Chá, Conversa e MONTENERO Nº 9 | 16 de Julho 2009

 Chá, Conversa e Montenero

http://chamontenero.blogspot.com

Nº 9 | 16 de Julho 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Principado de Mônaco

 

Qual o ponto de correspondência entre Hinduísmo, Chá e Reunião? À princípio o único ponto de encontro é nossa revista que reúne uma boa xícara de chá, um bom papo hinduísta com a Imperatriz do Sacro Império Reunião, simpática à religião das Índias.

Mas as convergências vão além disso! Na Índia, o hábito do chá foi introduzido pelos ingleses que, na ânsia de aumentar seu mercado, distribuiu gratuitamente a bebida. Logo o chá ganhava ingredientes próprios e incorporava-se à cultura da Índia.

Assim também o micro-nacionalismo reunião, inspirado nos matizes anglófonos, misturou seus próprios ingredientes nessa viciante bebida. Isso fica patente quando conversamos com a Imperatriz Roberta de Castro Bourbon, uma figura que representa bem o Sacro Império. 

Forte, impactante e sui generis, o Sacro Império traz um bônus e um ônus que caberia numa simples reflexão sob figura de uma pergunta: “Pode um micro-nacionalista reunião manter-se ativo durante todo o tempo ou é salutar que ele tenha um tempo sabático?”

Deve – todo o micro-nacionalista – perguntar-se sobre o tempo atual para saber o tempo futuro. Outra coisa não é tão necessária quanto saber o que circunda o micro-nacionalismo e isso poderemos encontrar nesta edição de Chá, Conversa e MONTENERO, que traz uma exclusiva com a Imperatriz que retorna com força, graça e acidez às atividades imperiais.

Na coluna Officielle, Nuno traz à nossa atenção um balanço do mês de Junho apontando caminhos e críticas para a mídia reuniã. De Soslaio, Marcelo Brunella dá a panorâmica de sua visão sobre o mundico.

Nesta edição consideramos ainda o “IDEOLÓGICO E IDEOLOGIZANTE” sócio-culturalismo, na coluna Blink tudo isso ao sabor do delicioso Masala Chai. Então, boa leitura e Om shanti! Namastê!

D. Fabianno Montenero C. de Monte-Real e Pacífica

Editor

Chá

O Masala Chai é uma bebida da Índia composta de chás com uma mistura aromática de especiarias indianas e ervas. Não há uma receita universal ou um método próprio de preparo, o que faz o chá variar de paladar de acordo com a preferência. Contudo, o Masala tem seus componentes básicos: Chá, açúcar leite e especiarias. Comumente usam-se cardamomo, cravo, canela, gengibre, anis estrelado e pimenta em grão o que potencializa a ação benéfica do chá:

O Cardamomo ajuda a aliviar problemas digestivos;

O cravo ajuda a revigora o corpo e traz alívio às constipações;

A Canela ajuda a reduzir a pressão arterial, reduzir dores e febres, aliviar os sintomas de indigestões, náuseas, gases e azia. Ela também pode ajudar com cólicas menstruais.

O aroma forte e intenso das especiarias misturadas produzem um efeito calmante e quente para o corpo, tornando difícil de resistir a uma segunda xícara. Mas atenção: o sabor picante é nota dada pelo gengibre, por tanto é bom dosar o gengibre se não apetecer algo mais picante.

Em Saint Denis as atrapalhadas dos conselheiros imperiais, em Beatriz um premier como Dom Sebastião,em São Herculano,os Patrícios que se deram bem em um hercúleo trabalho,em Izabella, Conservatória, Le Port, Straussia, Mauritius ninguém sabe o que se passa.

Vamos começar falar de Saint Denis, os Conselheiros Imperiais vivem em processos uns contra os outros, mas de fato nós o povão ou a prole (como preferir chamar) ficamos sem saber de fato o que acontece,sabemos apenas que o Rabino Ithzaak convida a todos,mas quem de fato vai? Vamos lá pessoal, vamos cumprir com o nosso trabalho de povo, pova ou povão em saber o que está ocorrendo em nosso império, fica a dica dada.

Politicamente falando, que diabos ocorre na APQ? Como Lucas de Baqueiro o Cidadão da OG, sempre mal falado pelos becos e bares no império conseguiu ser Líder do Moderador? Bom lá vai mais uma pergunta que não quer calar, como? Enquanto isto vamos vendo seus trabalhos até agora apresentou um projeto de lei em qual não podemos falar que foi mal elaborado e sim pelo contrário,apenas acho que deveria ser debatido melhor com seus companheiros não só de partido como de casa legislativa,meus parabéns pelo trabalho empenhado “Seu Doutô” Baqueiro apenas esperamos que com sua língua pare de ser preconceituoso.

Nas Capitanias, Vice-Reinos, Protetorados O CAOS, o Caos ora por causa de falta de vontade de seus dirigentes e outras por cooptações ou senão de falta de vontade, pois afinal, todo mundo fica em Chandon onde todo império vê para ficar puxando saco para ver se ascende, no Império a Meritocracia deveria ser diferente, os Puxa Sacos não mas os que realmente trabalham no Alicerce do Império (que está a Deus Dará),bom monsieurs et madames vamos trabalhar nas capitanias?! Que mal tem? O Máximo que pode acontecer é Chandon das 3000 mensagens por mês ficar com 1000 ou 2500 mensagens por mês.

Chandon não é importante e sim fazer micro-nacionalismo… nas regiões,os alicerces do Império.

Agora vamos falar novamente de Beatriz, onde todos os olhos se encontram esperando que no Magistral o Premier que tem uma expectativa de Dom Sebastião mesclado com Barack Obama. Bom, O Premier está com uma equipe incrível tem trabalhado pessoalmente pouco (oras pois, pois ele é super capaz ele atua nos bastidores) aos olhos do povo,o Premier precisa aparecer para o povo e não somente ficar na labuta nos Bastidores,ai está minha gente,dá esta sensação de inatividade mas não está,bom Premier Miranda apareça mais na Sacada do Palácio Magistral como Perón,ai o povo para de Reclamar.

 

No “Istrangero”

RUPA: É Isso mesmo RUPA está agora com um site belíssimo e lindíssimo só que a política externa entre o Império das Mascarenhas e a terra de Camões vai de mal a pior principalmente agora com o ato de beligerância e a redentora revolução em PCO.

Justificável ou não, apenas eu pessoalmente espero com minha experiência como Diplomata na “Chancela” do Império das Mascarenhas, RUPA + RE = Amizade Muito Mais que frutífera para a Lusofonia, ambos têm muito que aprender um com o outro, El-Rei Jorginho e Impá Crá! Sentem num Boteco, e comecem a discutir a relação e cheguem a uma paz, vai ser bom para todos nós, lá tanto mar em Portugal como a cá mar em Reunião.

Ortence: Olha, Mademoiselle Juliana, meus parabéns por conseguir manter a Ordem Pública em seu reino que eu acompanhei na fundação e vi que vossa majestade gerou este “filho” com muito orgulho e sofrendo preconceitos por ser digamos “novata” na hora que criou.

Com todo o carinho no fundo do coração, lhe desejo boa sorte na empreitada da legalidade

P.S.: A Casa Real Serpa, favor não levar a mal meus comentários.

Teutebumi: é uma micro-nação nova, de culturas já formadas (não é RPG!). Ainda está em formação apenas desejamos que esse novo filhinho da Lusofonia tome “Biotônico Fontoura” e cresça pra ficar fortinho para enfrentar este mundo de “dragões” (No Virtualism Man!) que é o Micro-nacionalismo.

República de Porto Claro (no Desterro): Pra vocês apenas: “MIMIMIMIMIMIMI” Micro-nacionalismo não é brincar com índio sodomita, aprendam! Respeito alguns como Deoclécio Galvão e outros, mas o resto: voltem a brincar com sodomitas!

República Aristocrática de Porto Claro: Sr. Ferdinand e Sr. Aron, vocês estão conseguindo colocar aquilo que o Imperador Claudio contou-nos há um tempo, colocar novamente de fato o valor “Porto Claro Way” acho que está indo tudo bem por ora,estão colocando ordem “no barraco”,espero que aquela Porto Claro anterior que parecia um “Forro Risca Faca” nunca mais volte a aparecer.

Matilda: Bom, eles tem um ótimo projeto,só precisa tocarem de verdade.

 

Por M.Marcelo Brunella Aziz Jorge

Visconde de Marques Lisboa

Diplomata da Chancelaria Imperial, Especialista em Micro-nações Orkutianas e Qualicato por 5 Legislaturas e Empreendedor nos Ne gócios Virtualistas.

IDEOLÓGICO E IDEOLOGIZANTE

Não resta dúvida de que apresentar a corrente micropatriológica seja o escopo do periódico “O Socioculturalista”, contudo, lançamos a questão: Também não existira a intenção ideologizante? Ou, de outro modo, diríamos “O Socioculturalista” tem a intenção de apresentar uma tese, mas ao mesmo tempo de inculcar essa tese no ambiente micro-nacional.  Alguns podem pensar que se trata de uma resposta óbvia. Contudo, no óbvio residem as dúvidas!

Claro está que não se trata de crime e nem fere a moralidade o fato de o panfleto ser ideológico e ideologizante. À bem da verdade, tudo já fica bem claro desde as primeiras linhas: “O SOCIOCULTURALISTA defenderá explicitamente uma idéia em seu editorial – é ideário!”.

A intenção não fica obscurecida ou camuflada, ao contrário, “Como todo opinião fruto do intelecto humano, os artigos deste panfleto serão sim parciais e suas opiniões serão de responsabilidade de seus autores ou, quando no Editorial, da própria instituição”. É como se disséssemos que o socioculturalismo tem nome e endereço, sabemos de onde partem as idéias e para onde vão.

Seria dispensável dizer que toda ideologia parte de um pensador – circunstanciado por sua história e por suas percepções, mesmo que influenciado por outrem. Talvez, exatamente por causa dos nomes pensadores da doutrina, a Micro Igreja Católica tenha se colocado em posição de desconfiança. Cabe passar em revista, de forma lacônica, o curriculum vitae desses pensadores e saber o “endereço e remetente” de tais formulações.

 

(CONTINUA)

Por Nuno Coelho

 


Junho foi um mês de muitas reviravoltas, muitos debates, pouca imprensa e muitos manifestos.

Sim, se formos fazer um balanço do mês de junho, estes são os nossos protagonistas.

Teve o manifesto da esquerda, o manifesto da direita, o manifesto do governo…

Todos se manifestando, o que, aliás, chega a ser tão interessante quanto a imprensa usual.

Num mês em que Reunião foi acusada de tudo que se pode imaginar, também foi acusada sua mídia, apontada como ineficiente.

Aqui cabe a reflexão: 34 é o número de periódicos registrados, divulgados em lista recente. Entre eles, os sempre presentes “Comédias”, “Labareda”, “Telégrafo”, “O Corredor”, “O Cometa”, este em que escrevemos agora e outros, em meio a vários outros periódicos que não se vê faz tempo. Infelizmente, a inconstância ronda a mídia reuniã.

Mas vamos com calma, ainda está bem longe de estarem próximas da verdade, as críticas que fazem por aí fora.

A maior prova disso é a capacidade da Imprensa Reuniã de se reinventar e inovar. Algo me diz que em breve teremos uma revista sobre cinema, um grande passo para nossa cultura. Um passarinho também me contou            que vem uma nova edição do Mundico News por aí.

Bom, chegou a hora mais legal dessa coluna, vamos dar o “quem irrita” e o “quem é legal” de hoje!

É com alegria que eu dou o “quem é legal” para uma publicação nova, que merece esse reconhecimento, pois já mostrou que não está pra brincadeira.

Com um twitter recheado de notícias atualizadas e boas idéias como “O botequim” e seções criativas tais como o “Hoje na história”, “O Paiz” desponta como uma grande promessa, só nos resta esperar que essa promessa se cumpra. Continue com ela Brunella!

Quer saber de uma coisa? Hoje está um dia ensolarado, acabei de comer um chocolate… Vai ter mais “quem é legal” nesta edição, a segunda homenagem, vai para a “Lusophonia”, que nos últimos tempos mandou a inconstância pra passear e tem publicado artigos com uma freqüência louvável. Ficam aqui os parabéns desse colunista à Filipe Oliveira e seus excelentes textos.

Agora, vamos pro “quem irrita”. E quem ganha o nosso troféu abacaxi é a “Imprensa livre”. Além de ser palco de mensagens pornográficas, spans, censura e similares, a Imprensa Livre mostrou que também pode ser uma torneirinha de asneiras, como diria o saudoso Moteiro Lobato.

Figuram entre essas “asneiras” a torrente de impropérios que se deu, além das inúmeras grosserias proferidas contra nós e nosso casal imperial.

Fica aqui um recado para a Imperatriz, é possível divertir-se com o que acontece na Imprensa Livre, mas fizeste muito bem em deixá-la.

É isso. Voltamos no próximo chá ou a qualquer momento com os comentários e notícias exclusivas sobre o que acontece na mídia de Reunião.

Foto oficial da Imperatriz

Romerta de Castro Bourbon

É uma linda noite e nós estamos aqui num chá.

À mesa conosco está ela: Linda, Magra e Imperatriz, Roberta de Castro Bourbon.

Boa noite, imperatriz

 

Imperatriz

Boa noite, meu querido Fabianno! Boa noite, queridos súditos! Om shanti! Namastê!

Faltou o “loura”, hein?

 

Montenero

Certamente, e LOURÍSSIMA!

Sua figura em Reunião sempre foi cercada de mistério. Muitos a achavam mais uma das personalidades múltiplas de Claudio de Castro. Até que resolveu sair do santuário onde habita e estar entre os súditos.

A que se deveu sua presença, de um tempo pra cá mais constante, em CHANDON e no Salão Rectangular?

 

Imperatriz

No passado, eu era extremamente ativa em Reunião, no Poder Judiciário. Passei de Juíza a Desembargadora não por ser a esposa do Imperador, mas porque eu, de fato, tinha boas habilidades jurídicas. Estava em plena faculdade de Direito na PUC-RJ e elaborar aquelas sentenças e pareceres me parecia extremamente gratificante. Eu poderia colocar em prática, nem que fosse uma prática virtual, aquilo que aprendia em sala de aula.

Eu levava a sério o que eu fazia. Caprichava na minha “profissão” de Desembargadora, porém eu sempre achava que não era reconhecida, em especial, quando muitos súditos diziam que era o Imperador quem escrevia minhas sentenças e pareceres. Tinham certeza que ele se fazia passar por mim para controlar o Judiciário. E o pior de tudo é que muitos destes súditos que falavam esse verdadeiro absurdo me conheciam PESSOALMENTE, sabiam que eu não era um “paple”.

Porém, mais uma vez na minha vida eu sentia o “peso” de ser loura, magra etc. Eu não tinha uma aparência física de quem tivesse capacidade de fazer boas apresentações jurídicas.Eu teria que ser menos Barbie, menos magra, menos loura, menos patricinha para ser considerada uma mulher com cérebro.

Era inimaginável meu sofrimento em não ter meu trabalho micronacional reconhecido. Meu coração doía a cada vez que diziam que não era eu quem escrevia minhas sentenças e pareceres.

Eu passava um bom tempo do meu dia elaborando um bom serviço com bons textos bem escritos para depois falarem que era o Imperador o autor de tudo o que eu escrevia? Puxa vida, isso me devastava.

Obviamente, não diziam este absurdo cara a cara. Passava-se nos bastidores.

Depois de certo tempo não suportei mais essa atitude de alguns súditos e achei melhor para minha psiquê abandonar tudo. Ir embora do micro-nacionalismo. Eu não iria mudar minha aparência física para ter mais credibilidade. Só me restou baixar o pano e terminar o show.

Recolhi-me como uma pérola em uma ostra e assim permaneci por alguns anos.

Sempre recebi CHANDON em minha Caixa de Entrada e dava umas olhadelas.

 Neste ínterim em que fiquei afastada do micro-nacionalismo casei-me macro-nacionalmente com o Imperador (estamos casados há 5 anos) e não houve nenhum convidado que fosse participante do micro-nacionalismo. Nosso casamento contou com 300 convidados e nenhum deles era participante do micro-nacionalismo. Eu estava verdadeiramente divorciada do mundo virtual.

Até que…  Cláudio começou a me contar muitas coisas interessantes sobre os padres de Reunião (Padre Tarquino e Padre Fabianno). Dizia que eram pessoas maravilhosas e que eu deveria conhecê-los pessoalmente.

Depois de muito pensar, disse ao meu  marido: “Vamos fazer um encontro de Reunião à moda antiga para que eu conheça os novos rostos? Será que consigo me re-adaptar?

Aquela reunião de reuniãos que ocorreu em março foi idéia minha. Eu quis tentar re-acender a chama do micro-nacionalismo.

Queria mais uma vez poder em casa comentar com meu marido coisas engraçadas que se passam em Reunião. Comentar sobre os súditos.

Sempre foi divertido conversar sobre as pessoas de Reunião. E eu estava sentindo falta dessa parte em minha vida pregressa.

Fui ao encontro, vi pessoas novas, interessantes, educadas, uma nova safra de súditos não viciados com a idéia de que eu era uma FRAUDE.

Porque era isso que eu acabei me sentindo: UMA FRAUDE!

 

Montenero

Cérebro e bom humor é o que a imperatriz esbanja cotidianamente de vários modos. Do jocoso ao ácido, a senhora tem agradado a todos os súditos com suas participações. Hoje a Imperatriz tem um séquito que parece ser maior que o do imperador, como se sente no Império Reunião de hoje?

 

Imperatriz

Sinto-me muito bem. Não quero ter nenhuma função importante.

Quero seguir desta maneira jocosa, ácida, mas, ao mesmo tempo, carinhosa.

Sinto-me feliz por não ser mais considerada uma farsa

Em minhas mensagens transmito o que realmente sou. Uma mulher que embora magra, loura e patricinha consegue ter um humor um tanto ácido, um tanto negro (ou cinza purpurinado, como costumo dizer em minhas mensagens)

As mensagens que envio expressam minha personalidade. Acredito que ninguém pense que seja o Imperador que esteja a redigir meus textos. Eu e ele temos características bem distintas no modo como se apresentar em público. Se alguém pensa que eu sou ele e que ele escreve em meu nome, esse alguém deveria pegar um revólver, enfiar em sua própria boca e dar-se um tiro porque é burro por demais e insensível por demais.

 

Montenero

É verdade!

A imperatriz amealhou alguns fãs (eu entre eles). É verdade que ainda tem uma ceninha de ciúmes por parte do imperador pelo fato de estar tão popular?

 

Imperatriz

Não! Essa ceninha nunca houve. É uma “lenda urbana”. Ele faz o tipo de marido que gosta do sucesso da mulher que o acompanha. Ele gosta de ver que eu estou feliz em participar de algo que ele idealizou em sua adolescência.

 

Montenero

Quando lhe irritam as pessoas no micro-nacionalismo? Aquilo que lhe tiraria o sério e lhe faria ficar brava mesmo!

 

Imperatriz

Hoje em dia, nada me irrita, digamos assim. Entretanto, há algo de muito ruim que se passa em todos os aspectos da vida micro e macro-nacional. Colocar o fato da aparência física como um bom motivo para ofender.

O Imperador e tantos outros súditos estão com grande sobrepeso. Isso é uma fato. Só quem não é dotado de visão é que não percebe, porém, sem mais nem menos as pessoas são xingadas de gordas e de feias. Até parece que quem está a xingar e a magoar é alguma beldade. Mesmo que fosse a criatura mais bela do mundo não tem o direito de magoar o próximo. A questão feio/bonito e magro/gordo machuca.

 

Montenero

Hoje há uma personalidade atrás do título Imperatriz, alguém que é admirada. Mas sabemos que todo o lado tem dois lados. Existe alguém que se declarou desafeto a VSMI?

 

Imperatriz

 Nenhum súdito se declarou negativamente a mim, mas ninguém é unânime. Eu não sou unânime. Com certeza total, há pessoas que não gostam de mim e que devem considerar minhas mensagens ou ácidas demais ou pretensiosas demais. Porém esta é a vida, não posso agradar a gregos e troianos e, antes de tudo, devo dizer que a “unanimidade é burra”.

Em suma, estou pouco me importando o que acham de mim. Preocupar-me com isso é uma página virada em minha vida.

 

Montenero

Por suposto que sim! Já que tocamos “no que preocupa”, o que preocupa a Imperatriz Roberta no micro-nacionalismo?

 

Imperatriz

Na verdade, sei que bons e maus súditos sempre existirão. Gente boa e gente ruim há em qualquer atividade. No micro-nacionalismo há muita rotatividade.

O que de fato me preocupa é a falta de qualidade dos adolescentes e jovens da atualidade. Escrevem mal, se expressam mal e acham que o “internetês” é a língua oficial de quem está online. Meus olhos saltam das órbitas quando vejo os erros crassos de português, o assassinato a mais linda flor do Lácio, inculta e bela. Os jovens estão mais interessados em aprender a língua inglesa do que, antes de qualquer coisa, aprender de fato a língua mãe. Acredito que quem não sabe bem a língua que “mamãe ensinou” não deveria sequer cogitar em aprender qualquer outra.

 

Montenero

Às vezes sinto falta de uma participação feminina mais abrangente e forte em Reunião e no mundico em geral. Não digo um feminismo do tipo daquelas coisas caricaturadas que se vê entre as militantes, mas algo de fato… Eu diria… FEMININO. Como a imperatriz, que é tão feminina no seu modo de estar conosco, vê esse fenômeno? Como as mulheres de Reunião poderiam ser mais femininas e mais efetivas?

 

Imperatriz

Feminilidade é oposto de efetividade, infelizmente.

Ser feminina atrapalha. Os homens (no sentido de sexo masculino) que, até o presente momento, dominam o mundo vêem na feminilidade uma fraqueza. E, de fato, posso considerar que ser feminina demais implica em ser protegida por um homem, em ter uma figura masculina ao lado e isso nos enfraquece. Não posso ser hipócrita em dizer que as mulheres estão na frente, que elas estão no mesmo patamar masculino. Nós não estamos e não é por burrice feminina ou por incapacidade feminina e sim por anos e mais anos de “esmagamento” da figura da mulher. Fomos sempre consideradas as rainhas DO LAR. Apenas do lar. Um dia, acredito que isso se reverterá, porém, minhas esperanças são em longo prazo.

 

Montenero

 E por falar em lar… Do micro ao macro! Reunião afasta mais ou aproxima mais o casal imperial?

 

Imperatriz

O micro-nacionalismo afasta os casais em que uma das partes não participa da “brincadeira”, mas quando os dois participam acaba por aproximar. Quando eu participo, efetivamente, do mundico micro-nacional/esquizofrênico, nos tornamos mais próximos e com mais assunto. Entretanto, é necessário ter a “veia micro-nacional” para suportar participar deste mundo. Eu tenho esta veia. Eu sei que tenho. A maioria das mulheres não conseguiria estar casada e feliz com um “Imperador micro-nacional super-ativo”, porém, eu me adapto ao micro-nacionalismo e ,no fim das contas, acabo por apreciar bastante.

 

Montenero

A imperatriz é impaciente? Quando?

 

Imperatriz

Fui muito impaciente. Hoje treino a paciência e a tolerância.  No hinduísmo temos que esperar e tolerar. Temos que aceitar! Mas me torno impaciente quando há ofensas pessoais e uns magoando aos outros por causa de gordura/feiúra/burrice.

 

Montenero

A senhora diz que toda a unanimidade é burra. Certamente tem suas preferências no mundico. Quem seriam seus… “preferidos”?

 

Imperatriz

Por Ganesha!

Eu não poderia citar nomes. Claro que tenho meus preferidos. Não amo a todos. Não quero ser canonizada. Porém, isso é coisa que Impamãe não pode falar. Eu odeio uns magoando aos outros e se eu citasse nomes específicos estaria magoando aqueles que não foram citados.

 

Montenero

Ainda falta muito pra Reunião ser o EL DOURADO do micro-nacionalismo, mas já é grande e tradicional. Como vê as possibilidades de Reunião hoje no panorama político social do micro-nacionalismo?

 

Imperatriz

Sabe, Fabianno, eu vivo apenas em Reunião. Acredito que nosso país seja um dos melhores do micro-mundo. Com certeza, um dos mais divertidos com mais gente integrada, porém não posso dar uma opinião abalizada sobre isso. Eu retornei à atividade há pouco tempo e, para falar a verdade, não estou muito preocupada se Reunião está “abafando” no panorama micro-nacional. Quero que aqui dentro do país haja pessoas de qualidade com cujo convívio seja interessante e engrandecedor.

 

Montenero

Perfeito! Parece centrado preocupar-se com como as pessoas se sentem entre nós. Às vezes nos preocupamos como as pessoas nos vêem e isso acaba nos tirando de nosso objetivo. Creio que a alegria de ser reunião é mais gostosa do que a alegria de ser visto como reunião.

 

Imperatriz

Quando nos interessamos no que os outros estão pensando de nós acabamos por agir conforme a maioria deseja e deixamos de ser autênticos exclusivamente para agradar a uma maioria que sempre irá pelas costas nos criticar nunca agradamos a todos e nunca agradaremos. As pessoas têm gostos próprios.  O que eu acho bom, bonito e interessante outro pode achar uma imensa porcaria.

 

Montenero

E se sentimos que agradamos, é uma máxima minha, é que algo parece errado!

 

Imperatriz

Exato! Quando estamos agradando demais é porque estamos rodeados de aduladores.

 

Montenero

Hoje está em voga a licitude dos debates religiosos em listas nacionais. Sobre seu lado religioso, como é sua experiência religiosa e como isso lhe ajuda enquanto pessoa? O debate religioso em CHANDON poderia fazer de outras vidas melhores?

 

Imperatriz

A minha experiência religiosa em termos de hinduísmo está intimamente ligada à minha prática do Yoga. Eu sempre sofri de forte ansiedade e, nos últimos tempos, resolvi que queria me “curar” deste mal.  O Yoga é uma das vertentes desta minha cura pessoal.

O debate religioso torna Chandon maçante. Muitos não querem ficar lendo o que a Bíblia disse ou como essa ou aquela religião a interpreta. Se quiserem discutir religião no sentido puro da palavra dever-se-ia construir uma lista para tal finalidade.

 

 Montenero

Da religião para a mesa. O que esperar no próximo MEGA ENCONTRO?

 

Imperatriz

Tudo de muito bom. Muita alegria, muitas gargalhadas, muito entrosamento, muitas conversas e discordâncias políticas. E, até mesmo, alguma paquera. Afinal, tenho súditos que estão pegando “papel na ventania”. O encontro cara a cara serve, em especial, para termos em mente que este nosso hobby não é meramente virtual. Somos pessoas ativas macro-nacionalmente e não um bando de “nerds” alucinados que só pensam em computação e heavy metal.

O encontro gera ótimos frutos, intensifica as amizades, estreita laços pré-existentes no mundo cibernético.  É altamente salutar que nos encontremos de tempos em tempos. Isso solidifica os laços.

 

Montenero

Aqui quem manda é quem segura a chávena, há algum tema que não tenhamos tocado e que VSMI gostaria de falar?

 

Imperatriz

Sim, gostaria que neste encontro de 01 de agosto ninguém fosse hostilizado ou colocado em situações embaraçosas porque esta ou aquela pessoa desconfia de uma suposta opção sexual.

Gostaria que todos se sentissem bem, inclusive aqueles que estejam vestidos de bailarina cor-de-rosa. Entendem-me?

 

Montenero

Das mais belas flores que se puderam plantar no jardim da lusofonia ressalta aos olhos e exala doce perfume  a agradável presença de Roberta de Castro, a Imperatriz reuniã. Mulher, inteligente, bonita, sagaz e… Lindamente loura.  Creio que há muito que não me sentia tão à vontade e ao mesmo tempo tão alegre com uma entrevista assim… Leve e agradável.

Certamente a imperatriz volta para a atividade e entra para o Hall das figuras mais simpática e ao mesmo tempo mais fortes do micro nacionalismo lusófono.  Namastê!

 

Imperatriz

Deixo um beijo especial e carinhoso a todos aqueles que gostam de mim de forma autêntica e que estejam participando de meu fã-clube imaginário porque VERDADEIRAMENTE se agradam de minha pessoa, e não estão expondo uma mera bajulação por eu ser esposa do Imperador Cláudio.

 

Como um brinde para os leitores, a apreciação da beleza da Imperatriz Roberta de Castro Bourbon, adida da imponência Sua Sacra Majestade Imperial.

Correspondências

Entre as correspondências que nos chegam comentando os números anteriores, sempre vemos a contribuição dos leitores como um termômetro de satisfação. Sempre haverá espaço para os leitores à mesa do chá!

 

“Valada, grato pela menção, mas deixa-me esclarecer uma coisa:
O MicroSoc não prega Reunião “Socialista”. O Micro Socialismo casa perfeitamente com a noção de monarquia e tem por objetivo principal o Estado Laico, a diminuição da burocracia, o fim dos pribilégios inerentes à nobreza, maior poder à APQ y otras cositas más que já defendi em vários artigos em jornais micro sobre a ideologia MicroSocialista.

[]’s

 

Raphael Garcia

Presidente do MicroSoc

(Em CHANDON)

 

 

 

Dizer que o chá é show é redundante! PARABÉNS MONTE!

 Ah, Obrigado pelo 10º lugar viu Romulita! hehehe

 Atc,

 

Ézio Nunes

(Em CHANDON)

 

 

 

Elogiá-lo é fato.

Afinal, é sempre merecido!

Amo-te muito pai!

Da sua filha que te admira,

 

Carolina Montenero

(Em CHANDON)

 

 

 

Parabens  pelo  periodico Monte  continue  assim…  ah  detalhe  que  moral: 

“5. Tiago Galvão (amigo supremo);”

 

Dom Tiago Galvão et Valois

Vice-governador do Distrito Executivo de Beatriz

(Em CHANDON)

 

 

A cerimônia do chá requer muitos anos de treino… Antes de dominar toda esta técnica, cada detalhe, significa mais do que simplesmente servir o chá. É crucial que os movimentos sejam perfeitos, o mais educado, mais gracioso, e usando os bons modos.”    

Lafcadio Hearn

Chá, Conversa e MONTENERO N. 8

Chá, Conversa e Montenero

http://chamontenero.blogspot.com

Nº 8 | 12 de Maio de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

Principado de Mônaco

 

Na verdade, poderíamos pensar várias coisas de diversos modos, mas escolhemos um modo clássico de ser. No micro-nacionalismo, muitas vezes, desejam que se toque o “sambinha de uma nota só” o que seria extremamente deletério. Em contra partida existem aqueles que querem tudo diferente sempre, fazendo do mundico o “samba do crioulo doído”.

Chá, Conversa e MONTENERO, matem seu ar conservador sem ser retrogrado e aproveita de tudo um pouco sabendo que tudo que existe tem em sim um bem que tange o que é total, universal.

Um tempo novo para um micro-nacionalismo novo… novas propostas e novas idéias sem mudar os valores. Uma proposta de micro-nacionalismo que seja ao mesmo tempo afetiva e efetiva considerando sempre o homem para além da máquina. Sentimentos, idéias e características devem ser sempre respeitadas de modo que o Bom e o Belo sejam fulgurantes no agir que segue o ser em todos os seus aspectos.

Nesta edição procuramos trazer o que há de melhor na crítica e nos corações, nas informações e nas personalidades. Uma edição clássica, com novidades e com o velho e sempre atual toque de MONTENERO! BOM CHÁ!

 

D. Fabianno Montenero C. de Monte-Real e Pacífica

Editor

Chá

 

O melhor chá do mundo é certamente o Chá Maojian de Xinyang que ganhou a medalha de ouro na exposição internacional do Panamá em 1915. É famoso por que é a especialidade das planícies centrais da China. O chá de Maojian tem textura ácida e possui entre seus componentes muitas vitaminas. A bebida é benéfica para saúde e tem uma fragrância agradabilíssima acompanhando um sabor doce no final.

A pedidos de D. Fabianno Montenero, venho falar um pouco sobre minha opinião a cerca de cada partido reunião:
 

*    PIGD – Um partido que se diz “defensor da história e estrutura de Reunião” não pode ser possuidor de uma gigantesca história de tentativas de golpes. Sendo a última o caso Pacífica. Sabemos também, e com certeza, que alguns dos grandes micro-nacionalistas que lá estão, como é o caso de Bruno Queiroz, só estão, por que quando de seu retorno de Pacífica a Arena estava em queda vertiginosa e com importância política praticamente nula.

O PIGD já foi um grande partido, hoje reuni, salvo raras exceções (como o editor deste Jornal, Jorge Adamatti e Bruno Queiroz) um grande número de “ex-alguma-coisa”, que, na verdade nunca foram nada, algumas crianças, um Premier tenta mostrar algum serviço mas vem tropeçando bastante em seu modo de ação, uma dezena de golpistas.

