Jornal O Arauto – Edição 01

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SACRO IMPÉRIO DE REUNIÃO
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QUINTA-FEIRA, 19 DE MARÇO DE 2015 • ANO I • NÚMERO 01
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N O T Í C I A S
 
MAURITANOS SE ORGANIZAM PELA REABERTURA DO VICE-REINO
 
 
Saint-Denis. A Gloriosa Revolução iniciada pelo Imperador Cláudio de Castro já produz efeitos sobre os movimentos mais vanguardistas da história de Reunião. Inicialmente constituído em para abrigar os cidadãos reuniãos anglófonos, sob a liderança de Jeremy Johnson, Duque de Marapendi (após anterior iniciativa fracassada), o Vice-Reino de Maurício tem sua história coincidente com a própria história do Império, surgido numa época em que o micronacionalismo lusófono iniciava sua longa tragetória e anglófonos residiam em Reunião tanto quanto os micronacionalistas falantes do português. Não subsistiu muito enquanto região anglófona do Império, embora o Duque de Marapendi tenha permanecido seu vice-rei até meados de 2004.
 
A história moderna de Maurício inicia-se no final do ano de 2005. Com a nomeação de Douglas J. Silva para comandar o vice-reino, abriu-se espaço para que uma das mais antigas referências culturais do Império assumisse posição especial. Um ano depois Douglas Silva renunciaria o comando do Cetro Real mauritano em benefício de Rodrigo Mariano de Murta-Ribeiro, o Visconde de Albuquerque Figueiroa. Sob o comando de Albuquerque Figueiroa, Maurício iniciaria passos de iluminismo na vanguarda do que há de melhor na atividade produtiva micronacional.
 
As iniciativas do Socioculturalismo, as produções literárias-científicas da Fundação Teobaldo Sales, o portal Micropatriologia, todos têm nascedouro no berço cultural que foi Maurício entre 2006 e 2009. O ambiente de extrema distensão política que vigorava no Império à época não sustentou, no entanto, a diversidade culturais nascidas de Maurício. Pouco tempo depois uma grande debandada do Império provocou o início de novo declínio do vice-reino, até que finalmente adormeceu a partir de 2013.
 
A euforia provocada pelo Imperador há menos de dois meses, no entanto, buscou novamente para a atividade os pilares individuais que sustentavam o projeto mauritano em toda a sua diversidade. O retorno de Rodrigo Mariano a Reunião na última semana descambou para a organização dos antigos mauritanos em torno da reativação do Vice-Reino de Maurício, que depende, no entanto, de parecer formal favorável do Egrégio Conselho Imperial de Estado.
 
No sábado 14 de março foi finalmente publicado no CHANDON pedido formal feito por uma lista de antigos mauritanos, liderados por Mariano, entre os quais se encontram este editor, Tiago Melloni, Allan Weinert e Pedro Penido. Na mesma data, o Lorde Protetor do Império encaminhou o requerimento ao plenário do Egrégio Conselho Imperial de Estado. Inicialmente a expectativa era de grande resistência da parte de Conselheiros Imperiais que ocupam a chefia das Capitanias Hereditárias. Na mesma data, no entanto, o conselheiro Conde de Tavares Lira (PacSo), manifestou-se favoravelmente, conclamando que deveria ser objetivo do Conselho a reativação de todas as unidades do Império. 
 
O apoio foi seguido pelo conselheiro Conde de Juscelino Kubitschek (ARENA), pelos conselheiros Conde de Belo Horizonte e Barão de Herval-Wilson (ambos PIGD) e pelo Visconde de Areia Branca (PSD). A expectativa negativa se concentrou em torno da manifestação de discordância do conselheiro Barão de Castello-Branco (PIGD), presidente do Conselho, que deixou firme sua discordância, afirmando que a atividade reuniã reside nas Capitanias Hereditárias e não em vice-reinos. A despeito da existência de Maurício desde o início da história do Sacro Império de Reunião, a posição do presidente do Egrégio têm se apresentado firme contra novas unidades alheias as Capitanias.
 
A curiosidade adveio de dias depois, quando em debate no CHANDON com o qualícato Conde de Altamira Queluz em função do atual status jurídico do Reino Unido dos Açores, o próprio Barão de Castello-Branco conclamou os açorianos para se decidirem quanto a vice-reino ou Estado autônomo, declarando previamente que aprovava desde já a transformação de Açores em vice-reino. Ainda não se sabe a origem da resistência de Azambuja especificamente quanto a Maurício, mas supõe-se que seja derivado dos movimentos conturbados de 2009, embora não estivesse ele presente no Império à época.
 
