que nos separa e, por isso, observo-o como algo que existe, mas que não precisa necessariamente servir de estopim para a derrubada de tudo o que nos aproxima.

Não duvidamos que a convivência pacífica seja possível caso mantenhamos, enquanto for necessário, uma distância segura dos pontos sensíveis de cada um dos lados. Se respeitar as diferenças é um dos pontos primordiais da pólis espartana, não vejo motivos para que o Estado empreenda uma guerra contra os dogmas e crenças alheios. Da mesma forma, sabemos que a micro-igreja retribuirá com a mesma convivência pacífica e respeito pelas diferenças que surgirão à medida que a sociedade espartana for desenhando seus caminhos.
Por fim, desculpo-me em nome do Estado caso alguma mensagem acalorada dos esparciatas tenham ofendido a vossa eminência ou à micro-igreja. Há aqui um repúdio óbvio à instituição, em sua maioria, fruto de experiências vividas no mundo macro. Não creio que isso seja motivo, porém, para o total esquecimento do respeito pela pessoa, suas crenças e posicionamentos pessoais.

Creio no espírito de justiça do povo espartano, e estou certo de que embora tenham havido mal entendidos, a idéia nunca foi denegrir o indivíduo, mas contrapor idéias, algo que nem sempre acontece de forma clara o suficiente para que não existam sentidos passíveis de interpretações pessoais equivocadas. Independente da culpa ou inocência de quem quer que seja, o Estado se desculpa por qualquer mal direto ou indiretamente causado pelo nosso povo.

Declaro, ainda, que o Estado Espartano entendeu que ao citar os populares, falava de questões protocolares – no caso, a de não enviar mensagens pessoais quando representando um Estado ou instituição em território estrangeiro -, e não de forma pejorativa, como a princípio entendemos.

 

Que essa última mensagem de amor trazida pela micro-igreja traga à Esparta a tolerância necessária para a vida em comunidade, tão buscada e cara para nós.Vá em paz.

Em Atena,

Mariano de Ágide

REI DE ESPARTA

DIARCA DE ATENA

Pai Fundador da Pólis

 

Entrevista

Hoje o nosso chá é com Tales Zonaro, o grande editor de uma inovação no jornalismo micro-nacional lusófono, “A BATATADA!”, que faz sucesso em Reunião e também um político de nome que trabalhou numa das maiores alianças da política reunã. Uma conversa muito interessante e descontraída, e com um pouco de Montenero, para acompanhar um bom chá e uma boa conversa.

 

Montenero:

Falemos um pouco sobre sua vida micro, desde quando está em Reunião?

Tales Zonaro:

Estou em Reunião desde Janeiro de 2004.

Montenero:

É uma longa história no que tange ao micro-nacionalismo, quais momentos mereceriam relevo nesta trajetória?

Tales Zonaro:

O momento de maior relevância foi o ano de 2005. Neste ano empreendi um trabalho muito forte em Stráussia onde consegui obter certo grau de destaque como integrador e fomentador capitanial, sendo também o ano quando obtive o título de Barão que carreguei até a minha alçada a Visconde recentemente.

Montenero:

Sua fama no micro-nacionalismo reunião é de “o homem das alianças”, poderíamos falar um pouco de sua trajetória política desde Stráussia até hoje?

Tales Zonaro:

Nos idos tempos que comecei em Stráussia meu trabalho foi mais capitanialmente direcionado, sendo que eu não participava diretamente da vida política de Reunião em si, mas de qualquer forma já tinha essa veia política. A minha veia política tem o aspecto curioso de não me tornar uma pessoa com um nome forte para cargos eletivos, como o de Premier, por exemplo, mas de ser uma pessoa importante nos bastidores. Acho que minha grande sagração como “o homem das alianças” foi a improvável aliança PacsoArenaPigd que ajudei a construir e que deu certo.

Montenero:

Não sou bem um homem de política, na verdade sempre me interessou pouco, mas sabemos que a política reuniã, bem como no micro-nacionalismo é alguma coisa de tênue e inconstante. Quais foram os passos para esta aliança?

Tales Zonaro:

Os passos para essa aliança foram mesmo a cooptação de pessoas pelos bastidores dentro de um bom nome que era o Ricardo Cochrane. Essa cooptação levou a aceitação mútua em vista do desenvolvimento do império. O principal nome do PSD, Flávio Miranda Von Rainer, estava ausente no momento, sendo que não houve grande mobilização do PSD em outros importantes nomes em agir politicamente, o que facilitou em muito a aliança.

Montenero:

Na verdade então a aliança surgiu mais de um oportunismo unido a um bom lobby que de qualquer outra coisa?

Tales Zonaro:

Não… A aliança surgiu de um bom Lobby. O oportunismo não foi visto no momento da formação das alianças, a análise da formação da aliança é que se leva a entender que o PSD realmente não agiu na época, mas na época mesmo nós não tínhamos percebidos. É como história, as coisas tem que baixar o pó para você conseguir compreender porque as coisas aconteceram de determinada maneira. Mas no geral a aliança que foi formada é muito boa para Reunião porque ela contém 75% dos partidos unidos

Montenero:

No cenário reunião, a política é uma boa parte das atividades, hoje temos uma retomada do crescimento. Atribuiríamos isso às atividades da APQ e do ECIE ou deveríamos buscar outro responsável?

Tales Zonaro:

A retomada do crescimento teve duas fases. A primeira fase, que foi em novembro, pode ser avaliada como uma fase de confraternização onde os antigos estavam voltando e havia aí um bate-papo animado em lista pública, além de diversos “virtualismos”. Em dezembro que realmente se iniciou uma atividade mais voltada para o produtivo e para a história produtiva reuniã principalmente. Mas curiosamente não tem como se falar de atividade na APQ e na ECIE ainda, afinal elas estão no momento ressurgindo da inatividade e mesmo o Premier não começou efetivamente a trabalhar. O que puxa a atividade no momento são mais ações do poder moderador, debates judiciários e intrigas sobre alguns temas e isso é no geral algo que está dentro da atividade histórica reuniã. Com os órgãos voltando, com certeza a atividade crescerá ainda mais.