E, em toda eleição, o PIGD é responsável pelos maiores golpes contra a democracia Reuniã, convocando súditos totalmente inativos a votarem. Estes vêm, aparecem, dizem oi, votam e depois falam tchau. Parece-me uma brincadeira com a democracia Reunia.

Em suma, o PIGD me parece mais um partido que abraça todo e qualquer tipo de súdito, independente de ideologia, que seja capaz de puxar o saco, integralmente, do Imperador.

*    ARENA – É difícil falar deste partido, a  ARENA já foi, na história recente, o mais importante e maior partido de Reunião. Principalmente após a gestão de Alexandre Carvalho. Porém, o partido gira em torno de uma pessoa, um “general” por assim dizer. Gerson França. Se o partido está bem, é porque Gerson está ativo, caso contrário, tenham certeza que o Gerson está inativo.

É o partido mais sem ideologia de Reunião. Não tem cabimento um partido de Direita aceitar e receber a migração de membros do PacSo que é Esquerda moderada.

*    PSD – Só posso dizer que todo mundo é, por nascimento, social-democrata. Mas preferia não opinar sobre meu partido, visto que qualquer opinião minha, neste caso, seria carregado de muito egocentrismo, não me cabe falar sobre meu partido. Não aqui. Só digo que é um partido que vem se fortalecendo e que, praticamente dobrou de tamanho com a anexação dos Açores.

*    PacSo – Um partido Incógnita, já que com a saída de grande parte de seus correligionários o PacSo sofreu um duro golpe. Realmente não sei opinar sobre o partido. É um grande partido, com bastante história dentro de Reunião, tendo feito alguns premiers. Mas, ainda não entendo a aliança PIGD-PacSo que se fez no passado recente. A mim, dá calafrios pensar que Reunião está ficando tão carente de ideologia partidária. Com a chegada de Felipe Oliveira, tenho certeza que o PacSo retornará a sua ideologia inicial.

*    MicroSoc –  Um partido repleto de cabeças pensantes, é verdade. Mas, sinceramente? Eu não acredito em ideologias de “esquerda” e “direita” em micro-nacionalismo. Acredito apenas em formas de ação. Mas, digamos que um dia nos tornemos uma micro-nação “Socialista”, vamos dividir o que com o povo? Número de mensagens? Esquisito pensar neste tipo de ideologia, virtualmente falando. No entanto o Raphael Garcia é um dos micro-nacionalistas mais inteligentes que conheço, ele deve saber o que faz. Meu medo é só um, o extremismo que, às vezes, permeiam as mensagens dos membros do MicroSoc.

 

Porém, o partido é um partido amigo de Reunião, e que pensa, sim, no bem de nossa micro-nação.

Por Valadir Aerwyld de Lemos Costta

 Estudo 1

O “DESERTO CHAMADO LUSOFONIA[1]

 

Interessante notar que na primeira linha do “O Socioculturalista” já se faz notar os primeiros augúrios da doutrina que encerra. Abre-se uma porta para o primeiro entendimento da pretensão socioculturalista: um micro-nacionalismo fora do deserto!

 

A imagem do deserto é bem emblemática. Não se torna claro, apartir do editorial e também não se repete no panfleto, o alcance ou a intenção do uso da expressão logo na apresentação da polêmica propaganda ideológica.

 

Contudo não podemos deixar de considerar mais de perto o reflexo da concepção do socioculturalismo na expressão de abertura que caracteriza, para nós, o corolário sociocultrualista.

 

Se nos detivermos mais demoradamente na imagem do deserto, logo vemos a coincidência da imagem. O deserto aduz a perspectiva de que, naquele lugar árido nada se poderia se produzir. É clichê evocar a idéia de deserto quando se quer expressar a infertilidade de algo.

 

No deserto a vegetação é pobre, por falta de chuvas e pela aridez do solo, raramente se prestaria, para uma atividade que produzisse algum fruto se não fosse tratado e irrigado. A lusofonia conhece, inegavelmente, de tempos em tempos, certa crise e recessão que faz as micro-nações serem reduzidas. São movimentos pendulares que não deixam de fazer sentir suas seqüelas de modo que se enfraquecem cada vez mais.

 

A duras penas se tenta tratar esse campo, ora desértico, de modo a haver alguma atividade: novidades como o sistema econômico ou polêmicas como a usurpação de listas inteiras e embustes para gerar movimento de mensagens são verificadas quase que diariamente. Mas ainda assim muitos são os que apostam na hecatombe do micro-nacionalismo.

 

Supõe assim que o ambiente parece ser desértico naquele momento em que vem a público apresentar um modo de irrigar as atividades micro-nacionais.

 

Porém, numa segunda leitura, é possível divisar um segundo sentido da expressão, em crítica ao virtualismo no fundo da classificação impostada pelo periódico. Poderíamos entrever que a expressão faz alusão ao deserto como lugar das miragens?

 

Se a acusação dos socioculturalistas ao virtualismo procede, este é um movimento de quimeras infantis e deve ser rechaçado sob pena de transformar o micro-nacionalismo num devaneio louco da mente vaga de adolescentes.

 

Um lugar de conto de fadas não seria ambiente atraente para novos possíveis micro-nacionalistas, dadas as inovações que hoje contemplamos na trama “internética”, que na perspectiva micro-nacionalista, deixam a deturpação do virtual à beira, senão no, abismo do ridículo. Assim, a lusofonia como lugar desértico remontaria, numa segunda leitura, à fantasia empreendida em algumas atitudes virtualistas de micro-nacionalistas, ou micro-nações.

 

Não se afirma categoricamente, contudo, que a intenção imediata do autor era definir a lusofonia como tal, mas é possível aduzir um aporte, intencional ou não, neste sentido. A censura à imaginação desregrada é patente no socioculturalismo, contudo, podemos perceber no discurso cotidiano dos pensadores da corrente uma variação de opinião no que tange a graduação de “fantasia” no micro-nacionalismo. Seria um socioculturalismo mitigado ou um virtualismo mais sóbrio?

 

De um modo ou de outro, parece que a propaganda socioculturalista deixa a entender mais do que quis e menos do que diz. Só por aqui podemos encontrar uma gama de cores socioculturalista, mas não nos cabe agora tentar evidenciar e/ou distinguir tais matizes.

 

 

(CONTINUA)




[1] “Não, este não pretende ser mais um jornal no deserto chamado lusofonia.” Cf. Ibid.

Saboreando Com Pezinhos

Por Fabíola M.

(direto do mundo macro)

Que gosto tem o micro-nacionalismo pra você?

Esses dias eu estive pensando nas razões pelas quais nos sentimos tão atraídos por certas coisas na vida. Algumas nos levam às nuvens, outras nos deixam de cama, outras ainda, teimam em transitar entre as nuvens e a cama e muitas vezes nos largam num inferno qualquer. Pensei no micro-nacionalismo e no que me atraiu a princípio nele. E lembrei-me de como esbarrei sem querer na micro-nação dos ursinhos carinhosos, escorreguei onde o porto não está em trevas, tropecei onde todos são amigos do rei, relei nos franceses até que finalmente caí de cara na ilhota dos dodôs. E, esborrachada, curiosa e completamente atraída pelo novo, pelo desconhecido, decidi: quero estudar sobre essa coisa e quero fazer isso aqui mesmo onde caí! Lembrei que minha maior motivação para entrar foi realmente a curiosidade. Ahh! Quanta gente bacana e conversas interessantes! Tem de tudo e para todos os gostos. Desde o mais banal até o mais importante assunto se trata por aqui. Interessantíssima forma de conhecer pessoas, de interagir. Pensei assim. Mas… Cadê as outras mulheres? Só tem cueca é? Na época era a única mulher ativa. “Ah! Até que há mulheres por aqui, mas micro-nacionalismo é hobby tipicamente masculino”, me disseram.

O ser humano se mostra tão profundamente complexo em suas motivações, com tantos declives, saliências e serpenteios em seus desejos, que, de certa forma, até mesmo uma alma com um olhar de lince teria dificuldade para visualizar a resposta para a pergunta que me aperreou por esses dias: O que atrai alguém a permanecer no micro-nacionalismo? Para botar o primeiro pé nessa montanha-russa sabe-se que a curiosidade é a razão. Mas e depois? Por que ficam tanto tempo? Pessoas que estão distantes em sua maioria permanecem interagindo uns com os outros, levando a sério por bastante tempo. Pelo que? Conhecimento, que se pode conseguir por outros meios também? Amizades ou algo mais, ainda que pareçam ser apenas letrinhas coloridas numa tela, fotos, imagem de web cam ou uma voz?

Que gosto tem o micro-nacionalismo para nós? Que tal o gosto de desenvolvimento intelectual somado ao gosto de não se sentir sozinho à noite quando se chega do trabalho ou na madrugada? Que tal o gosto da juventude? Aquela sensação de que temos que sugar tudo que existe no mundo com um canudinho. Que tal dizermos que tem gosto de ‘virtual’ que vez por outra implora loucamente pelo real? Ahhh! E o que dizer daquele gostinho de quando se abre a sua caixa de entrada de e-mails e ela esta lotadinha? Ok! Enche os “pacovas” às vezes! Mas embora reclamem, se ela permanecesse vazia por muito tempo reclamariam ainda mais. Esvair-se-ia a sensação de ser necessário à micro-nação, necessário a alguém. Agradável é o sabor de mensagens sendo recebidas. É como alguém dizendo: Ei, você é importante e não está sozinho!

Como seres sociais que somos, necessitamos nos sociabilizar, pelos meios que sejam. Mas o perigo de nos envolvermos demais com pessoas e situações e sofrermos posteriormente é exatamente igual no macro e no micro, no real e no ‘virtual’. A diferença é que no ‘virtual’ ou no micro os envolvimentos e possíveis decepções acontecem em alta velocidade. Talvez por isso sejam chamados de superficiais. Tudo vem e vai com uma rapidez incrível, a qual, muitas vezes, a alma não acompanha não se conecta ou desconecta de outra alma na mesma velocidade em que os pcs se conectam e desconectam uns dos outros. Isso acontece não só no micro-nacionalismo como em todas as formas de interação à distância. Entretanto, mesmo com seus momentos amargosos e pequenas caretas, o micro-nacionalismo certamente representa uma das mais saborosas formas de sociabilização produtiva do meio ‘virtual’. Apesar de tudo que já amargou em meus pezinhos, para mim o micro-nacionalismo sempre terá gosto de docinho néctar que, mesmo pisando de longe, posso sentir.

Por Nuno Coelho

 


Bem, estamos aqui mais uma vez comentando nessa coluna tudo que acontece na mídia reuniã. Desde o último chá, muita coisa aconteceu, virando de cabeça pra baixo o periodismo reunião. Houve até publicação indenizando macro-nacionalmente por dados por elas
publicados, o que representa grandeza de caráter de seus autores.

Também tivemos recentemente uma propaganda audaciosa, sobre um canal de vídeos, o que engrandeceria muito a imprensa desta micro-nação, infelizmente, acabou em confusão. Aliás, falando nisso, e a história do tele-jornal, que foi comentada em CHANDON há algumas semanas atrás?

Ainda está viva? Também conhecemos estes dias várias publicações novas, trazidas
diretamente do Reino dos Açores, ou a primeira edição do “Sociomauritanista”, é parece que eles estão trabalhando bem por lá…  Vamos agora às subseções (com essa reforma ortográfica, põe hífen, tira hífen, ficou uma confusão imensa) dessa coluna, vamos dar agora o “Quem irrita” e o “Quem é legal” desse chá!

O “Quem irrita” de hoje vai para a “Tribuna de Reunião”, em especial
para sua edição de número 18, que chega a levantar falsas acusações, assim como opiniões duvidosas, já bastante criticadas na própria publicação. É até normal uma certa inclinação política nos periódicos, mas assim já é demais.

Chega de atirar pedras, vamos pra rasgação de seda, o “Quem é legal” de hoje vai para a união de três dos maiores e mais respeitados periódicos de Reunião, “Uma labareda incendiou o telégrafo, foi a maior comédia”. Esta união só faz com que estas publicações, que já
são de grande quantidade, consigam melhorar-se ainda mais pela troca de figurinhas entre eles.

Na opinião pessoal deste colunista, foi uma excelente iniciativa, agora fica mais fácil de ler os três. Ficam aqui também os parabéns aos autores dessas três publicações, que também recebem esse “Quem é legal” por tabela.

Sem mais, voltamos a qualquer momento com mais um chá, conversando

Hoje nosso chá é algo de especial, algo de fantástico e algo de marcante, na chávena o famoso Maojian de Xinyang, e na Conversa Romulita Beatriz. Como vai Romulita?

Romulita Beatriz:

Bem!

Montenero:

Vamos começar bem do começo, como e quando conheceu reunião e o que fez você ficar?

Romulita Beatriz:

Quando eu não lembro, mas conheci através da minha irmã, e eu quis participar por simples curiosidade.

Assim que entrei deu vontade de sair logo por causa da quantidade de mensagens, mas gostei muito das pessoas e desisti de sair.

Montenero:

Essa é a pauta do momento em Reunião. A quantidade de mensagens. Você acha que para um novato a quantidade de mensagens é um mal, quero dizer, o novato fica assustado?

Romulita Beatriz:

E como fica!

Montenero:

Não sei! Talvez o que falte ao novato seja um pouco de criatividade para o solo fértil do Micro-nacionalismo… Muito virtualismo e pouca utilidade no que diz respeito às mensagens o que acha?

Romulita Beatriz:

É, o povo viaja um pouco.Tem muita mensagem inútil.

Montenero:

Temos assistido um boom demográfico em Reunião por causa de anúncios em Revistas macro, mas as mulheres ativas ainda são a menor parcela da sociedade reuniã. Você acha que as mulheres não participam muinto por que não encontram espaço?

Romulita Beatriz:

Não, acho que é falta de interesse mesmo… Acho que elas não se interessam muito por essas coisas. Não tem muita coisa no MN que uma mulher goste. Tipo, tem muita política, e tem mulheres que não gostam muito, traduzindo tem hora que é meio chato.

Montenero:

E o que você acha que daria mais empolgação às mulheres em Reunião, por exemplo? Um desfile de modas?

Romulita Beatriz:

Aff…

RE é política, então para as mulheres se interessarem elas tem q gostar de política ou qualquer coisa q sirva no MN.

Imagine um desfile de moda com todos os gordinhos de RE (a passarela teria que ser de adamantium…)

Montenero:

(Risos) Você é de mais!

Romulita Beatriz:

(Risos)

Montenero:

Diga-me, entre você e a sua irmã Fabíola Melsi Zagreus, no macro rola assunto de Reunião? Como é eess relacionamento?

Romulita Beatriz:

Sim, rola assuntos de RE. Agente conversa, comenta o que  acontece mas agora que ela saiu a gente não conversa muito mais sobre RE como antes

Tipo, eu não lia CHANDON, e ela lia e eu perguntava pra ela o que tinha acontecido de interessante e ela me falava, mas agora que ela saiu, tenho que ler mesmo… Eu meio que explorava ela, eu pedia um resumão de sei lá quantas mensagens de CHANDON.

Montenero:

O que você acha que falta às mulheres reuniãs?

Romulita Beatriz:

Nada

Montenero:

Romulita, vamos lá! Se você fizesse um Ranking dos “10 homens mais” de Reunião quem seriam eles?

Romulita Beatriz:

Xiiiii! Peraí deixa eu pensar…

1. Cláudio (só pra puxar o saco);

2. Lucas (é lógico);

3. Montty (meu amigo viciado em trakinas);

4. Clubinho (meu futuro cunhado eu espero);

5. Tiago Galvão (amigo supremo);

6. Luiz Azambuja (com toda certeza O Louco!);

7. Bragança (amigo sempre);

8. Flávio Miranda (outro louco);

9. Brunny (chato, mas legal);

10. Ézio (amigo super).

Foi a ordem que eu me lembrei, mas todos são importantes pra mim!

Montenero:

Que interessante! Parece um círculo de amigos muito sui generis

Romulita, para terminarmos você poderia dizer algumas coisas que não gosta nos homens de Reunião!

Romulita Beatriz:

Caramba! Sei não! Ah, na lista eu esqueci de uns nomes era pra ser 15 eu acho que não tem nada que eu não gosto. Talvez algumas brincadeiras chatas que alguns fazem; é pode ser isso!

Montenero:

Há algum tema que deixamos de fora sobre o qual vc gostaria de falar?

Romulita Beatriz:

Bicho, o entrevistador é você… Manda e eu respondo

Montenero:

hehehe! Está bem, quero tocar num assunto muito delicado…

Romulita Beatriz:

Manda!

Montenero:

Sua irmã esteve casada em Reunião e sabe-se lá por que contas as coisas não deram muito bem. Como ficou essa relação?

Romulita Beatriz:

Entre ela e o Braga? Eles não se falam mais  infelizmente!

Montenero:

Mas cá entre nós (só de fofoquinhas) o que houve de fato?

Romulita Beatriz:

Não sei, ninguém quis me dizer nada, nenhum dos dois… E eu também não gosto de ficar perguntando essas coisas (eu sei que ela ficou chateada) mas também só isso

Montenero:

Humm… E o seu coração? A quem pertence em Reunião?

Romulita Beatriz:

Dãããããã. Em Reunião, advinha!!!!

Montenero:

Quem (eu to por fora)

Romulita Beatriz:

Em Reunião isso é micro-nacionalmente eu sou casada então advinha… Meu coração micro-nacional pertence ao  Lucas de Simone. Isso é micro-nacionalmente!

Montenero:

Ixi! Você casou com o Lucas de Simone?

PAI DO CÉU, onde eu estava? Ei, Fui eu que fiz o casório?

Romulita Beatriz:

Acho q foi você sim!

Montenero:

Eu devo estar ficando velho!

Romulita Beatriz:

É! Calma, respira, relaxa

Montenero:

E como é estar casada com o De Simone, o novo Premier de Reunião?

Romulita Beatriz:

É normal oras! Em casa ele é tranqüilo!

Montenero:

Cá entre nós, como é ser mãe do Brunella e avó do Bertochi?

Romulita Beatriz:

É muito normal, eles não me enchem muito o saco não

Montenero:

Cá entre nós, o Bertochi é um falastrão… Lembro-me de quando ele disse no Salão Rectangular que as mulheres deveriam apanhar mesmo!

Romulita Beatriz:

Tipo, ele merece uma bela surra por ter dito isso!

O Berto não fala muito comigo, mas quando fala é só sobre Reunião e pouca coisa. Em mulher não se bate, AMA!!!!

Montenero:

Romulita, às vezes você tem uma personalidade agressiva no CHAT ou é só tipo?

Romulita Beatriz:

Se me encher o saco eu fico com raiva mesmo, mas se me tratar bem eu fico tranqüila só não pisar no meu calo. Eu trato bem, quem me tratar bem!

Montenero:

É uma grande diferença de personalidade entre você e sua irmã. A Lola faz questão de ser politicamente correta, você não! Se tiver de xingar, xinga e pronto!

Romulita Beatriz:

Exato! Mas sinceramente eu não gosto de falar palavrão. Tanto que em casa (macro) eu não falo palavrão.

Montenero:

Alguns no começo (e como sempre) acharam que você era um paple mal feito que sua irmã tinha bolado, mas logo você se destacou no chat com sua personalidade forte e marcante… Hoje você é um nome conhecido, embora mais nos chat que em CHANDON, a que se deve isso em sua opinião?

Romulita Beatriz:

Égua! Eu falo mais no chat do que em CHANDON por falta de criatividade, sei lá não sei o que escrever, só falo em CHANDON quando tenho alguma coisa pra dizer realmente

Tem um amigo meu (macro) que diz: “É melhor ficar calado do que falar besteira”, né verdade?

Montenero:

Por certo! Mas é interessante como você se tornou uma personalidade em reunião por meio do chat, qual a importância do chat pra você em reunião?

Romulita Beatriz:

Você conhece melhor as pessoas, cria amizades, se diverte com as conversas, ri bastante, enfim uma pá de coisas.

Montenero:

E toma um bom chá com o Motenero!

Estivemos aqui com Romulita Beatriz, uma personalidade forte bem conhecida não pelo tanto de mensagens que envia a CHANDON, mas por um modo diferencial de ser ativa: o MSN. Romulita, suas palavras finais!

Romulita Beatriz:

MONTTY!

Bora comer trakinas, comer pipoca, tomar coca, e assistir um filme filé!

Montenero:

(Risos)

Romulita Beatriz:

(Risos)

Montenero:

Certamente, uma figura impar no Sacro império de Reunião… Romulita, muito obrigado pela entrevista e pelo chá a dois!

Romulita Beatriz:

Traduzindo: é loucura e dizem ser alegria

Correspondências

Aos leitores, esta coluna sempre será um espaço para suas manifestações. Uma revista séria que busca agradar ao leitor sem faltar com a verdade e o entretenimento.

 

“Particularmente já estava com saudade do melhor veículo jornalístico do MN Contemporâneo.”

 

 Rafael Ithzaak

(Em CHANDON)

 

 

 

Para quem não conheceu o Thedim, trata-se de uma das maiores criatividades que já passaram pelo micronacionalismo. Assistindo-se-lhe, ou não, a razão em cada uma das discussões de que participou – e foram muitas! -, todas se tornaram impagáveis – e quase sempre ensejaram uma campanha ilustrada com logotipos da mais alta qualidade. Era atividade garantida.

 

Faço questão de recusar a oferta do DeJoelhos Bar, para que a sua reabertura seja sempre um pretexto para a volta do Thedim.

 

 

Abraços,

 

André Giserman

Grão-Duque de Tomás Coelho

 (Em CHANDON)

 

Chá, Conversa e MONTENERO nº 7

Chá, Conversa e Montenero

Nº 7 | 04 de Abril de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

Principado de Mônaco

 

Depois de um repaginada, um tempo de descanso e novas contratações, o Chá, Conversa e MONTENERO, na sua versão circular, ganha novidades impares. Novo visual, novos colunistas muitas idéias para um bom chá.

“De Soslaio” veio com um caminhão de informações para apreciação do mundico, enquanto o tema do “Socioculturalismo” é retomado na coluna “BLINK” que dá uma piscadinha nas nossas posições micro-patriológicas.

Grandes novidades estão sentados à mesa com a chávena na mão: Carolina Montenero e Nuno Coelho estréiam no jornalismo em nossa revista. Officielle é a coluna que vai girar pelos periódicos que circulam, uma recensão que fez do “Chá” a revista dos jornais! Nada melhor que um toque feminino para uma boa “Conversa” e para tal a coluna “Rosa Chá Rosa” vem trazendo o mincro-mundo na visão delas!

Para finalizar o grande encontro uma entrevista com um dos maiores micro-nacionalistas que já se viu passar: Rodrigo Thedim, ex-reunião e ex-micro-nacionalista.

Uma oportunidade sem precedentes de se deliciar com uma revista que não tem igual. Podem até tentar seguir nossa linha, mas a estes lhes faltarão sempre o “MONTENERO”!

Bom chá!

D. Fabianno Montenero C. de Monte-Real e Pacífica

Editor

Chá

Para uma conversa nova um chá diferente! Na chávena Alfazema e Lavanda, uma mistura relaxante, analgésico, anti-depressivoe estimulante. Um chá para momentos em que se quer simplesmente relaxar!

*    RUPA: Processo de abdicação em Portugal e Algarves movimenta lista. O processo da votação para a aprovação do sucessor, Filipe Pombo já está em curso. Resta saber se ele aparecerá na lista, caso seja aprovado pelas cortes, para ser coroado!

*    Portugal e Algarves paga à Mitra Arquidiocesana de Lisboa a quantia de 160$000, como incentivo pela publicação do periódico “Chá, Conversa e MONTENERO”.

*    Mais de quarenta mensagens que instam o sexo na Imprensa Livre, que é a campeã em Spans sexuais. Ninguém sabe se essa lista tem moderadores ou não, o certo é que ela já perdeu sua proposta inicial a muito tempo. Não obstante, é a lista mais freqüentada pelos micro-nacionalistas.

*    Ministro de Estado Pasárgado publica o “39º Boletim de Alojamento” que informa que a população local totaliza 97 micro-nacionalista. Dentre estes, 61 são cidadãos, 14 postulantes. O curioso é a presença de D. Alberto Rosa Fioravanti como cidadão honorário e de vários turistas reuniãos.

*    Primeiro Ministro pasárgado discursa no Ning. O problema é a voz irritantemente anazalada. O Primeiro Ministro destaca a participação dos novos cidadãos e declara não acreditar sempre nos cidadãos antigos dando uma de Ronaldo Esper alfinetando o Sales e o Góes. Impressionante!

*    E enquanto Pasárgada anuncia no Orkut, Reunião investe alto em anúncios em revistas macro.

*    A Presidente do Senado Real da França, S. G. Graziele Vernek von Hohenzollern-Friedenburg, manifesta apoio ao Ato 06 do Poder Moderador que aprova a realização de Assembléia Constituinte;

*    Nomeado no Principado da Bélgica o Vice Governado do Principado S. Alteza O Duque de Vernek e Sua Exelencia D. Tiago Alcantara.

*    Desorganização na Bélgica, terra dos giga-nomes, leva o Rei-de-Armas D. Ferdinand Ivan Pedro Nicolau Rurikovitch Costino Romanov Et Vernek, a empreender censo de nobreza e fidalguia. Será que eles conseguem descobrir um nobre?

Este estudo foi realizado por S.E.R. D. Fabianno Montenero C. de Monte-Real e Pacífica quando presidia a comissão moderadora São Pio X, órgão que é responsável pela doutrina da fé na Micro Igreja Católica. O intuito foi rever as posições sobre a corrente micro-patriológica que colocou o Sacro Império de Reunião, a Micro Igreja e toda lusofonia de orelhas em pé.

Visto com desconfiança, como toda novidade, recebeu muitas críticas e recensões. O enfoque é a contraposição entre a doutrina católica, o sócioculturalismo e a Micro Igreja Católica.

Publicamos agora uma primeira parte deste estudo no intento de publicá-lo paulatinamente. Vale a advertência que a série que agora iniciamos é uma opinião pessoal aduzida dos estudos de D. Fabianno Montenero e não expressa a posição oficial da Micro Igreja Católica.

 

 Estudo 1

 

“O SOCIOCULTURALISTA”, EDITORIAL.

 

Nossa pesquisa nos levou até uma série de nove panfletos distribuídos no micro-mundo de título explícito: “O Socioculturalista”, que provocou certa polêmica no Sacro Império de Reunião. O mal estar pode ter sido gerado de fato pelo editorial que se expressava em termos equívocos para a Micro Igreja, e que evocava a revolução iluminista como inspiradora do periódico.

O corolário de Idéias que se seguiriam estaria engatado na esteira das primeiras palavras do periódico que assim se expressava: “… o SOCIOCULTURALISTA parece muito mais com os panfletos iluministas que dominaram o final do Século XVIII e início do Século XIX… O SOCIOCULTURALISTA deseja ser democrático, alcançar – como fizeram os panfletos iluministas -, dos bares aos salões – ou, no caso do micro-nacionalismo, de Reunião à Normandia. Em linguagem simples e objetiva, de forma plural e intermicro-nacional, com uma meta em mente, o SOCIOCULTURALISTA exercerá seu papel.” [1].

A declaração do editorial do primeiro número de “O Socioculturalista” traz consigo a fonte das suspeitas que vai pairar daí pra frente sobre o movimento. Os olhares desconfiados vasculharam desde então todos os defeitos de argumentação que gerem desconfiança.

Talvez se a prudência tivesse tomado o espírito do editor, o socioculturalismo tivesse outra sorte. Contudo, parece-nos apressado por qualquer juízo de valor a respeito do temas nestas primeiras páginas. Cabe-nos agora a investigação das bases sobre as quais foram lançados os fundamentos da doutrina em questão para aferirmos seu endereço de origem.

Neste primeiro momento, o desejo de “chocar” o leitor é colocado ainda acima do conteúdo e esse impacto acaba por ganhar cores revolucionárias com a afirmação pouco “diplomática” do editorial: “Como todo opinião fruto do intelecto humano, os artigos deste panfleto serão sim parciais e suas opiniões serão de responsabilidade de seus autores ou, quando no Editorial, da própria instituição”[2].

A expressão causa uma espécie de susto à primeira vista, e logo os mais tradicionalistas se colocarão com as “orelhas em pé” diante de uma afirmação que torna lateral o ideário nascente. Não é de se admirar que no começo não só a Micro Igreja, mas também outras instituições do Sacro Império de Reunião se colocassem em guarda diante da “novidade” tão abrutalhadamente apresentada.

Tal fato pode ter ocorrido por várias causas que vai dá possível inexperiência dos que a impostavam pela primeira vez no micro-nacionalismo como na falta de apoio técnico de que a idéia nascente carecia.

Segundo Filipe Sales, os embates sobre a idéia nascente eram anteriores à edição do primeiro panfleto, o que gerou o tom hostil do editorial. De um modo ou de outro, para começo, não haveria modo pior. É claro que analisamos isso de longe, fora do calor dos debates. Nem sempre dar respostas é fácil, principalmente quando os debates estão embrionários e as idéias apaixonadas.

O contexto histórico envolvia o crescimento vertiginoso do Vice-Reino de Maurício no Império deixando evidente a ineficácia do então Lorde Protetor Gerson França ante o crescimento homogêneo do Império. Parece que o que começou circunscrito ao território Mauritano foi arrastado para o império propositalmente para dar descrédito aos avanços que se fazia em Maurício.

Para nosso estudo, importam as fontes, de onde podemos recolher as idéias sistematizadas, mesmo que insipientes. A tentativa de responder a uma situação agravada por precedentes de cunho político conta muito e nos faz ter dificuldade em afastar as paixões para entender o socioculturalismo por ele mesmo.

Afastar as paixões do início do socioculturalismo é quase impossível se considerarmos o ponto de partida da sistematização da idéia o panfleto. Sabe-se que Filipe Sales e Carlos Góes “subiram nos ombros” de McMillan Hunt e Bruno Cava, os primeiros a esboçar a corrente micropatriológica, mas não há sistematização ao alcance da mão nesta época, segundo Filipe Sales. A notícia que nos chega é que talvez se possa aferir alguma informação pulverizada no periódico “Tribuna Popular” de direção de Bruno Cava, onde há alguns ensaios rudimentares sobre o tema. O periódico foi publicado entre outros lugares, na Imprensa Livre.

Num outro aspecto, as circunstâncias que envolviam o panfleto no início de seu percurso teórico, embora eivado de intrigas que extrapolam o ambiente teórico, trazem uma visão do socioculturalismo, mesmo que de maneira rudimentar e em construção.

 

(CONTINUA)




[1] O SOCIOCULTURALISTA, n° 1 in http://groups.yahoo.com/group/imprensalivre/message/15905, 26 de abril de 2008.

[2] Ibidem

 

 

Nosso CHÁ tem a imensa honra de ter uma CONVERSA com um dos maiores micro-nacionalistas do Sacro Império de Reunião. Ele descobriu o micro-nacionalismo por acaso. Preparando-se para uma reunião empresarial foi à web procurar o tema “reunião” e acabou esbarrando com o Sacro Império, leu o site e simplesmente apaixonou-se pelo mundico. Foi jornalista, investiu na carreira política e foi um dos maiores opositores da Micro Igreja Católica. Sua saída de Reunião foi sentida por todos gerando o maior movimento micro-nacionalista pela volta de alguém, o que gerou XX mensagens. Frente a frente com MONTENERO, Rodrigo Thedim! Numa pesquisa rápida pela lista atual de Reunião, conta-se pelo menos quatrocentas e oitenta e duas mensagens em que ele é ao menos citado.

Montenero:

Quando você entrou em Reunião, a que se dedicou?

Thedim:

Tentei montar uma seguradora, hehehehe, mas com o tempo fui percebendo que economia não irá nunca movimentar uma micro-nação… Tentamos criar o sistema financeiro, mas não adianta… Micro-nacionalismo é um jogo político e não econômico…

Montenero:

Existem micro-nações com sistema financeiro (Reino Unido de Portugal e Algarves, Sofia…). Haveria algum modo de viabilizar a micro-economia ou seria somente inutilidade?

Thedim:

Inutilidade total !

Montenero:

Thedim, no dia 21 de março passado houve um encontro de reuniãos no Rio de Janeiro, mais precisamente no Porcão Rios, lá seu nome foi citado como um dos maiores opositores da Micro Igreja, a que se deveu essa fama?

Thedim:

Se deve ao Rocha que usava galochas de tão chato, ao arcebispo na época que era um chatinho também, e ao fato de eu querer criar polêmica !!!! Micro-nacionalismo é atividade. Atividade é cutucar. Cutucar é comigo mesmo.

Eu vi as fotos do encontro. Impá me mandou um link… Eu ainda tenho a bandeirinha !! Por falar nisso: R$ 30,00 ???!!! tá caro, hein ?! hehehehe

Thedim:

Outro que eu adorava perturbar era o Hullman

Montenero:

Mas como era sua relação com a Micro Igreja?

