Jornal O ARAUTO – Número 03

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SACRO IMPÉRIO DE REUNIÃO • VICE-REINO DE MAURÍCIO • LIANIA
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TERÇA-FEIRA, 21 DE ABRIL DE 2015 • ANO I • NÚMERO 03
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E D I T O R I A L
 
 
O QUE SOBROU DA LUSOFONIA
Os cacos de um solitário canto do mundo micronacional
 
Foi-se o tempo em que o micronacionalismo falante da língua portuguesa era plural. Essa heterogeneidade, surgida em 1997, a partir do momento em que Reunião passa a ocupar espaço na lusofonia junto a falecida Porto Claro, foi auxiliado nos anos seguintes com a pulverização de micronações diversas oriundas dessas duas originais, verdadeiras plataformas da micronacionalidade lusófona.
 
Ao final da década de 90, a lusofonia já contava com uma infinidade de semi-micronações, ora meras cópias de Reunião e Porto Claro, ora projetos que sequer tiveram a competência de copiar adequadamente a prática do verdadeiro micronacionalismo. Dezenas de nomes surgiram e desapareceram nos anos seguintes como se jamais tivessem existido, senão para o abastecimento precário da vaidade de fundadores sem a visão do que se trata – e como funciona – efetivamente o micronacionalismo. 
 
Marajó, Mallorca, Avalon, Aquitânia, Sinon, Atlas, Campos Bastos, Havana, Hibérnia, Normandia… todos esses são nomes absolutamente desconhecidos para um recém chegado ao micronacionalismo de 2015 que não se debruce sobre arquivos históricos ainda existentes. Não é por acaso: o legado deixado na lusofonia se restringiu a idéias contadas nas mãos. Poucas foram realmente as iniciativas que reuniram mais do que 30 micronacionalistas ativos simultaneamente, e essa fragilidade eventualmente provocou o colapso da pluralidade existente no passado. Reunião permanece sozinha como único esforço sólido de micronacionalidade perene.
 
Se de um lado a falecida República de Porto Claro deu o primeiro passo na construção da lusofonia, o que foi completado e superado pelo Sacro Império de Reunião, raras outras iniciativas fomentaram algo novo ou depositaram novo bloco definitivo a edificação histórica e cultural do micronacionalismo lusófono. 
 
Mas o declínio e posterior extinção de Porto Claro deixou um vácuo na pluralidade na lusofonia. Sem concorrente real que pudesse criar um ambiente externo aos seus próprios quadros, Reunião se fechou nas suas relações diplomáticas com as demais micronações lusófonas, lançando esforços pontualmente em casos em que julgava ser imprescindível. Não pode ser censurada: a solidão de quem está acompanhado por iniciativas que não se completam, não mantém atividade real duradoura e não consegue promover algo a mais além de tudo o que já foi apresentado pela sociedade reuniã, inevitavelmente provoca um certo espírito taciturno.
 
O problema está efetivamente em fundações. Micronações surgiram e desapareceram porque não foram criadas sobre Fundações, mas apenas a partir de um conjunto de idéias e modus operandi efêmeros e plagiados de tudo aquilo que veio antes. A fundação, do contrário, é verdadeira base histórico-cultural, plataforma abstrata que ampara a vida, e não sobre-vida, e de certa maneira revolucionária, sobre a qual um verdadeiro projeto se sustenta integralmente e torna-se algo substancial e definitivo ao longo da história, ainda que eventualmente pereça, como foi o caso de Porto Claro e Pasárgada.
 
Cessado o sopro de vida da extinta Porto Claro, o momento gerado pelo surgimento e efervescência da Comunidade Livre de Pasárgada, que efetivamente rivalizou com a sociedade reuniã durante certo período, finalmente chegou ao fim há poucos anos, e Reunião encontra-se solitária desde então. 
 
Aqueles que ainda se aventuram sobre projetos novos ou sobreviventes, se efetivamente tem o tempo e espírito necessários, precisam estar com os pensamentos alinhados a isso: fundações.
 
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P O L Í T I C A
 
 
O PARLAMENTARISMO E SUAS TESES
Como circula nos bastidores da política reuniã a tentativa de anglicanização da APQ
 
Saint-Denis. O debate sobre modificações no mecanismo eleitoral e político-partidário que ampara o sistema eletivo e o Governo reunião, segue com a proposta-base de que uma anglicanização do parlamento representativo reunião. O conjunto de opiniões circulantes a respeito parecem ter um consenso quanto ao que deve ser promovido: a Assembléia Popular de Qualícatos deve ser dotada de maiores poderes e deixar de ser casa de “cumpra-se” do Governo. Para isso, os poderes do Premier devem encolher e a estrutura jurídica deve o submeter definitivamente e absolutamente aos Qualícatos, a semelhança – em aspecto superficial – do que ocorre no sistema político inglês.
 
Os elementos da “Reforma Parlamentarista” – como vem sendo chamada – ainda não são, no entanto, claros para todos os seus debatedores. Enquanto parte dos articulares tenta promover a deliberação de emenda inicial, que visa engrandecer os Qualícatos e subordinar o Governo aos parlamentares, outra parte mantém os mesmos esforços para que o “voto regional” seja discutido simultaneamente.
 
Os debates iniciais que resultaram na proposta Parlamentarista apresentada no Egrégio Conselho Imperial de Estado no último dia 16 vieram na mesma esteira das idéias de que a composição da Assembléia Popular de Qualícatos deve se dar por representantes eleitos nacionalmente, e por aqueles que venham a ser sufragados internamente em cada Capitania e Vice-Reino do Império.
 