Montenero:

A letargia que toca o ECIE e a APQ tem sido alvo de criticas. Poderíamos dizer que as duas casas perderam suas linhas mestras? Qual seria uma possível saída?

Tales Zonaro:

Uma possível saída é voltar à tradição do debate, voltar principalmente o amor ao debate típico de um hobby intelectual. Aliado a isso teríamos que ter um poder moderador que se segurasse um pouco mais para acabar não governando por OG´s. Governar por OG´s é típico de tempos inativos, mas dentro da nova realidade temos tudo para voltar a atividade legislativa, principalmente com a comissão judiciária que foi formada agora.

Montenero:

E por falar em “hobby intelectual”, poderíamos dizer que Reunião tem tido um declínio intelectual ou, em outras palavras, o “virtualismo” tem atrapalhado o crescimento de Reunião?

Tales Zonaro:

O declínio intelectual ele acaba sendo acentuado quando há a entrada de muita gente nova, nova de idade principalmente. Essas pessoas não têm ainda posições políticas e culturais muito bem definidas e são levadas a tendências “virtualistas” típicas dessa idade e de quem entra também em Reunião pela primeira vez. Todos já foram “virtualistas” um dia, então não podemos tacar pedra se temos telhado de vidro.

Montenero:

Em suma, uma boa síntese entre o “virtualismo” e o realismo deve ser resgatada em Reunião…

Montenero:

E por falar em realismo, você inventou um novo modo de fazer jornalismo em Reunião o “A Batatada”. Poderíamos classificá-lo como o primeiro jornal reunião que consegue angariar humor, realidade e interação como surgiu a idéia?

Tales Zonaro:

A idéia surgiu em uma pegadinha que eu fiz o Cohrane. Ela ficou tão boa que resolvi fazer com outras pessoas e posteriormente publicar. Esse foi “A BATATADA!” nº 1. Como é impossível de se manter essa linha e as pessoas clamavam por uma continuidade acabei por desenvolver esse quase jornalismo gonzo que é o de coletar bobagens no chat. Então “A BATATADA!” faz um jornalismo real onde o editor tem o papel de fazer alguns comentários ácidos apenas, quem faz realmente o humor são os próprios reuniãos, que invariavelmente soltam uma bobagem, uma opinião idiota, coisas desse tipo.

“A BATATADA!” é quase um estudo sociológico, ela é a prova que o ser humano sempre tende ao rebaixamento intelectual quando em grupo, por isso que saem esses tipos de bobagens no chat.

Montenero:

Você coloca “A BATATADA!” em um grau interessante, o de “estudo sociológico”, contudo, não lhe fez lograr alguns desafetos em Reunião?

Tales Zonaro:

Bem Fabianno, estamos dentro do humor brasileiro. O humor brasileiro é escrachado em relação às outras pessoas e esse tipo de coisa pode ocorrer, como ocorre com veículos de humor macro-nacionais também. Dificilmente se faz humor agradando todo mundo – isso é praticamente impossível. Mas um desafeto que pode surgir agora também pode se tornar um grande amigo amanhã, então as coisas acabam se contemporanizando com o tempo.

Montenero:

Isso é bem verdade, somos prova concreta disso. Algum caso em especial que gostaria de citar?

Tales Zonaro:

Fora o problema que nós tivemos, não creio que houve algum grande outro. Se houve não chegou realmente ao meu conhecimento. Pequenas irritações sempre há – como o do Sr. Marcelo Brunella e da Srtª. Kizzy Tupã –, mas isso não poderia ser chamado de um problema que ensejou maiores preocupações entre as partes. Todos convivemos super bem.

Montenero:

“A BATATADA!” colocou o senhor num grupo bem distinto de Reunião do qual fazem parte Gustavo Otto e Flavio Miranda Von Rainer. São tidos como “sem papas na língua”, mas esse título não parece modificar sua postura na lista oficial. A sociedade reuniã consegue ser madura o suficiente para separar o editor do “A BATATADA!” do advogado, político e outras coisas?

Tales Zonaro:

Creio que sim! Meu trabalho na lista oficial e nos cargos que desempenho são feitos na maior seriedade e afinco possível. Uma coisa sou eu no chat que é um lazer e outra sou eu trabalhando. Sempre soube separar bem as coisas ainda mais que em 80% do meu tempo macro-nacional, por exemplo, eu ajo também com seriedade.

Montenero:

Já que tocamos no assunto do chat, o senhor disse que já passou mais de 48 h com a janela do MSN aberta…

Tales Zonaro:

Na verdade muito mais! Chega a ficar 7 dias aberto.

Montenero:

E como é procurar a matéria certa para o periódico?

Tales Zonaro:

É um trabalho muito longo… Eu passo o chat para o Word, o que está dando pelo menos 600 páginas por edição para conferir. Vou selecionando as melhores partes, recortando e mandando para outra página no Word… Depois com o material vou fazendo a edição direto no gmail.

Montenero:

Há uma OG que manda estatuir um código de conduta para o chat… Há um tempo foi levantado o tema em CHANDON e depois novamente abafado, o que acha? O abafamento seria proposital?

Tales Zonaro:

O chat descamba muitas vezes para a baixaria, isso notório e ululante, então seria de certa forma proposital, mas como todos já se acostumaram e aprenderam a utilizar o chat não tem porque haver regulamentação. Se o chat está desagradando no momento simplesmente é só fechar a janela, conversar em “PVT” com outras pessoas ou trabalhar na lista.

Montenero:

Alguns casos foram bem incômodos, como por exemplo, as agressões a senhorita Melsi. Não seria esse um motivo suficiente?