Thedim:

Bom, minha relação com a micro igreja era sensacional!!!!! Para você ter uma idéia, se o livro “Deus um delírio” tivesse sido publicado enquanto eu ainda estava ativo: eu teria publicado capítulo por capítulo no Planeta… E este caso da excomunhão em recife teria sido utilizado com certeza!

Montenero:

Mas afinal, qual era o real problema com o Rocha? Por que tanta preocupação com ele?

Thedim:

Não era problema com O Rocha… Era problema com o que ele representava.

Montenero:

A micro igreja?

Thedim:

Sim. A micro igreja era um partido político disfarçado. E sempre que se exigia que assumisse esta condição ela dizia que estava pregando. Mas sempre interferia nas questões do executivo, legislativo e até mesmo no moderador.

Montenero:

Lembro-me de que quando cheguei Reunião você era muito ativo, mas logo depois saiu… Houve um movimento denominado “Volta Thedim”. Qual foi o motivo de sua saída e por que nunca mais voltou ao Micro-nacionalismo?

Thedim:

Se não me falha a memória eu fui moderado ou suspenso de Reunião, por conta de uma das coisas que o Rocha aprontou… Tenho que olhar os arquivos para ter certeza.

Montenero:

Então a sua briga com o Rocha foi além dos rincões da micro igreja?

Thedim:

Sim… O Rocha era protegido do Impapai (neste caso carinhosamente chamado à época)… Metia-se em tudo. Era o único padre político no mundo, filiado ao PSD, se não me engano… E alguém aí conhece padre político? E, de novo, ele reagia. O que era bem melhor! Uhauhauaha

Montenero:

Bom, hoje em reunião é plenamente possível um padre se filiar a um partido político, por causa de um dispositivo canônico macro que dá a faculdade

Thedim:

Invenção absurda! Mãe é mãe, padre é padre.  Acho que houve uma capa de Planeta que foi assim… Mas enfim, fiquei vagando pelo micro-mundo e a vida macro comendo o tempo… Aí terminei mesmo minha participação.

Montenero:

 Você falou que não tinha problemas com o Rocha, mas como o que ele representava, estava se referindo com isso à micro igreja?

Thedim:

Conforme falei, meu problema com a micro igreja é que ela simplesmente servia de escudo para políticos. A micro igreja nunca fez nada de catequese ou evangelização. Não fez, e acredito que ainda não faça, porque a população do micro mundo NÃO se interessa por isso…

Montenero:

Então o desencontro, digamos, com o Rocha é por algo mais que a micro igreja?

Thedim:

MUITO mais! E não é desencontro… É divergência mesmo (não me recordo de uma palavra mais forte)…

Montenero:

Poderia nos dar um exemplo e sua opinião sobre a pessoa daquele que hoje é o Lorde Protetor do Sacro Império?

Thedim:

Ele é um interesseiro, sem caráter, sem escrúpulos… Mas isso gera atividade. Entendeu?!

Montenero:

E houve algo em especial que ele tivesse lhe feito?

Thedim:

Não me recordo pontualmente, mas basta olhar CHANDON antes de minha saída… O rocha representa tudo que não deveria acontecer, mas ele é amigo do Impapai….

Montenero:

O Rodrigo foi aclamado o regente do povo, mas foi duramente criticado por ter oferecido canetas, canecas e outros brindes a quem participasse de reunião. Como você descreveria o perfil micro-nacional do atual Lorde Protetor?

Thedim:

E ele é um meliante! Ele ainda é padre?

Montenero:

Não, depois de um relacionamento mal resolvido deixou a micro igreja e hoje é evangélico!

Thedim:

Viu?! Nem vocês agüentaram! Isso é tráfico de drogas… e daqui a pouco vai ser judeu e depois muçulmano, hare krishna etc… Ele é movido por interesses pessoais… Só o Impá que ainda não percebeu… Mas acho que até mesmo a Imperatriz, já sacou qual é a dele. Quem sabe D. Roberta consegue abrir os olhos do Impá…

Montenero:

Nesta semana ele anunciou a compra do domínio de porto claro na lista Imprensa Livre, o que gerou uma polêmica sobre o modo, digamos que, arrojado do Sacro Império se portar diante das outras micro-nações. Você acha que essas medidas prejudicam Reunião e sua imagem para o micro-nacionalismo lusófono?

Thedim:

Não… Isso é uma forma que o Impá encontra de sempre se manter em destaque: não foi o primeiro e nem o último domínio que o Cláudio irá comprar: e as outras micro-nações (estejam elas onde estiverem) que se cuidem. “Falem mal, mas falem de mim”, sabe como é isso, né?! O Rocha foi só instrumento…

Montenero:

E se eu lhe disser que Rodrigo Rocha foi Regente e agora é Lorde Protetor?

Thedim:

Tô dizendo: Impapai o adora! Nem tentem mexer que o “homi” é protegido. Heheehehehe Ainda bem que não estou lá! Algumas coisas eu não posso admitir… E esta é uma destas… hehehe

Montenero:

Em quais micro-nações você passou depois de Reunião? Poderia fazer um resumo sobre elas?

Thedim:

São melancólicas. Pasárgada talvez tenha sido a única que tinha movimentação real. Mas foi fundada por um dos mestres que foi o Art… Grande guerreiro do PACSO, ou foi outra que o Art fundou?

Montenero:

Pasárgada foi fundada por McMillan Hunt, Bruno Cava e o Aron, com companhia ilimitada, não?

Thedim:

É… Cava é outro grande cara! Guerreiro também!

Montenero:

Pasárgada hoje, em minha opinião, é uma praça de velhos enxadristas, todos contando “causos”…

Thedim:

Virou um asilo: velhinhos nas cadeiras de rodas contando da época que não tomavam Viagra.

Montenero:

Mas pasárgados à parte, por que você se negou aos apelos populares que lhe pediam pra voltar pra Reunião?

Thedim:

Porque eu estava “P” da vida com o Impapai e com o que estava acontecendo em Reunião. Eu falei com o Impá: volto se o Rocha sair. Acho que ele se lembra…

Montenero:

Você participou ativamente na campanha para a separação entre Igreja e Estado?

Thedim:

hehehehe Claro que sim! tentamos, mas o Impá vetou a mudança na constituição. Lutamos muito por isso, mas não rolou. Acho sinceramente que o Impá está certo em ser “Imperador”: não dá para este jogo evoluir sozinho e livre ou ele deixa de ter um dono e, acabará. Por isso sempre entendi as posturas protetoras do Impá.

Montenero:

Mas houve uma separação do estado e depois uma volta, há bem pouco tempo, diga-se. O que pensa sobre essa condição que hoje vigora em Reunião. Existem malefícios e benefícios?

Thedim:

Acho que se a igreja assumiu que é um partido, se comporta como tal e tem que cumprir as regras que todos os outros partidos cumprem, é perfeito. Caso contrário o problema e os embates deveriam continuar. E aí, vem a parte engraçada: embates no micro-nacionalismo são ótimos e necessários !

Montenero:

Mas a igreja não é um partido, embora seus membros do clero possam estar em partidos sua função primeira é evangelizar, não?

Thedim:

É aí que está a falha do processo! Este discurso no micro-mundo não acontece. O papel principal sempre é político. Quem vai para o micro-nacionalismo? São, em sua maioria, jovens politizados e que se interessa em debater estruturas políticas novas ou inovadoras em algum sentido.

Montenero:

E se eu disser que a micro igreja, embora continue como no macro, influenciando na política, mas está mais voltada para o evangelho?

Thedim:

Evangelizar no meio de lista de distribuição é uma imposição absurda. Se e quando alguém quiser ser evangelizado, vai a uma igreja… Onde estão as igrejas no micro-mundo ? A igreja não abre listas para micro igrejas porque sabe que ficarão vazias… Como as do mundo real….

Montenero:

Mas não é justo que a micro igreja esteja no meio do micro mundo, isto é, das listas?

Thedim:

É justo que saibam que ela exista e que sejam criadas listas específicas. Usar CHANDON para isso deveria receber tratamento igual ao de um partido político, ainda mais quando temos um micro padre que também é qualícato… Fica confuso… Muito confuso… Ainda me lembro dos nomes todos… uahuahauhauah

Montenero:

Uma vez reunião sempre reunião, você não acha? Existe em você algo de reunião que você levou para o macro?

Thedim:

Acho que muito da retórica. Sinto que as discussões constantes me fizeram evoluir neste sentido.

Montenero:

Vamos falar sobre os amores, muitos micro-nacionalista tiveram um affair com algumas meninas que povoaram as listas… na sua micro vida também houve algum caso?

Thedim:

Eu era casado e bem mais velho que a maioria das ilustres residentes na ilha. Agora que elas cresceram, eu me separei!

 Montenero:

Se pudesse voltar a uma época em reunião, qual seria?

Thedim:

Ah, sei lá! Diverti-me muito ! Acho que em qualquer uma.

Ah é !!!!!!!!! o Art criou uma nação islâmica não foi ? Algo assim… uahuahuahauha acabei de me lembrar… maluquinho ele… mas gente boníssima ! uauahauhauha

Montenero:

Há algum desafeto que ainda lhe marque?

Thedim:

Eu saí do micro… Não tenho desafetos. Alguém aí no micro ainda tem alguma diferença comigo?

Montenero:

Creio que não… Na verdade sempre que se fala no nome Rodrigo Thedim, se percebe no ar certo tom de nostalgia

Thedim:

Uhuahau, virei um dos papos do asilo virtual?

Montenero:

Decerto que não, eu diria que você é um mito e que muitos esperam sua volta!

Thedim:

Tão cedo ela não acontecerá! Mas quem sabe um dia?! Falei com o Impá que no momento é impossível, vida macro está muito, muito corrida… Mas quando tiver tempo…

Montenero:

CURTAS:

Um sonho micro-nacional?

Thedim:

Rocha numa ilha deserta tentando fundar uma micronação hare-krishna…

Montenero:

Um desgosto?

Thedim:

Rocha como LP… isso é um desgosto e uma vergonha para Reunião…

Montenero:

Um amigo?

Um dia feliz em Reunião

Thedim:

Vários: Claudio Castro, editor do Cometa, André Giserman, Luiz Azambuja, Danilo Greenspan, Filipe Oliveira, Art, Marina, Fioravanti, Fraga, Érika, Roberta Castro e, claro, o Impapai. Muitos outros que não me lembro de cabeça…

Montenero:

 Um dia feliz em Reunião

Thedim:

Um dia feliz: sempre que eu conseguia moderar o Rocha por algum motivo… hauhauhauahuahuah Quando eu ganhei a eleição na CIA (desbancando ele)… uhauahuauhhauahuaua

Montenero:

O que gostaria de dizer a todos os reuniãos agora?

Thedim:

TIREM O ROCHA DAÍ !!!!!!!!!!!! Se o Aza ou o Giserman ou Filipe estiverem ativos, escolham um deles e TIREM O ROCHA ! Rapidamente antes que vcs se arrependam…

Montenero:

Filipe, é o Sales?

Thedim:

Não… Filipe Oliveira! Uma das pessoas mais centradas e corretas do micro-mundo..

Montenero:

hummm não o conheci…

Thedim:

O Salles é meio de veneta… Pelo menos era. Mas era um bom menino.

O Oliveira já foi LP… Pouco antes de eu sair… Se não me engano.

Montenero:

O Salles deixou reunião no maior incidentes diplomático da história promovido pela QUAEX…

Thedim:

Coisa do Fraga?!

Montenero:

Ele era embaixador pasárgado e foi preso por tentativa de golpe (o que não foi provado até hoje). Nos corredores da corte dizem que foi coisa do Rocha que instrumentalizou a QUAEX com o Flávio Miranda Von Rainer.

Thedim:

Se o Rocha estava envolvido, tenha certeza que então foi coisa dele. O Salles estava muito bem em Mariana, por onde o Rocha começou a querer virar reizinho…

Flávio é um, como é a expressão, burro útil ?! Massa de manobra…. não dura 5 minutos de debate de verdade…. hehehe

Montenero:

O que diria ao Imperador Claudio neste momento?

Thedim:

Tire o Rocha daí !!! Impá, você sabe quem ele é… Sei que as vezes temos que fazer limonada com laranjas podres, mas se algum dos nomes que citei acima estiver ativo, não perca tempo. Troque logo ! Transforme o Rocha em bibelô em algum canto do Poder Moderador e coloque alguém decente no lugar…

Montenero:

Aos que foram seus coetâneos, uma mensagem

Thedim:

Resistam! Não se entreguem a este desvairado! Saiam para ruas! Peguem as armas!

Ah mais uma coisa!

Estava revirando meu micro e encontrei os arquivos da página do “DeJoelhos Bar”, queria doá-lo para o algum dos nomes acima citados, caso eles ainda estejam ativos.

Montenero:

E o que é o “DeJoelhos” Bar?

Thedim:

Foi um bar que eu inventei para sacanear a micro-igreja (Rocha e afins)… Em resposta ao fato das mensagens “católicas” em Chandon… hehehehehhe

Montenero:

Então aqueles citados que tiverem interesse podem procurar o generoso Thedim para assumirem o “DeJoelhos” bar!

 

Chá, Conversa e MONTENERO N.6

Chá, Conversa e Montenero

Nº 6 | 16 de Fevereiro de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

Principado de Mônaco

 

 

Editorial

Mesmo num certo ostracismo, não há nada no micro-nacionalismo que tem nos dado mais alegria que editar este periódico que não nasceu de uma brincadeira, mas que sabe bem onde quer chegar: a construção de um micro-nacionalismo onde o bem e o belo sejam a maior obra possível das mãos humanas ofertadas ao divino.

Não se trataria, contudo, da ingenuidade de ignorar que ao homem – quem quer que seja e onde quer que esteja – seguir-se-á um cortejo de ações que corromperiam a beleza benfazeja vida. A história já nos provou isto: SOMOS TODOS CAPAZES DE MALES TERRÍVEIS! Tratar-se-ia, contudo, da certeza de que no agir do homem há sempre, misturado com seu egoísmo, a vontade de algo maior, a vontade do bem e do belo e que, uma vez depurada a vontade, num trabalho de vida, sairíamos de nosso “eu” em busca da auteridade.

Chá, Conversa e MONTENERO tem um propósito de existência que vai além do entretenimento: tornar nosso micro-nacionalismo lúdico e benfazejo gerando assim o belo como experiência concreta de unidade e multiplicidade.

Bom chá!

D. Fabianno Montenero C. de Monte-Real e Pacífica

Editor

 

Chá

Conversar com um doce sabor de manga e maruja, hibiscus, pétalas de rosas, flor de malva, pétalas de marigold é simplesmente divino! Os assuntos mais pesados ficam leves e com o delicioso aroma natural do nosso chá de hoje.

Rooitea foi descoberto há mais de 300 anos na região de Cape Town nas savanas da África do Sul e virou febre de consumo no Japão e Europa. O chá da vida longa, como os chineses o chamam, é uma ótima opção para quem não tem preferência pela cafeína. É uma infusão que pode ser consumida o dia todo, quente ou gelada.

Seu processo lembra os chás tradicionais, a diferença é que usam máquina de cortar tabaco na finalização. Aliás, o Rooitea lembra muito fumo de cachimbo, um aroma adocicado.

Tem coloração avermelhada e os  benefícios para a saúde são muitos, ansiolítico natural, alergias de pele, problemas estomacais, gases, pedras no rim e melhora a qualidade do sono sensivelmente.

 

De Soslaio

*    A Companhia Telefônica micro-nacional está indo de vento em polpa, além da satisfação com o software que tem a interface muito simples e bem disposta, a qualidade do serviço que é melhor que de programas como “Skype”. Longe do virtualismo, o telefone funciona mesmo!

*    Reunião tem novo Lorde Protetor: Grão Duque de Chuberry, D. Rodrigo Rocha ocupa o lugar de “segundo homem” de Reunião. Seria isso uma nova regência velada? Um avanço ou um retrocesso? O tempo dirá!

*    CorPas chora, mas não tem volta! Erro administrativo tira a agremiação do pleito pasárgado. O que os revoltou foi a “invenção” de uma punição não prevista em lei: só poderão lançar um candidato a orador por Cantão. 

*    Passou pelo ridículo! Príncipe belga passa por vexame: Ao desejar fazer uma visita diplomática ao Sacro Império de Reunião, preencheu form de súdito. O “Chá, Conversa e MONTENERO” não perdeu tempo e lançou a trapalhada no ar. “Foi a anexação mais fácil de toda a história lusófona” zombou o editor. O fato é que a seriedade das relações diplomáticas na Bélgica passou longe.

*    “Morreu na contramão atrapalhando o trafego”: Príncipe Belga, não conseguiu o que veio buscar em Reunião. Tentando negociar a extradição de Thiago Montenero de Monte-Real e Pacífica acusado de Paplismo, esbarrou com a “Sagrada” que veda o ato. Logo depois, com as conclusões das investigações o membro da Casa de Pacífica foi inocentado e o governo belga é obrigado a se desculpar.

*    Ainda na Bélgica: A imprensa é ameaçada! Príncipe Belga ameaça veladamente a suspensão do periódico “Chá, Conversa e MONTENERO” na Bélgica. D. Fabianno declarou em nota que “Seria uma pena para a Bélgica, por que nosso trabalho de fato rende muito mais para eles do que para nós e os belgas poderão ler sempre o “Chá”, afinal ele circula na Imprensa Livre. Se alguém na Bélgica não estiver naquela lista é só escrever para nossa redação e enviaremos exemplares de cortesia vitalícia”. Uma missiva de D. Fabianno de Pacífica foi misteriosamente extraviada da lista oficial.

*    Editor do periódico mais lido no micro-nacionalismo é acusadode publicar informações “confidenciais” do serviço de imigrações reunião. O editor declarou que e encontrou um misterioso envelope com as informações no chão de seu escritório na redação da Editora Casa de Pacífica e disse ainda: “Abram um processo administrativo e prendam quem entregou a informação por que a imprensa vai continuar publicando tudo o que é de interesse do micro-nacionalista! É nosso dever e direito!”.

*    QUAEX leva “puxão de orelhas”. Imperador repreende direção da QUAEX pelo modo que conduziam suas atividades. Impulsionado por várias e veementes criticas a o seu modo de ser conduzida.

*    PAS declara aberta a 4ª Sessão Ordinária da 20ª Legislatura todos os projetos a serem votados são de autoria do Orador Carlos Góes, que coincidentemente é o Primeiro Orador. Na Pauta, destaca-se o debate sobre o Acordo Ortográfico de unificação da língua portuguesa.

*    Segunda Micro Secção tem novo subsecretário. Mons. Ruy Hallack Tavares Lira foi adido ao serviço diplomático da Micro Igreja.

*    Em RUPA: Micro Belga movimenta a lista e criação de novo cardeal revolta os pequenos de alma. O Reino Unido de Portugal e Algarves continua em estado de sítio.

*    Imprensa Livre: Mais de cinqüenta mensagens com anúncios sexuais. E não se falava das mensagens postadas pelos pederastas de plantão!

 

BLINK

OMNIA COOPERANTUR IN BONUM

(Ou sobre o Flávio Miranda Von Rainer)

Talvez seja essa a missão mais urgente da Micro Igreja Católica no micro-nacionalismo: Dizer por sobre os telhados (os de vidro e os de aço) que é necessário uma conversão ao bem, ao belo! Que é a fonte de todo bem e de todo o belo senão Deus revelado em Jesus Cristo? Por isso vale para a Micro Igreja Católica, mas também para todos os Cristãos de qualquer denominação e rito, bem como para todos aqueles que chamam Deus de Pai, uma única máxima: OMNIA COOPERANTUR IN BONUM. (Cf. Rm 8,18) Tudo coopera para o bem!

Esta frase poderia bem ser lida num duplo sentido, um descendente e um ascendente. No primeiro sentido, saber que tudo coopera para o bem é saber que há uma vontade superior que governa tudo e consegue tirar um Bem de males que parecem atrozes e nos desconcertam tamanhas as proporções que atingem em gigantesca maldade que, inexoravelmente, se apresentam.

Existe aquela Mão – que cristamente chamamos Providência – que se encarrega de fazer aquela nota desafinada que o homem dá na sublime melodia da vida, ganhar encaixe sonante na sinfonia universal, por que até no mau se revela a misericórdia de Deus e a sua Onipotência que opera mesmo que os ineptos não consigam compreender.

Aqui são gerados a Segurança da Fé e a Certeza da Esperança. Aquela me faz perceber que, na loucura dos acontecimentos, a resposta última não é a do mal, por que em tudo isso, somos mais que vencedores. (Cf. Rm 8, 35-37), enquanto esta nos faz olhar para o aparente caos com a certeza de que não estamos abandonados à sorte do mundo, mas que rumamos para um ponto certo, embora não saibamos bem o caminho. Então tudo coopera para o bem!

De modo ascendente, considera-se a capacidade do homem em fazer o bem e o belo ganharem corpo (diria de o bem e o belo se encarnarem) nas possibilidades e realidades das atitudes humanas. Um esforço que vai além de si mesmo exatamente na negação da própria vontade.

Que poderíamos dizer se eliminássemos de nossa micro-nação, todos os entes que achamos maus, danosos e prejudiciais? Poderíamos dizer que teríamos uma micro-nação perfeita? Mas essa é factível neste presente? Cremos, micro-nacionalistas, que nos digladiaríamos e nos esquartejaríamos pouco a pouco sem se quer perceber que nossos maiores anseios seriam a causa de nosso fim.

Serei acusado sempre – e digo isso com um santo orgulho – de ser uma “ONG de proteção a criminosos”, mas creio que a micro-sociedade não será feita e efetivada com a extirpação deste ou daquele membro. Creio na correção, acredito no ser humano e preferiria ser enganado mil vezes a cometer o erro de extirpar alguém que não seja exatamente e comprovadamente um câncer de nossa sociedade. Quem tem fé e esperança não se sente ameaçado, por que sabe que suas garantias não estão em suas próprias forças!

Mandar-me-ão a uma resma de mil palavrões e profanações, mas continuarei denunciando e acusando as atrocidades que se cometem, procurando nunca denegrir a imagem de quem quer que seja, mas sempre buscando a correção, à imitação do Senhor que não nos deseja a morte, mas que nos consertemos e tenhamos vida. (Cf. Ez 33,11).

Seria muito fácil extirpar e muito difícil educar, mas quando educamos (do verbo dux, duco = conduzir) acabamos por ir juntos e descobrimos o que não seriamos capazes de descobrir se não fosse a força que nos leva a ir com o outro, conduzindo – e muitas vezes sendo conduzido – por sendas que nos fazem maiores e mais fortes à medida que nos descobrimos menores e fracos.

É possível mudar, é possível fazer diferente e é possível acertar o passo! Precisamos acreditar nisso por que isso é acreditar em nós mesmos. Precisamos vivenciar isto, porque vivenciar isto é olhar para o interior de nós mesmos e sermos capazes de reconhecer nossas fraquezas como possibilidades de mudança e não como um fato consumado de fracasso e derrota ao qual devemos nos acomodar num ciclo nefando de tragédia e desespero que nos leva ao chão da enganosa condição fatal de derrotados.

TUDO CONCORRE PARA O BEM! É nisto que devemos acreditar ao nos deparamos com quaisquer situações, esperando com fé que Deus converte as mais tenebrosas ações dissonantes em vida e acreditar que nós podemos fazer tudo diferente desde que comprometamos nossa existência com algo que valha a vida!

 

Entrevista

Nossa entrevista de hoje traz consigo muitas coisas interessantes que advém de um simples hobby que gera fruto inalcançáveis para a vida macro e ao mesmo tempo vem eivada de polêmicas que sugerem a necessidade de uma revisão de nossas atitudes. Foi um momento agradável e que gerará muitas reflexões, assim como as anteriores geraram.

Uma boa xícara de chá e uma conversa com Rodrigo Rocha e Montenero.

 

Montenero:

Talvez seja o chá mais esperado desde que começamos a escrever esta revista, um momento único para o micro-nacionalismo reunião, mas também para toda a lusofonia. Chamado de populista e duramente criticado por incentivar com canetas, canecas e títulos nobiliárquicos, o arranque reunião, mas também reconhecido por muitos como “o regente do povo”. No chá, Rodrigo Rocha

 

Rodrigo Rocha:

E o chá mais gostoso também! (hehehehe)

 

Montenero:

Ninguém teve tanta popularidade e teve tanto empenho como Rodrigo Rocha, o Grão-duque de Chuberry . Rocha, como conheceu o micro-nacionalismo?

 

Rodrigo Rocha:

Foi no finzinho de 2001. Estava fazendo uma pesquisa particular sobre monarquias no mundo, e o site de busca me apontou o site de Reunião. Abri aquilo e achei fantástico. A idéia caiu como uma luva pra mim, e eu “devorei” o site todo em cerca de uma hora. Ali já esbocei alguma coisa do que viria a ser o meu projeto pessoal no micro-mundo, o Grão-Ducado de Chuberry. A idéia era fazer uma micro-nação composta por meus amigos macro-nacionais, mas nos mesmíssimos moldes de Reunião. E assim foi. Em 4 de janeiro de 2002 fundei Chuberry, uma réplica de Reunião, mantida por cerca de 15 pessoas totalmente inexperientes em micro-nacionalismo. Perduramos de forma soberana até setembro de 2003.

 

Montenero:

O que houve com Chuberry? É claro que a anexação foi um fato, mas quero dizer historicamente como se deu esse fato?

 

Rodrigo Rocha:

Chuberry se consumiu em desavenças internas muito graves. Como éramos todos amigos macro-nacionais, eu fiquei muito chateado de ver a coisa descambando para brigas, xingamentos e até ameaças. Fiquei mais ou menos como Santos Dumont ao ver o seu invento ser usado como arma de guerra… Fiquei desgostoso e decidi que seria a hora de parar por ali e partir para uma “carreira solo”. Infelizmente até hoje existem ex-chubereiros que ainda não voltaram a se falar, tudo por causa de brigas micro-nacionais. A disputa política que o micro-nacionalismo proporciona precisa ser muito bem dosada, e os participantes precisam ter uma boa dose de preparo para entender que o objetivo das micro-nações é entreter, e não fomentar polêmicas e rancores.

 

Montenero:

Depois da experiência de Chuberry, o que trouxe na bagagem quando chegou à Reunião, sua micro-nação inspiradora?

 

Rodrigo Rocha:

Quando cheguei a Reunião, eu não era um novato. Cheguei como se já fosse um cidadão reunião de velha data, e de certa forma eu era mesmo. Integrei-me muito rapidamente à sociedade e já comecei a trabalhar. Junto com Gerson França, Renato Moraes e Felipe Santarelli, meus bons e velhos companheiros de jornada. Dediquei-me ao Vice-Reino de Mariana e à reestruturação de Reunião, que renascia ali depois da chamada “Idade das Trevas”, período de longa inatividade do Imperador.

 

Montenero:

Político, padre, apaixonado, protestante e, em fim, regente! Foi um percurso de muito trabalho e não menos dores.

 

Rodrigo Rocha:

Foi mesmo

Montenero:

Quem é o Rodrigo Rocha neste percurso?

 

Rodrigo Rocha:

Esse é uma pergunta complicada para mim, mas vou tentar responder. É! Modéstia à parte, uma figura histórica para Reunião. Digo isso porque desde 2003 pouquíssimos episódios deste Império não tiveram a minha participação direta ou indireta, independente da bandeira que eu estivesse empunhando no momento. Tenho consciência de que sou um fomentador de atividade, e essa é a minha maior – talvez única – grande virtude micro-nacional. Nunca gostei de ser jogador, sempre preferi dar as cartas para os outros jogarem por mim. Nem sempre acertei, mas sempre me dediquei ao máximo para que os bons projetos fluíssem. Além disso, construí em Reunião uma parte muito bacana da minha vida macro-nacional. Aqui conheci amores, amigos, sócios, compadres, vidas. Devo muito a Reunião.

 

Montenero:

Certamente sua história micro-nacional é ímpar e cheia de surpresas, a primeira delas foi sua micro-ordenação, quando entrou para os quadros da Micro Igreja Católica, na época chamada de Igreja Católica Micro-nacional. Como se deu tal episódio e quais foram suas reais motivações? Afinal, podemos falar disso a vontade, já passou mesmo aquele tempo (rsrsrsr)

 

Rodrigo Rocha:

Eu ingressei na Igreja micro-nacional por convide de Dom Renato. Nos tempos de Chuberry eu era muito combativo, travei batalhas homéricas contra os movimentos paganistas que infestavam o micro-mundo na época, e derrotei todos. Vendo meu engajamento, o Renato me convidou para me tornar padre… Eu não só aceitei como abdiquei do trono de Chuberry para me dedicar integralmente à evangelização do micro-mundo. Essa minha decisão foi paralela ao encerramento das atividades de Chuberry enquanto micro-nação independente.

 

Montenero:

Homéricas, em RE, foram suas disputas com outro grande micro-nacionalista, o Garcia, um dos que defendiam, à época, a separação entre igreja e estado.

Rodrigo Rocha:

Sim, é verdade, mas o Garcia na época não tinha tanta influência porque era tido como um radical. Radicais nunca têm a mesma credibilidade dada aos moderados… Por isso os grandes “pais” do ideário laicista anti-religioso eram os ideólogos esquerdistas do PacSo, e não os radicais do MicroSoc. Hoje o Garcia consegue captar muito mais as atenções e consegue se fazer ouvir muito mais do que há cinco anos atrás.

 

Montenero:

Muitos afirmam que antes de você a Igreja de Reunião tinha uma convivência pacífica, mas que, depois de você houve um maremoto entre a Igreja e vários outros micro-nacionalistas que não apoiavam o movimento religioso. Como foi esta página?

 

Rodrigo Rocha:

Na verdade os radicais sempre odiaram a Igreja, e o grande polemista histórico da Igreja é o micro-Arcebispo Emérito Dom Rafael Cresci. Portanto essa rixa já existia muito antes de mim. Quando eu cheguei, entretanto, a esquerda se sentiu muito ameaçada, pois viu que a Igreja, e o movimento religioso em geral, poderia tomar um rumo mais engajado social e politicamente. Isso para eles seria o fim, pois um avanço social e político dos movimentos religiosos significaria, obviamente, a derrocada do poder exercido na época pelas esquerdas. E não deu outra.

 

Mas apesar do adiamento dos planos das esquerdas, eles tiveram sim muitas vitórias, assim como nós tivemos outras tantas. Sempre houve um clima de muito respeito entre os dois lados, de modo que eu até hoje sou amigo pessoal da maioria dos meus antagonistas da época – inclusive o Raphael Garcia.

 

Montenero:

Depois de tanta luta houve uma dissipação sua na micro igreja. Segui-se a demissão do estado clerical, um micro casamento e um processo de excomunhão… Como isso aconteceu tão de repente?

 

Rodrigo Rocha:

A excomunhão foi lavrada pelo Emérito Dom Rafael Cresci, fundamentado na acusação de que eu era maçom. Devido à falsidade da acusação, fartamente comprovada por mim perante o Tribunal Eclesiástico, e devido a mil e uma outras provas de vício no processo, eu terminei sendo completamente absolvido de todas as acusações, e tendo minha excomunhão revogada cerca de quatro meses depois de sua publicação.

 

Tempos depois eu solicitei demissão do estado clerical devido à decisão pessoal de contrair núpcias, e essa decisão foi muito feliz, pois minha esposa foi para mim um manancial de alegrias e realizações. Não havia mais nenhuma condição de eu me manter ligado à Igreja como micro-Presbítero. Posteriormente acabei me convertendo e hoje me considero muitíssimo feliz com minhas decisões, principalmente porque sei que meus bons amigos dos tempos de micro-Igreja continuam sendo como que irmãos pra mim. Nunca me senti descolado da fraternidade que nos une, o que é muito bonito de se ver, considerando que minha Fé hoje em dia é outra.

 

Montenero:

O quanto sua vida de micro-nacionalista influenciou na sua vida macro?

 

Rodrigo Rocha:

Nossa, influenciou demais. Neste meio desenvolvi meu espírito de liderança, minha retórica e até minhas técnicas de galenteio (risos). O micronacionalismo me deu bases de convivência que dificilmente eu teria em outra atividade. Até hoje tenho grandes e bons amigos que até já se inativaram no micromundo, mas permanecem mais atiuvos do que nunca na minha vida macro. Uma parte boa da minha vida macro está conectada à experiência micronacional.

 

Montenero:

Quer falar de amor? Perguntaria sobre seu namoro com a juíza Rebeca Kataoka.

 

Rodrigo Rocha:

Eu não tenho nenhuma restrição a assuntos… Rebeca e eu estivemos juntos por praticamente três anos, e foram os melhores anos da minha vida. Ela é a pessoa mais maravilhosa que eu conheci. A mulher que mais me completa, e a que mais transformou positivamente a minha vida. Meu relacionamento com Rebeca será para sempre um “Amor para Recordar”, conforme o título do filme que nós dois mais gostávamos de assistir.