As articulações em torno da reabertura de Maurício contam com uma disputa acirrada no Egrégio Conselho Imperial de Estado. Enquanto a liderança do movimento dispensa-se por reuniãos não presentes no Conselho Imperial, o movimento contrário pode ter sua liderança imputada ao conselheiro Azambuja, Barão de Castello-Branco, conhecido pelas posições políticas rígidas e imutáveis notadamente contra a descentralização da atividade política no Império.
 
A proposta ainda não foi colocada em pauta para ser prontamente debatida pelos conselheiros imperiais de Sua Majestade. Buscado pela redação do Arauto, o presidente do Egrégio Conselho Imperial de Estado informou que a proposta viria em sessão próxima, mas que seria aguardada para a apresentação de projetos específicos. Questionado a respeito, informou que o Regimento Interno da Casa não obriga o presidente a seguir ordem cronológica de apresentação das propostas, mas que disporá da proposta de reativação de Maurício entre os primeiros da próxima sessão, desde que os líderes partidários assim solicitem.
 
A “Questão Mauritana” já está a agregar micronacionalistas antigos em retorno ao Império. Os embates no Egrégio Conselho Imperial de Estado definirão o futuro de todos eles, inclusive se a opção será pela dispersão ou inclusão.
 
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E M   S E G U I D A
 
“Tamanha riqueza histórica, carregada de tradições que remontam a quase uma década, dão subsídio valoroso para que novas páginas na história de Mauritius sejam escritas. Nós, amantes da ilhota mauritana, de suas tradições feudais, casas regentes e demais especificidades estamos dispostos a trabalhar exatamente nesse sentido. Novas páginas na história mauritana e reuniã devem ser redigidas por aqueles que vêem no Vice-Reino a sua casa nesse vasto império.” – Rodrigo Mariano, em carta ao Imperador.
 
“A Reativação de todas as unidades do império deve ser sempre o objetivo dessa casa e de todos os cidadãos de Reunião.” – conselheiro imperial Conde de Tavares Lira, no plenário do Egrégio.
 
“Pessoalmente, e entendo quem pensa de forma diferente, eu acho que deveríamos neste momento valorizar as nossas históricas capitanias. Valorizar os valorosos esforços dos Capitães Donatários em ativar suas capitanias. Se formos abrir territórios, vice-reinos estaremos diluindo uma atividade que poderia ser concentrada nas nossas capitanias que lutam gloriosamente para reativação.” – conselheiro imperial Barão de Castello Branco, presidente do Egrégio, no plenário da Casa, desconhecendo a historicidade de Maurício.
 
“Apenas aparentemente, honorável [a unanimidade em torno de Maurício]. Vamos ver o que o futuro reserva sobre tal assunto.” – conselheiro Conde de Menezes Côrtes, mantendo mistério cenográfico sobre sua posição a respeito.
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E D I T O R I A L
A NECESSIDADE DA NOVA DIREITA
Como a ausência de posições principiologicas firmas do PIGD impõe uma nova Direita reuniã sob a ARENA
 
 
Desde os últimos suspiros de uma Era de efervescência política, a Direita reuniã reside unicamente nos quadros do Partido Imperial pela Glória da Dinastia, o PIGD, no qual estão incluídos todos aqueles que sustentam o tradicionalismo e conservadorismo do projeto de micronacionalismo reunião. Sustentados ideologicamente a partir de breves mensagens do próprio Imperador na defesa dos históricos mecanismos políticos e burocráticos do Império, os políticos do PIGD, no entanto, não guardam mais nenhuma semelhança entre si.
 
Mais do que isso, a existência do Partido pela Glória da Dinastia hoje resume-se ao óbvio: defender o Imperador e sua autoridade, o que, tanto por dever de cidadania quanto por compromisso moral, todo reunião está incumbido de o fazer. Os recentes debates em CHANDON demonstram mais do que apenas uma fragilidade de princípios mais profundos da parte do PIGD; suas principais lideranças disputam publicamente idéias fundamentais a respeito de projetos estratégicos do Império. O exemplo da semana ficou com a contenda  entre o Barão de Castelo Branco, presidente do Egrégio Conselho Imperial de Estado, e o qualícato Conde de Altamira Queluz, a respeito do Reino Unido de Açores e a posição que os açorianos guardam enquanto reuniãos.
 