Tales Zonaro:

Não! Diversas pessoas já foram agredidas ou esculhambadas (que e o melhor termo) no chat e o usam ainda de forma usual com a mesma alegria de sempre. Acontece que há pessoas de cunho fortemente conservador que não aceitam alguns tipos de brincadeiras. Como estas são minoria dentro do universo Reunião, não teríamos porque tolher a liberdade de 60 em custa de 3 pessoas incomodadas.

Montenero:

Se levarmos em conta que a verdade não se faz por estatísticas e que mesmo que sejam três os que se sentiram prejudicados, não seria sensato que o mau uso fosse punido?

Tales Zonaro:

Discordo. Há momentos que há sete ou oito pessoas esculhambando outra, se estes fossem punidos, com expulsão temporária do chat, por exemplo, chegaríamos a um momento que só teríamos estas três pessoas hipotéticas lá. TODOS no chat são alvos de brincadeira e algumas pessoas do chat já receberam esculhambações da mesma forma que a Dona Melsi sofreu e continuam utilizando o chat porque já se acostumaram e aprenderam também a brincar. Aquilo é tudo uma grande brincadeira e não dá para levar tudo a sério, a ferro e fogo.

Montenero:

De fato o abuso não tolhe o uso!

E por falar na senhorita Melsi, como ficou seu romance com uma das poucas e raras mulheres no micro-nacionalismo?

Tales Zonaro:

A Srtª Melsi conseguiu me irritar, mas não em Reunião, em PVT mesmo. A Senhorita em questão tem o pequeno defeito de querer traçar o mapa psicológico dos outros e infernizar as pessoas no MSN se esquecendo que ela está em outro fuso horário. Ela deveria perceber que as minorias não ficam querendo exercer seu ponto de vista dentro de uma maioria… Senão é esculhambada. Se eu falar que sou “lulista” no chat eu sou esculhambado, se ela quer achar que a vida dela que é a certa e que ela no evangelismo saiu do mundo da ignorância, aprenda a conviver com as pessoas que ela julga estar no mundo da ignorância, mas sem lançar esse tipo de indireta. O que a Fabíola não sabe, e isso é um problema de muitos evangélicos, é conviver com pessoas que vivem e pensam diferentemente dela.

Montenero:

O Sr não é uma pessoa afeita ao movimento religioso, mas, no entanto também não parece um ateu. O que pensa sobre o movimento religioso (de todas as espécies) no Micro-nacionalismo?

Tales Zonaro:

Na realidade eu sou Ateu. Muitas pessoas sabem, mas eu não fico levantando a bandeira e nem dizendo que os católicos são ruins por isso ou aquilo. Respeito a todos, menos os que acham que estão certos e o mundo tá errado. O movimento religioso micro-nacional eu acho que é algo que naturalmente iria surgir, afinal é algo forte no mundo macro-nacional e não faltaria uma projeção no mundo micro-nacional. O problema das micro-religiões é que existem os puristas que discordam dessa existência, mas como não é minha área é complicado eu opinar, a minha única coisa a considerar é que eu respeito as religiões micro-nacionais.

Montenero:

Bom, creio que tivemos um grande momento em que pudemos conhecer um dos mais lidos editores de Reunião, o Sr. Tales Zonaro e um grande político reunião. Um momento como poucos! Queremos ouvir agora as suas considerações finais

Tales Zonaro:

Bem, primeiramente agradeço ao D. Fabianno e o parabenizo pela excelente revista de variedades que ele lançou no mercado. Peço desculpas pelas respostas longas que espero não serem tão chatas quanto as do Sales e agradeço aos reuniãos pelo apoio ao meu trabalho de editor que continuarei a fazer com grande prazer enquanto tiver público para tanto. Vamos continuar trabalhando por esta linda micro-nação

 

Correspondências

Muitas correspondências foram enviadas à nossa redação em atenção ao número de estréia de nossa revista, aqui estão algumas delas.

 Salve D. Fabianno,

 Belas palavras em sua histórica volta ao micro-mundo em alguns bytes! Espero que o “Chá, conversa e MONTENERO n-2 seja tão empolgante quanto este.

Só gostaria que a lista da Bélgica fosse incluída, pois acho que os meus comentários deveriam partir de lá e já peço desculpas às autoridades deste reino pela resposta eletrônica.

D. Fábio D´Almeida (Em RUPA)

 

Dom Fabianno Montenero, 

Parabéns pelo seu excelente periódico. Estou ansioso pela próxima edição.

 Att.

Celso Durval (Em RUPA)

 

Batepapo descontraído, polêmico e de alto-nível. parece um talk show micronacional, muito bom prelado!

 Rafael Ithzaak (Em Reunião)

 

Boa Revista!

Faço minhas palavras as do Rafael!

Abs

Gabriel Garcia – Alcaide de Le Port (Em Reunião)

 

Parabéns pelo estilo informal e, ao mesmo tempo, aplicado de sua revista Chá.

Mesmo não sendo religioso, tenho percebido em vários círculos micronacionais que os antiteístas, apesar de sempre condenarem serem as religiões a causa de conflitos históricos na humanidade, sempre se aprontam em serem os primeiros a ver os religiosos como uma espécie de extraterrestres perigosos ou sub-seres alienados. E ainda se inquietam muito se alguém, mesmo sem intenção alguma, fala de Deus.

Esquisito.

Foi bom ter mostrado os dois lados…

Renan Saifal (Em Reunião)

 

Via MSN:

DIESLEY diz:

Ah, por falar em revista, fiquei maravilhado com a primeira edição!

 

Via MSN:

 (Flávio Miranda Von Rainer) diz:

A revista é maraaaaaa!

 

Agradecemos a gentileza de tantos leitores que se manifestaram em apoio a nossa estréia, os que o fizeram em listas nacionais e os que o fizeram através do MSN. Manteremos este espaço para a participação dos leitores. Estejam à vontade para um chá!

Obrigado!