 

Sou um eterno apaixonado. Desculpe não falar mais, mas é que eu me emociono um pouco ao falar sobre isso. Hoje estou com outra pessoa na minha vida, e estou feliz também. Ou pelo menos perseguindo a felicidade. Essa entrevista está ficando pessoal demais! (risos)

 

Montenero:

Falemos de sua atuação como regente!

 

Rodrigo Rocha:

Ótimo!

 

Montenero:

Você foi tido como um dos regentes mais populistas de que já se teve notícias… isso lhe gerou muitos amigos, mas grandes inimigos…

 

Montenero:

O que foi pra você a experiência da regência?

 

Rodrigo Rocha:

Bem, na verdade essa história de populista é meio estranha, porque o populista é aquele que dá o peixe para não ensinar a pescar. O populista é aquele que simplesmente procura agradar a todos sem ter nenhum projeto real por trás. E me desculpe, mas isso é tudo o que eu NÃO sou. O objetivo da Regência era muito claro: reativar completamente todo o Império, e esse objetivo jamais teria sido atingido com medidas meramente “populistas”. Mas eu fui – isso sim – um Regente popular. Gostava de ser o Regente do povo. Botava a mão na massa junto com todo mundo, não advoguei pra mim nenhuma prerrogativa majestática. Minhas mãos se calejaram de tanto cimentar os tijolos da reconstrução de Reunião, e para esse trabalho eu me alistei nas mesmas fileiras do súdito comum. Creio que a popularidade da Regência tenha vindo disso.

 

Ganhei do povo diversos apelidos carinhosos que utilizei com orgulho durante a Regência, como “Impadão Estepe”, e “Dublê de Impá”. As pessoas não estavam acostumadas a ver a alta nobreza arregaçando as mangas, por isso creio que de certa forma a imagem do “Regente do Povo” teve um impacto semelhante à que a figura de Barack Obama teve nos Estados Unidos. Graças a Deus (e ao Cláudio) eu tive a oportunidade de fazer bastante por Reunião durante esses 6 meses incríveis em que eu dei o melhor de mim para o resgate da pujança reuniã.

 

Para mim a experiência da Regência foi fenomenal, algo único. Ser Cláudio de Castro é a missão mais complexa que pode existir em termos de micro-nacionalismo, e por isso mesmo é a mais instigante. Saí realizado por devolver ao Imperador uma Reunião tão hiperativa, tão plural, tão complexa e tão invejada quanto a Reunião de cinco anos atrás.

 

Montenero:

O período em que ocupou a regência foi marcado por uma ferida, a evasão de vários grandes micro-nacionalistas. Verdade que alguns voltaram depois. O motivo da insatisfação eram suas medidas, segundo alguns. Foi uma nuvem na sua regência?

 

Rodrigo Rocha:

Se o motivo fosse mesmo a “insatisfação”, com certeza teria sido uma nuvem negra. Mas o motivo passou longe de ter sido esse. Não houve nenhuma insatisfação, e nem poderia ter tido, posto que eu não fizesse nada que pudesse ensejar qualquer tipo de insatisfação. Naquele momento nenhuma medida séria havia sido tomada, ninguém havia sido contrariado, exceto o Regente anterior, que entrou em uma espiral de rancor que extrapolou completamente o limite do razoável e culminou com a tentativa de sabotagem contra o Império. Poucos meses depois, todos os que foram influenciados pelo rancor alheio já estavam completamente arrependidos.

 

Montenero:

Conversei com muitas pessoas que saíram na época, e muitos deles afirmaram que não gostaram da distribuição de títulos. Principalmente porque, segundo eles, diminuía a nobreza reuniã.

 

Rodrigo Rocha:

Não diminuía em nada. Concedemos títulos a todos os que na época mereciam, e faríamos tudo novamente. A única pessoa que foi “contra” os Títulos foi quem gostaria de tê-los dado. O rancor não era contra os Títulos, mas sim contra quem assinava a Carta de Concessão.  Diga-se de passagem, um de meus primeiros atos nobiliárquicos foi justamente a concessão de uma importante Ordem de Cavalaria Império àquele mesmo que dias depois iria cooptar nossos cidadãos para seu projeto pessoal. Oferecemos rosas, e de volta ganhamos uma rasteira.

 

Montenero:

Mas cá entre nós, canecas, canetas e títulos foram de fato prometidos! (risos)

 

Rodrigo Rocha:

Não confunda! Os brindes foram prometidos em uma campanha publicitária para fomento do jornalismo em Reunião, não tem nada a ver com Títulos de Nobreza!

 

Montenero:

E alguém recebeu alguma caneca?

 

Rodrigo Rocha:

Tudo em Reunião estava entregue as moscas… Capitanias, Câmaras, autarquias, órgãos imperiais, tudo semi-inativo… e esse inatividade geral se refletia na sociedade civil. Não tínhamos sequer um jornal ativo. Daí a razão de nossa campanha que, por sinal, foi muito bem sucedida. Instantaneamente conseguimos a reativação de 3 periódicos, e hoje Reunião voltou a ser a capital jornalística do micro-mundo. Isso não aconteceu por milagre. Houve iniciativas da Coroa por trás disso.

 

Não chegamos a distribuir os prêmios pelo simples motivo de que uma das exigências para auferir o prêmio era a manutenção de rigorosa periodicidade. Mas isso não chegou a ser atingido e, de fato, foi um exagero de minha parte. A simples boa vontade de produzir um jornal já é algo muito positivo, acho que não havia necessidade de exigir periodicidade rigorosa. Mas o importante é que a campanha funcionou!

 

Montenero:

E por falar em Jornal, você também editou um jornal que inclusive premiava micro-nacionalistas. Quais eram as inspirações e há possibilidades de que ele volte?

 

Rodrigo Rocha:

Sim, eu edito O SOL, um dos mais antigos jornais micronacionais. Começou como O SOL DE CHUBERRY, depois passou a ser O SOL DE MARIANA, depois O SOL DE LE PORT e hoje se chama apenas O SOL. Sua numeração começa do zero a cada alteração de nome, razão pela qual, apesar de 7 anos de existência, o jornal O SOL está ainda em sua edição de nº 12. Na realidade, pelos meus cálculos, caminhamos para a edição número trinta e alguma coisa. O Prêmio O SOL de Micro-nacionalismo é, hoje, a única premiação inter-micro-nacional existente, numa tentativa de reviver os velhos tempos de Prêmios como o “Aruaque” e o “Tribuna Popular”. Sou um entusiasta do jornalismo micro-nacional, sempre tive a firme convicção de que a grandeza de uma micro-nação pode ser medida pela quantidade de jornais que nela circulam.

 

O SOL voltará a circular com toda certeza, e prometo que sua periodicidade será menos irregular do que a do seu principal concorrente, O COMETA!

 

Montenero:

“O COMETA” é inspirador do “O SOL”?

 

Rodrigo Rocha:

Por incrível que pareça, não! O SOL teve seu nome inspirado pelo tablóide inglês de fofocas “The Sun”, muito conhecido na Grã-Bretanha. Isso é porque O SOL nasceu em Chuberry pelas mãos do grande micro-nacionalista (hoje inativo) Carlos Eduardo van Hombeeck, que pretendia que o seu jornal fosse mesmo um tablóide dedicado a publicar fofocas e notícias polêmicas sobre a Família Real de Chuberry. E ele começou assim mesmo, como tablóide de fofocas. Só passou a ser jornal “sério” quando eu o assumi, em 2004, e adotei outra linha editorial completamente diferente.

 

Uma curiosidade: as cores, o lay-out e o estilo de diagramação d’O SOL é o mesmo até hoje, desde 2002. Só o que mudou mesmo foi o conteúdo. A última edição d’O SOL circulou em agosto do ano passado, e pode ser relida aqui: http://br.groups.yahoo.com/group/chandon/message/79307

 

Montenero:

Se pudesse escolher um, e somente um, micro-nacionalista de destaque durante sua regência, quem seria?

 

Rodrigo Rocha:

Que pedido difícil! Escolher apenas um é algo muito injusto, mas o Diesley foi excepcional. Ele carregou nas costas uma responsabilidade centenas de vezes maior do que sua experiência na época, e conseguiu se sair tão bem que foi elogiado diversas vezes pelo próprio Cláudio. Além dele citaria também o Flávio Miranda, pela lealdade, o Queiroz, pelos serviços dedicados, o Valadir, o Wallace, o Brunno Barbosa, o Marcus Goulart, o Saifal… Nossa, tantos! Todos foram imprescindíveis, inclusive os que eu não citei aqui!

 

Montenero:

Polêmicas: D. Eduardo Lagrenge de volta a Reunião foi frontalmente contra a regência, como era de se esperar.  Como se dá hoje as relações entre vocês?

 

Rodrigo Rocha:

Não há relações, mas creio que isso seja motivado exclusivamente por conta do rancor que dizem que ele ainda nutre. Eu fui um dos encorajadores da carta pública que o Sacro Império de Reunião fez publicar para convidá-lo a retornar, que inclusive foi enviada no meu nome e em nome do Cláudio. Eu intervim para que ele não fosse rejeitado na Imigração. Eu o premiei com uma das principais Comendas Imperiais. Portanto não há motivos para que ele permaneça eternamente nesta batida esquisita de tentar fazer oposição a mim, coisa que, por sinal, até agora só fez mal a ele mesmo. Ele poderia ter saído da Regência da mesma forma que eu, aclamado, mas preferiu o caminho da oposição, da difamação e da sabotagem. Uma atitude incoerente com sua larga experiência e notável competência, mas não o julgo por isso. Cada um é cada um, ele teve lá os seus motivos.

 

Montenero:

Fontes informaram que você estava por traz da ação da QUAEX que o acusou de tentativa de golpe, o que teria a declarar?

 

Rodrigo Rocha:

Isso é uma besteira. Basta pensar: se eu mesmo o convidei publicamente para retornar, por que eu iria dias depois encomendar uma operação que poderia culminar com a expulsão do sujeito? Só se eu fosse maluco. A QUAEX já estava na cola dele há muito tempo, e me contatou sim em busca de novas evidências para confirmar as suspeitas. Eu ajudei com o que tinha, mas o meu testemunho não foi nem 1% das provas levantadas pela QUAEX. Infelizmente algumas pessoas em Reunião tentam reproduzir aquela lógica da impunidade, tão comum no longínquo Brasil, onde se tenta criminalizar o órgão de investigação, e não o criminoso em si. Acusar a QUAEX, a Coroa ou o Rodrigo Rocha como “culpados” pelos atos cometidos pelo Sr. Lagrenge é apenas uma estratégia para desviar a atenção do que realmente aconteceu.

 

Mas de toda forma, acho interessante ponderar que eu particularmente sou radicalmente contra penas de banimento, e tenho a mais absoluta convicção de que o Sr. Lagrenge tem todas as condições de permanecer em Reunião, e ainda contribuirá muito para a sociedade. O seu projeto de telefonia, por exemplo, é espetacular, e chega a ofuscar qualquer sombra negra que ainda possa haver em seu passado.

 

Montenero:

De fato houve muitos erros no processo da QUAEX: 1) As provas apresentadas não conclusivas que geraram o erro da prisão de um diplomata da Micro Igreja Católica; 2) A imoralidade das investigações que lembraram muito o caso Satiagraha do Brasil; 3). Suspeita de provas forjadas… Tudo isso pesa sobre a QUAEX. Por que a regência não se pronunciou contra estes erros?

 

Rodrigo Rocha:

Porque não estou certo sobre a existência destes “erros”. Creio que o órgão de investigação não pode ser criminalizado no lugar do verdadeiro criminoso. No caso da citada operação Satiagraha, por exemplo, o que houve foi uma reação por parte dos “poderosos” que se sentiram ameaçados pelas investigações da Polícia Federal brasileira, e resolveram acabar com a carreira do delegado. Foi uma represália dos poderosos contra o policial, que acabou desviando a atenção para os crimes gravíssimos cometidos pelo mega-banqueiro Daniel Dantas – hoje solto. Os criminosos estão todos soltos, e o delegado que os prendeu está com sua cabeça à prêmio.

 

 

Montenero:

Mas não fica claro quando você diz “o culpado” sem antes tê-lo submetido a um justo julgamento? Não há ai um erro? Por que a Regência não se manifestou?

 

Rodrigo Rocha:

O único erro que vejo é a tentativa de desviar a atenção dos crimes comprovados através da contestação do órgão policial. Veja, o verdadeiro “erro” foi o que foi tentado pelo Sr. Lagrenge ele mesmo com certeza está arrependido se você quiser criminalizar o órgão policial, então as ações da QUAEX sempre serão “erradas”… Porque sempre envolverão métodos polêmicos.

 

Montenero:

Você está afirmando que os métodos da QUAEX são questionáveis?

 

Rodrigo Rocha:

Questionáveis não são, porque uma agência de inteligência só atinge seu objetivo se conseguir agir de forma heterodoxa. O importante não são os métodos do órgão policial. Discutir isso é um tecnicismo burro, só favorece a impunidade. O foco das atenções deve estar nas provas, não no agente. Se a QUAEX fosse agir como um grupamento de escoteiros, não teria conseguido proteger o Império por tanto tempo.

 

A QUAEX é o mais firme e eficiente serviço secreto do micro-nacionalismo mundial, e não um grupamento de escoteiros que ajudam velhinhas a atravessar a rua. Não podemos querer que o trabalho deles seja politicamente correto, sob pena de favorecermos a impunidade geral.

 

Montenero:

Então você concorda que a QUAEX usa métodos heterodoxos e ilícitos para conseguir suas provas?

 

Rodrigo Rocha:

Como qualquer outro serviço secreto, no micro e no macro. Mas há um código de conduta. Forjar provas, por exemplo, jamais seria aceito. Mas espionagem existe sim, e é utilizada dentro e fora de Reunião. Tudo, claro, a serviço da Coroa Imperial.

 

Montenero:

Então a coroa apoiou os métodos heterodoxos da QUAEX?

 

Rodrigo Rocha:

A QUAEX é a mesma há 11 anos. Nunca mudou uma vírgula no seu modus operandi. A Coroa só mudará sua relação com a QUAEX no dia em que eles não forem mais eficientes… Mas esse dia está longe de chegar, dada a impressionante competência e lealdade de todos os agentes.

 

Montenero:

Rumores contam que os problemas com a QUAEX apressaram a volta de SSMI e a sustação da Regência, como foi o fato pra você?

 

Rodrigo Rocha:

Não houve nada disso. Eu já sabia com muita antecedência sobre o retorno do Imperador, que inclusive já estava programada antes mesmo da operação da QUAEX. A sustação da Regência foi perfeitamente coordenada entre mim e o Imperador, que me deu tempo inclusive para “me despedir” através de algumas medidas finais que eram de meu interesse. O Cláudio já estava com sua capacidade de manter atividade restabelecida, e foi por isso que ele retornou. E seu regresso foi a coroação de um dos melhores momentos da história reuniã. Nem a mais formidável Regência se equipararia com o funcionamento do Sacro Império de Reunião nas mãos do Cláudio.

 

Montenero:

Fontes seguras afirmam que a volta do imperador estaria marcada para março e foi antecipada pelos fatos

Rodrigo Rocha:

As tais “fontes seguras” vieram de mim mesmo… Eu mesmo passei para várias pessoas a previsão para março. Mas não foi uma previsão precisa de minha parte, o que acabou sendo muito bom. Eu já estava realmente um pouco cansado, e o Cláudio já havia retomado completamente a atividade. Que sentido teria uma Regência, se o Imperador estava completamente ativo e participando de tudo?

 

Montenero:

Bom, o imperador não estava completamente ativo. De fato ele já estava aparecendo nos chats de MSN, mas não estava ativo. A Sustação da regência – e isso é fato – surpreendeu!

 

Rodrigo Rocha:

Pode ter surpreendido quem não estava junto ao Poder Moderador ou quem não estava acompanhando a presença diária do Imperador a própria carta para o retorno do Sr. Lagrenge foi enviada por ele e por mim conjuntamente. O Cláudio já havia me informado com grande antecedência até mesmo o dia exato de seu regresso.

 

Montenero:

Como você recebeu a OG que reconhece a casa de Pacífica como Casa Dinastica Não-Reinante?

 

Rodrigo Rocha:

Não vi esta Ordenação e, sinceramente, não me interesso muito por isso. Vi apenas o reconhecimento da Casa de Pacífica para fins de utilização de seus títulos estrangeiros em solo reunião, medida com a qual concordo totalmente. Mas confio completamente que o Cláudio não comete os mesmos erros duas vezes. Ele é bem inteligente, sabe jogar muito bem. Qualquer coisa que ele tenha feito foi como estrategista e como líder experiente que é.

 

Montenero:

De todo modo, ao fim da regência Rodrigo Rocha foi aclamado o Regente do povo como foi pessoalmente receber este título popular?

 

Rodrigo Rocha:

Foi a melhor parte da Regência. A que mais me deu prazer. Os dias subseqüentes ao término da Regência foram os melhores pra mim, tanto pela festa popular e pelo reconhecimento, quanto pela sensação de dever cumprido. Estou eternamente grato a todos os que me auxiliaram e participaram deste grande projeto que culminou com o resgate histórico de Reunião à condição de maior micro-nação que se tem notícia.

 

Fico feliz por ter podido ajudar Reunião e por ter conseguido reunir os melhores ao meu redor.

 

Montenero:

Depois destes tempos brilhantes na sua carreira micro-nacional, qual o lugar de um ex-regente em Reunião?

 

Rodrigo Rocha:

Esse é uma pergunta interessante que eu ainda não sei responder precisamente… é um pouco difícil a adaptação a outras atividades, mas eu acho que estou me saindo bem. Um Regente que ocupa a Regência por tanto tempo, acaba de certa forma se tornando uma espécie de conselheiro informal “ad eternum” do Imperador. Além disso, cabe a ele manter sua respeitabilidade e continuar encorajando os mais novos

 

Montenero:

Fontes afirmam que você almejava o cargo de Lorde Protetor, mas não foi isso que aconteceu, quer comentar o fato?

 

Rodrigo Rocha:

Ninguém almeja o cargo de Lorde Protetor. É o Imperador que escolhe, e a escolha dele foi passada a mim de forma muito clara, e eu agradeci a confiança. No último número de O COMETA, lançado há poucos dias, ele confirmou sua decisão, e a mim cabe apenas aguardar. O trabalho do meu irmão Flávio Wernik à frente do Tribunal Marcial está sendo irrepreensível, e assim que as coisas se acertarem, o Imperador confirmará sua decisão sobre esse assunto. Mas quem me conhece sabe que eu não tenho apego nenhum a cargos, minha intenção é estar aonde eu puder contribuir mais.

 

Rodrigo Rocha:

(Não vai me perguntar nada sobre Sales/Pasárgada?)

 

Montenero:

Esse tema esta batido!

 

Rodrigo Rocha:

Uahauahauahauha… Então tá!

 

Montenero:

Pasárgada é cachorro morto e ninguém chuta cachorro morto!

 

Rodrigo Rocha:

HAHAHAHAHAHAHA

 

Montenero:

Mas aqui quem manda é o freguês…

 

Rodrigo Rocha:

Excelente seu comentário!

 

Montenero:

Sobre Pasárgada: Vemos muitas declarações sobre o virtualismo reunião, a última que jogam na cara dos reuniãos é a história do trenzinho. Como você analisa a tensão entre RE e PAS?

 

Rodrigo Rocha:

Pasárgada é a excelente. Já estive por lá muitas vezes, já fui embaixador reunião por lá, e sempre tive uma admiração grande pelo modelo pasárgado, pelo gosto que eles tinham pelo trabalho bem feito. Mas a Pasárgada de hoje não é a mesma de antigamente, apesar dos bons esforços de alguns pasárgados que ainda insistem em ficar por lá. Pasárgada está sendo controlada por um grupelho de “neo-pasargadistas” que gostam de posar de pasárgados históricos, mas não são. As críticas ao virtualismo sempre foram uma tônica pasargadista, mas não desta forma imbecil como é feita hoje!

 

Veja que Pasárgada depende exclusivamente de jogos de xadrez e mensagem off-topic macro-nacionais para poder ter algum movimento – mesmo que mínino – em sua lista nacional, e mesmo assim alguns pasárgados acham que podem criticar o sistema telefônico de Reunião, que… NÃO É VIRTUALISTA!

 

Daí se vê que o problema de Pasárgada é a gangue de pseudo-intelectuais imbecis que parasitam a micro-nação, e não a micro-nação em si.

 

Montenero:

O chá geralmente traz muitos temas, e hoje falamos de tudo. De amor à política!

 

Rodrigo Rocha:

É verdade!

 

Montenero:

Tem algum tema que gostaria de ter comentado e não abordamos?

 

Rodrigo Rocha:

A entrevista foi fantástica e muito ampla, eu só tenho a agradecer… Se possível gostaria de fazer um merchandising básico do meu novo escritório de advocacia, o Rocha, Miranda & Adamatti Advogados Associados, que está prestando serviços nas áreas de  Direito Penal, Direito Administrativo, Direito de Família, Direito Internacional, Direito Autoral, Direito Societário e Direito Canônico… É o melhor escritório de advocacia de Reunião!

 

Montenero:

 

O Regente que foi padre, pastor, casado, jornalista e agora advogado. Uma pessoa, sem dúvida, sui generis no micro-mundo. Agradecemos a enriquecedora conversa e desejamos sucesso para Rodrigo Rocha o regente do Sol!

 

Rodrigo Rocha:

Muito obrigado a todos e muito sucesso a esta revista que, é, DISPARADO, a melhor publicação micro-nacional dos últimos anos em todo o micro-mundo. Você tem um leitor assíduo e fã de carteirinha, continuem assim! E obrigado também a todos que tiveram a paciência de ler. Vemo-nos por aí, pessoal!

 

Correspondências

Aos leitores, esta coluna sempre será um espaço para suas manifestações. Uma revista séria que busca agradar ao leitor sem faltar com a verdade e o entretenimento.

Caro D. Fabianno,

Meus parabéns! A cada dia seu editorial vem se superando. Vossa graça esta dando uma aula de como se faz um jornal de qualidade. Já fiquei sabendo que o próximo número promete. Estou aguardando!

Atenciosamente,

Sir D. Bruno Bragança, Visconde de Tremblet

Ministro da Imigração, Turismo e Integração et al. (Em CHANDON)

 

Parabéns,
Convivo diariamente com o Flavius, e ainda não conhecia esse lado doce dele.

R. Saifal (Em CHANDON)

 

Parabéns,
Convivo diariamente com o Flavius, e ainda não conhecia esse lado doce dele.

R. Saifal (Em CHANDON)

 

Montenero,

 A maior qualidade de um grande entrevistador não está nas perguntas que ele faz e sim, em quem ele escolhe para entrevistar. E você é um ótimo selecionador do que é bom e o que deve ser notícia. O Chá é a a atual revolução jornalística do micromundo. O talkshow virtual.

 Rafael Ithzaak (Em CHANDON)

 

Montenero,

a revista continua excelente, as entrevistas são sempre muito boas e espero ansioso pelo número seguinte.

Aproveito para agradecer o Flavio pelas palavras que me dedicou!=)

[]’s
Raphael Garcia

 

Nossa obrigação é formular com qualidade, responsabilidade e integridade tudo aquilo que tem relevo no micro nacionalismo com um toque doce de talk show e o forte aroma das intrigas dos bastidores do micro-mundo, mas é também revelar das pessoas aquilo que pouco se conhece a seu respeito.

O Jornalismo no Micro-Nacionalismo lusófono está cada vez mais rebuscado em seus diversos segmentos e os periódicos cada vez mais valiosos. É de fato um avanço micro-nacional e uma responsabilidade manter o nível das publicações, o que fica cada vez mais difícil.

Graças a Deus contamos com colaboradores, leitores e uma boa chávena de Chá! Mais uma vez OBRIGADO!

Chá Conversa e MONTENERO n. 5

Nº 5 | 1 de Fevereiro de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

Principado de Mônaco

 

Editorial

São exatamente duas e dezessete da madrugada de domingo e não consigo parar de escrever! Chá, Conversa e MONTENERO deixou de ser uma simples revista e se tornou uma obrigação? Creio que não, mas não há nada que tenha me dado mais alegria que ver sair do teclado tantas e tantas palavras que, em coesão, traduzem um ponto de vista sobre tudo, absolutamente tudo que vemos na tela e que se remete ao micro-nacionalismo.

Desde as pequenas e rápidas notícias que temos “De Soslaio” que sempre informa ao leitor do que está na mídia do mundico, até a coluna “Extra, Extra!” que traz o maior furo do micro-nacionalismo lusófono dessa semana (por que aqui, cada semana há um boom de informações que desconcertam a lusofonia), somos testemunhas oculares do fenômeno micro-nacionalismo acontecendo eu suas várias facetas.

Muitos conceitos estão enriquecidos e enriquecedores para que o micro-nacionalismo seja um ambiente que una o respeito à diversão fazendo-nos conviver e aprender com a diversidade. Não são poucos os que recolheram boas lições de vida deste grande baú e a manutenção disso depende de todos nós.

Brilhantemente, poderíamos dizer que Rafael Ithzaak apontou um caminho de superação para o velho debate Virtual/Real – que está longe de findar-se – ao defender a multiplicidade de modos de manifestação de um mesmo fenômeno micro-nacionalista quando simplificou a questão criticando a linguagem academicista que tolhe a compreensão do fenômeno em sua simplicidade.

Chá, Conversa e MONTENERO aplaude grandes micro-nacionalistas que fazem as atividades renascerem a cada novo dia que se inicia e quer levar até você o melhor dos esforços para uma construção que conta com várias mãos.

Bom chá, boa leitura!

Chá

Combina com esta edição o Chá africano de Honeybush. É usado para fazer uma bebida e um chá medicinal, tendo um gosto e um aroma agradáveis, suavemente doces, um tanto como o mel. Cultivadas nas encostas da montanha de Longkloof District (Cabo Oriental), na África do Sul.

Similar na aparência e no sabor ao Rooibos é ligeiramente mais ligeiramente doce e suas suas flores exalam um distinto perfume de mel. Para produzir tal sabor adocicado a planta é colhida durante a floração e não contém cafeína e pode ser servido quente ou frio. Para depurar o  sabor, basta adicionar fatia de limão ou hortelã fresco.

Apreciem o chá e boa leitura!

Extra, Extra!

Um cisma familiar!

Uma das famílias mais tradicionais do micro-nacionalismo quebrou nesta noite e nossa revista está encima do fato.

Neste Sábado, 31 de Janeiro de 2009 às 10:16 PM, o Imperador Claudio I, por meio de uma Ordenação Gloriosa Nobiliárquica (http://br.groups.yahoo.com/group/chandon/message/89691) outorgou o título de Duque de Murta-Ribeiro da Santa Cruz a S.E.R. D. Alexandre Tarquino de Murta-Ribeiro da Santa Cruz com todos “os direitos nobiliárquicos à mesma inerentes, e a mais absoluta e total autonomia na qualidade de “pater familias” , conforme estabelece a legislação civil das famílias micro-nacionais reuniãs”.

A OGN ratifica a maior cisão familiar do micro-nacionalismo lusófono enfraquecendo assim a posição do patriarca de Murta-Ribeiro, Filipe Sales. A família agora consta de dois ramos distintos: o ramo pasárgado, composto por R. Mariano, Góes e Sales e o ramo reunião, composto por D. Tiago Augusto Melloni, Glauco Freitas e o patriarca Alexandro Tarquino, além de seu filho legítimo Jean Carlos Zimmermann.

Fontes especulam que o cisma se deu por um gravíssimo incidente no seio da família. Um desentendimento entre Bruno Sogdu de Murta-Ribeiro e Glauco Garcia de Freitas Von Hohenzollern-Friedenburg e Murta-Ribeiro por questões políticas envolvendo o Vice Reino de Maurício (RE). Glauco teria requerido posturas mais ativas de seu parente e recebeu uma reprimenda do patriarca Filipe Sales. Insatisfeito, o segundo filho de Sales cindiu a família.

Outro fator lateral foi a mudança de concepção de família no micro-nacionalismo. Os novos rumos não agradaram à ala mais conservadora dos Murta-Ribeiro o que foi agravado pelos últimos incidentes entre Glauco e Bruno Sogdu.

A pancada nos Murta-Ribeiro foi forte!

De Soslaio

*    Aventaram-se a possibilidade do fim de uma das famílias mais tradicionais do micro-nacionalismo, os Habsburg. Tendo sido procurado por nossa equipe, o patriarca da família D. Gustav Otto Von Habsburgo negou: “Deus me livre, foi minha maior conquista”. Mas nos bastidores os comentários são fortes e são corroborados pela inatividade do patriarca.

*    Boom de casamento! Abriram-se as porteiras: depois do micro casamento na França e do casamento de Dom Diesley e Dona Andréia em Reunião, foram aventados mais dois micro casamentos na ilha de Reunião. Marcelo Brunella e Kizzy Tupã, Bruno Bragança e Fabíola Melsi são os próximos pombinhos. Acena-se ainda que em breve Tales Zonaro também constituirá uma nova família. Se tiver alguma pretendente, Glauco Garcia De Freitas está solteiro! Esperemos os debates sobre micro-famílias.

*    III Reunião Ordinária da Nobreza Pacífica reúne os vários ramos da casa de Pacífica. SAI&R. D. Fabianno Montenero C. de Monte-Real e Pacífica fez uma belíssima intervenção sobre o sentido de uma micro-família (veja na integra no blog)

*    Na Imprensa Livre o anuncio da Feijoada reuniã causou uma santa inveja nos impossibilitados de participar. Felipe D‘Feitos declarou: “Para quem ta aqui a um ano e meio ver aquelas fotos, da vontade de pegar o primeiro avião”. Há projetos para um mega encontro em Março.

*    O rabino Rafael Ithzaak, presidente da SHR anunciou que em 15 de Shevat (9 de fevereiro) se dará a inauguração da nossa Sinagoga Ahavat Shalom, em Reunião.

*    André Cyranka, Ministro de Estado de Pasárgada foi licenciado por tempo indeterminado. Cansaço foi o motivo alegado, mas a mensagem do Primeiro ministro sugere que o afastamento se deu por xingamentos de opositores.

*    Rafael Garcia declarou: “um dia ainda volto para Reunião, mas ainda não é a hora!” Pasárgados não receberam bem a declaração.

BLINK

Trenzinhos ou Poemas?

 

Um grande problema discutido, principalmente entre os pensadores reuniãos e os pensadores pasárgados, é o velho e surrado Virtual vs. Real. Desde que uma virtualíssima empresa reunião Brunella Co.  anunciou a construção de uma ferrovia que cortaria A fortaleza de Vera-Cruz, os realistas usam o fato como sed contra ao modo de fazer micro-nacionalismo de Reunião.

Em uma conversa particular, o um dos maiores micro-patriólogos comparou Reunião à Neverland, terra do Petter Pan, onde as pessoas se recusariam a crescer.

 

Critica a parte, olhar a lista de Pasárgada nestes últimos dias, nos fez ter um susto! A baixaria estava à solta. “O poema do cu!” peça literária (?) postada levou os níveis de debate para o porão do micro-nacionalismo. Quando mostrado a vários micro-nacionalistas sérios, o susto não foi o mesmo. Alguém chegou a declarar que a seriedade abandonou a lista pasárgada depois deste poema.

 

Como se não bastasse o poema ter arrastado o nível cultural para o fundo, a declaração (ou convite) do Primeiro Ministro enrubesceu o micro-mundo! Sabemos que no micro-nacionalismo há adultos, mas também adolescentes! E que é de estrema irresponsabilidade, sem comentar o mau exemplo e mau gosto, a publicação pasargada.

 

Os reuniãos, neste ponto, ganharam de longe, uma vez que em sua lista tais textos chulos são repreendidos com vigor e o CCC regula duramente as mensagens enviadas inclusive com severas punições.

 

Alguém ainda poderia argumentar que se vê coisa pior na rede e quanto a isso não há argumentos contrários, mas não é por que a rede tem coisas ruins que devemos contribuir com as podridões.

 

Entre poemas impudicos e trenzinhos, optemos pelos trens. São menos imorais!

Entrevista

Hoje falamos com uma das pessoas mais polemicas do mundo, mas que revelou um espírito simples e sensível, por mais incrível que pareça. Falamos de Flavio Miranda Von Rainer, um dos reuniãos mais polêmicos da atualidade.

Montenero:

Amigo de todas as horas, com um gênio forte e um humor em altíssimo nível e o punho de aço da QUAEX. Flávio, quando e como entrou no micro-nacionalismo?

Flavio Miranda:

Entrei em setembro de 2004 pelo convite de um amigo macro chamado Júlio Jamil, dai foi amor a primeira vista. Conheci o Cláudio de Castro, gostei e fiquei

Montenero:

Como é seu relacionamento com Claudio de Castro?

Flavio Miranda:

Uma enorme amizade, ele é muito engraçado além de gordo, mas sempre conversamos muito ele me aconselha muitas coisas, tanto micro quanto macro. É uma das pessoas que tenho vontade de conversar pessoalmente, mas às vezes dou uns puxões de orelha nele!