A recente Emenda Constitucional aprovada pelo Egrégio Conselho Imperial de Estado, que diminui a qualidade de cidadania dos açorianos enquanto aquela micronação permanecer na qualidade de Estado Protetorado, e não vice-reino reunião, parece advogar contra um dos principais personagens do PIGD. O Conde de Altamira Queluz, que também é açoriano, esteve entre os mais relevantes líderes contra a crise de atividade ainda há poucos meses.
 
Nesse ambiente, a chegada de F. Sales e T. Melloni e a imediata adesão destes a então sonolenta ARENA pode trazer posições novas e mais profundas para o tradicionalismo reunião, recheado, no entanto, de um pragmatismo que torna bem sucedido os projetos micronacionais atentos as realidades antes que elas efetivamente se precipitem a frente de nós. Somados ao conselheiro Conde de Juscelino Kubitschek, ao qualícato Barão de Gavião Peixoto e o recém ingresso reunião Luiz Felipe Baratella, a ARENA reassume neste momento o papel do tradicionalismo reunião amparado no pragmatismo político necessário para que a Gloriosa Revolução alcance os efeitos sólidos desejados.
 
Mais do que isso, a ARENA deve se posicionar no cenário político reunião sob o lema do eterno Thomas Jefferson: “o preço da liberdade é a eterna vigilância.” Se de um lado o Imperador é a autoridade indiscutível e absoluta no Império, todas os demais Poderes constituídos são exercidos por súditos que existem a margem da infalibilidade do Imperador. Deve a Nova Direita estar sensível ao fato de que o micronacionalismo reunião é exercido politicamente através de uma rede intrincada de autoridades que devem se submeter a lei tanto quanto ao Imperador, já que a primeira deriva do segundo, e que a preservação das tradições e estruturas reuniãs se deve em função dos reuniãos e pela existência de Reunião, e não intrinsecamente em si enquanto objeto de si mesmo.
 
A nova ARENA ressurge no cenário político reunião com diversos desafios, mas nenhum viciada pelo experimentalismo de conservadorismo cru e destemperado. Neste sentido, o movimento arenista não é conservador, mas sim Tradicionalista. Apegado as tradições reuniãs, não ignora que elas possam ser ligeiramente modificadas ao longo do tempo, pelo próprio movimento da sociedade reuniã, desde que mantenham sua essência vital e identidade referencial. De outro lado, não pode ser progressista ou arrisca tudo no rompante de iniciativas experimentais irresponsáveis.
 
Esse deve ser o compromisso dos arenistas em diante.
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R Á P I D A S
 
∞ O Egrégio Conselho Imperial de Estado aprovou duas Emendas Constitucionais, com Cumpra-Se do Poder Moderador, restaurando o antigo modelo da máquina judiciária reuniã. A partir de hoje, existem um desembargador imperial e dois juízes imperiais sob sua supervisão. Espera-se que o Poder Moderador mantenha na alta direção do Judiciário o único desembargador imperial remanescente desde a crise com o Egrégio, o Visconde de Guimarães Rosa, que tem prestado grande serviço ao Império.
 
∞ Reunião continua com dificuldades de explicar aos recém chegados que não estamos brincando de casinha.
 
∞ O trabalho realizado pelo Visconde de Areia Branca junto a fronteira reuniã é louvável. Aliás, há bastante tempo não vejo o ingresso de tantos novos micronacionalistas reiteradamente. Alguém deve ser responsabilizado positivamente por esse trabalho de marketing e propaganda excepcional que estamos fazendo.
 
∞ Seria o Estado de Badakhshan a nova tentativa malê de Arthur Rodrigues?
 
∞ Fato inequívoco: a Igreja Micronacional não faz a menor idéia de qual o seu papel no micronacionalismo. Nisso há consenso entre direitistas e esquerdistas reuniãos.
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JORNAL O ARAUTO
A IMPRENSA DO VERDADEIRO MICRONACIONALISMO
 
EXPEDIENTE
 
EDITOR
Barão de Murta-Ribeiro
“JE MAINTIENDRAI”
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