Chá, conversa e MONTENERO – n. 1

http://chamontenero.blogspot.com/

Nº 1 | 03 de Janeiro de 2009                                  © Editora Pacífica

Editorial

Unir um papo descontraído, conteúdo e uma boa xícara chá! É o objetivo de nossa revista, um empreendimento que não está ao alcance da mão, mas vai ser concretizado aos poucos com uma boa pitada de Montenero.

Na edição de estréia, gerando muita polemica, uma entrevista com ninguém menos que Filipe Sales, um dos fautores do movimento que mais deu assunto no micro-nacionalismo. Ainda uma apreciação sobre a tese.

 “De Soslaio”, uma divisada na atividade e no que tem de novo no micro-mundo lusófono.

“Blinck” é a seção que vai dar uma piscadinha para você! Alguns comentários sobre nossas viagens a várias micro-nações e nossas impressões. Nesta edição traremos um pouco de Pasárgada.

Esperamos que esta revista seja um colírio aos olhos, mas bem sabemos que pimenta nos olhos de uns, nos dos outros é colírio!

Chá

O nosso chá de hoje é um dos mais tradicionais e mais refinados chás. Com um sabor impar para ocasiões especiais, como a nossa estréia. De sabor leve e adocicado, o Chá Branco tem um aroma intenso e marcante. Produzido a partir da Camellia Sinensis, é composto do miolo e da ponta das folhas mais jovens colhidas uma única vez ao ano entre os meses de abril e maio.

De Soslaio

*        A volta de D. Eduardo Lagrenge de Pacífica aos rincões de Reunião já tem movimentado as consciências, e não menos às listas. Ácido e irreverente, já desferiu críticas – a bem da verdade, muito sensatas – a vários temas. Em sua mensagem de Ano Novo, por ocasião das festividades da coroação do Rei da França, reforçou a toada: “Entrou-se em 2009 com uma esperança de mudança, mas as mentalidades continuam as mesmas e essa mudança será a Partida impossível, mas como neste mundo nada é impossível cabe a cada um de nós trabalharmos para que neste ano de 2009 consigamos implantar as mudanças necessárias a que o Micro-nacionalismo cresça e se desenvolva de uma forma sustentada”. Dois mil e nove guarda surpresas!

*        O Sacro Império de Reunião reconheceu como nações soberanas e independentes, de direito internacional público o Reino Absoluto de Ortence, o Reino da França e o Reino da Itália.

*        O rei belga adotou D. Antonio Fábio Moura D´Almeida Eugenio Font D´Savoia Saxe Coburgo Hildburghausen und Gotha Nevski, Príncipe Real de Bruxelas, Duque de Brabantes, e abdicou ao trono em favor dele.

*        Se a nova lei ortográfica retrocede achando que avança, Reunião avança pelo retrocesso. Revoltado com as novas leis ortográficas, o Imperador reunião solicitou a análise da viabilidade de adoção de dupla grafia no império: a revisão ortográfica de 1931. Subscrevem a mensagem D. Bruno Queiroz, D. Rodrigo Rocha, D. Alexandro Tarquino e D. Fabianno Montenero.

*        Em Pasárgada: só xadrez movimenta a lista!

BLINK

Depois de ter visitado muitas micro-nações, resolvemos abrir nosso diário de viagem e dizer um pouco daquilo que vimos em algumas micros no mundico.

Decidimos começar pela última: Comunidade Livre de Pasárgada, fundada à 7 de abril de 2001 por oito ex-reuniãos, com a promessa de um projeto que lhe faria frente, por  ideais do humanismo, da liberdade, do universalismo e da paz.

Quase oito anos depois, estivemos em recente visita em Pasárgada. A bem da verdade, nossa visita foi um pouco conturbada e, apesar de não termos nos apresentado como membro micro igreja católica, logo nossa posição sobre religião e micro-nacionalismo foi explicitada em lista pública.

Aqui está uma mensagem de “boas-vindas” do Primeiro Ministro Felipe Aron:

 

Caro turista Fabianno;


Muito me deixa intrigado a presença de micro-religiosos no micro-nacionalismo porque em qualquer mensagem que leio com alguém deste distinto clero como autor, só encontro menções à Deus, Jesus, Papa, igreja, religião, etc etc etc.


Como perguntar não ofende: vocês não têm outro assunto? Não gostam de mulher, cerveja, futebol, formula-1? Ou não se interessam também por outros assuntos no micronacionalismo? Vocês são assim fora do micronacionalismo também? SÓ falam disso?

[]s

Felipe Aron

 

 

O humanismo pasárgado é bem notório logo à primeira vista, não? Como não é de nosso feitio deixar ninguém sem resposta, não faltamos com o decoro:

 

Senhor Aron, (não sei se é assim mesmo que deveria me dirigir ao falar com o senhor. Em todo caso, como não fomos apresentados de fato, insisto para que me corrija se estiver errado)

 Decerto, perguntar não ofende desde que a pergunta seja sincero desejo de obter informações. Sou filósofo por formação e teólogo por vocação e, como filósofo, não me permito responder qualquer coisa, mas somente as questões de fato relevantes. Aprendi com a dialética hegeliana a nunca aceitar o convite de debatedores se elas visam nos amarrar em argumentos seus argumentos.

 Aos amigos, quem sabe eu responda com simplicidade, aos desconhecidos, respondo com formalidade, aos inimigos respondo com respeito, mas a todos respondo com a verdade.

 Os micro-clerigos, creio eu, não são assuntos a serem tratados em Pasárgada – e por isso não me apresentei como tal. Creio que esse assunto extrapola este ambiente dado o seu realismo em contraste com a boa dose de virtualismo que tempera a Micro Igreja Católica.

 Decerto sabemos falar de muitas outras coisas (política, sociologia, bons vinhos, livros, gastronomia, e somaríamos uma imensa fila de “et coetera” agora). Contudo, pode alguém que vive de sua fé não deixá-la transparecer em seus atos? Creio que não! Instaurare Omnia in Christo!