Montenero:

Em um encontro de reuniões, na confeitaria Colombo – RJ, Claudio de Castro declarou que você é um micro-nacionalista apaixonado por reunião, e que ano após ano tem se destacado… Quem é o Flávio Miranda Von Rainer e qual a diferença agora?

Flavio Miranda:

Cara, é difícil chegar a um ponto concreto sobre mim mesmo, as vezes sou a razão, sou a emoção, sou a razão da emoção ou a emoção da razão. Uma coisa posso afirmar: sou fiel aos meus amigos e a minha micro-nação, mas se alguém fizer algo de errado tanto com a minha micro-nação ou a algum amigo eu vou em cima vou tomar as dores, mesmo que essa pessoa seja meu pai ou minha mãe!

Montenero:

E como ver esse amor todo com sua saída repentina para Pasárgadaárgada, não parece contraditório?

Flavio Miranda:

Desiludi-me com a política de Reunião, pessoas que são totalmente desprovidas de qualquer conhecimento, estamos com dois lugares totalmente parados por parte de seus chefes, sorte deles que dispõe de uma ótima equipe que fazem a coisa funcionar. Mas meu amor por Reunião me fez esquecer isso e voltar. Reunião sim é o meu lugar!

Montenero:

Quais são os pontos concretos de sua desilusão ?

Flavio Miranda:

Ecie e o Palácio Magistral. O Coch é meu amigo, tem história, mas está deixando a desejar no seu governo. O Gustavo Ramos é a pessoa que esta acabando com ECIE mandando umas mensagens bobas e nada demais

Montenero:

Mas por que Pasárgadaárgada?

Flavio Miranda:

Eu queria limpar a visão que eu tinha de lá, realmente Pasárgadaárgada tem grandes pessoas lá, não vejo rivalidade entre Pasárgada e Reunião, todas tem suas histórias, ambas começaram ali juntinhas. Quem cria tudo isso são pessoas que desconhecem este fato

Montenero:

Você esteve em Pasárgada em missão da QUAEX?

Flavio Miranda:

Não, fui limpo!

Montenero:

Quais são suas impressões sobre Pasárgada?

Flavio Miranda:

Ótimas, tirando algumas pessoas lá, mas isso não atrapalha o respeito que adquiri de Pasárgada. Contudo, o Cava, Aron, Garcia e até o Góes, pessoas que realmente merecem meu respeito a partir de agora. Foram pacientes comigo, o Góes não era aquilo que eu pensava, foi um cara que ajudei no início dele no micro-nacionalismo e se tornou um grande micro-nacionalista, melhor que muitos da antiga.

Montenero:

E o Cava?

Flavio Miranda:

Cava é um mestre do micro-nacionalismo, de muito tempo eu admiro sua pessoa, já o Aron e o Garcia são dois Comunas, diferentes do padrão… rs!

Montenero:

E por que voltou pra Reunião, o que houve?

Flavio Miranda:

O amor apenas isso!

Montenero:

Flavio, vamos falar sobre a QUAEX e pontos controvertidos de sua micro-história

Flavio Miranda:

Vamos, mas muitas coisas não poderei revelar por questões éticas

Montenero:

O que não quiser responder fique a vontade. Quantas operações, ao longo de sua estada na chefia da QUAEX, você participou diretamente e quais foram elas?

Flavio Miranda:

Garanto-te que participei de muitas como estou participando agora, há dias que vivo que nem aquele seriado 24 horas, em pouco tempo tenho que desarmar bombas, seqüestrar aviões fugir de cativeiros e por ai vai. Graças a Deus tenho uma equipe bastante competente que me ajuda nisso

Montenero:

Qual a operação que mais lhe excitou? Mais lhe deu prazer? (ah você entende, sem conotações sexuais!)

Flavio Miranda:

Cara, o primeiro golpe que o Sales deu em Reunião, trabalhei com o Fraga e o Chaps. Foi quando eu decidi viver essa vida. O Sales quando foi Premier criou um clima de tensão por causa da inatividade de SSMI dai quis tomar o poder com uma ditadura militar, mas o tiro saiu pela culatra, pegamos ele com a boca na botija, hospedamos ele na brilhante Ulstra junto com o Motumbo

Montenero:

Quando o Sales voltou à Reunião e logo depois saiu para Pasárgada, foi acreditado com diplomata em Reunião. A QUAEX investigou e prendeu o Sales, mesmo ele sendo diplomata, e ele foi recolhido pelo governo pasárgado. Na época você era o primeiro nome da QUAEX. Poderia nos dizer os detalhes da operação?

Flavio Miranda:

Só posso informar que ele era membro da ARMADA, a QUAEX de Pasárgada.

Montenero:

Mas a história começou com um vazamento de informações da lista da chancelaria reuniã para o governo pasárgado, por parte do Gustavo Otto que estava, à época, em Pasárgada…

Flavio Miranda:

Não posso responder essa pergunta

Montenero:

Ok!

Caso Lagrenge: o que lhe motivou as suspeitas?

Flavio Miranda:

Ataques ao regente e outros que são sigilos da QUAEX que serão entregue ao tribunal marcial que em breve julgará o caso

Montenero:

O que mais lhe irritou no caso?

Flavio Miranda:

A pressão de pessoas sobre o caso, queriam se meter em meu trabalho

Montenero:

Quem em concreto?

Flavio Miranda:

Abafa o caso! UHauhAUHAuha… Foi questão de momento

Montenero:

Soube que houve uma discussão entre você e o núncio que em momento antes da QUAEX anunciar uma denuncia formal, nomeou um adido diplomático… Pode comentar o caso?

Flavio Miranda:

Melhor não falarmos sobre isso, a justiça vai resolver o caso do Edu

Montenero:

Flavio, o jornalista: Você ocupa o lugar de “Boca do lixo” micro-nacional, tem um periódico humorista – acho que um dos mais antigos de Reunião… Nos chats de reunião é conhecido por sua irreverência, inclusive com temas religiosos. Como tem sido seu trabalho jornalístico em RE com todas essas características?

Flavio Miranda:

Junto tudo e bato no liquidificador e faço uma vitamina. Hahahahah! Sempre acaba saindo algo que presta. O pessoal gosta do meu jornal, apesar de ser uma merda, mas gente de outras micro-nações vem me cumprimentar

Montenero:

Flavio, vamos tocar mais um ponto complexo? Você conheceu o episódio da Honra Imperial, participou dela?

Flavio Miranda:

Fui chefe da HI…  Surgiu pela defesa do império, quem era contra Reunião era contra a HI

Montenero:

Pode dizer quem eram os componentes e como se deu essa reunião?

Flavio Miranda:

Eu era sozinho

Montenero:

Fontes nos informaram que muitos outros reuniãos que eram especialistas em hackear sites estavam envolvidos.

Flavio Miranda:

Eu tinha milhares de paples, inclusive usei o nome de alguns reuniãos

Montenero:

O imperador reunião afirma não ter tido conhecimento da Honra Imperial. É assim mesmo?

Flavio Miranda:

Ele nunca soube e nem sabe, eu q tornei público assumindo a ordem

Montenero:

Fontes nos informaram que hoje a HI é uma organização ultra secreta que, embora nunca tenha tido apoio da coroa, ainda funciona…

Flavio Miranda:

Está adormecida…

Montenero:

E que conta com mais membros que não se identificam

Flavio Miranda:

Eu sou o único membro responsável pela Honra Imperial.

Montenero:

O que aconteceu em Portugal e Algarves?

Flavio Miranda:

Eles eram contra Reunião e receberam o merecido presente. Ganharam presente apenas… Eles pediram pro Papai Noel e ele se antecipou. A gente ganha o que merece!

Montenero:

Política: Sabe-se que você atuou ainda na política, qual foi o seu melhor momento?

Flavio Miranda:

Quando fui Premier, tive uma equipe maravilhosa que me ajudou muito, ministros e amigos. Meu partido o PSD

Montenero:

Até hoje você milita no PSD, o que falta e o que está bom no partido?

Flavio Miranda:

Como costumo dizer… “Tá MARA!” Hahahahah, não tenho do que me queixar!

Montenero:

O Panorama político de Reunião tem mudado. Como você analisa a atualidade política de Reunião?

Flavio Miranda:

Falta articulação, falta para alguns partidos verdadeiros líderes, conhecedores da política reunia.

Montenero:

Você é também poeta, mas essa é uma veia pouco explorada em Reunião, não é hora de investir um pouco mais nessa área?

Flavio Miranda:

Bem que eu gostaria, mas em Reunião isso não funciona muito, a pouco tem atrás ganhei um titulo no Chile (macro), mas quem sabe em breve minhas poesias podem rolar por ai

Montenero:

Quer fazer alguma consideração de algum tema que gostaria de falar e não abordamos?

Flavio Miranda:

Cara, eu taco pau na Micro Igreja, mas consigo ser amigo e mui amigo dos padres, a minha curiosidade é saber como rola meu nome na CEM

Montenero:

Vamos conversar então sobre religião

Flavio Miranda:

Sim

Montenero:

Em várias mensagens suas há o que o clero reunião considera “profanação”, mas como nunca se declarou católico no Micro-nacionalismo, nunca recebeu uma reprimenda mais dura, senão alguns puxões de orelhas, mas sempre em nível pessoal. Por que tanta agressividade? Para provocar a CEM?

Flavio Miranda:

Sou católico, casei na igreja, mas gosto de ver a chapa esquentar, adoro apimentar os argumentos do Garcia sobre a religião.

Montenero:

Você chegou a ser repreendido, mas não cansa… Não acha que erra por fazer declarações escandalosas que chocam? Seria uma forma de provocação pessoal? Tem alguém na MIC em especial que você não topa?

Flavio Miranda:

Eu gosto de todo mundo de lá, o Renato já queria me queimar na fogueira da inquisição por eu ser a favor da maçonaria, mas eu amo o natinho.

Montenero:

hahaha

Montenero:

A MIC acha que é um brincalhão que passa dos limites!

Flavio Miranda:

Que bom, pelo menos eles se lembram de mim

Montenero:

Um bate bola rápido.

Um amor.

Flavio Miranda:

Macro e micro Laise!

Montenero:

Um desgosto.

Flavio Miranda:

Não tenho, não guardo rancores.

Montenero:

Uma vontade.

Flavio Miranda:

Um mega encontro micro-nacional para abraçar todos!

Montenero:

Um momento de fúria micro-nacional.

Flavio Miranda:

Momentâneos, por isso não lembro, mas na hora mando pra caixa prego

Montenero:

Um momento em que beijaria alguém no “mundico”.

Flavio Miranda:

Qualquer momento… Beijaria todos, meus “colhões” não turbinados com silicone, não tenho raiva

Montenero:

Um amigo do peito.

Flavio Miranda:

Muitos… Inclusive este jornalista chato… rs!

Montenero:

Um inimigo.

Flavio Miranda:

Não tenho!

Montenero:

Alguém que admira no “mundico”

Flavio Miranda:

Azambuja, esse passou geral na mulherada no “mundico”

Flavio Miranda:

Posso fazer uma contribuição pro Chá?

Montenero:

Sim, claro!

Flavio Miranda:

Pode colocar uma poesia minha lá?

Montenero:

Sim

Flavio Miranda:

Acabei de lançar

Montenero:

Certamente, o espaço é todo seu pra dizer o que quiser

Flavio Miranda:

Vem me aquecer,

desencarna a poesia que estou lendo

distancia a saudade de nós.

Me traz o ar, a água ou só você

Enxuga minhas lágrimas

que tua ausência causa.

 

Se há alguma cor,

ainda não apareceu por aqui

não deixa nada tirar elas de mim

basta você chegar

que elas surgem

Flavio Miranda:

Nem todas as flores

que se encontram no vaso

nenhuma tem teu cheiro

Nem um dia serão

como tua primavera

aquela que reiventa tua forma

Antes que amanheça

minhas cores não serão como

o canto branco dos colibris.

Montenero:

Uma convesa forte, polêmica e agradável onde pudemos conhecer lados de Flávio Von Rainer que pouco ou nunca foram explorados antes em Reunião. Um momento de amizade! Agradecemos a disponibilidade e o carinho para com nossa revista!

OBRIGADO!

Flavio Miranda:

Eu que agradeço, aproveito também para parabenizar o sucesso e a competência da sua revista

 

Correspondências

A seção de cartas traz a resposta do impacto causado pelas declarações do micro-nacionalista Claudio de Castro, que provocou um verdadeiro Tsunami micro-nacional. Duas edições extraordinárias e a vontade de “quero mais”.

Este Jornal está Cada Dia que Passa Melhor.

É um exemplo para ser seguido por toda imprensa micro-nacional.

Melhor que estes jornalecos que ficam dando aula .

 

M.Hon. Dom Marcelo Brunella Aziz Jorge,Barão de Marques Lisboa (Em CHANDON)

 

É a seqüência do primeiro chá, maravilhoso, como o anterior, com a qualidade do grande entrevistador Montenero! 

Rafael Ithzaak (Em CHANDON)

 

Parabéns ao Chá, Conversa e Montenero, foi muito expressiva a entrevista do Cláudio, e esclarecedora também. Isso demonstra o carisma que ele tem.

Parabéns, sensacional!

Dom Jean de Lyon e Valois (Em Royaume la France)

 

D. Fabianno Montennero,

Micro-Núncio e amigo 

O Chá está ótimo! Divertido por excelência ele também nos informa e faz discussões filosóficas – criando uma síntese tão interessante que faz com que seja a minha revista  preferida na atualidade! =) 

Cordialmente,

 

D. Bruno Queiroz de Santa Cecília (Em CHANDON)

 

 

Para mim, editar essa revista é mais que um hobby, tem se tornado uma necessidade. Creio que o feed back dos leitores também é estimulante, por que queremos sempre unir bom gosto, idéias boas e bom humor numa xícara de chá!

Não concordou? Quer acrescentar? Escreva para nós!

Chá, Conversa e MONTENERO n. 4

Nº 4 | 24 de Janeiro de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

Principado de Mônaco

 

Editorial

Na segunda etapa da entrevista com Claudio de Castro, as grandes expressões que, se bem lidas – sem paixões e com o espírito aberto – deixam uma marca histórica no micro-nacionalismo. Diríamos que é uma cartilha para o micro-nacionalista de hoje.

Oolong na chávena e muita e muita coisa na cabeça, “Chá, Conversa e Montenero” traz “De Soslaio” as novidades do micro-mundo.

Ainda num ponto filosófico, “BLINK” traz uma consideração interessante motivada, que se fique claro, pela vontade de tornar clara a ratio do micro-nacionalismo. E em  “Correspondências” o impacto do número anterior da revista mais lida do micro-nacionalismo lusófono

Sem nenhuma cerimônia, podemos nos sentar para um Chá, conversa e Montenero!

Chá

O chá servido agora é o oolong, cujas folhas são secas diretamente à luz solar e são semi fermentadas. Depois de sacudidas em cestos de bambu o que faz as suas beiras levemente machucadas, são estendidas para secar até adquirirem ligeira coloração amarela. Nunca se quebram as folhas pelo processamento de rolo. Oolong possui um sabor mais próximo ao chá verde do que ao chá preto: ele não possui o aroma róseo adocicado do chá preto mas por outro lado ele também não possui as notas vegetais marcantes típicas do chá verde. Ele é em geral preparado forte, com o amargo deixando um resquício de sabor adocicado.

Um chá como nossa entrevista: alguns acharam amarga, mas o final é sempre adocicada!

De Soslaio

*    Do Mesmo modo que foi, voltou! Flávio Miranda está em Reunião novamente: “Mistééééééério!”

*    Já estão em funcionamento as primeiras linhas telefônicas. A Companhia Internacional de Telecomunicações (CIT) liberou os primeiro números colocando o Sacro Império novamente nos Píncaros.

*    O COMETA voltou com toda exuberância que se poderia constar num periódico de tamanha classe e perfeita edição.

*    Reino Unido de Portugal e Algarves reage às críticas de Claudio de Castro. (Veja no Blog a integra dos textos).

*    Comitiva Diplomática do Reino da Itália visita o Sacro Império de Reunião para estreitar laços. O chancele e o primeiro ministro foram recebidos por Sua Sacra Majestade Imperial. Em nota a Micro Nunciatura em Reunião deu boas vindas aos excelentíssimos italianos.

*    O presidente da Academia Francesa de Letras (AFL), Dom Jean de Lyon e Valois, informou que estão abertas as candidaturas para as vagas: 04, 05, 06, 07, 08. Os candidatos, entre outras exigências devem ser franceses e tenha publico através de Imprensa Micronacional qualquer trabalho de Gênero Literário.

*    Em Pasárgada, o MESP informa em caráter de urgência que em virtude da irregularidade da rede, através do emulador SNES, o torneio da “Noite Esportiva” de domingo foi adiado sem, contudo, alterar a Noite que seguirá com jogos amistosos. Que coisa não?

*    O SOCIOCULTURALISTA movimento a lista pasárgada. Mais uma colaboração para a micro patriologia?

*    Foi fundada a Sociedade Hebraica de Reunião pelo notável Rabino Rafael Ithzaak.

BLINK

O Fantasma

(Ou Enganos do Socioculturalista)

Queda-se pertinente abordar o casamento – ora meritório, ora esdrúxulo – entre dois conceitos tão vividos e debatidos no micro-nacionalismo e que já se tornaram comuns na cabeça de grandes teóricos do “mundico”. Contudo, como tudo no mundo que se torna vulgar – isto é, pertencente ao vulgo – perde a coloração exata, cabe-nos retirar as grossas camadas de tinta com que repintaram a bela arte de ser micro-nacionalista.

Cabe-nos, então, empreender um lento e minucioso trabalho de retirada da grossa camada que desfigura os conceitos nos quais se estribam diferentes atitudes ante o micro-nacionalismo: o virtualismo e o realismo.

Não há o que se condenar quando se contrapõe ao realismo a fantasia. Se olharmos de perto o termo “realidade” não nos surpreenderemos em ouvir dizer que propriamente o termo indica o modo de ser da coisa enquanto existe fora da mente humana e independentemente dela.

A realidade do ente se dá não por sua ausência de síndeto com a mente humana, mas com sua autonomia diante dela. A coisa é per se e independe de alguém que diga algo dela para que continue sendo o que é de fato. Assim, de modo realista, uma cadeira é uma cadeira ainda que me sirva como mesa! O que difere não é o ser da cadeira, mas o uso que o individuo faz dela.

Mutatis Mutandi, o realismo do micro-nacionalismo é legitimado pelo que há de si mesmo em uma micro-nação, isto é, pelo que ela é autônoma e independente enquanto objeto cognoscitivo. Seu realismo se expressaria bem como: o que é em qualquer dos significados existências de ser. Em outras palavras seu realismo se dá diante de seu ser ente.

Postulado nestes termos (isto é, migrando no micro-nacionalismo “a realidade” de o modo de ver para o modo de ser, enquanto ente que se pode conhecer) o abismo entre a realidade e fantasia ganha sua cor e tessitura originais, uma vez que fantasia é imaginação!

Aqui cabe uma distinção a guisa de informação, pois o óbvio é sempre facilmente esquecido: Fantasia ganha seu significado na imaginação! A partir do século XVIII o uso concomitante dos dois termos, fantasia e imaginação, acabou por gerar uma distinção de significado. Fantasia passou a designar uma imaginação desregrada, desenfreada. Nesta esteira, a lógica de Port-Royal (à bem da verdade, seguindo o conceito cartesiano na Regula XII) diz que a imaginação “é a maneira de conceber as coisas mediante a aplicação de nosso espírito às imagens que estão pintadas no nosso cérebro”, distinguindo assim a idéia da coisa das imagens pintadas na fantasia. Kant, de modo análogo diz que a fantasia é “a imaginação enquanto produz imagens sem o querer” (Antr., I § 28)

Assim, dizemos facilmente que a fantasia é algo inexistente que toma corpo como se existisse: um fantasma (do grego fa,ntasma), ou seja, algo que é vestígio imaterial das coisas, produto da imaginação.

Mas não nos afastamos de nosso tema principal, por que aqui cabe uma correção, as micro-nações modelistas não são fantasmagóricas. Ao rigor do conceito diz-se que: As micro-nações modelistas são aquelas que misturam a ficção com a realidade…

Então seria um erro não considerar as devidas distinções entre “fantasia” e “ficção”. E colocando lado a lado os termos, descobriremos que seriam reais os gráficos que esquematizam o chamado Locus Micronacionalis se não fosse essa escorregadela.

Se fantasia é algo fantasmagórico, ficção, por sua vez é o “como se”. Obviamente ficção não é uma hipotese porque não exige ser verificada, mas uma realidade factivel e como tal não é uma situação patológica, mas normal e que a unica alternativa que ela formula é aquela de um uso sabedor e astuto da ficção como sinal.

De modo simples a fantasia é algo que não existe e toma corpo como se existisse e a ficção é o factível!

Quem sabe as novelas e filmes tenham misturado em muitas cabeças pensante os conceitos de ficção e fantasia de modo que passam com broxas, por cima destas nuances tão delicadas e feitas à pincéis zero com a delicada sutileza das palavras e seus significados.

Alguém poderia ainda perguntar-se para que serviria s ficção no micro-nacionalismo. Responderíamos sem titubear que elas alimentam a imaginação moral que bebe nas fontes da ficção para poder gerar e expandir um ethos, o modus essendi do “homem que age” numa simbiose com as normas sociais (sejam advindas do âmbito religioso ou do âmbito contratual).

Tendo posto esses detalhes que passaram despercebidos em alguns pensamentos mais abrutalhados, cabe-nos decretar, por fim e de uma vez por todas, que não há fantasia no micro-nacionalismo modelista, mas o que se quer dizer quando se diz popularmente com o termo “virtualismo” é que aqui há espaço para o “como se”, a ficção.

É necessário observar o cuidado semântico para não passar com broxas no que foi pintado à pincéis número zero.

Um último aviso aos pensadores: cinema e novela de mais fazem confundir ficção e fantasia num hibridismo monstruoso, se transposto para o micro-nacionalismo sem suas ressalvas.

Entrevista

[Continuação]

 

Na continuação, mais declarações – polemicas e afáveis – que nos mostram um pouco mais da pessoa de Claudio Castro, uma chave para a leitura do fenômeno micro-nacionalismo e para o sucesso de Reunião.

 

Montenero

E qual foi o momento que você gostou tanto que teve vontade de “beijar” o indivíduo!

Cláudio de Castro

Tive vontade de beijar todos os que me surpreenderam em Reunião. E foram muitos. Tive vontade de beijar Quintino quando ele ativou o Judiciário, Aguiar quando me sugeriu tantas e tantas coisas legais, Otto von Draeger quando ativou o gabinete do premier pela primeira vez, Fioravanti quando me mostrou que era possível ter um chanceler profissional. Rocha agora por mostrar que uma Regência pode não ser desastrosa, Filipe Oliveira mil vezes, Laura Dayspring por me mostrar que dava pra existir um órgão que recepcionasse direito os novatos… Paulo Jacob quando criou seu surpreendente jornal… Bruno Cava quando começou a teorizar sobre o micro-nacionalismo reunião… Olympio Neto quando criou o primeiro mecanismo de busca em nosso site… Cresci quando conseguiu trazer a Igreja de forma não-ridícula para Reunião, Zeni, Chapchap e Saifal, por me ajudarem quando do golpe dos hipócritas apesar de mal me conhecerem…

Cláudio de Castro

Fui à lua de alegria quando criaram na anglofonia a ANTI-REUNION LEAGUE (Ladonia, Landreth, e outros).

Rafael Ithzaak

Ainda existe isso?

Cláudio de Castro

Não mais! Porque não somos mais bilíngües, então não anexamos mais anglófonas, mas anexamos varias… Uma vez tomamos uma região de Cyberia, a toda poderosa maior micro-nação americana da história.

Montenero

Fale-nos um pouco sobre as relações com os micro-nacionalistas de língua inglesa

Cláudio de Castro

Ah fabianno, pula essa, detesto redigir em aberto assim!

Montenero

Ultimas polêmicas: Sobre o caso de Filipe Sales em RE e o caso Lagrenge, que são parecidos, salvas proporções. Como Vossa Cláudio os analisa.

Cláudio de Castro

Filipe Sales gosta de ser o dono da bola. Ele é Eficiente, inteligente, hábil, ativo. Gosto muito dele. O micro-nacionalista dos sonhos, EM TESE. Continuaria sendo, mas ficou chato, cansativo, ranzinza. Maldita esparrela esta de pensar que o micro-nacionalismo é algo de suma importância para o mundo. O micro-nacionalismo é muito legal, é um hobby inteligente, que contribui para a formação da pessoa. É formador de carácter. Mas se a gente espanta os novatos, espanta os jovenzinhos, porque eles inicialmente são primários… Se a gente escreve o tempo todo para os “tops” não formamos caráter, Passamos sim a gerenciar o que já existe.  O caso dele em Reunião não foi nada demais. Entrou, saiu, entrou, saiu. E a vida continua. E se quiser entrar de novo, por mim tá bem. O caso do Lagrenge é algo normal também. Falou o que muitos não gostaram, os que não gostaram tentaram tomar atitude. Bom sujeito. Tudo pra mim é normal, acho que sou mesmo meio maluco.

Acho o Sales formidável. O Golds então! Adoro o Golds. Ele é um cara íntegro, adorável mesmo. E tudo isso além do que o Sales é. Ele pode ser melhor micro-nacionalista que o Sales, porque o jeito de ser do Sales afasta um pouco os novos, enquanto que o carácter admirável do golds os une.  O Mariano é outro que tem esta qualidade, e sem estar tão contaminado com o elitismo que o Sales adotou.

Montenero

Se pudesse trazer de volta um reunião quem seria?

Cláudio de Castro

Se eu tivesse este poder traria todos. Nunca um só! Ninguém sozinho faz diferença. Mas todos juntos fazem muita.

Rafael Ithzaak

Já pensou em renunciar a coroa?

Cláudio de Castro

Nunca. Mas em sumir, sim. E sumi! Já pensei em bloquear reformas. Depois descobri que é melhor deixar que as façam e dêem com os burros n’água, pra depois saírem de Reunião. Quando saem, arrumo quem destroque tudo. Sempre voltam mesmo, e quando voltam, são menos rebeldes. 80% dos micro-nacionalistas saem de Reunião pra retornar depois. Quando retornam estão perfeitos, prontos!!!!

Sabem por quê? Por que já viram que 1) não é fácil para uma micro ser como Reunião 2) as outras micros simplesmente não funcionam por mais que 6 meses 3) Reunião é mais divertida 3 ) em Reunião o caos tem sempre fim, pois há quem zele pela ordem 4) Reunião é transparente:  as outras aparentam democracia mas estão na mão da mesma panelinha, sempre.

Bruno Queiroz

Seria a separação entre a Igreja e o Estado um bom exemplo disso que Vossa Cláudio mencionou?

Cláudio de Castro

Bruno, várias outras coisas são exemplo disso. As únicas reformas que não me permito permitir são as que destroem aspectos de reunião que não influem em nada no dia-a-dia, e servem apenas para que micro-nacionalistas inexperientes satisfaçam seus desejos efêmeros. Por exemplo, nossa geografia.

Reformas geográficas 1) dão trabalho; 2) precisam de horas e horas de trabalho pra serem implantadas em nossos sites; 3) simbolizam a troca de seis por meia dúzia.

Cláudio de Castro

Outra coisa que me dá alegria em Reunião é ver os reuniãos integrados, amigos. Por isso tenho horror de amigos que formam micro-nações. Prefiro micro-nações que formam amigos. Pessoas que jamais se conheceriam, jamais interagiriam. Isso me apaixona!!

Cláudio de Castro

Amigos que formam micro-nações normalmente formam algo medíocre ou no mínimo homogêneo demais. Por que nenhuma secessão JAMAIS serviu pra nada? Porque se todo mundo pensa igual, a micro-nação é medíocre.

Montenero

O lado cômico: Surgem cada vez mais “jornais comédias” e micro nacionalistas piadas… O que mais lhe diverte ler em CHANDON?

Cláudio de Castro

Acho Jornais Comédias OK. Mas rio muito mais com uma boa briga político-partidária, dessas que têm muito mais a ver com o tipo de humor que me satisfaz. A argúcia, a acidez, me fazem rir muito mais que o pastelão. Mas gosto dos jornais humorísticos, apenas prefiro o embate político.  Gosto de política.

Montenero

O Movimento feminino na história de Reunião é uma quimera ou um fato? A que se deveria a ausência (ou escassez) feminina em RE?

Cláudio de Castro

Já tivemos três premieres mulheres. Uma desembargadora e várias juízas. Inúmeras cidadãs ótimas. Mas creio que o fenômeno da interação minimamente inteligente na internet não seja do agrado da maioria das mulheres. Como jogos de RPG, creio, é assim também. Prefiro não especular sobre as razões.

Rafael Ithzaak

Não acompanhei o fato, porém o Rocha assumiu a regência a micro estava tão parada assim mesmo?

Cláudio de Castro

Estava bem parada, sim. Não 100%, mas ela parou mesmo depois que o Edu saiu, mas o Rocha deu a volta por cima… Seguiu as premissas necessárias, copiou as coisas certas, soube analisar o meu proceder de quando estou presente.

Montenero

Reunião é uma caixinha de surpresas. Há algo que lhe surpreendeu? Algo pelo que não esperava?

Cláudio de Castro

O forte de Reunião são os reuniãos. É só provocá-los direitinho. Parece simples, e é! Por isso as micro-nações que não dão certo nos odeiam. Porque não fazemos nada de especial. Apenas mantemos as pessoas animadas. E estimulamos a heterogeneidade.

Bruno Queiroz

Neste exato momento da entrevista eu acabei de ler uma mensagem do atual primeiro-ministro Pasárgado, anunciando um site que, aliado ao de Porto Claro, denotarão a superioridade dos países republicanos em relação aos monarquistas. O que diria sobre isso?

Cláudio de Castro

Eu diria que o site de Reunião está em plataforma plenamente atualizável, Joomla, que é o site mais completo e profissional de todo o mundo micro-nacional, que tem roupagem que agrada aos pré-micro-nacionalistas sobremaneira… E também que todo mundo tem que aparecer de alguma maneira. Há quem ateie fogo ao próprio corpo! Que dirá os que dizem asneiras. E digo mais uma coisa, esta sim perturbadora. Eles estão aprendendo, após mais de uma década, que uma boa forma de acordar países caóticos e adormecidos é eleger um inimigo externo que centre a atenção de todos, fazendo com que os cidadãos busquem fazer algo cada vez melhor para servir de comparação e possivelmente ultrapassar em qualidade as realizações do “inimigo”.  Em suma, eles estão chegando com o pozinho, mas o nosso café está pronto há uma dúzia de anos.

Rafael Ithzaak

O fato é que a “demonização” do outro é fundamental para alguns propósitos!

Cláudio de Castro

Mas só de saber que aprenderam o óbvio já me faz ter mais esperança na humanidade. Até o cachorro quando leva choque antes de comer o docinho aprende… Não come mais o docinho! Porque os micronacionalistas de fora seriam piores que os cães?

Estão certos, agora é ver se estão preparados.

Logicamente que os portoclarenses historicamente não passam de peripatetas, andando de um lado a outro sem nada realizar, e assistindo à maior taxa de novatos micro-nacionais desperdiçados de todo o micro-mundo. Sua história agrada, seu estilo agrada, seu micro-nacionalismo agrada. Mas não segura. Porto Claro é como uma mulher bonita que sofre de vaginismo.

Quando o cara vê que não tem jeito, ele é desperdiçado…. Ele raras vezes vai pra Reunião, ou outra, pois desde pequeninho aprende que eu como criancinhas com batatas. Sabe o que ocorre? Ele se inativa e deixa o mundo micro-nacional. Porto Claro não é monárquico, realmente, mas é “multiárquico”. Isso também influi.

Quanto a Pasárgada, ela realmente contém alguns dos melhores micro-nacionalistas, se aprenderem a seguir aquelas premissas básicas que fazem uma micro-nação crescer e se manter ativa, se deixarem de ser micro-nacionalismo-de-terceira-idade, se deixarem o modelismo prevalecer, podem fazer história como Fez e Faz Reunião, salvo melhor juízo.

Cláudio de Castro

Se forem pra este realismo, vão virar yahoogroup de discussão filosófica. Tenho muito respeito à filosofia e à doutrina, mas será à toa que nas faculdades de filosofia são 25 vagas por candidato?

Micro-nação tem que dar ibope. Porto Claro e Reunião fazem isso, mas Porto Claro desperdiça o que consegue.

Se Pasárgada não aprender a dar IBOPE, vai continuar sobrevivendo das migalhas das outras, ou seja, de micro-nacionalistas que saiam de seus países pra ir pra lá. Quantos dos que mandam em Pasárgada e são originalmente pasárgados, sem passagem por outra micronação? 10? 8?