A idéia das cadeiras representativas eleitas regionalmente, todavia, ainda encontra alguns obstáculos: os idealizadores divergem quanto a proporcionalidade entre as nacionais e as regionais, aos métodos de eleição, e a eventual necessidade de que a região a eleger seus representantes seja ativa ou não, e em sendo, qual o critério a ser utilizado para se medir essa atividade.
 
Independentemente disso, a proposta já apresentada no Egrégio parece não se opor as idéia do voto regional, de forma que andam simultaneamente. O projeto da “emenda parlamentarista” gira em torno dos seguintes vetores: (a) a submissão definitiva do premier, e via de consequência, do Governo, à Assembleia Popular de Qualícatos de forma que seja mera extensão desta última, aos moldes parlamentaristas clássicos; (b) a extinção das competências legislativas do premier, de forma que as leis tenham de ser debatidas e aprovadas pelos parlamentares, e não meramente referendadas por eles; (c) a consolidação de competências exclusivas da Assembleia, de modo que os partidos tenham de se organizar através de seus qualícatos, e não simplesmente os suplantando no Egrégio Conselho Imperial de Estado; (d) a extinção de mandatos fixos do premier, de forma que o partido ou coligação majoritária tenha de se manter nesta condição para manter o Governo.
 
A proposta de AMN em curso no Egrégio ainda será posta a discussão pelo presidente da Casa, o Visconde de Menezes Cortes (PacSo), o que se espera para a próxima Sessão a ser convocada.
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R Á P I D A S
 
 
∞  O Chanceler Imperial respondeu à altura e com a classe digna de um estadista os discursos de péssima habilidade, infantis e insossos que o representante do Reino “RUPA” proferiu na Liga das Micronações. O Arauto se junta aos votos do Chanceler Imperial: “aos nobres representantes do Reino Unido de Portugal e Algarves, meus votos de que a onda de desânimo e derrotismo passe sem demora.” E acrescentamos: aos que são espiritualmente derrotados, abandonem o recalque, seja ele freudiano ou waleskiano.
 
∞   Rodrigo Mariano é o novo Vice-Rei de Maurício, depois da reativação desta unidade aprovada pelo Egrégio Conselho Imperial de Estado. A Ordenação Gloriosa expedida pelo Lorde Protetor do Império já provocou o início da onda de migração de reuniãos para as terras mauritanas.
 
∞   O Egrégio Conselho Imperial de Estado vive momentos de disputa para definição das alas de comando sobre a Câmara Alta. Definida a presidência sob o pacsista Visconde de Menezes Cortes, os conselheiros agora disputam a Primeira-Secretaria. Pelo PSD, se candidatou o Marquês de Nunes Henrique, enquanto o Barão de Herval-Wilson foi indicado pelo PIGD. Na Comissão de Ética, a ARENA indicou o Barão de Murta-Ribeiro, enquanto o PIGD o Visconde de Nilópolis. Até o fechamento dessa edição, nenhum dos partidos da Esquerda apresentou indicação para a terceira vaga da Comissão de Ética.
 
∞    O PIGD indicou Gabriel Bertochi para substituir o qualícato Visconde de Altamira Queluz na Assembléia Popular de Qualícatos. A mudança, que retira da vida pública um dos mais notórios micronacionalistas reuniãos, parece atender ao recente impedimento de que reuno-açorianos participem de cargos eletivos. Longe de prematuramente criticarmos o mandato do Sr. Bertochi, manifestamos nossa tristeza de que o medo e a covardia com que tratam Açores hoje retire pessoas tão gabaritadas da vida pública do Império.
 
∞   O arenista Alexandre Carvalho retornou ao Império com o mesmo espírito edificador que lhe caracterizou há anos atrás. Mal chegou e já se encontra absolutamente inteirado no cenário político e social. Não bastasse isso, já assumiu o Instituto Histórico Reunião e já nos brinda com suas emblemáticas estatísticas.
 
∞   A Arquidiocese Metropolitana de Reunião indultou o Pe. João Santana para que permaneça nas suas atividade políticas e, via de consequência, possa continuar o trabalho como Premier do Império. A Igreja Católica Micronacional pode vedar a que seus sacerdotes participem da vida política conforme decisão de cada autoridade eclesiástica. Preocupante que exista uma entidade no micronacionalismo que limite a participação de micronacionalistas ao que mais o caracteriza.
 
∞   Rafael Lima Silva é o mais novo reunião agora afastado da vida política do Império pela monstruosa e aberrante restrição imposta pelo Egrégio Conselho Imperial de Estado de que açorianos não possam se votar ou serem votados, nem chefiar Poderes do Império. Estamos basicamente limitando a nós mesmos quanto a potenciais políticos disponíveis e atuantes.
 
∞   O Desembargador Imperial Visconde de Castello-Branco constitui mais um instituto histórico-cultural: dessa vez destinado a manter a história da gestão do ex-premier André Giserman. Que a Fundação Histórica Premier André Giserman de Tomás Coelho tenha vida longa. Parabenizamos e torcemos pelos melhores frutos das iniciativas de guarda da História intentadas pelo Desembargador Castello-Branco.
 
∞   A Assembléia Popular de Qualícatos delibera sobre eventual censura ao Poder Judiciário em virtude de julgamento de um de seus pares em condições consideradas inadequadas. O Arauto é firmemente contra qualquer manipulação política da prestação jurisdicional: se há controvérsia no julgado, que se recorra!
 
∞   O Barão de Nilópolis definitivamente vem afundando sua reputação e história com o novo personagem que encarnou desde que retornou a Reunião. É uma pena. Personagens são sempre menos interessantes do que as pessoas que realmente os interpretam.
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JORNAL O ARAUTO
A IMPRENSA DO VERDADEIRO MICRONACIONALISMO
 
EXPEDIENTE
 
EDITOR
Barão de Murta-Ribeiro
“JE MAINTIENDRAI”
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