 Mas o mais importante não é o “do que falamos”, mas o “do que vivemos” e, se perguntar não ofende, de que coisas têm enchido sua vida? Creio que é necessário haver diversidade, mas dentro de uma unidade, caso contrário, como os camaleões, deslavadamente, mudaríamos ao sabor dos ambientes! Eu sou Católico aqui e em todos os lugares, estou no mundo, vivo no mundo, mas não sou do mundo.

 Como e bebo como todos, me visto como todos os de minha classe, mas não faço o que todos fazem. Amo o mundo, mas sou concidadão dos santos, sou pecador, mas desejo ser bom.

 Creio que assim respondo com respeito a pergunta que me foi dirigida sem ofensas.

Se deixei de considerar algo, por favor, seja livre, mas com respeito.

 Fabianno Montenero

 

 

Considerando Pasárgada:

Uma micro interessante em seu projeto que comporta enxadristas e um Primeiro Ministro grevista. A intelectualidade é escassa e decepcionou-me – de fato esperava um pouco mais. Encontrei um senhor de idade contando causos do passado de glória de Pasárgada. Creio que seja esse o retrato de Pasárgada.

Pasárgada seria grande se não fosse sisuda ao extremo, falta-lhe um pouco de virtualismo para o tempero das coisas, mas tem grande potencial para continuar fazendo história.

Entrevista

Creio que tenha sido uma das conversas mais produtivas que tive em todo o micro-nacionalismo do ponto de vista da micro-patriologia. Vale lembrar que esta entrevista foi produzida no primeiro semestre de 2008, quando Filipe Sales ainda era súdito do Sacro Império de Reunião, no auge de alguns conflitos da época (tais como o embate entre Alberto Fioravanti e Lucas de Baqueiro, citados de passagem na entrevista).

Este momento foi ao mesmo tempo relevante e fraterno e trazemos para o leitor, na integra, uma boa conversa, chá e Montenero.

 Montenero:

Boas noites meu amigo! Como vai?

Filipe Sales:

Boas, caríssimo, tudo bom. E por ai?

Montenero:

Vamos falar um pouco sobre o movimento que mexeu com as estruturas do micro-nacionalismo e que gerou muitos conflitos no Sacro Império Reunião, O sócio-culturalismo.

“O socioculturalista”, uma série de panfletos, foram os primeiros escritos que impostavam o tema do sócio-culturalismo ou houve algum outro oficial anterior a este?

Filipe Sales:

Foram os primeiros, mas na verdade Bruno Cava ensaiou sobre o tema antes, mas sem esse rótulo. Foram vários ensaios que podem ser encontrados no antigo jornal dele: “Tribuna Popular”, publicado na “Areuniana”, “Imprensa Livre”, “Jornaleiro”, os editoriais normalmente são muito bons.

Montenero:

Não é de se admirar que os fautores do movimento socioculturalista tenham sido tomados por revolucionários golpistas, o editorial do primeiro panfleto é no mínimo pouco diplomático… Qual era a intenção? Chamar a atenção, chocar?

Filipe Sales:

O panfleto surgiu como oposição ao embate cruel que tinha se iniciado quando o panfleto surgiu, já estávamos em guerra, então ele nasceu nesse clima bélico

Montenero:

Em todo caso, parece-me um erro crasso, não? Pôr uma nova idéia de modo tão rude…

Filipe Sales:

A idéia não saiu de forma rude, o jornal é que saiu porque o clima já estava rude, a idéia saiu inocente… E, na verdade, iniciou-se fechada nas fronteiras de Maurício. Foram os tradicionalistas quem a puxaram à força para o Império para que pudessem a criticar. Tinham medo… Aquele foi o único pretexto que encontraram pra tentar barrar o avanço de Maurício, que na época era mais ativa que todo o Império. Daí surgiu tudo!

O Socioculturalismo, se tivesse nascido em outra circunstancia, talvez não tivesse sido tão atacado. É verdade que ele toca num ponto polêmico, e que geraria desconforto de qualquer forma. Mas talvez não tanto como gerou.

O fato é que ele estava dentro do mesmo local que, na época, era maior do que o próprio Império, e isso criava uma sensação mista de receio/inveja em muitos.

Verifique que o maior inimigo dos sócioculturalistas era o Lorde Protetor da época, Gerson França, que era meu aliado semanas antes… Teoricamente, dado o cargo, ele era o responsável pelo sucesso ou não do Império

Montenero:

Entendo, mas a corrente tem que ter um primeiro elo… De onde vem o sócioculturalismo? Quero dizer, o senhor me diz que nasce de modo inocente, mas como? Onde estavam os focos desse embrião?

Filipe Sales:

Surgiu a partir das idéias que foram implementadas em Pasárgada (o realismo) e a partir de alguns textos de Bruno Cava e McMillan Hunt. Eu e Góes – podemos dizer – subimos nos ombros de outros…

Montenero:

Mas parece estranho. Se eu pego, como faço, somente o “O Socioculturalista” a idéia que tenho é bem outra… Parece, começando por ali, pelo menos até onde li atentamente, que de fato se começava um movimento que pretendia dar um choque cultural no micro-nacionalismo.

Filipe Sales:

É evidente que ele buscava um choque, mas não dominar o cenário. Eu e Góes sabíamos que não havia qualquer chance do socioculturalismo se instalar em Reunião num futuro próximo.

Montenero:

O corolário de idéias nascentes recolhidas deixa entrever, pelo menos um pouco, certa hostilidade, mas não fica claro de onde vem… Resgatar a imagem do Iluminismo também não ajudou aos tradicionalistas a aceitar melhor o discurso. O senhor não acha que foram um pouco precipitados no modo de impostar a causa?

Talvez pela pouca maturidade da idéia, ou pela falta de chão concreto onde levantar o edifício em que se instalaria um sistema a partir do sociculturalismo.