Ao contrário, quantos dos que mandam em Reunião e são originalmente reuniãos? e em Porto Claro?

Montenero

Senhores, gostei muito da participação de todos neste chá, espero amanhã mesmo editar e colocar numa edição especial programada para segunda feira, Agradeço a SSMI D. Claudio Primieiro pela oportunidade de ter nossas perguntas respondidas

Montenero
Cláudio, um grande problema do micro-nacionalismo é a recepção dos novatos. Por muito tempo em RE se sentiu este problema, mas hoje temos novatos tomando cargos de destaque. Reunião amadureceu?

Cláudio de Castro

Com certeza Reunião amadureceu. E os períodos em que ela mais amadurece são aqueles em que o Estado proporciona uma recepção correta dos novos cidadãos. São os períodos em que o país aceita as colaborações e idéias dos novos, e ao mesmo tempo, compreende que eles demorarão um pouquinho pra se adaptar. Quando o Estado está controlado por gente elitista, que se crê superior aos demais, perde-se imensa quantidade de novatos. Uma micro-nação como Reunião, que recebe de 10 a 20 formulários por semana, deve estar ciente de que embora a grande maioria seja conseqüência de mera curiosidade, vários são pessoas que chegam bem CRUAS e que se não lhes dermos a mão e os convidarmos a participar não da maneira que queremos, mas daquela que eles querem, não ficarão por muito tempo. Precisamos entender que as pessoas crescem, e se tornam micro-nacionalistas de mão cheia. Querer que já cheguem assim é sonho de uma noite de verão, e acaba incitando intolerância e sentimentos de superioridade que só fazem sufocar a atividade do país. Reunião está hoje nas mãos de seu povo, que é uma mistura gloriosa de novatos maravilhosos e veteranos patriotas, grande parte dos últimos já tendo saído e retornado muito mais maduros, e finalmente cientes de como funciona o verdadeiro micro-nacionalismo. O verdadeiro micro-nacionalismo muitos aprendem de fora; mas sempre olhando pra Reunião.

Montenero

Isso torna reunião um destaque nas atividades, contudo, perceberam-se grandes períodos de inatividade. Os últimos registros deste fenômeno foram acompanhados com mensagens da regência ocultando esse estado letárgico. Deste fato poderia se dizer que: 1). Reunião não é tão Pujante assim e 2). Não é tem um compromisso de transparência com o micro mundo?

Cláudio de Castro

Reunião tem compromisso para consigo mesma.  É a micro-nação que mais contribuiu para a formação dos paradigmas que são utilizados na lusofonia até hoje.  Parados 50 anos, já realizamos mais do que qualquer outra. A questão é que Reunião teve dois períodos de inatividade gerados por fatores externos que independem do controle de todos nós. Na verdade, todas as micro-nações vivem suas vidas inteiras, praticamente, lutando contra a inatividade, enquanto em Reunião isso só ocorreu duas vezes. Nas duas vezes eu estava ausente, e talvez por isso tenha ocorrido a inatividade, pois o Cláudio de Castro é a chave da organização política do país, e também seu maior animador de auditório. Ele faz com que as pessoas se conheçam, se unam, colaborem entre si. Ele é o maior elo entre os cidadãos.

Montenero

O Senhor declarou que um período de inatividade que chegou quase à 100% foi no período entre a regência de Eduardo Lagrenge de Pacífica e Rodrigo Rocha, duas regências com características distintas. A que se deveu esse período de inatividade?

Cláudio de Castro

Eu não estava presente. Creio que esta inatividade durante a Regência do Edu foi devido à falta de tempo dele, à ausência dele. Na Regência Rocha, ele foi extremamente presente, e soube unir esforços, e valorizar os novos.  Na Regência Lagrenge, o Edu estava com o tempo muito reduzido, não acredito que tenha havido incompetência e sim falta de atuação direta, diária.

Montenero
Um tema polêmico: A propósito do tema Lagrenge Vs. Rocha, criou-se uma animosidade muito clara em Chandon. Eduardo criticou abertamente a Regência, que foi o motivo de seu afastamento de Reunião para reativar o império de Pacífica. Da volta de Lagrenge, a QUAEX denunciou-o por traição. Vossa Cláudio estava semi-ativo à época, houve alguma influência do Regente nas atividades da QUAEX?

Cláudio de Castro

Não sei, eu não acompanhei esta faceta da Regência.

Montenero

Poderia fazer uma avaliação, mesmo que “de fora” sobre o fato?

Cláudio de Castro

Não possuo elementos sobre isso.

Montenero

Sobre o Império de ontem e o Império de hoje, quais as grande diferenças?

Cláudio de Castro

As pessoas estão mais unidas a cada dia que passa. A criação das salas de chat de Reunião, a exemplo do que existia em 1998, serviu para unirmos todos um pouco mais.  Os novatos estão sendo mais bem-aceitos pelos veteranos, o que há anos não ocorria, com a crescente animosidade contra virtualismos e outras iniciativas comuns a novos reuniãos, que era advogada pelos supostos auto-denominados “cruzados contra a mediocridade”.  Reunião hoje é mais tolerante, e, ao passo em que não se tornou uma Sofia, com a “idiotização” da sua micro-sociedade, também sabe que é necessário um espaço de tempo para o amadurecimento do micro-nacionalista jovem. E é ele a maioria esperança do nosso hobby.  Reunião evoluiu imensamente na parte tecnológica; nosso novo site, em JOOMLA, possibilita a atualização em tempo real do site por pessoas que não têm noção alguma de HTML; possibilita a realizações de eleições sem a necessidade de nenhuma programação específica, através da urna eleitoral do site; disponibiliza as mensagens de CHANDON no site para consulta de todos… Reunião é micro-nação com tecnologia de ponta, além de contar com o site mais convidativo e simpático de toda a lusofonia, concebido especialmente para atrair a atenção do novo cidadão.

Montenero

O avanço da cyber tecnologia ajudou, por um lado o micro-nacionalismo. Contudo há quem diga que alguns coisas farão o micro nacionalismo desaparecer, o Second Life por exemplo, o que acha?

Cláudio de Castro

Duvido. Coisas como o Second Life podem no máximo incrementar a simulação, embora nem mesmo isso eu acho que ocorrerá. O micro-nacionalismo prescinde da internet; ela é meio, e não fim. O que nos importa é simular uma sociedade, simular um Estado, simular um Governo.  Qualquer novo meio de comunicação que venha a existir não irá modificar isso.

Montenero

Não é um movimento de êxodo a causa de várias micro-nações terem se inativado?

Cláudio de Castro

Não. Elas se inativam por incompetência falta de comprometimento, cultura e sociedade frágeis, e desconhecimento das poucas regras não-escritas que norteiam a administração de qualquer micro-nação. Isso além de intolerância, preconceitos bobos, e falta de desafios aos velhos micro-nacionalistas.

Montenero

O corpo de leis de Reunião é muito complexo, segundo uma sua mensagem em lista, como se forjou, quem foram os principais nomes?

Cláudio de Castro

Isso foi algo gradual, que teve o envolvimento de micro-nacionalistas diversos no decorrer de nossos 12 anos de história.  Reunião nasceu no direito consuetudinário e foi aos poucos se virando ao Direito Romano, até que o costume passou a ter mero valor suplementar. Reunião forjou seu arcabouço legal complexo com a atuação de seus hiperativos parlamentos, e com o trabalho de micro-nacionalistas de ponta, de Filipe Oliveira a Pedro Aguiar, de Bruno Cava a Luiz Azambuja, de Quintino Gomes a Otto von Draeger.

Montenero

O judiciário, com a presença dos MM. Júlio, Sogdu e Zonaro, se não me engano, tem ganhado muito destaque na atividade reuniã, mas a complexidade das leis não atravancam o serviço jurídico em Re?

Cláudio de Castro

Não. A complexidade das leis torna o exercício dos operadores do direito em Reunião mais desafiante, mais interessante, e mais agradável. É um resquício do common law; em Reunião a pesquisa é tão importante quanto a interpretação das leis; aqui, um caso demanda tanto estudo quando nos EUA ou Inglaterra, quando o advogado tem que pesquisar leis antigas, casos pretéritos, precedentes.  Reunião tem uma rica atividade jurídica, cheia de desafios e dificuldades que, ao fim, coroam de glórias nossa atuação judiciária.  Aqui Juiz não é robô; e advogado não é artista. Aqui é preciso estudo, pesquisa, e noções de nossa história para exercer de forma satisfatória a advocacia. Pessoalmente sou o maior opositor da codificação de nossas leis, por acreditar que a forma atual faz de Reunião a mais interessante micro-nação do ponto de vista jurídico.

Montenero

Últimos acontecimentos: Flavio Von Rainer sempre foi tido como o mais entusiasmado de RE, e sem nota em CHANDON ou qualquer outra explicação pediu postulância em Pasárgada, como Cláudio recebeu essa notícia?

Cláudio de Castro

Sem surpresa alguma. Flávio é um grande amigo meu, muito querido, mas sempre foi muito volúvel, e sempre se irritou quando contrariado. Neste caso não sei o que deflagrou sua saída de Reunião, mas sei que, apesar de todo o seu jeitão desbocado, todos em Reunião o adoram. Espero que volte um dia.

 

 

Agradecemos ao micro-nacionalismo Claudio Castro, que já esteve estampado em grandes periódicos macro (no Brasil e no mundo) por ter nos dado a alegria deste chá. Não podemos e não queremos deixar de dizer que estávamos muito a vontade com este grande vulto.

Cabe-nos, como considerações finais dizer que esta entrevista não expressou se não as opiniões do micro-nacionalista Claudio de Castro.

Agradecemos muito com alegria aos colaboradores – Rafael, Queiroz e Rocha – por colaborar conosco nesta edição.

 

Correspondências

D. Fabianno,

Como sempre, fantástica a entrevista com SSMI. O único problema é que essa entrevista vai dar muito trabalho a Quaex e as forças de defesa do Sacro Império.

 Porém, como sempre, seu jornal nos leva a refletir. Vale a pena prestar atenção na entrevista de SSMI pois lá existe muito mais do que história micronacional. Existe uma verdadeira reflexão sobre “o que é Reunião” e para onde devemos levar esta fantástica atividade micronacional.

Att.

Duque Luiz Saboya de Ludônia – Diretor Geral da Quaex (Em CHANDON)

 

D. Fabianno,

agradeço em meu nome e pelo Cerimonial Imperial pela menção elogiosa ao nosso trabalho no Baile de Gala. 

Seu chá está cada vez mais saboroso. Por favor, mantenha-o assim. 

In Domino,

Pe. Ruy Hallack de Tavares Lira – Chefe do Cerimonial Imperial – Micro-Presbítero da Arquidiocese de St. Denis (Em CHANDON)

 

Nossa!

A entrevista do Cláudio está ótima. Gostei muito dessa edição!

Dom Jean de Lyon e Valois (Em Royaume la France)

 

Caro D. Fabianno,

o que pode ser visto, nesta edição, é uma verdadeira aula sobre micro-nacionalismo. Lí do começo ao fim e me sinto com vontade de ler novamente. Com certeza, guardarei esta edição em meu computador, para ler em outras ocasiões.

Parabéns! Estou ansioso para ler a próxima edição.

Visconde D. Bruno Bragança de Tremblet (Em CHANDON)

 

Fabianno,

Mesmo com o fato de minhas incontroláveis gargalhadas durante essa maravilhosa conversa com o Claudio terem sido excluídas do periódico… Parabéns meu caro! Mais uma vez, muito bom.

 Posso afirmar que o Chá, Conversa e MONTENERO é um dos melhores periódicos que circulam atualmente. 

Atenciosamente,

D. Lucas De Simone, visconde de Belo Horizonte – Conselheiro Imperial #2 – PIGD/CO (Em Imprensalivre)

 

D. Fabianno

 Parabéns por mais um numero, e mais uma vez estou a dispsição para entrevista, falando em Bélgica, sempre dá Ibope. 

D. Fábio (Em correio_belga)

 

 

 

Fabianno,

Voce cumpriu o que prometeu em todas propagandas!  Estremecer o chão do micro-mundo!
Entrevista Épica!

PARABÉNS grande qualidade!

Abs Gabriel Garcia – Alcaide de Le Port (Em Imprensalivre)

 

Mais uma vez os leitores anunciam o sucesso de nossa revista que é feito pensando em você. Desejamos construir um micro-nacionalismo maduro, inteligente e lúdico. Escreva-nos!

Chá, Conversa e MONTENERO n 3 – EDIÇÃO ESPECIAL

 

Nº 3 | 20 de Janeiro de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

Principado de Mônaco

 

Editorial

Incrível como Chá, Conversa e Montenero, uma revista tão nova, tem trazido tanto ao micro-nacionalismo. São muitos os que já lêem e acompanham este periódico. Hoje trazemos uma edição especial que certamente vai estremecer o micro-nacionalismo lusófono.

O escopo desta edição especial é mostrar à lusofonia a personalidade firme, o espírito inovador e o ânimo irreverente do maior nome do micro-nacionalismo. Cláudio de Castro, que há mais de uma década conseguiu manter o pujante Sacro Império de Reunião em atividade.

Micro-nacionalista de renome que já foi matérias de várias revistas e jornais no macro-mundo agora se senta à mesa para um chá e conversa. Conosco estavam os ilustríssimos Rafael Ithzaak, recém chegado à Reunião, mas que já se destaca em participação e crítica, Bruno Queiroz, que carrega a alcunha de maior Premier reunião, e Rodrigo Rocha, que até bem pouco tempo ocupou o segundo lugar em Reunião desempenhando o papel de regente.

“De Soslaio” alguns mistérios pelo mundico a fora deixam muitos com os olhos arregalados e com aquela velha pulga atrás da orelha.

O “Blink” desta edição fica por conta de Claudio Castro que passa em revista as micro-nações lusófonas de que se tem notícia.

Uma boa conversa com Montenero, Claudio Castro e você não poderia deixar de ser acompanhado por um excelente chá!

Então Bom chá e excelente conversa com Montenero!

Chá

Uma edição imperial merece um chá imperial! Para servir ao micro-nacionalista Claudio de Castro, trouxemos à mesa um chá de alta qualidade, servido na corte imperial. Especialmente processado similarmente ao chá verde, mas com uma fase mais curta para secar, o Chá Amarelo é servido em ocasiões especiais onde se quer receber bem e agradar. O sabor é um mais proeminente do original entre as 3000 variedades de chá verdadeiro. É um sabor limpo elevado, cintilante que seja garantido para o extasiar. Um chá digno de grandes personalidades!

De Soslaio

*    Incrivelmente e não menos misteriosamente Flávio Miranda Von Rainer pediu postulância em Pasárgada. Não se sabem bem os motivos, mas como diria a famosa personagem de novela global, Dona Milú: “Mistééééééério!”

*    Reunião promove um grande Baile pela volta de SSMI ao trono, D. Ruy Hallack de Taveres Lira e Dom Giuseppe di Veneto Meira von Habsburgo foram os responsáveis pelo completo, belíssimo e interessantíssimo cerimonial que recebeu nomes importantes de Reunião.

*    Para sermos justos, Pasárgada começa a gerar alguma atividade diferente de informes aos enxadristas. A anexação da Diarquia de Esparta foi uma alavanca para a tímida Pasárgada levantar seus números estatísticos.

*    Foi afixada a data do Conselho Federativo em Pasárgada,n o período entre 19 de janeiro e 27 de janeiro, que terá como convidado especial D. Flávio Miranda Von Rainerm, como observador e relator de Imprensa

Entrevista

De modo especial, nosso chá inova em seu terceiro número – uma edição especial – e traz para o leitor um círculo de chá. Aqui conosco estão os grandes amigos Rafael Ithzaak, Bruno Queiroz e Rodrigo Rocha. O chá aconteceu no Salão Rectangular – onde normalmente são realizados encontros de todos os reuniãos no MSN – com o maior micro-nacionalista de toda a lusofonia e um grande estadista que inova pelo seu modo de agir e suas idéias, mas, por esses mesmos motivos, é controverso. Trata-se do micro-nacionalista Claudio Castro, do Sacro Império de Reunião.

Nesta entrevista temos o micro nacionalista no seu estado mais puro, despojado de qualquer papel de estadista que exerça no micro-nacionalismo, expressando sua simples opinião de micro-nacionalista.

 

Montenero

Claudio Castro e todos os participantes de nosso chá sejam todos bem vindos!

Cláudio, por que a Ilha de Reunião?

Cláudio de Castro

Rodei o globo que tinha na minha mesa do escritório e pus o dedo. A primeira vez caiu na Alemanha, achei ridículo! Rodei de novo… Deu reunião!

Sempre fui contra essa bosta de micro-nação com nome de país soberano de verdade, mas isso é modernidade, hoje é algo muito mais bem-aceito, embora não por mim. Não existia isso!

Achava genial montar uma história fictícia, esboçar uma cultura nova, muito mais legal do que dizer que sou neto de Napoleão.

Rafael Ithzaak

Interessante como formulavam as ideologias…

Cláudio de Castro

Uma das razões que briguei com o califado foi porque eles usavam o Brasil. O califado era tétrico, se diziam brasileiros, eu os chamava de malês. Pegou o malês!

Cláudio de Castro

Quando criei reunião, a idéia era q todos fossem elite e os “reuniãos povo” fossem fantasiosos, como em Talossa: todos são do parlamento e ele está sempre 100% cheio; eram 300 cadeiras. Se tiver 16 talossanos, eles dividem as cadeiras por 16, se tiver 2 dividem por 2, não há “povo”, todo mundo é importante. Isso que me fascinou no mundo micro-nacional, o “seja tudo que você quer ser”.

Rafael Ithzaak

Há toda uma população especial com poder de decisão

Cláudio de Castro

Eu nunca me inspirei nos lusófonos, Talossa era meu modelo. O rei, pena, era um louco, culpa do Aguiar também, que espantou o cara: encheu tanto ele que ele passou a odiar lusófonos.

Rafael Ithzaak

A população era muito numerosa?

Cláudio de Castro

Não, eles nunca passaram de 60.

Montenero

Adoro quando o Cláudio de Castro dá aula de historia de Reunião!

Bruno Queiroz

Cláudio, já chegou a perder o sono por causa de Reunião?

Cláudio de Castro

Diversas vezes…

 Rodrigo Rocha

Até eu, Queiroz, até eu, quanto mais o Cláudio de Castro!

Cláudio de Castro

Perdi o sono com o Golpe dos hipócritas, a “intentona duardista” e o problema que culminou com a criação de Pasárgada, principalmente. Sem contar às vezes que perdi o sono não por problemas, mas por virar a noite no chat do ICQ. E também perdi noites escrevendo os textos que foram parar nos primeiros sites de reunião. Também perdi o sono quando tive de acabar com meus paples, pois Reunião começava a crescer, era outubro de 1998. E nunca ninguém os havia descoberto, mas o problema era a dificuldade de controlar tanta gente fictícia. O fato é que tudo caminhava para minha paple Fernanda Sarmento ser eleita Premier do Império.

Rafael Ithzaak

Como apareceram? Como foram descobertos?

Cláudio de Castro

Ninguém nunca descobriu, eu que não conseguia mais ficar trocando de contas de e-mail, pra responder mensagens, era tudo muito complexo! Eu tinha paple comunista que escrevia errado… Tinha paple pigdiano que escrevia certo e era brigão… Tinha paple pigdiano que escrevia certo, mas era contra brigas, etc. Era muito complexo!

Bruno Queiroz

E o Príncipe Maurice de Bourbon?

Cláudio de Castro

O príncipe Maurice de Bourbon era brigão. O Gilbert Mollusk, que se chamava Gilberto Fonseca de Albuquerque, era meu paple pigdiano calmo. A fernanda sarmento minha paple pacsista que escrevia tudo errado e brigava com todos. O Arthur Moir era semi-activo, mas tb era pigdiano.E a Atir Zirtaeb só servia de Regente para quando eu não quisesse tomar uma decisão diretamente.

Bruno Queiroz

Cláudio, uma época chegava a ligar para os postulantes à cidadania reuniã, é verdade? Por que não fez mais isso?

Cláudio de Castro

Ligava sim para todos os forms! Liguei para mais de 300. Nunca mais fiz isso porque nunca mais tive tempo, e Reunião também passou a funcionar muito bem, e passei a ter uma penca de pessoas pra avaliar os cidadãos para mim, o Primeiro foi o Fábio Trigo. Aliás, eu adorava agir na imigração, porque como “cago e ando” para paples, aceitei sempre todos, e reunião sempre ganhou com isso. Hoje em dia, infelizmente, ninguém mais tem tempo para paples.

Montenero

Há quem pareça ter ódio de você pelo mundico a fora, em Portugal e Algarves dizem que você inventou o terrorismo no micro-nacionalismo. A que se deve essa imagem?

Cláudio de Castro

As pessoas me odeiam porque Reunião é um sucesso único.

Porque ninguém nunca saiu de Reunião me odiando. Gosto de todos e sou amigo de todos.

Porque todos os que saíram voltaram.

Porque alguns de meus maiores inimigos vieram pra Reunião.

Porque sou politicamente incorreto.

Porque aceito todos sempre, não importa o que tenham feito.

Porque não tenho nada contra paples e não canso de dizer que, se uma pessoa trabalha por cinco nada mais justo que votar por cinco.

Porque temos comunistas de carteirinha em Reunião, e os adoro e me adoravam.

Porque já tive loucos fascistas que me adoravam e eu os adorava,sei lá,  por tantas razões! Também me odeiam porque me xingam e eu não os respondo.

E porque eu zombo do micro-nacionalismo capenga e burro de todas as micro-nações metidas a inimigas de Reunião, de como fazem coisas que afastam novatos, de como são pretensiosos e mesmo assim não chegam a lugar nenhum.

Eu não criei o terrorismo micro-nacional, simplesmente acho que o micro-nacionalismo é simulação e que tudo que trouxermos do mundo real para a simulação enriquece a simulação. Detesto a idéia de um mundinho perfeito e cor-de-rosa.

Eu já tive o site de reunião estourado duas vezes. Nas duas adorei escrever discursos inflamados enquanto comia pipoca doce, rindo sem parar, ouvindo Queen.

Montenero

E quanto o episódio da Honra Imperial, todo mundico diz que o Estado apoiou uma organização tipo FARC, como foi o episódio?

Cláudio de Castro

O episódio foi simples. Cidadãos reuniãos criaram essa tal Honra Imperial. Eu achei engraçadinho, “off-the-record”. E não tomei conhecimento oficialmente, jamais. Até que atacaram alguém. E fiz o que um estadista faria, critiquei o ato. Mas, pessoalmente, achei o episódio divertidíssimo. Mas não dei incentivo, apenas ri. Não me meto com o que meus súditos fazem privadamente. Se descobertos, que respondam por isso.

Montenero

E quanto à acusação de ter criado o Terrorismo micro nacional?

Cláudio de Castro

Sou uma pessoa bem humorada, isso também irrita as pessoas. Na minha vida profissional perco negócios de 26 milhões e continuo rindo e comendo minha feijoada às sextas feiras regadas à piadas de israelita e português (meus dois principais assessores são um israelita e um português e adoramos piadas étnicas).

Cláudio de Castro

Quer saber outra razão que me odeiam? O fato de eu ser nitidamente um micro-nacionalista de ponta e adorar virtualismos. E brincar com novatos de 10 anos ou 11. Claro, eu já tive 10 anos e não tenho cérebro liso. Não sou esquizofrênico, nem nasci de terno.

Esses preconceituosos são toupeiras. O micro-nacionalismo sem virtualismo não capta novatos de tenra idade. Eles dão um tiro no pé e matam sua própria capacidade de crescimento.

Montenero

A ironia sempre foi uma característica pessoal, e isso agrada e irrita, qual foi o episódio em que você mais foi irônico no micro-nacionalismo e se divertiu com isso?

Cláudio de Castro

Eu sou sempre irônico. Não sei dizer quando fui mais irônico. Minha forma de ser politicamente incorreto ajuda na ironia.  Não vou negar que já participei de estratagemas malucos, e alguns mal intencionados. Mas sempre pelo bem de Reunião, e da atividade.
Micro-nação sem atividade não existe. E não existe atividade se cultivarmos o marasmo ou uma opinião única estatal.

Se eu fosse repórter, costumo dizer, e não tivesse notícias pra dar, dirigiria a van da minha equipe pela cidade até atropelar alguém. Notitia est!

Rafael Ithzaak

Isso é fato! Precisa ter os chamados fatos e factóides, e os outros ficam putos com isso. Acho que esse é o principal papel, se realmente houver uma elite! É “criar” para q haja atividade e Reunião faz muito disso, os novatos interagem.

Cláudio de Castro

Sem dúvida.  Na micro-nação o objetivo é primeiro a polêmica, depois a criação de uma cultura local, e logo após a criação de link de amizade entre os cidadãos. Nunca a amizade como causa, e sim como conseqüência.

Montenero

Poderia nos dar a sua visão sobre o micro-nacionalismo hoje. Uma espécie de visão panorâmica das micro-nações que existem: RUPA, SOFIA, ALEMANHA, PASARGADA, BELGICA, FRANÇA E ORTENCE (as que mais têm aparecido no cenário micro-nacional)?

Cláudio de Castro

Fabianno, esta pergunta é feita ao Cláudio de Castro de Reunião ou ao micro-nacionalista Cláudio de Castro?

Montenero

Ao micro-nacionalista Claudio de Castro!

Cláudio de Castro

RUPA é uma bosta! Inútil, mero veículo do ego de alguém que não quer fazer parte das micro-nações de verdade.  Ah, bonitinha a idéia de reeditar a monarquia portuguesa, OK, mas uma micro-nação não é um mapinha, é dinâmica. E se pára, vira pesquisa de escolinha, e não micro-nação. RUPA não é micro-nação. RUPA é refúgio de quem não quer oposição e quer mandar sozinho, é claro, com uma bela historinha.

Cláudio de Castro

Sofia é a exacerbação do virtualismo. Micro-nação limitada em essência, mas ativa, com vários requisitos que lhe dão importância na história da lusofonia.  É micro-nação-treino; sofista é micro-nacionalista “trainee”.  É uma excelente escolinha. Diz tatá, mas não chega à língua, como dizia minha avó antes da lobotomia.

Sofia tem minha admiração. E meu repúdio também, dependendo do ponto de vista: admiração,pois são um celeiro de micro-nacionalistas jovens, uma escolinha fabulosa, e repúdio porque não há perspectiva de evolução para estes micro-nacionalistas, que vivem numa micro-nação como se estivessem, eternamente, num burgo Reunião.

Cláudio de Castro

A Alemanha é um exercício interessante, mas infelizmente caiu na pachorra de usar nomenclatura de Estado Real, algo a que me oponho diretamente. Acho uma micro-nação interessante. Pelo que ouço, é praticamente inativa, mas é uma forma bonita para um bolo. Só que falta massa. O Rei é muito inteligente, e tem minha admiração. Talvez com mais material humano…

Cláudio de Castro

Pasárgada é o contrário de Sofia. Asilo de micro-nacionalistas cansados da maldita tarefa que consideram ser ensinar os novatos a praticar o micro-nacionalismo verdadeiro. Essa tarefa é árdua mesmo, mas pode ser divertidíssima !!!  Sinto que se tornaram  o refúgio de quem não entende que a mediocridade de grande parte  dos novatos é fruto do desconhecimento que têm do Hobby.  É uma pós-micro-nação, fadada a receber micro-nacionalistas de alhures, e pouquíssimos novatos de verdade. É pobre porque vive de rebarbas, vive de receber os “cansados”; porque não assiste ao amadurecimento do micro-nacionalista, que é a coisa mais bonita que vemos em Reunião. Procura transformar o micro-nacionalismo em enciclopédia; mais do que simular um estado, escrevem sobre o que é simular um estado.

Pasárgada tem alguns dos melhores micro-nacionalistas que o micro-mundo já TEVE. Mas acaba por ser um símbolo da intolerância, querendo selecionar todos os micro-nacionalistas de um mesmo tipo, em vez de ter a riqueza de ter em seu baú diamantes, esmeraldas, quartzos e rubis. Querem só brilhantes. Mas brilhante tem caixinha, tem armação de ouro com design, tem paninho… Sozinho não tem graça.

Rafael Ithzaak

Realmente! São a continuação. É o micro-nacionalismo aposentado e pensionista

Cláudio de Castro

Só que os brilhantes já lapidados não têm mais o mistério dos brutos… Reunião é a maratona; Pasárgada é a linha de chegada, e dos corredores que se aposentam. É a micronação do “não agüento mais”.  Meu recado é: manda para mim que eu agüento!

Rodrigo Rocha

O RETIRO DOS ARTISTAS!

Bruno Queiroz

Houve momento em que você pensou em fechar e terminar com Reunião?

Cláudio de Castro

Mas eu, eu não pretendo me aposentar, nunca. Não se dirá de mim: Cláudio de Castro não agüenta mais dizer olá aos novatos ou Cláudio de Castro está metido, chato, arrogante, maltrata as pessoas mais “simples”, ignora as perguntas bobas, manda procurar o guichê ao lado.

Cláudio de Castro tem o maior prazer em ver um micro-nacionalista chegar e crescer, do que em vê-lo fazer simplesmente o que se espera dele. Fazer o que se espera não é mérito. É obrigação. Micro-nacionalismo por obrigação? Dispenso.   Assisti mais de 30 reuniãos se formarem em profissões que quando novinhos nem pensavam exercer, mas seu exercício em Reunião gerou interesse. Formamos gente!

Cláudio de Castro

O que se espera do Cava? Agir brilhantemente. Só que tudo que brilha o tempo todo, é MAIS-DO-MESMO. Não quero brilhar o tempo todo. Quero surpreender!
Quero ser bobo, ser inteligente, ser inovador, ser maluco. Quero ver os reuniãos me esperando tomar uma decisão sem saber qual ela será.

Cláudio de Castro

Vamos ao próximo…

Cláudio de Castro

Não conheço Bélgica. Não sei o que é, mas suponho que deva ser algo mais… Simples.

Cláudio de Castro

O Reino da França é interessante, está com bastante gente, pra uma micro-nação pequena. Acho que eles usam vários ensinamentos de Reunião, e podem ter futuro.   Pessoalmente, acho que lhes falta originalidade.

Cláudio de Castro

Ortence é uma micro-nação novata, formada no princípio da originalidade. É incipiente! Creio que seja uma micro-nação transitória, daquelas que são formadas por pessoas que vêem sites de micro-nações e querem criar a sua própria, antes mesmo de testar as outras.

Cláudio de Castro

Porto Claro é uma Reunião esculhambada, embora tenha nascido primeiro. Tem raízes sólidas como Reunião. Cultura própria e sólida. É muito interessante. Dosa o micro-nacionalismo modelista e virtualista de forma inteligente, EM TESE. Falta-lhe continuidade, e lógica. Se micro-nações fossem pessoas, Reunião seria uma pessoa sã, ordinária, e Porto Claro seria alguém com um parafuso solto e perneta; mas uma pessoa, porém.  RUPA, por exemplo, seria um platelminto.

Bruno Queiroz

E Pasárgada, o que seria?

Cláudio de Castro

Um Niemeyer da vida. Alguém que já foi, e se considera o centro do mundo.

Rafael Ithzaak

As pessoas sentem essa necessidade de abandonar suas micros, ao invés de tentar transformar onde estão acho que essa é a magia a transitoriedade

Cláudio de Castro

Nomeei isso como: princípio da espontaneidade da cidadania.

Cláudio de Castro

Rafael, é óbvio cara! Numa micro-nação você pode demitir seu chefe! Você vai aguentar algo que você não concorda por quê? É preciso razões sólidas.

Montenero

Qual foi o momento que você teve raiva a ponto de querer socar alguém? (Um momento em especial do qual não se esqueça!)

Cláudio de Castro

Hmmmm… Nenhuma vez. Nunca me alterei, exceto com a Imperatriz Roberta, pois ela exigia que eu tomasse atitudes incompatíveis com minha função para atacar seus detratores, quando era desembargadora imperial. Aliás, detratores estes que não tinham razão nenhuma, mas que tinham o direito de dizer o que diziam, pois o faziam com bom uso do vernáculo e sem ofensas.  Aliás, ela sempre escreveu tudo que postou, e eu jamais dei palpite algum.

Cláudio de Castro

Ah! Calma! Lembrei do “soco”. Quando anexamos Orange, após o silêncio e/ou concordância de todos lá, tive vontade de socar quem apareceu logo depois pra criar um caso danado, depois de tudo feito e sacramentado. Não sei como o Fifo me convenceu a voltar atrás, e dar independência a eles novamente. Agora que seguiram o seu esperado destino (o fim), penso em anexá-los de volta 🙂

Rafael Ithzaak

A sua política de anexações é realmente bastante atacada…

Cláudio de Castro

Milhares de vezes isso ocorreu. Minha política de anexações tem justamente este objetivo; irritar os outros e criar polêmica.Várias vezes poderia ter recebido em Reunião estes pequenos e grandes estados. Mas preferi anexações, porque sei que fariam meus “inimigos” babar colorido. Adoro jogar amendoim pra eles. São, em geral, incrivelmente estúpidos no argumentar, e sempre me surpreenderam.

 

[CONTINUA NO PRÓXIMO NÚMERO]

Correspondências

Muito bom trabalho!!! 

 SMR (Em Royaume la France)

 

Meus cumprimentos por essa edição.

Deleitou-me a vista e a mente.

 Abraço,

Nelson Barbosa (Em Royaume la France)

 

D. Fabianno,

Posso dizer que faz muito, mas muito tempo mesmo que eu não vejo uma boa publicação como esta na imprensa micro-nacional lusófona. 

Meus parabéns pela iniciativa e, principalmente, pela publicação. Promove muito mais que a informação, mas também nos leva a refletir em assuntos relevantes para nossa atividade micro-nacional.

Att.

Duque Luiz Saboya (Em Chandon)

 

Prezado D. Fabianno, 

Parabéns por seu excepcional veículo de comunicações. D. Fabianno possui uma mescla de “O Globo” e “Veja” micro-nacional.

D. Marcelo Brunella de Marques Lisboa (Em Chandon)

 

Como sempre maravilhosa a leitura! 

Rafael Ithzaak (Em Chandon)

 

Pai,
Gostaria de parabenizá-lo pela revista… Orgulho-me muito por ter o melhor e mais coruja pai de RE!!! Beijos,

Kizzy Tupã Montenero de Monte-Real e Pacífica.

Burgomestrina de Esther. (Em Chandon)

 

Aos nossos assíduos leitores agradecemos a gentileza e a largueza de alma pelos comentários. “Chá, Conversa e Montenero” é uma revista para que você se sinta bem com o micro-nacionalismo.

Escreva-nos e mande sua opinião sobre todos os  assuntos!

Erramos

Em nosso último número na seção “Soslaio” por um erro de revisão, a notícia foi publicada de modo incompleto. Dever-se-ia ter dito: “A coroação do Rei da França foi uma das maiores solenidades lusófonas, não se via tantos micro-nacionalistas ilustres reunidos desde que D. Fabianno tomou posse da Arquidiocese de Lisboa no Reino Unido de Portugal e Algarves. SAI&R. D. Eduardo Lagrenge de Pacífica quem presidiu os atos”.

Chá, Conversa e MONTENERO n 2

Nº 2 | 17 de Janeiro de 2009

 

©Editora Casa de Pacífica

© Arquidiocese de Lisboa

Circulação:

Sacro Império de Reunião

Reino Unido de Portugal e Algarves

Reino da Bélgica

Reino da França

 

Editorial

Pur Er na xícara e muito mais no blog. Tudo para acompanhar o micro-nacionalismo lusófono de um ponto de vista extremamente próprio. Trazemos para nossos leitores micro-nacionais uma piscadinha sobre a Diarquia Democrática de Esparta em um momento muito sui generis e interessante, um momento de grande avanço em vários âmbitos para o micro-nacionalismo.

“De Soslaio” passamos em revista alguns fatos noticiados e selecionados unindo rapidez e informação.

E para a entrevista de hoje uma das maiores figuras no mundo editorial reunião que inovou ao criar um periódico humorístico muito apreciado naquela micro-nação.

Conhecer o micro-mundo, entender opiniões e viver uma lusofonia mais culta e não menos divertida é sempre um desafio e um prazer ao mesmo tempo. A você que busca tudo isso e muito mais, nosso blog traz um conteúdo extra e muito apurado.

Bom chá, conversa e Montenero!

Chá

O chá que temos hoje na chávena é um de uma colheita muito fina, um especial, de aroma forte que lembra a terra úmida. Segundo uma lenda chinesa, as pessoas que colhiam o chá guardavam para si as melhores folhas as escondendo discretamente nos bolsos. O Pur Er é conhecido na China pelas suas qualidades medicinais, entre elas a de baixar a taxa de colesterol, dissolver gordura, ajudar na digestão, na circulação e dissipação dos efeitos do álcool.

Certamente um ótimo chá para ser apreciado depois de uma noite de festas!

De Soslaio

*    Foi determinada, em Pasárgada, a cassação da postulância de Fábio Figer, o qual foi identificado como paple de Alexandre Carvalho, Cidadão do Sacro Império de Reunião. Tendo sido procurado por nossa equipe, Alexandre Carvalho declarou: “Minha conta do antigo paple, Armando de Kergaz, fora invadida e utilizada pra meu prejuízo”. Será mais um sintoma da neurose pasárgada?

*    A QUAEX anunciou mais uma tentativa de golpe. As teorias da conspiração da QUAEX levaram a mais uma perseguição em Reunião. O alvo: D. Eduardo de Lagrenge, o processo tramita no Sacro Império de Reunião.

*    Enquanto isso em Pasárgada: Mais um novo torneio de xadrez!

*    A coroação do Rei da França foi uma das maiores solenidades lusófonas, não se via tantos micro-nacionalistas ilustres reunidos desde que D. Fabianno tomou posse da Arquidiocese de Lisboa no Reino Unido de Portugal e Algarves. SAI&R. D. Eduardo Lagrenge de Pacífica;

*    O Chanceler Comunitário de Pasárgada, o Excelentíssimo Igor Ravasco, concedeu agrément à Sua Sereníssima Alteza Imperial Fernando VI, Arquiduque da Áustria como chefe da Missão Diplomática Permanente do Império Alemão junto à Comunidade Livre de Pasárgada.

*    A CIT (Companhia Internacional de Comunicações) fez testes para a instalação de rede de telefonia em Reunião. O Presidente, Eduardo de Lagrenge publicou o resultado dos testes e já começa a programar a segunda fase do projeto da primeira micro-nação com telefonia da história da lusofonia.

BLINK

Vamos falar um pouco da nova micro-nação que veio como promessa de inovação para o micro-nacionalismo, mas que nos últimos tempos se deu à extinção. Falamos da Diarquia Democrática de Esparta. Nossa visita a Esparta foi uma das mais controvertidas e difíceis de nosso trabalho diplomático à frente da Segunda Micro Secção da Micro Igreja Católica.

Os fatos circunstantes: Um micro religioso, saído do Sacro Império de Reunião à época foi convidado para assumir um cargo em Esparta. A Comissão Moderadora São Pio X – responsável pela doutrina da fé na Micro Igreja, ao se deparar com a assinatura do micro religioso subscrevendo um documento que invocava deuses pagãos enviou devida reprimenda ao religioso, que imediatamente renunciou aos cargos antes assumidos.

O caso teve má repercussão em Esparta e o Pai Fundador da Polis pediu satisfações à Segunda Micro Secção que emitiu nota dizendo não se tratar de uma reprimenda à Esparta, mas à conduta do integrante da Micro Igreja Católica. Os ânimos se alteravam em Esparta quando o secretário da Segunda Micro Secção decidiu empreender visita diplomática mesmo sabendo que poderia ser recebido por parte de populares com descortesia.

O importante era esclarecer que, muito embora a noção de arquétipos expressas pelas lideranças espartanas no momento tivesse sido mitigada, a Micro Igreja Católica entendeu que um membro que subscreve uma mensagem evocando deuses pagãos incorre em apostasia.

O resultado da visita, muito conturbada, foram xingamentos em praça pública ao representante diplomático da Micro Igreja – como já era de se esperar –, mas também foi assinado por D. Rodrigo Mariano por Esparta e D. Fabianno Montenero pela Micro Igreja Católica, onde se propuseram à ajuda mútua no bem político-social do micro-nacionalismo, o que constituiu um avanço não só na política e na sociedade, mas, no âmbito religioso, foi um grande passo no diálogo inter religioso. 

Segundo as palavras do Próprio Rodrigo Mariano numa conversa no MSN: “A questão que acho que deve ser observada é que a cultura espartana, fundamentada na cultura helena, é anterior aos conceitos cristãos. Temos como base uma cultura que já estava lá há 800 anos antes do nascimento de cristo, e bem antes disso, (…) e é importante ressaltar… Diferente de outros Estados micro-nacionais, quando falo do Estado, falo em nome do povo. Em Esparta, não foi Deus que me escolheu rei, como é o caso do Cláudio em RE ou o meu sangue, como é o caso de Sofia.”

Mas como na teoria a prática é outra, o povo espartano não conhece bem sua própria cultura fundamental ou de base, e acabou se tornando um neo-modernismo longe de ser um renascimento da cultura helenica. É claro que a Diarquia de Esparta não tem obrigação de ser a Esparta de 800 antes de Cristo, mas se as bases culturais propostas são essas é coerente conhecê-las bem. Decerto isso não denigre a grandeza do projeto da Diarquia e nem sua inovação no mundico. 

Aqui vão duas mensagens oficiais que integraram a coletânea de mensagens dessa visita (mais mensagens poderão ser encontradas em http://chamontenero.blogspot.com/.

MENSAGEM FINAL

http://br.groups.yahoo.com/group/agora-espartana/message/593

Qui, 16 de Out de 2008 5:07 pm

 

(ATENÇÃO: esta mensagem é parte integrante da coletânea de mensagens e tem seu sentido mais plenamente claro se articulada com as outras mensagens disponíveis no blog)

 

Sobre o Amor

 

Nossa última mensagem versa sobre o que é inevitável tratar, depois de termos colocado a tema da Virtude e da Verdade. É um discurso articulado e que                 quer contemplar o telos de toda atividade micro-nacional, por isso deve ser considerado à luz dos outros dois discursos que proferimos na Ágora espartana. Não se trata somente de “aulas de filosofia grega”, mas de um caminho prático e efetivo para a construção de qualquer micro-nação.

Hesíodo e Parmênides foram os primeiros a sugerir que o amor é a força que move as coisas e as conduz e mantêm juntas. Empédocles reconheceu no amor a união e a separação uniformizando todo o cosmo. Mas do que falamos, ao comentar o amor?

A filosofia grega distinguiu três tipos de amor, o que seria impossível fazer em português com tamanha distinção e realismo, haja vista que utilizamos a palavra amor de modo equívoco. Os gregos tratavam do amor em três níveis: Eros, Filia e Ágape.  Cada um dos três são distintos entre si, mas um requer e se ordena ao outro.

O Eros

É característica do amor enquanto Eros é uma relação que implica a pura reciprocidade de modo emotivo em geral, que não é escolhido, mas é naturalmente imposto. Mas longe de ser execrável, como muito tempo se pensou o amor enquanto Eros é necessário e igualmente belo, pois se orienta como ponto de partida, para a plenitude do amor. Exatamente por que não é a anulação da razão e sua falsa divinização, mas degrau para uma ascensão ao mais auto grau de amor.

Amizade

A amizade implica eleição de duas partes. Uma comunidade de eleição recíproca que transcende ao dado material e busca alcançar a solicitude e ternura, valores transcendentes. Nele está implicado uma gama de relações: o amor de pai para com seu filho, de um amigo para com seu amigo e o amor entre cidadãos. Aqui também poderíamos falar de amor a valores como justiça, verdade, glória e etc.

Ágape

Os gregos pouco tomaram diante de si o significado desta palavra, mas delinearam de modo magnânimo sua silhueta e o apresentaram como a força ascendente do Amor. Este termo não indica um tipo de relação de interdependência, ou  de mútua eleição, mas realça a liberdade de amar mesmo sem ser amado, de desejar o bem, mesmo sem recebê-lo. O ágape não é um contraponto ao amor Eros, mas a dinâmica do amor aplicada numa direção ascendente.

Os romanos, seguindo a esteira do raciocínio filosófico grego, declaram quase que em uníssono que: Omnia vincit amor et nos cedamus amor – o amor tudo vence e rendamo-nos também nós ao amor (Virgílio nas Bucólicas). Passa-se assim do amor eletivo para o amor como imperativo.

Se trouxermos a reflexão para termos atuais, diríamos que o amor é aquilo que se difunde, exatamente por que é o bem em movimento, e o bem se difunde por si mesmo e nisso produz a beleza. O bem, o amor e o belo estão harmonizados organicamente de modo que o agir bem é amor em movimento que produz a integridade daquele ato denotando assim sua beleza. Desta simbiose brota e sempre brotará a vida.

Qual o problema no micro-nacionalismo?

Se olharmos o volume de mensagem que colocamos no ar, dia-a-dia, perceberemos que poucas delas se estribam nessa tríade dinâmica de vida. O belo, corrompido pelo neo-modernismo numa forma subjetiva não deixa mais entrever o bem em si de cada coisa e, por conseguinte, não permite o revelar do Amor em sua forma mais pura.

A noção do belo se desloca de si mesmo para o sujeito individual, isto é, deixa a dialética do “em-si e em-mim” (movimento dinâmico) e se estagna no “para-mim” (estático). Esse nefando deslocamento arrasta consigo a noção de bem e de amor para um subjetivismo imaturo. O bem, o belo e, por extensão, o amor já não estão mais por si mesmo, mas pelo que me agrada.

Rebusquemos uma figura de nossa infância. A mãe, ao constatar a gripe do filho não titubeia ao tomar logo a garrafa daquele xarope odioso em sabor. Se aquela criança fosse capaz de exprimir em palavras seus sentimentos diria: “por que minha mãe não gosta de mim? Por que me castiga com esse líquido horrível?” Contudo, o amor materno alcançando o píncaro da bondade e pelo amor comete o mais belo ato de toda a sua vida, sofrer com o amor que sente pelo filho e impor-lhe o amargo remédio.

A mãe se move por dois combustíveis, a verdade (de que aquele remédio de fato é bom para curar) e pela virtude (por que precisa ser forte o suficiente para não pensar no bem relativo, mas divisar determinada o bem universal, que é a cura). Não é capaz, a mãe, de perder sua noite de sono por amor do filho?

O micro-nacionalismo precisa aprender que é necessário ter limites de atuação, e que romper estes limites significa assumir as conseqüências dessa ruptura. Todas as vezes que não transparece o amor Ágape no trato relacional com quem eu nem conheço pessoalmente, rompemos a barreira do micro.

Parece que ganhamos o poder do anonimato de dizer tudo que nos vem à mente, por que nos escondemos, falsamente, atrás de nossos IP´s  ocultos e pela distância fria que impomos aos nossos interlocutores.

Um micro-nacionalismo maduro não é o que consente com todos os xingamentos, e tampouco o que diz o que quer em qualquer lugar, mas é um micro-nacionalismo pautado no respeito e no amor. A defesa da integridade da pessoa é um direito inalienável e que deve ser garantido, por forças macro, se necessário! Não sofrer sequer os arranhões das insinuações é um bem que todos devem ter assegurados. Nisso se expressa o Amor: no bem fazer! Ganha dimensões éticas e proporções exuberantes.

E a Pólis Espartana?

Nada nos faz perder de vista a preciosidade da iniciativa dos valores gregos, que visam construir, nas bases da filosofia, um modo de vida micro-nacional. Esparta deve-se manter fiel aos ideais gregos que deseja encarnar no Micro-Nacionalismo, se não estará fadada ao caos e ao fim. Tal destino, vemos muito longe da realidade. Esparta existe para crescer sempre e deve contar – no que tange o âmbito civil e político – com a Micro Igreja Católica, embora devam ser guardadas as devidas proporções religiosas.

O amor é oblação

Na esteira da virtude, da verdade e do amor, surge no horizonte micro-nacional o verdadeiro sentido do amor: oblação de si.

Se, como vimos o bem é difusivo de si, e o amor é o bem em dinamicidade, podemos logicamente concluir sem erro lógico que o amor é um sair de si para o outro, independente de que o outro seja e do alcance que tenho deles. O amor é um constante sair de si em vista de um bem para o outro.

Tal fez o Pai ao nos dar seu filho único na cruz, como diz a carta de João: “Vejam como o Pai nos amou. Deu-nos seu filho único para nossa redenção”. Um amor sôfrego que permitiu a morte aquele no qual colocava todo o seu amor. Um amor sôfrego que aceitou a morte segundo a vontade (sofrida vontade) daquele em que se colocou completamente a ponto de dizer: “minha vontade é fazer a vontade do Pai”.

Caros espartanos. Não viemos aqui amealhar poder, este poderio humano não nos interessa. Não buscamos instalar a Micro Igreja em Esparta, pois desde o primeiro momento deixamos a Sua Majestade Esparciata ciente de que não era nosso escopo, devido as distâncias religiosas que se impõem neste tempo.

Também não resultava em motivo suficiente somente vir a Esparta para dizer que não intervimos na vida pessoal de ninguém, poderíamos tê-lo feito de qualquer outro lugar. Mas nos sujeitamos aos xingamentos, às acusações infundadas e até as incompreensões para dizer em alto e bom som, como que a plenos pulmões: É NECESSÁRIO AMAR NA VERDADE E NA VIRTUDE.  Ser pessoas de uma única peça, onde o sim seja sempre sim e onde as conversas de MSN não sejam corrompidas em falatórios infundados que plantam ódio nos corações.

Creio que podemos, agora, nos despedir de Esparta, e voltar a nosso trabalho quieto e tranqüilo em nosso oficio, silencioso de costurar um micro-mundo lusófono que se perpetue no amor e no respeito mútuo.

A todos, desejamos prosperidade e paz.

In Domino Iesu,

D. Fabianno Montenero C. de Monte-Real e Pacífica

Secretário Para a Segunda Micro Secção – Relação com os Micro-Estados

Arcebispo Metropolitano de Lisboa

Conde de Pietrelcina

 

De Esparta: Posicionamento oficial do Estado e encerramento da visita de D. Fabianno Montenero

http://br.groups.yahoo.com/group/agora-espartana/message/596
16 de Out 6:59 pm

DIARQUIA DEMOCRÁTICA DE ESPARTA

ÁGORA ESPARTANA

 

Cidade-Estado de Esparta, 10º dia de Pyanepsion do ano espartano de 2808

 

Dom Fabianno MonteneroSecretário para a Relação com os Micro-Estados

 

De vossa visita à Esparta, sua última mensagem foi a que me falou de forma mais clara sobre os propósitos da visita. O amor aplicado é algo que busco colocar em prática diariamente, algo que não aprendi, mas que veio comigo desde sempre, faz parte de mim. Não é novidade que no âmbito pessoal, ambos concordamos e divergimos em inúmeros pontos, mas nos afinizamos em algo maior que muitos chamam de Deus, mas que eu prefiro ver como um sentimento que nos une em um único corpo, mesmo quando os objetivos são diferentes e os pontos de vista não são os mesmos.

Por tratar-se de um contato diplomático e não de uma visita de cunho religioso – vossa eminência veio como secretário de relações internacionais da micro-igreja –, cabe à Acrópole tomar – ou não tomar – um posicionamento oficial sobre o contato estabelecido. Com base na observação de tudo que aconteceu na praça pública de Esparta, encontro entre os embates alguns esclarecimentos que pesam em nossa decisão.

Herdeiros do movimento socioculturalista, nós esparciatas prezamos pela seriedade nos traços políticos que são a base para o nosso fazer micro-nacional. Não podemos, em nome do Estado, buscar o amor, uma vez que o mesmo não faz parte da coisa pública, mas do foro íntimo. Podemos, no entanto, buscar seus pares na atuação política: a paz e a concórdia. Nesse sentido, vejo que Esparta se alinha com o movimento católico no micro-nacionalismo em aspectos onde podemos e devemos nos apoiar.

No âmbito civil e político, contem com o povo de Esparta na defesa à livre escolha e na luta contra a tirania, na luta pelos direitos individuais, tais como a liberdade, o acesso à defesa e a um julgamento justo, a liberdade de expressão, de credo e à manifestação do mesmo em público. Juntos estamos também no combate a micro-nações que pensem diferente disso. Nos princípios que nos regem – enumerados resumidamente na página de diplomacia do nosso site -, estamos juntos.

Na questão religiosa em cultural, não estamos juntos. Como colocado por vossa eminência, a cultura base de Esparta possui diversos pontos que são frontalmente contrários aos dogmas católicos e não vejo uma mudança brusca disso nem por parte da igreja, nem por parte do povo e do Estado Espartano. Concordamos com esse fator que nos separa e, por isso, observo-o como algo que existe, mas que não precisa necessariamente servir de estopim para a derrubada de tudo o que nos aproxima.

Não duvidamos que a convivência pacífica seja possível caso mantenhamos, enquanto for necessário, uma distância segura dos pontos sensíveis de cada um dos lados. Se respeitar as diferenças é um dos pontos primordiais da pólis espartana, não vejo motivos para que o Estado empreenda uma guerra contra os dogmas e crenças alheios. Da mesma forma, sabemos que a micro-igreja retribuirá com a mesma convivência pacífica e respeito pelas diferenças que surgirão à medida que a sociedade espartana for desenhando seus caminhos.
Por fim, desculpo-me em nome do Estado caso alguma mensagem acalorada dos esparciatas tenham ofendido a vossa eminência ou à micro-igreja. Há aqui um repúdio óbvio à instituição, em sua maioria, fruto de experiências vividas no mundo macro. Não creio que isso seja motivo, porém, para o total esquecimento do respeito pela pessoa, suas crenças e posicionamentos pessoais.

Creio no espírito de justiça do povo espartano, e estou certo de que embora tenham havido mal entendidos, a idéia nunca foi denegrir o indivíduo, mas contrapor idéias, algo que nem sempre acontece de forma clara o suficiente para que não existam sentidos passíveis de interpretações pessoais equivocadas. Independente da culpa ou inocência de quem quer que seja, o Estado se desculpa por qualquer mal direto ou indiretamente causado pelo nosso povo.

Declaro, ainda, que o Estado Espartano entendeu que ao citar os populares, falava de questões protocolares – no caso, a de não enviar mensagens pessoais quando representando um Estado ou instituição em território estrangeiro -, e não de forma pejorativa, como a princípio entendemos.

 

Que essa última mensagem de amor trazida pela micro-igreja traga à Esparta a tolerância necessária para a vida em comunidade, tão buscada e cara para nós.Vá em paz.

Em Atena,

Mariano de Ágide

REI DE ESPARTA

DIARCA DE ATENA

Pai Fundador da Pólis

 

Entrevista

Hoje o nosso chá é com Tales Zonaro, o grande editor de uma inovação no jornalismo micro-nacional lusófono, “A BATATADA!”, que faz sucesso em Reunião e também um político de nome que trabalhou numa das maiores alianças da política reunã. Uma conversa muito interessante e descontraída, e com um pouco de Montenero, para acompanhar um bom chá e uma boa conversa.

 

Montenero:

Falemos um pouco sobre sua vida micro, desde quando está em Reunião?

Tales Zonaro:

Estou em Reunião desde Janeiro de 2004.

Montenero:

É uma longa história no que tange ao micro-nacionalismo, quais momentos mereceriam relevo nesta trajetória?

Tales Zonaro:

O momento de maior relevância foi o ano de 2005. Neste ano empreendi um trabalho muito forte em Stráussia onde consegui obter certo grau de destaque como integrador e fomentador capitanial, sendo também o ano quando obtive o título de Barão que carreguei até a minha alçada a Visconde recentemente.

Montenero:

Sua fama no micro-nacionalismo reunião é de “o homem das alianças”, poderíamos falar um pouco de sua trajetória política desde Stráussia até hoje?

Tales Zonaro:

Nos idos tempos que comecei em Stráussia meu trabalho foi mais capitanialmente direcionado, sendo que eu não participava diretamente da vida política de Reunião em si, mas de qualquer forma já tinha essa veia política. A minha veia política tem o aspecto curioso de não me tornar uma pessoa com um nome forte para cargos eletivos, como o de Premier, por exemplo, mas de ser uma pessoa importante nos bastidores. Acho que minha grande sagração como “o homem das alianças” foi a improvável aliança PacsoArenaPigd que ajudei a construir e que deu certo.

Montenero:

Não sou bem um homem de política, na verdade sempre me interessou pouco, mas sabemos que a política reuniã, bem como no micro-nacionalismo é alguma coisa de tênue e inconstante. Quais foram os passos para esta aliança?

Tales Zonaro:

Os passos para essa aliança foram mesmo a cooptação de pessoas pelos bastidores dentro de um bom nome que era o Ricardo Cochrane. Essa cooptação levou a aceitação mútua em vista do desenvolvimento do império. O principal nome do PSD, Flávio Miranda Von Rainer, estava ausente no momento, sendo que não houve grande mobilização do PSD em outros importantes nomes em agir politicamente, o que facilitou em muito a aliança.

Montenero:

Na verdade então a aliança surgiu mais de um oportunismo unido a um bom lobby que de qualquer outra coisa?

Tales Zonaro:

Não… A aliança surgiu de um bom Lobby. O oportunismo não foi visto no momento da formação das alianças, a análise da formação da aliança é que se leva a entender que o PSD realmente não agiu na época, mas na época mesmo nós não tínhamos percebidos. É como história, as coisas tem que baixar o pó para você conseguir compreender porque as coisas aconteceram de determinada maneira. Mas no geral a aliança que foi formada é muito boa para Reunião porque ela contém 75% dos partidos unidos

Montenero:

No cenário reunião, a política é uma boa parte das atividades, hoje temos uma retomada do crescimento. Atribuiríamos isso às atividades da APQ e do ECIE ou deveríamos buscar outro responsável?

Tales Zonaro:

A retomada do crescimento teve duas fases. A primeira fase, que foi em novembro, pode ser avaliada como uma fase de confraternização onde os antigos estavam voltando e havia aí um bate-papo animado em lista pública, além de diversos “virtualismos”. Em dezembro que realmente se iniciou uma atividade mais voltada para o produtivo e para a história produtiva reuniã principalmente. Mas curiosamente não tem como se falar de atividade na APQ e na ECIE ainda, afinal elas estão no momento ressurgindo da inatividade e mesmo o Premier não começou efetivamente a trabalhar. O que puxa a atividade no momento são mais ações do poder moderador, debates judiciários e intrigas sobre alguns temas e isso é no geral algo que está dentro da atividade histórica reuniã. Com os órgãos voltando, com certeza a atividade crescerá ainda mais.

Montenero:

A letargia que toca o ECIE e a APQ tem sido alvo de criticas. Poderíamos dizer que as duas casas perderam suas linhas mestras? Qual seria uma possível saída?

Tales Zonaro:

Uma possível saída é voltar à tradição do debate, voltar principalmente o amor ao debate típico de um hobby intelectual. Aliado a isso teríamos que ter um poder moderador que se segurasse um pouco mais para acabar não governando por OG´s. Governar por OG´s é típico de tempos inativos, mas dentro da nova realidade temos tudo para voltar a atividade legislativa, principalmente com a comissão judiciária que foi formada agora.

Montenero:

E por falar em “hobby intelectual”, poderíamos dizer que Reunião tem tido um declínio intelectual ou, em outras palavras, o “virtualismo” tem atrapalhado o crescimento de Reunião?

Tales Zonaro:

O declínio intelectual ele acaba sendo acentuado quando há a entrada de muita gente nova, nova de idade principalmente. Essas pessoas não têm ainda posições políticas e culturais muito bem definidas e são levadas a tendências “virtualistas” típicas dessa idade e de quem entra também em Reunião pela primeira vez. Todos já foram “virtualistas” um dia, então não podemos tacar pedra se temos telhado de vidro.

Montenero:

Em suma, uma boa síntese entre o “virtualismo” e o realismo deve ser resgatada em Reunião…

Montenero:

E por falar em realismo, você inventou um novo modo de fazer jornalismo em Reunião o “A Batatada”. Poderíamos classificá-lo como o primeiro jornal reunião que consegue angariar humor, realidade e interação como surgiu a idéia?

Tales Zonaro:

A idéia surgiu em uma pegadinha que eu fiz o Cohrane. Ela ficou tão boa que resolvi fazer com outras pessoas e posteriormente publicar. Esse foi “A BATATADA!” nº 1. Como é impossível de se manter essa linha e as pessoas clamavam por uma continuidade acabei por desenvolver esse quase jornalismo gonzo que é o de coletar bobagens no chat. Então “A BATATADA!” faz um jornalismo real onde o editor tem o papel de fazer alguns comentários ácidos apenas, quem faz realmente o humor são os próprios reuniãos, que invariavelmente soltam uma bobagem, uma opinião idiota, coisas desse tipo.

“A BATATADA!” é quase um estudo sociológico, ela é a prova que o ser humano sempre tende ao rebaixamento intelectual quando em grupo, por isso que saem esses tipos de bobagens no chat.

Montenero:

Você coloca “A BATATADA!” em um grau interessante, o de “estudo sociológico”, contudo, não lhe fez lograr alguns desafetos em Reunião?

Tales Zonaro:

Bem Fabianno, estamos dentro do humor brasileiro. O humor brasileiro é escrachado em relação às outras pessoas e esse tipo de coisa pode ocorrer, como ocorre com veículos de humor macro-nacionais também. Dificilmente se faz humor agradando todo mundo – isso é praticamente impossível. Mas um desafeto que pode surgir agora também pode se tornar um grande amigo amanhã, então as coisas acabam se contemporanizando com o tempo.

Montenero:

Isso é bem verdade, somos prova concreta disso. Algum caso em especial que gostaria de citar?

Tales Zonaro:

Fora o problema que nós tivemos, não creio que houve algum grande outro. Se houve não chegou realmente ao meu conhecimento. Pequenas irritações sempre há – como o do Sr. Marcelo Brunella e da Srtª. Kizzy Tupã –, mas isso não poderia ser chamado de um problema que ensejou maiores preocupações entre as partes. Todos convivemos super bem.

Montenero:

“A BATATADA!” colocou o senhor num grupo bem distinto de Reunião do qual fazem parte Gustavo Otto e Flavio Miranda Von Rainer. São tidos como “sem papas na língua”, mas esse título não parece modificar sua postura na lista oficial. A sociedade reuniã consegue ser madura o suficiente para separar o editor do “A BATATADA!” do advogado, político e outras coisas?

Tales Zonaro:

Creio que sim! Meu trabalho na lista oficial e nos cargos que desempenho são feitos na maior seriedade e afinco possível. Uma coisa sou eu no chat que é um lazer e outra sou eu trabalhando. Sempre soube separar bem as coisas ainda mais que em 80% do meu tempo macro-nacional, por exemplo, eu ajo também com seriedade.

Montenero:

Já que tocamos no assunto do chat, o senhor disse que já passou mais de 48 h com a janela do MSN aberta…

Tales Zonaro:

Na verdade muito mais! Chega a ficar 7 dias aberto.

Montenero:

E como é procurar a matéria certa para o periódico?

Tales Zonaro:

É um trabalho muito longo… Eu passo o chat para o Word, o que está dando pelo menos 600 páginas por edição para conferir. Vou selecionando as melhores partes, recortando e mandando para outra página no Word… Depois com o material vou fazendo a edição direto no gmail.

Montenero:

Há uma OG que manda estatuir um código de conduta para o chat… Há um tempo foi levantado o tema em CHANDON e depois novamente abafado, o que acha? O abafamento seria proposital?

Tales Zonaro:

O chat descamba muitas vezes para a baixaria, isso notório e ululante, então seria de certa forma proposital, mas como todos já se acostumaram e aprenderam a utilizar o chat não tem porque haver regulamentação. Se o chat está desagradando no momento simplesmente é só fechar a janela, conversar em “PVT” com outras pessoas ou trabalhar na lista.

Montenero:

Alguns casos foram bem incômodos, como por exemplo, as agressões a senhorita Melsi. Não seria esse um motivo suficiente?

Tales Zonaro:

Não! Diversas pessoas já foram agredidas ou esculhambadas (que e o melhor termo) no chat e o usam ainda de forma usual com a mesma alegria de sempre. Acontece que há pessoas de cunho fortemente conservador que não aceitam alguns tipos de brincadeiras. Como estas são minoria dentro do universo Reunião, não teríamos porque tolher a liberdade de 60 em custa de 3 pessoas incomodadas.

Montenero:

Se levarmos em conta que a verdade não se faz por estatísticas e que mesmo que sejam três os que se sentiram prejudicados, não seria sensato que o mau uso fosse punido?

Tales Zonaro:

Discordo. Há momentos que há sete ou oito pessoas esculhambando outra, se estes fossem punidos, com expulsão temporária do chat, por exemplo, chegaríamos a um momento que só teríamos estas três pessoas hipotéticas lá. TODOS no chat são alvos de brincadeira e algumas pessoas do chat já receberam esculhambações da mesma forma que a Dona Melsi sofreu e continuam utilizando o chat porque já se acostumaram e aprenderam também a brincar. Aquilo é tudo uma grande brincadeira e não dá para levar tudo a sério, a ferro e fogo.

Montenero:

De fato o abuso não tolhe o uso!

E por falar na senhorita Melsi, como ficou seu romance com uma das poucas e raras mulheres no micro-nacionalismo?