Filipe Sales:

Você está lendo o panfleto… o  panfleto surgiu depois de semanas de mensagens. O panfleto começou mais como compilação das discussões diversas que já haviam se instalado

Montenero:

Mas o panfleto é uma das poucas fontes sistematizadas que se encontram, então é impossível não partir dele…

Filipe Sales:

É verdade… Havia uma fonte melhor, mas está fora do ar: é o portal da FTS (www.micropatriologia.org) m projeto nosso

Montenero:

Eu vi o FTS, mas está muito defasado, alguns links estão quebrados…

Filipe Sales:

“Aham”… Você viu o site antigo, outro está sendo criado. É um dos projetos da Fundação Teobaldo Sales. Na época, quando tínhamos mais tempo, estávamos inclusive criando algo revolucionário: um índice de desenvolvimento próprio da FTS para medir desenvolvimento das micronações

Montenero:

Sobre a Micro Igreja Católica, eu não vejo por que a Igreja lhes acusou de comunismo ou socialismo… mas é fato que vocês assustaram os clérigos da época…

Filipe Sales:

A Micro Igreja nos acusou disso porque Renato Moraes é um desses tradicionalistas, e você sabe quanto ele gosta de influenciar a Igreja… Quanto a isso eu não preciso lhe provar. Renato Moraes foi um desses “ofendidos”, mesmo sem ofensa dirigida.

Montenero:

 Mas porque você diz que ele foi “ofendido”, qual o ponto de ofensa?

Filipe Sales:

Por que as pessoas se sentiram ofendidas por virem alguns e falarem: até então estamos brincando de casinha. Vamos crescer! O que o socioculturalismo disse, no grosso, foi isso, claro que não dessa forma.

Montenero:

Esse é meu ponto de crítica, o realismo do socioculturalismo parte da função que o individuo exerce, pelo que pude ver até agora. O indivíduo é único (no que chamamos de micro e macro), mas sua atuação diz sua existência micro-nacional… Se o socioculturalismo partisse da intuição de mundo, seria muito mais plausível…

Filipe Sales:

Discordo.

Montenero:

Veja, a minha intuição me diz que a questão do Renato Moraes era a seguinte, como ter uma Micro Igreja num ambiente socioculturalista? Se um advogado o é por que no micro mundo está em exercício da função, essa relação não cola pra um PADRE! que precisa ser ordenado e tem uma mudança ontológica. O problema é a teologia que está por traz da questão!

Filipe Sales:

E como isso seria no virtualismo? De que forma um padre é mais padre na ficção?

Montenero:

 Se for ficção, está atrelado ao ficcionista. O que ele diz é o que é! Já que na ficção vale o simular, imaginar, fantasiar. Desta forma o padre não o é por ordenação, mas por simulação.

Filipe Sales:

“Fantasiar”. Esse é o ponto. A questão aí é de paradigma não encontramos justificativa para um monte de adultos ou adolescentes quase adultos brincarem de fantasiar na Internet, não em uma coisa que misture política, sociedade, cultura, e que tenha tanto potencial na realidade

Montenero:

Se considerarmos a maioria de nossos amigos micro-nacionalistas, entendemos q eles participam de um mundo onde o lúdico está em primeiro lugar. Considere o caso entre o Fioravanti e o Baqueiro.

Para o Baqueiro o lúdico (mesmo que sem limites) está fora do lugar, mas para o Fioravanti não há mínima distinção entre o macro e o micro (nem sobre as leis que regem um e outro)

Filipe Sales:

Verdade! E é o que criticamos muito

Montenero:

Mas são duas posições que se tocam no final, vemos o micro-nacionalismo como uma realidade paralela (quer os virtualistas, quer os realistas) exatamente por que está para além daquilo que temos em nossa realidade imediata fora do micro-nacionalismo

Filipe Sales:

qual realidade paralela toca os realistas?

Montenero:

Tanto o virtualista quanto o realista estão buscando um ambiente polivalente para exercer suas potencialidades, só que fora dessa sua realidade própria. O ambiente onde ele se encontra, isto é, o próprio micro-nacionalismo é uma realidade que está para além de sua realidade imediata, a da sua vida comum.

Por que alguém seria micro-nacionalista?

Filipe Sales:

Não necessariamente! Isso é como dizer que um jogo de poker é uma realidade além da vida comum, porque acha interessante o ambiente

Montenero:

Sim, por isso é absurda a relação que traçamos tanto numa corrente quanto na outra… o que quero dizer é que ambas não respondem o problema do micro mundo. Partir de um ou de outra, simpliciter, deixará sempre a desejar… Não descarto o realismo, mas acho que é possível uma simbiose…

Filipe Sales:

Não sei… Não vejo o porquê a realidade do micro-nacionalismo limite a si mesmo ou limite as pessoas num faz-de-contas. O micro-nacionalismo libera possibilidades verdadeiras

Montenero:

O ser humano é sempre hibrido, misto de corpo e alma, misto de sentimentos e instintos… em outras palavras ele é feito de “céu e de terra”, por isso o real e o fictício estão presentes na constituição do homem… Nisso ele pode encontrar a verdade, não a sua verdade, mas a verdade do ser.

Filipe Sales:

De acordo… Mas não acho que esse tipo de ficção seja saudável… Ela me parece muito infantil…

Montenero:

Captar no ambiente a perspectiva psicológica, social e metafísica é o que gera a minha compreensão dessa realidade, que engloba realidade e ficção, abrindo para uma intuição do universo.

É misturar o homo ludens com o homo rationalis, spiritualis e tantas outras facetas que englobam o homem. São só reflexões instantâneas, mas a mim parece que partir de só um realismo é sisudo de mais!

Filipe Sales:

Eu acho q você acabou de misturar o mundo todo num bolo só, e isso impede qualquer passo, pra qualquer lado que seja. Acho que precisamos definir caminhos, e que eles precisam espelhar o estado de maturidade em que nos encontramos

Montenero:

Exato! Misturei sim, exatamente por que a maturidade é conhecer as partes sem desconsiderar o todo.