Tales Zonaro:

A Srtª Melsi conseguiu me irritar, mas não em Reunião, em PVT mesmo. A Senhorita em questão tem o pequeno defeito de querer traçar o mapa psicológico dos outros e infernizar as pessoas no MSN se esquecendo que ela está em outro fuso horário. Ela deveria perceber que as minorias não ficam querendo exercer seu ponto de vista dentro de uma maioria… Senão é esculhambada. Se eu falar que sou “lulista” no chat eu sou esculhambado, se ela quer achar que a vida dela que é a certa e que ela no evangelismo saiu do mundo da ignorância, aprenda a conviver com as pessoas que ela julga estar no mundo da ignorância, mas sem lançar esse tipo de indireta. O que a Fabíola não sabe, e isso é um problema de muitos evangélicos, é conviver com pessoas que vivem e pensam diferentemente dela.

Montenero:

O Sr não é uma pessoa afeita ao movimento religioso, mas, no entanto também não parece um ateu. O que pensa sobre o movimento religioso (de todas as espécies) no Micro-nacionalismo?

Tales Zonaro:

Na realidade eu sou Ateu. Muitas pessoas sabem, mas eu não fico levantando a bandeira e nem dizendo que os católicos são ruins por isso ou aquilo. Respeito a todos, menos os que acham que estão certos e o mundo tá errado. O movimento religioso micro-nacional eu acho que é algo que naturalmente iria surgir, afinal é algo forte no mundo macro-nacional e não faltaria uma projeção no mundo micro-nacional. O problema das micro-religiões é que existem os puristas que discordam dessa existência, mas como não é minha área é complicado eu opinar, a minha única coisa a considerar é que eu respeito as religiões micro-nacionais.

Montenero:

Bom, creio que tivemos um grande momento em que pudemos conhecer um dos mais lidos editores de Reunião, o Sr. Tales Zonaro e um grande político reunião. Um momento como poucos! Queremos ouvir agora as suas considerações finais

Tales Zonaro:

Bem, primeiramente agradeço ao D. Fabianno e o parabenizo pela excelente revista de variedades que ele lançou no mercado. Peço desculpas pelas respostas longas que espero não serem tão chatas quanto as do Sales e agradeço aos reuniãos pelo apoio ao meu trabalho de editor que continuarei a fazer com grande prazer enquanto tiver público para tanto. Vamos continuar trabalhando por esta linda micro-nação

 

Correspondências

Muitas correspondências foram enviadas à nossa redação em atenção ao número de estréia de nossa revista, aqui estão algumas delas.

 Salve D. Fabianno,

 Belas palavras em sua histórica volta ao micro-mundo em alguns bytes! Espero que o “Chá, conversa e MONTENERO n-2 seja tão empolgante quanto este.

Só gostaria que a lista da Bélgica fosse incluída, pois acho que os meus comentários deveriam partir de lá e já peço desculpas às autoridades deste reino pela resposta eletrônica.

D. Fábio D´Almeida (Em RUPA)

 

Dom Fabianno Montenero, 

Parabéns pelo seu excelente periódico. Estou ansioso pela próxima edição.

 Att.

Celso Durval (Em RUPA)

 

Batepapo descontraído, polêmico e de alto-nível. parece um talk show micronacional, muito bom prelado!

 Rafael Ithzaak (Em Reunião)

 

Boa Revista!

Faço minhas palavras as do Rafael!

Abs

Gabriel Garcia – Alcaide de Le Port (Em Reunião)

 

Parabéns pelo estilo informal e, ao mesmo tempo, aplicado de sua revista Chá.

Mesmo não sendo religioso, tenho percebido em vários círculos micronacionais que os antiteístas, apesar de sempre condenarem serem as religiões a causa de conflitos históricos na humanidade, sempre se aprontam em serem os primeiros a ver os religiosos como uma espécie de extraterrestres perigosos ou sub-seres alienados. E ainda se inquietam muito se alguém, mesmo sem intenção alguma, fala de Deus.

Esquisito.

Foi bom ter mostrado os dois lados…

Renan Saifal (Em Reunião)

 

Via MSN:

DIESLEY diz:

Ah, por falar em revista, fiquei maravilhado com a primeira edição!

 

Via MSN:

 (Flávio Miranda Von Rainer) diz:

A revista é maraaaaaa!

 

Agradecemos a gentileza de tantos leitores que se manifestaram em apoio a nossa estréia, os que o fizeram em listas nacionais e os que o fizeram através do MSN. Manteremos este espaço para a participação dos leitores. Estejam à vontade para um chá!

Obrigado!

Chá, conversa e MONTENERO – n. 1

http://chamontenero.blogspot.com/

Nº 1 | 03 de Janeiro de 2009                                  © Editora Pacífica

Editorial

Unir um papo descontraído, conteúdo e uma boa xícara chá! É o objetivo de nossa revista, um empreendimento que não está ao alcance da mão, mas vai ser concretizado aos poucos com uma boa pitada de Montenero.

Na edição de estréia, gerando muita polemica, uma entrevista com ninguém menos que Filipe Sales, um dos fautores do movimento que mais deu assunto no micro-nacionalismo. Ainda uma apreciação sobre a tese.

 “De Soslaio”, uma divisada na atividade e no que tem de novo no micro-mundo lusófono.

“Blinck” é a seção que vai dar uma piscadinha para você! Alguns comentários sobre nossas viagens a várias micro-nações e nossas impressões. Nesta edição traremos um pouco de Pasárgada.

Esperamos que esta revista seja um colírio aos olhos, mas bem sabemos que pimenta nos olhos de uns, nos dos outros é colírio!

Chá

O nosso chá de hoje é um dos mais tradicionais e mais refinados chás. Com um sabor impar para ocasiões especiais, como a nossa estréia. De sabor leve e adocicado, o Chá Branco tem um aroma intenso e marcante. Produzido a partir da Camellia Sinensis, é composto do miolo e da ponta das folhas mais jovens colhidas uma única vez ao ano entre os meses de abril e maio.

De Soslaio

*        A volta de D. Eduardo Lagrenge de Pacífica aos rincões de Reunião já tem movimentado as consciências, e não menos às listas. Ácido e irreverente, já desferiu críticas – a bem da verdade, muito sensatas – a vários temas. Em sua mensagem de Ano Novo, por ocasião das festividades da coroação do Rei da França, reforçou a toada: “Entrou-se em 2009 com uma esperança de mudança, mas as mentalidades continuam as mesmas e essa mudança será a Partida impossível, mas como neste mundo nada é impossível cabe a cada um de nós trabalharmos para que neste ano de 2009 consigamos implantar as mudanças necessárias a que o Micro-nacionalismo cresça e se desenvolva de uma forma sustentada”. Dois mil e nove guarda surpresas!

*        O Sacro Império de Reunião reconheceu como nações soberanas e independentes, de direito internacional público o Reino Absoluto de Ortence, o Reino da França e o Reino da Itália.

*        O rei belga adotou D. Antonio Fábio Moura D´Almeida Eugenio Font D´Savoia Saxe Coburgo Hildburghausen und Gotha Nevski, Príncipe Real de Bruxelas, Duque de Brabantes, e abdicou ao trono em favor dele.

*        Se a nova lei ortográfica retrocede achando que avança, Reunião avança pelo retrocesso. Revoltado com as novas leis ortográficas, o Imperador reunião solicitou a análise da viabilidade de adoção de dupla grafia no império: a revisão ortográfica de 1931. Subscrevem a mensagem D. Bruno Queiroz, D. Rodrigo Rocha, D. Alexandro Tarquino e D. Fabianno Montenero.

*        Em Pasárgada: só xadrez movimenta a lista!

BLINK

Depois de ter visitado muitas micro-nações, resolvemos abrir nosso diário de viagem e dizer um pouco daquilo que vimos em algumas micros no mundico.

Decidimos começar pela última: Comunidade Livre de Pasárgada, fundada à 7 de abril de 2001 por oito ex-reuniãos, com a promessa de um projeto que lhe faria frente, por  ideais do humanismo, da liberdade, do universalismo e da paz.

Quase oito anos depois, estivemos em recente visita em Pasárgada. A bem da verdade, nossa visita foi um pouco conturbada e, apesar de não termos nos apresentado como membro micro igreja católica, logo nossa posição sobre religião e micro-nacionalismo foi explicitada em lista pública.

Aqui está uma mensagem de “boas-vindas” do Primeiro Ministro Felipe Aron:

 

Caro turista Fabianno;


Muito me deixa intrigado a presença de micro-religiosos no micro-nacionalismo porque em qualquer mensagem que leio com alguém deste distinto clero como autor, só encontro menções à Deus, Jesus, Papa, igreja, religião, etc etc etc.


Como perguntar não ofende: vocês não têm outro assunto? Não gostam de mulher, cerveja, futebol, formula-1? Ou não se interessam também por outros assuntos no micronacionalismo? Vocês são assim fora do micronacionalismo também? SÓ falam disso?

[]s

Felipe Aron

 

 

O humanismo pasárgado é bem notório logo à primeira vista, não? Como não é de nosso feitio deixar ninguém sem resposta, não faltamos com o decoro:

 

Senhor Aron, (não sei se é assim mesmo que deveria me dirigir ao falar com o senhor. Em todo caso, como não fomos apresentados de fato, insisto para que me corrija se estiver errado)

 Decerto, perguntar não ofende desde que a pergunta seja sincero desejo de obter informações. Sou filósofo por formação e teólogo por vocação e, como filósofo, não me permito responder qualquer coisa, mas somente as questões de fato relevantes. Aprendi com a dialética hegeliana a nunca aceitar o convite de debatedores se elas visam nos amarrar em argumentos seus argumentos.

 Aos amigos, quem sabe eu responda com simplicidade, aos desconhecidos, respondo com formalidade, aos inimigos respondo com respeito, mas a todos respondo com a verdade.

 Os micro-clerigos, creio eu, não são assuntos a serem tratados em Pasárgada – e por isso não me apresentei como tal. Creio que esse assunto extrapola este ambiente dado o seu realismo em contraste com a boa dose de virtualismo que tempera a Micro Igreja Católica.

 Decerto sabemos falar de muitas outras coisas (política, sociologia, bons vinhos, livros, gastronomia, e somaríamos uma imensa fila de “et coetera” agora). Contudo, pode alguém que vive de sua fé não deixá-la transparecer em seus atos? Creio que não! Instaurare Omnia in Christo!

 Mas o mais importante não é o “do que falamos”, mas o “do que vivemos” e, se perguntar não ofende, de que coisas têm enchido sua vida? Creio que é necessário haver diversidade, mas dentro de uma unidade, caso contrário, como os camaleões, deslavadamente, mudaríamos ao sabor dos ambientes! Eu sou Católico aqui e em todos os lugares, estou no mundo, vivo no mundo, mas não sou do mundo.

 Como e bebo como todos, me visto como todos os de minha classe, mas não faço o que todos fazem. Amo o mundo, mas sou concidadão dos santos, sou pecador, mas desejo ser bom.

 Creio que assim respondo com respeito a pergunta que me foi dirigida sem ofensas.

Se deixei de considerar algo, por favor, seja livre, mas com respeito.

 Fabianno Montenero

 

 

Considerando Pasárgada:

Uma micro interessante em seu projeto que comporta enxadristas e um Primeiro Ministro grevista. A intelectualidade é escassa e decepcionou-me – de fato esperava um pouco mais. Encontrei um senhor de idade contando causos do passado de glória de Pasárgada. Creio que seja esse o retrato de Pasárgada.

Pasárgada seria grande se não fosse sisuda ao extremo, falta-lhe um pouco de virtualismo para o tempero das coisas, mas tem grande potencial para continuar fazendo história.

Entrevista

Creio que tenha sido uma das conversas mais produtivas que tive em todo o micro-nacionalismo do ponto de vista da micro-patriologia. Vale lembrar que esta entrevista foi produzida no primeiro semestre de 2008, quando Filipe Sales ainda era súdito do Sacro Império de Reunião, no auge de alguns conflitos da época (tais como o embate entre Alberto Fioravanti e Lucas de Baqueiro, citados de passagem na entrevista).

Este momento foi ao mesmo tempo relevante e fraterno e trazemos para o leitor, na integra, uma boa conversa, chá e Montenero.

 Montenero:

Boas noites meu amigo! Como vai?

Filipe Sales:

Boas, caríssimo, tudo bom. E por ai?

Montenero:

Vamos falar um pouco sobre o movimento que mexeu com as estruturas do micro-nacionalismo e que gerou muitos conflitos no Sacro Império Reunião, O sócio-culturalismo.

“O socioculturalista”, uma série de panfletos, foram os primeiros escritos que impostavam o tema do sócio-culturalismo ou houve algum outro oficial anterior a este?

Filipe Sales:

Foram os primeiros, mas na verdade Bruno Cava ensaiou sobre o tema antes, mas sem esse rótulo. Foram vários ensaios que podem ser encontrados no antigo jornal dele: “Tribuna Popular”, publicado na “Areuniana”, “Imprensa Livre”, “Jornaleiro”, os editoriais normalmente são muito bons.

Montenero:

Não é de se admirar que os fautores do movimento socioculturalista tenham sido tomados por revolucionários golpistas, o editorial do primeiro panfleto é no mínimo pouco diplomático… Qual era a intenção? Chamar a atenção, chocar?

Filipe Sales:

O panfleto surgiu como oposição ao embate cruel que tinha se iniciado quando o panfleto surgiu, já estávamos em guerra, então ele nasceu nesse clima bélico

Montenero:

Em todo caso, parece-me um erro crasso, não? Pôr uma nova idéia de modo tão rude…

Filipe Sales:

A idéia não saiu de forma rude, o jornal é que saiu porque o clima já estava rude, a idéia saiu inocente… E, na verdade, iniciou-se fechada nas fronteiras de Maurício. Foram os tradicionalistas quem a puxaram à força para o Império para que pudessem a criticar. Tinham medo… Aquele foi o único pretexto que encontraram pra tentar barrar o avanço de Maurício, que na época era mais ativa que todo o Império. Daí surgiu tudo!

O Socioculturalismo, se tivesse nascido em outra circunstancia, talvez não tivesse sido tão atacado. É verdade que ele toca num ponto polêmico, e que geraria desconforto de qualquer forma. Mas talvez não tanto como gerou.

O fato é que ele estava dentro do mesmo local que, na época, era maior do que o próprio Império, e isso criava uma sensação mista de receio/inveja em muitos.

Verifique que o maior inimigo dos sócioculturalistas era o Lorde Protetor da época, Gerson França, que era meu aliado semanas antes… Teoricamente, dado o cargo, ele era o responsável pelo sucesso ou não do Império

Montenero:

Entendo, mas a corrente tem que ter um primeiro elo… De onde vem o sócioculturalismo? Quero dizer, o senhor me diz que nasce de modo inocente, mas como? Onde estavam os focos desse embrião?

Filipe Sales:

Surgiu a partir das idéias que foram implementadas em Pasárgada (o realismo) e a partir de alguns textos de Bruno Cava e McMillan Hunt. Eu e Góes – podemos dizer – subimos nos ombros de outros…

Montenero:

Mas parece estranho. Se eu pego, como faço, somente o “O Socioculturalista” a idéia que tenho é bem outra… Parece, começando por ali, pelo menos até onde li atentamente, que de fato se começava um movimento que pretendia dar um choque cultural no micro-nacionalismo.

Filipe Sales:

É evidente que ele buscava um choque, mas não dominar o cenário. Eu e Góes sabíamos que não havia qualquer chance do socioculturalismo se instalar em Reunião num futuro próximo.

Montenero:

O corolário de idéias nascentes recolhidas deixa entrever, pelo menos um pouco, certa hostilidade, mas não fica claro de onde vem… Resgatar a imagem do Iluminismo também não ajudou aos tradicionalistas a aceitar melhor o discurso. O senhor não acha que foram um pouco precipitados no modo de impostar a causa?

Talvez pela pouca maturidade da idéia, ou pela falta de chão concreto onde levantar o edifício em que se instalaria um sistema a partir do sociculturalismo.

Filipe Sales:

Você está lendo o panfleto… o  panfleto surgiu depois de semanas de mensagens. O panfleto começou mais como compilação das discussões diversas que já haviam se instalado

Montenero:

Mas o panfleto é uma das poucas fontes sistematizadas que se encontram, então é impossível não partir dele…

Filipe Sales:

É verdade… Havia uma fonte melhor, mas está fora do ar: é o portal da FTS (www.micropatriologia.org) m projeto nosso

Montenero:

Eu vi o FTS, mas está muito defasado, alguns links estão quebrados…

Filipe Sales:

“Aham”… Você viu o site antigo, outro está sendo criado. É um dos projetos da Fundação Teobaldo Sales. Na época, quando tínhamos mais tempo, estávamos inclusive criando algo revolucionário: um índice de desenvolvimento próprio da FTS para medir desenvolvimento das micronações

Montenero:

Sobre a Micro Igreja Católica, eu não vejo por que a Igreja lhes acusou de comunismo ou socialismo… mas é fato que vocês assustaram os clérigos da época…

Filipe Sales:

A Micro Igreja nos acusou disso porque Renato Moraes é um desses tradicionalistas, e você sabe quanto ele gosta de influenciar a Igreja… Quanto a isso eu não preciso lhe provar. Renato Moraes foi um desses “ofendidos”, mesmo sem ofensa dirigida.

Montenero:

 Mas porque você diz que ele foi “ofendido”, qual o ponto de ofensa?

Filipe Sales:

Por que as pessoas se sentiram ofendidas por virem alguns e falarem: até então estamos brincando de casinha. Vamos crescer! O que o socioculturalismo disse, no grosso, foi isso, claro que não dessa forma.

Montenero:

Esse é meu ponto de crítica, o realismo do socioculturalismo parte da função que o individuo exerce, pelo que pude ver até agora. O indivíduo é único (no que chamamos de micro e macro), mas sua atuação diz sua existência micro-nacional… Se o socioculturalismo partisse da intuição de mundo, seria muito mais plausível…

Filipe Sales:

Discordo.

Montenero:

Veja, a minha intuição me diz que a questão do Renato Moraes era a seguinte, como ter uma Micro Igreja num ambiente socioculturalista? Se um advogado o é por que no micro mundo está em exercício da função, essa relação não cola pra um PADRE! que precisa ser ordenado e tem uma mudança ontológica. O problema é a teologia que está por traz da questão!

Filipe Sales:

E como isso seria no virtualismo? De que forma um padre é mais padre na ficção?

Montenero:

 Se for ficção, está atrelado ao ficcionista. O que ele diz é o que é! Já que na ficção vale o simular, imaginar, fantasiar. Desta forma o padre não o é por ordenação, mas por simulação.

Filipe Sales:

“Fantasiar”. Esse é o ponto. A questão aí é de paradigma não encontramos justificativa para um monte de adultos ou adolescentes quase adultos brincarem de fantasiar na Internet, não em uma coisa que misture política, sociedade, cultura, e que tenha tanto potencial na realidade

Montenero:

Se considerarmos a maioria de nossos amigos micro-nacionalistas, entendemos q eles participam de um mundo onde o lúdico está em primeiro lugar. Considere o caso entre o Fioravanti e o Baqueiro.

Para o Baqueiro o lúdico (mesmo que sem limites) está fora do lugar, mas para o Fioravanti não há mínima distinção entre o macro e o micro (nem sobre as leis que regem um e outro)

Filipe Sales:

Verdade! E é o que criticamos muito

Montenero:

Mas são duas posições que se tocam no final, vemos o micro-nacionalismo como uma realidade paralela (quer os virtualistas, quer os realistas) exatamente por que está para além daquilo que temos em nossa realidade imediata fora do micro-nacionalismo

Filipe Sales:

qual realidade paralela toca os realistas?

Montenero:

Tanto o virtualista quanto o realista estão buscando um ambiente polivalente para exercer suas potencialidades, só que fora dessa sua realidade própria. O ambiente onde ele se encontra, isto é, o próprio micro-nacionalismo é uma realidade que está para além de sua realidade imediata, a da sua vida comum.

Por que alguém seria micro-nacionalista?

Filipe Sales:

Não necessariamente! Isso é como dizer que um jogo de poker é uma realidade além da vida comum, porque acha interessante o ambiente

Montenero:

Sim, por isso é absurda a relação que traçamos tanto numa corrente quanto na outra… o que quero dizer é que ambas não respondem o problema do micro mundo. Partir de um ou de outra, simpliciter, deixará sempre a desejar… Não descarto o realismo, mas acho que é possível uma simbiose…

Filipe Sales:

Não sei… Não vejo o porquê a realidade do micro-nacionalismo limite a si mesmo ou limite as pessoas num faz-de-contas. O micro-nacionalismo libera possibilidades verdadeiras

Montenero:

O ser humano é sempre hibrido, misto de corpo e alma, misto de sentimentos e instintos… em outras palavras ele é feito de “céu e de terra”, por isso o real e o fictício estão presentes na constituição do homem… Nisso ele pode encontrar a verdade, não a sua verdade, mas a verdade do ser.

Filipe Sales:

De acordo… Mas não acho que esse tipo de ficção seja saudável… Ela me parece muito infantil…

Montenero:

Captar no ambiente a perspectiva psicológica, social e metafísica é o que gera a minha compreensão dessa realidade, que engloba realidade e ficção, abrindo para uma intuição do universo.

É misturar o homo ludens com o homo rationalis, spiritualis e tantas outras facetas que englobam o homem. São só reflexões instantâneas, mas a mim parece que partir de só um realismo é sisudo de mais!

Filipe Sales:

Eu acho q você acabou de misturar o mundo todo num bolo só, e isso impede qualquer passo, pra qualquer lado que seja. Acho que precisamos definir caminhos, e que eles precisam espelhar o estado de maturidade em que nos encontramos

Montenero:

Exato! Misturei sim, exatamente por que a maturidade é conhecer as partes sem desconsiderar o todo.

Filipe Sales:

Sim… Mas nesse ponto então ficamos sempre estáticos, aceitando todas as posições de todos os lados, e não vamos a lugar nenhum

Montenero:

Às vezes aristotelismo de mais faz mal pra saúde… Distinguir sempre nem sempre é o caminho para maturidade, exatamente por que ao segurarmos uma parte soltamos outra. Não vejo a “estaticidade”. O dinamismo ocorre exatamente na possibilidade de ser, e na abertura para incompletude.

Filipe Sales:

Mas ao aceitar a plenitude de posições tão distintas, não se faz caminho!

Montenero:

Veja, não condeno o socioculturalismo… Até simpatizo com ele em um e outro ponto (culpa sua!), mas acho que o hibridismo do homem abre espaço para a ficção, o lúdico…

Filipe Sales:

Eu não gosto de aristotelismo em excesso, mas acho essencial tomar lados, acho que toda e qualquer empreitada do homem já é carregada de ficção… Não precisamos voltar a infância e brincar de castelos e palácios pra colocarmos ficção em nossas vidas

O fato de nos aventurarmos em ocupações que nunca tivemos antes já é palco dessa ficção naturalmente. Não precisamos alimentá-la ainda mais com elementos fantasiosos. Eu, e outros, achamos que o que é importante aí é viver – de fato – essas ficções, e não criar elementos fantasiosos por cima dela

Montenero:

 Bom, acho que isso resolve nossa questão. Parece que chegamos a um ponto comum: a ficção sem fantasia, isso é, limitarmo-nos à simulação!

Filipe Sales:

Não é simulação, simular é fazer algo que não é real

Montenero:

O Senhor sempre foi tido por uma figura polêmica, recentemente travou embates homéricos com o Sr. Alfred, foi exilado, retornou – de certa forma – com certo prestígio, mas ainda paira aquela sombra das acusações passadas. O que o senhor, diante disso tudo, diz de si mesmo no micro-nacionalismo?

Filipe Sales:

Eu sou polêmico porque não consigo conviver em um ambiente pré-moldado, e naturalmente tento com muita intensidade moldar esse ambiente anterior a minha visão das coisas. As acusações partem daí.

Não são reflexo exatamente de conspirações ou golpes, mas do fato de que aqueles cuja realidade de preferência anterior é eventualmente alterada se tornam extremamente ressentidos com a mudança (obviamente).

Eu e Alberto tivemos uma briga homérica e uma discussão pesada. A briga – mais anterior – se deu em razão de uma postura extremamente ofensiva que ele teve com uma menina à época (Marina Melillo), e eu comprei a briga porque julguei que ele havia sido baixo em tratar uma mulher daquela forma. A coisa subiu a proporções grotescas, a recente – a discussão – foi em razão da Emenda Alvorada.

Alberto é uma pessoa que se cega facilmente a cada vez que teima com algo.

Montenero:

Embora não seja uma entrevistas estritamente, me interessa o seu curriculum vitae, e em reunião, muitas vezes pôde colocar sua perspectiva teórica de micro-nacionalismo em questões. Como primeiro ministro instalou o que foi denominado Salismo. Desde que começou a teorizar sobre o socioculturalismo foi relegado, de certo modo, à desconfiança e agora volta a Reunião, como é estar de volta e tentar entabular antigos projetos, mesclando os novos? E ainda, por que voltar para Reunião hoje?

Filipe Sales:

Estar em Reunião e ser alguém ligado a filosofias voltadas ao futuro é complexo. Reunião é a micro-nação mais antiga que permanece sob o mesmo eixo, e isso criou um sentimento retrógrado em relação a qualquer coisa que possa diferir de elementos mais simplórios, mas antigos.

Voltei porque, ainda que retrógrada e, por vezes, extremamente desestimulante, continua a ser a única micro-nação com potencial humano de construção verdadeira.

Montenero:

Mas não acha reunião hostil ao seu pensamento?

Filipe Sales:

Quase que por completo. É natural, entre pessoas apegadas tão somente ao passado, que vêem apenas no passado a possibilidade de sucesso, que se postem de forma violenta em relação a qualquer coisa que seja nova. Mas recentemente, com novas imigrações, surgiram pessoas capazes e mais coerentes com o momento em que vive o micro-nacionalismo, com suas necessidades atuais e com novas visões a respeito

Montenero:

Como o clero, por exemplo?

Filipe Sales:

Incrivelmente, o clero têm tido uma das mais avançadas participações intelectuais de Reunião. Inclusive me ensinaram diferença fundamental entre conservadorismo e tradicionalismo; que enquanto o primeiro se funda no apego a raízes, mas sabendo que o tempo passa e que as coisas, com ele, mudam, o segundo se ampara em uma visão possessiva do passado e de tudo que ficou para trás.

O clero é conservador, mas não tradicionalistas – o que me surpreendeu muito. É diferente da parcela mais antiga de Reunião, que realmente não quer que as folhas das árvores caiam, e que as colam com cola de papel novamente quando as vêem cair.

Montenero:

Outra curiosidade que tenho, o senhor é o pai adotivo do Sr. Goldstein, que também colaborou, eu diria, mais diretamente para a elaboração e sistematização do socioculturalismo… embora pareçam pensar “juntos”, existiria alguma divergência ou nuance no sociculturalismo do Sales em relação ao socioculturalismo do Goldstein?

Filipe Sales:

O Socioculturalismo surgiu de uma forma incrível: eu e Góes mantínhamos os mesmos pensamentos a respeito do micro-nacionalismo, na maior parte por influência de micropatriólogos como Bruno Cava. Disso se criou os Murta-Ribeiro.

Em uma noite, num chat de MSN, pensando se o que avançávamos na esfera da micropatriologia deveria ser nomenclaturado, surgiu então o nome Socioculturalismo.

A visão é idêntica entre os dois: foi uma criação absolutamente conjunta, que na verdade nada mais foi que um processo gradual, surgido muitos meses antes da parte de ele, e anos anteriores de minha parte, a partir de minha passagem por Pasárgada entre 2002 e 2004. Esse processo culminou em uma Escola de pensamento extremamente coesa e firme, que denominamos Socioculturalismo.

Montenero:

O Socioculturalismo é otimista epistemologicamente, adotando metodologias experimentais que pretendem ser capazes de estabelecer um conhecimento que, apesar de construído socialmente, se refere a realidades que têm existência objetiva. O que acha desta sentença? E se eu dissesse que ela foi retirada de um artigo sobre psicologia social contemporânea e pós-moderna?

Filipe Sales:

Não vejo o micronacionalismo como uma realidade objetiva: pelo contrário, ela me parece tão subjetiva quanto quaisquer outras realidades da vida de uma pessoa, que nada mais são do que os diferentes ambientes com os quais convive. O Socioculturalismo é otimista ao ver o micro-nacionalismo como um aspecto verdadeiro da vida, que deve ser encarado como experiência real, e não como um faz-de-contas alheio as experiências socioculturais do homem. O nome da Escola vem daí; em ver o micro-nacionalismo como verdadeira experiência sociocultural.

Montenero:

Há alguma familiariedade entre o socioculturalismo micro-nacional e o da psicologia social contemporânea e pós-modernismo?

Filipe Sales:

O Socioculturalismo é uma versão verdadeira do micro-nacionalismo, que o vê como fenômeno social real entre as pessoas que dele participam, sob uma perspectiva utilitarista: a criação de identidades culturais próprias nos projetos micro-nacionais (é o que o difere do realismo pasárgado).

Em razão disso, toda e qualquer ciência que tome como objeto de estudo o homem e o seu relacionamento em sociedade acaba por manter certa familiaridade com o Socioculturalismo.

Montenero:

“Sob uma perspectiva utilitarista”, poderia ser mais claro quanto a esse ponto?

Filipe Sales:

O Socioculturalismo enxerga o micro-nacionalismo em seu objetivo, em seu aspecto final. Ele não se contenta apenas em definir “o que é micro-nacionalismo”. Ele, concomitantemente, ao definir micro-nacionalismo, define o que uma iniciativa deve ter como fim para que possa ser considerada micro-nacionalismo. Este fim, este objetivo, para o Socioculturalismo, é a construção de identidades culturais.

A cultura, em seu significado mais essencial – como técnicas, valores, símbolos, meios etc., que compõe uma identificação coletiva – deve ser o objetivo do micronacionalismo. Deve ser a criação dessas identificações em cada projeto; somente aí têm-se uma micro-nação.

Montenero:

Mas nesta perspectiva o individuo não fica preso ao exercício de sua função, perdendo personalidade, ou tendo sua personalidade definida não por sua personalidade própria mas por sua atividade?

Filipe Sales:

Claro que não. Não é a função que caracteriza o micro-nacionalismo. Não estamos falando aqui de funções; estamos falando de atuações. A atuação é livre, desde que real. Não há prisões para o realismo da atuação: a imaginação, aqui, é absolutamente livre para determinar quaisquer caminhos construtivos a uma estrutura social.

O jornalista é real. Um advogado é real. Um empresário que forneça serviços ou bens que crie ou altere benefícios é real. Um administrador público também.

Mas um cortador de cana não me parece real dentro do ambiente micronacional.

Montenero:

Assim a funcionalidade estaria acima da personalidade. Parece-me que quando coloca o objetivo (fim, escopo…) antes da personalidade acaba por fazer uma inversão…

Filipe Sales:

Não consigo verificar onde a personalidade seja limitada pela funcionalidade. Andam, na verdade, ao lado no mesmo caminho. A personalidade não me parece existir sem a funcionalidade, sob pena de afastamento completo da ética e da consciência. Da mesma forma, a funcionalidade sem a personalidade acarreta em um indivíduo estéril.

Montenero:

Parece meio existencialista, quero dizer, só a parte em que a personalidade segue a funcionalidade… Pareceu-me à primeira vista que antepõe a funcionalidade à personalidade… É fato que não dá pra cortar canas no micro-nacionalismo, contudo, é a pessoa que sustenta a atividade e não a atividade que sustenta a pessoa

Filipe Sales:

A pessoa sustenta a atividade, mas ao criar um objetivo de se manter no micro-nacionalismo, não estamos limitando a pessoa; estamos dando norte e valores a ela. O utilitarismo do socioculturalismo, sob nossa perspectiva, é absolutamente necessário, como é a moral e a ética para delimitar valores a nortear nossa conduta.

É uma comparação superficial, mas ilustra que o homem precisa da identificação de caminhos para dar eficiência a sua atuação

Montenero:

Na perspectiva socioculturalista, qual o papel de uma Micro Igreja Católica?

Filipe Sales:

O mesmo papel que qualquer entidade religiosa possui no mundo: o norteamento de valores morais vinculados a religião, e o cuidado para que as pessoas não se desviem dos conceitos de “certo” e “errado”

A Micro Igreja expõe que todo católico é responsável por cuidar desses valores no ambiente em que se encontra. O “bispo” micro-nacional não tem a autoridade da Santa Sé para exercer a função episcopal relacionada, mas tem o mesmo dever de cuidar dos valores católicos. Ao fim, a atuação se tornaria idêntica, porque no micro-nacionalismo não existe o contato pessoal que faria essa diferença.

O “clero” católico no micro-nacionalismo se utiliza de títulos que não relacionam poder dentro da Santa Sé, mas dentro de sua micro-estrutura, deveria relacionar dever. O mesmo dever que qualquer católico, bispo ou não, possui.

Montenero:

Decerto um momento precioso para nosso leitor, o que esclarece muitos pontos de vistas, mas levanta outros pontos polêmicos que certamente ainda carecem de muita conversa, chá e Montenero.

Até mais!