Filipe Sales:

Sim… Mas nesse ponto então ficamos sempre estáticos, aceitando todas as posições de todos os lados, e não vamos a lugar nenhum

Montenero:

Às vezes aristotelismo de mais faz mal pra saúde… Distinguir sempre nem sempre é o caminho para maturidade, exatamente por que ao segurarmos uma parte soltamos outra. Não vejo a “estaticidade”. O dinamismo ocorre exatamente na possibilidade de ser, e na abertura para incompletude.

Filipe Sales:

Mas ao aceitar a plenitude de posições tão distintas, não se faz caminho!

Montenero:

Veja, não condeno o socioculturalismo… Até simpatizo com ele em um e outro ponto (culpa sua!), mas acho que o hibridismo do homem abre espaço para a ficção, o lúdico…

Filipe Sales:

Eu não gosto de aristotelismo em excesso, mas acho essencial tomar lados, acho que toda e qualquer empreitada do homem já é carregada de ficção… Não precisamos voltar a infância e brincar de castelos e palácios pra colocarmos ficção em nossas vidas

O fato de nos aventurarmos em ocupações que nunca tivemos antes já é palco dessa ficção naturalmente. Não precisamos alimentá-la ainda mais com elementos fantasiosos. Eu, e outros, achamos que o que é importante aí é viver – de fato – essas ficções, e não criar elementos fantasiosos por cima dela

Montenero:

 Bom, acho que isso resolve nossa questão. Parece que chegamos a um ponto comum: a ficção sem fantasia, isso é, limitarmo-nos à simulação!

Filipe Sales:

Não é simulação, simular é fazer algo que não é real

Montenero:

O Senhor sempre foi tido por uma figura polêmica, recentemente travou embates homéricos com o Sr. Alfred, foi exilado, retornou – de certa forma – com certo prestígio, mas ainda paira aquela sombra das acusações passadas. O que o senhor, diante disso tudo, diz de si mesmo no micro-nacionalismo?

Filipe Sales:

Eu sou polêmico porque não consigo conviver em um ambiente pré-moldado, e naturalmente tento com muita intensidade moldar esse ambiente anterior a minha visão das coisas. As acusações partem daí.

Não são reflexo exatamente de conspirações ou golpes, mas do fato de que aqueles cuja realidade de preferência anterior é eventualmente alterada se tornam extremamente ressentidos com a mudança (obviamente).

Eu e Alberto tivemos uma briga homérica e uma discussão pesada. A briga – mais anterior – se deu em razão de uma postura extremamente ofensiva que ele teve com uma menina à época (Marina Melillo), e eu comprei a briga porque julguei que ele havia sido baixo em tratar uma mulher daquela forma. A coisa subiu a proporções grotescas, a recente – a discussão – foi em razão da Emenda Alvorada.

Alberto é uma pessoa que se cega facilmente a cada vez que teima com algo.

Montenero:

Embora não seja uma entrevistas estritamente, me interessa o seu curriculum vitae, e em reunião, muitas vezes pôde colocar sua perspectiva teórica de micro-nacionalismo em questões. Como primeiro ministro instalou o que foi denominado Salismo. Desde que começou a teorizar sobre o socioculturalismo foi relegado, de certo modo, à desconfiança e agora volta a Reunião, como é estar de volta e tentar entabular antigos projetos, mesclando os novos? E ainda, por que voltar para Reunião hoje?

Filipe Sales:

Estar em Reunião e ser alguém ligado a filosofias voltadas ao futuro é complexo. Reunião é a micro-nação mais antiga que permanece sob o mesmo eixo, e isso criou um sentimento retrógrado em relação a qualquer coisa que possa diferir de elementos mais simplórios, mas antigos.

Voltei porque, ainda que retrógrada e, por vezes, extremamente desestimulante, continua a ser a única micro-nação com potencial humano de construção verdadeira.

Montenero:

Mas não acha reunião hostil ao seu pensamento?

Filipe Sales:

Quase que por completo. É natural, entre pessoas apegadas tão somente ao passado, que vêem apenas no passado a possibilidade de sucesso, que se postem de forma violenta em relação a qualquer coisa que seja nova. Mas recentemente, com novas imigrações, surgiram pessoas capazes e mais coerentes com o momento em que vive o micro-nacionalismo, com suas necessidades atuais e com novas visões a respeito

Montenero:

Como o clero, por exemplo?

Filipe Sales:

Incrivelmente, o clero têm tido uma das mais avançadas participações intelectuais de Reunião. Inclusive me ensinaram diferença fundamental entre conservadorismo e tradicionalismo; que enquanto o primeiro se funda no apego a raízes, mas sabendo que o tempo passa e que as coisas, com ele, mudam, o segundo se ampara em uma visão possessiva do passado e de tudo que ficou para trás.

O clero é conservador, mas não tradicionalistas – o que me surpreendeu muito. É diferente da parcela mais antiga de Reunião, que realmente não quer que as folhas das árvores caiam, e que as colam com cola de papel novamente quando as vêem cair.

Montenero:

Outra curiosidade que tenho, o senhor é o pai adotivo do Sr. Goldstein, que também colaborou, eu diria, mais diretamente para a elaboração e sistematização do socioculturalismo… embora pareçam pensar “juntos”, existiria alguma divergência ou nuance no sociculturalismo do Sales em relação ao socioculturalismo do Goldstein?

Filipe Sales:

O Socioculturalismo surgiu de uma forma incrível: eu e Góes mantínhamos os mesmos pensamentos a respeito do micro-nacionalismo, na maior parte por influência de micropatriólogos como Bruno Cava. Disso se criou os Murta-Ribeiro.

Em uma noite, num chat de MSN, pensando se o que avançávamos na esfera da micropatriologia deveria ser nomenclaturado, surgiu então o nome Socioculturalismo.

A visão é idêntica entre os dois: foi uma criação absolutamente conjunta, que na verdade nada mais foi que um processo gradual, surgido muitos meses antes da parte de ele, e anos anteriores de minha parte, a partir de minha passagem por Pasárgada entre 2002 e 2004. Esse processo culminou em uma Escola de pensamento extremamente coesa e firme, que denominamos Socioculturalismo.

Montenero:

O Socioculturalismo é otimista epistemologicamente, adotando metodologias experimentais que pretendem ser capazes de estabelecer um conhecimento que, apesar de construído socialmente, se refere a realidades que têm existência objetiva. O que acha desta sentença? E se eu dissesse que ela foi retirada de um artigo sobre psicologia social contemporânea e pós-moderna?

Filipe Sales:

Não vejo o micronacionalismo como uma realidade objetiva: pelo contrário, ela me parece tão subjetiva quanto quaisquer outras realidades da vida de uma pessoa, que nada mais são do que os diferentes ambientes com os quais convive. O Socioculturalismo é otimista ao ver o micro-nacionalismo como um aspecto verdadeiro da vida, que deve ser encarado como experiência real, e não como um faz-de-contas alheio as experiências socioculturais do homem. O nome da Escola vem daí; em ver o micro-nacionalismo como verdadeira experiência sociocultural.

Montenero:

Há alguma familiariedade entre o socioculturalismo micro-nacional e o da psicologia social contemporânea e pós-modernismo?

Filipe Sales:

O Socioculturalismo é uma versão verdadeira do micro-nacionalismo, que o vê como fenômeno social real entre as pessoas que dele participam, sob uma perspectiva utilitarista: a criação de identidades culturais próprias nos projetos micro-nacionais (é o que o difere do realismo pasárgado).

Em razão disso, toda e qualquer ciência que tome como objeto de estudo o homem e o seu relacionamento em sociedade acaba por manter certa familiaridade com o Socioculturalismo.

Montenero:

“Sob uma perspectiva utilitarista”, poderia ser mais claro quanto a esse ponto?

Filipe Sales:

O Socioculturalismo enxerga o micro-nacionalismo em seu objetivo, em seu aspecto final. Ele não se contenta apenas em definir “o que é micro-nacionalismo”. Ele, concomitantemente, ao definir micro-nacionalismo, define o que uma iniciativa deve ter como fim para que possa ser considerada micro-nacionalismo. Este fim, este objetivo, para o Socioculturalismo, é a construção de identidades culturais.

A cultura, em seu significado mais essencial – como técnicas, valores, símbolos, meios etc., que compõe uma identificação coletiva – deve ser o objetivo do micronacionalismo. Deve ser a criação dessas identificações em cada projeto; somente aí têm-se uma micro-nação.

Montenero:

Mas nesta perspectiva o individuo não fica preso ao exercício de sua função, perdendo personalidade, ou tendo sua personalidade definida não por sua personalidade própria mas por sua atividade?

Filipe Sales:

Claro que não. Não é a função que caracteriza o micro-nacionalismo. Não estamos falando aqui de funções; estamos falando de atuações. A atuação é livre, desde que real. Não há prisões para o realismo da atuação: a imaginação, aqui, é absolutamente livre para determinar quaisquer caminhos construtivos a uma estrutura social.

O jornalista é real. Um advogado é real. Um empresário que forneça serviços ou bens que crie ou altere benefícios é real. Um administrador público também.

Mas um cortador de cana não me parece real dentro do ambiente micronacional.

Montenero:

Assim a funcionalidade estaria acima da personalidade. Parece-me que quando coloca o objetivo (fim, escopo…) antes da personalidade acaba por fazer uma inversão…

Filipe Sales:

Não consigo verificar onde a personalidade seja limitada pela funcionalidade. Andam, na verdade, ao lado no mesmo caminho. A personalidade não me parece existir sem a funcionalidade, sob pena de afastamento completo da ética e da consciência. Da mesma forma, a funcionalidade sem a personalidade acarreta em um indivíduo estéril.

Montenero:

Parece meio existencialista, quero dizer, só a parte em que a personalidade segue a funcionalidade… Pareceu-me à primeira vista que antepõe a funcionalidade à personalidade… É fato que não dá pra cortar canas no micro-nacionalismo, contudo, é a pessoa que sustenta a atividade e não a atividade que sustenta a pessoa

Filipe Sales:

A pessoa sustenta a atividade, mas ao criar um objetivo de se manter no micro-nacionalismo, não estamos limitando a pessoa; estamos dando norte e valores a ela. O utilitarismo do socioculturalismo, sob nossa perspectiva, é absolutamente necessário, como é a moral e a ética para delimitar valores a nortear nossa conduta.

É uma comparação superficial, mas ilustra que o homem precisa da identificação de caminhos para dar eficiência a sua atuação

Montenero:

Na perspectiva socioculturalista, qual o papel de uma Micro Igreja Católica?

Filipe Sales:

O mesmo papel que qualquer entidade religiosa possui no mundo: o norteamento de valores morais vinculados a religião, e o cuidado para que as pessoas não se desviem dos conceitos de “certo” e “errado”

A Micro Igreja expõe que todo católico é responsável por cuidar desses valores no ambiente em que se encontra. O “bispo” micro-nacional não tem a autoridade da Santa Sé para exercer a função episcopal relacionada, mas tem o mesmo dever de cuidar dos valores católicos. Ao fim, a atuação se tornaria idêntica, porque no micro-nacionalismo não existe o contato pessoal que faria essa diferença.

O “clero” católico no micro-nacionalismo se utiliza de títulos que não relacionam poder dentro da Santa Sé, mas dentro de sua micro-estrutura, deveria relacionar dever. O mesmo dever que qualquer católico, bispo ou não, possui.

Montenero:

Decerto um momento precioso para nosso leitor, o que esclarece muitos pontos de vistas, mas levanta outros pontos polêmicos que certamente ainda carecem de muita conversa, chá e Montenero.

Até mais!